segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Notícia em destaque - Madeira mais dependente do petróleo

Lê-se no Diário de Notícias da Madeira:

PRODUÇÃO DE ELECTRICIDADE DEPENDE MENOS DA ÁGUA E DO VENTO E MAIS DO LIXO

A informação oficial é de que a Madeira caminha no sentido de ser uma região exemplar em termos ambientais. A partir de uma estratégica energética que privilegia as fontes renováveis, a muito prometida introdução do gás natural e uma maior aposta nas eólicas, na biomassa e na energia a partir do sol.

Um olhar mais atento aos indicadores permite outra conclusão: a Madeira nunca esteve tão dependente do petróleo para produzir energia eléctrica como agora. Ainda que a energia a partir do vento ou dos resíduos sólidos seja hoje superior, naturalmente.

Vento vale menos 16,5%

Na Madeira a produção a partir do vento atingiu os 11.189.898 KWh, um valor curiosamente inferior em 16,5% à registada no final de 2006.

Estes indicadores, per si, não revelam que apesar da produção de energia na Região ter subido 1,7% em 2007, face ao ano anterior, esta subida foi garantida à custa do recurso ao petróleo, pois a produção térmica subiu 8,3%, enquanto a hídrica (-42,3%) e a eólica (-16,5%) desceram.

A situação da Madeira é, mesmo, sui generis. No início da década de oitenta a produção de energia a partir da água representava 22,1%. Ou seja, 77,9% da produção era térmica. Vinte e cinco anos depois, a produção de electricidade com origem hídrica representa apenas 6,9% do total da produção regional, já que o petróleo é a fonte com maior peso: 91,8%! Ou seja, apesar dos constantes anúncios da importância das fontes renováveis da estratégia da Região, o que é um facto é que em 2007 a Madeira dependeu como nunca da produção térmica para assegurar as suas necessidades.

Térmica subiu mais de 400%

Importa destacar, por ser verdade, que a produção de electricidade a partir da água representou, em termos nominais, mais 60% do que tinha sido produzido em 1982. Mas em igual período a produção térmica disparou 400%.

Desde 1996 que as estatísticas registam a produção de origem eólica. E desde então o crescimento foi superior aos 4.000%.

Novidade, mesmo, é a produção conseguida a partir dos resíduos sólidos. Na Estação de Tratamento da Meia Serra, a incineração do lixo garantiu a produção de 52,90 Gwh, com a particularidade de 72% desta produção ter sido introduzida na rede pública, o que representa 4,3% da produção de energia eléctrica.

Divergir de Portugal e Açores

Deste modo, a produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis corresponde a 13,7% do total da produção regional, o que nos faz divergir da média nacional (29,5%) e mesmo dos Açores (16,7%).

É óbvio que com a introdução do gás natural, bem como a a instalação de 27 novos aerogeradores, que vão produzir 25 MW de energia, triplicando a actual capacidade, a Região conta que o peso das eólicas atinja a curto prazo uns significativos 7,5% e com isso reduza a dependência do petróleo.

Portugal: produção de energia a partir do vento cresceu 30%

Segundo dados da Direcção Geral de Energia e Geologia, Portugal atingiu uma potência renovável instalada de 8.052 megawatts (MW) no final de Outubro de 2008. A produção eólica, de Janeiro a Outubro de 2008, cresceu 30% relativamente a igual período de 2007.

A potência eólica instalada no final de Outubro de 2008 situava-se em 2.740 MW, distribuída por 166 parques, com um total de 1 463 aerogeradores ao longo de todo o território Continental. Os distritos com maior potência instalada são Viseu, Castelo Branco, Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, Vila Real, Leiria, Santarém e Braga. Apesar disto, a produção total de energia eléctrica, a partir de fontes de energia renovável diminuiu 18% de Janeiro a Outubro de 2008, relativamente a igual período de 2007, devido ao comportamento da componente hídrica.

A produção hídrica registou uma quebra 34 %, devido, essencialmente, à diminuição da produção nas bacias do Douro (-63 por cento), Lima (-57 por cento) e Tejo (-53 por cento). Até Outubro de 2008 foram licenciados em Portugal cerca de 9. 653 MW de instalações electroprodutoras a partir de fontes renováveis - mais 20 por cento relativamente à potência instalada actualmente - das quais 3 740 MW de potência eólica.

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