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terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Não ao Acordo Ortográfico
Como devem ter notado, coloquei na barra lateral do Outras Escritas um selo que afirma a minha oposição à entrada em vigor do Acordo Ortográfico.
Sou português, tenho orgulho na língua portuguesa e recuso-me a escrever em brasileiro (a não ser que seja obrigado a tal em documentação oficial).
Convido todos os meus leitores a assinarem a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) Contra o Acordo Ortográfico. Toda a informação sobre esta iniciativa está disponível em http://ilcao.cedilha.net/ e a declaração devidamente preenchida e assinada pode ser enviada por correio electrónico.
Atenção! Não basta carregar em "gosto" no Facebook, é preciso agir...
Eu já assinei!
domingo, 1 de agosto de 2010
Boas
Parece que se está a "institucionalizar" a utilização do feminino plural do adjectivo bom, como forma de saudação.
Ou seja, dizer boas como quem diz: Olá, bom dia, boa tarde ou boa noite.
Ora o adjectivo bom, no plural feminino não define por si só nenhuma forma de saudação. Quando muito pode ser utilizado precedendo as palavras tardes ou noites - boas tardes ou boas noites.
Tudo isto me leva sempre a responder à saudação boas, com a pergunta: Boas quê?
Dá assim tanto trabalho escrever ou dizer, bom dia, boa tarde ou boa noite? E um simples olá?
Já agora, deixo aqui as definições de bom e de boa, constantes na Infopédia.
Ou seja, dizer boas como quem diz: Olá, bom dia, boa tarde ou boa noite.
Ora o adjectivo bom, no plural feminino não define por si só nenhuma forma de saudação. Quando muito pode ser utilizado precedendo as palavras tardes ou noites - boas tardes ou boas noites.
Tudo isto me leva sempre a responder à saudação boas, com a pergunta: Boas quê?
Dá assim tanto trabalho escrever ou dizer, bom dia, boa tarde ou boa noite? E um simples olá?
Já agora, deixo aqui as definições de bom e de boa, constantes na Infopédia.
bom
adjectivo
nome masculino[feminino: boa]
| 1. | que é conforme ao uso a que é destinado; próprio |
| 2. | de boa qualidade |
| 3. | que tem bondade |
| 4. | competente; eficiente |
| 5. | vantajoso |
| 6. | agradável |
| 7. | útil |
| 8. | saudável |
| 9. | saboroso |
| 10. | que funciona bem |
| 11. | perfeito |
| 12. | virtuoso; nobre |
| 13. | seguro; garantido |
| 14. | calão que é muito atraente, que é bem-feito |
| 1. | homem bondoso |
| 2. | gíria académica classificação escolar entre o suficiente e o muito bom; bom! exclamação que exprime desaprovação/censura ou que introduz algo que se vai dizer a seguir; às boas amigavelmente; do bom e do melhor da mais alta qualidade, de categoria; coloquial essa é boa expressão usada ironicamente para exprimir desagrado ou indignação |
boa [o]
nome feminino
| 1. | ZOOLOGIA serpente de grandes dimensões, geralmente não venenosa, da América tropical; jibóia |
| 2. | agasalho em forma de rolo, que as mulheres usam à volta do pescoço |
domingo, 20 de junho de 2010
Regresso de férias

Regresso a casa depois de um curto período de férias. E o que acontece?
Encontro o país num estado de crise pior do que quando dele saí; morre o escritor português mais reconhecido internacionalmente e um Presidente da República amorfo, não se diga interromper umas mini-férias com o seu "netinho" para estar presente na cerimónia fúnebre e, para completar, voltaram as bandeirolas "foleiras" a aparecer penduradas nas varandas e nos automóveis.
Não me identificando com a ideologia política de Saramago, começo a compreender a vontade que ele tinha de não ser português.
E, já agora, sabem os meus leitores qual foi o país da União Europeia onde as vendas de carros novos mais aumentaram no último trimestre? Foi Portugal, claro está. Os pobres dos Alemães foram os que menos carros compraram.
Tomem e embrulhem!
Encontro o país num estado de crise pior do que quando dele saí; morre o escritor português mais reconhecido internacionalmente e um Presidente da República amorfo, não se diga interromper umas mini-férias com o seu "netinho" para estar presente na cerimónia fúnebre e, para completar, voltaram as bandeirolas "foleiras" a aparecer penduradas nas varandas e nos automóveis.
Não me identificando com a ideologia política de Saramago, começo a compreender a vontade que ele tinha de não ser português.
E, já agora, sabem os meus leitores qual foi o país da União Europeia onde as vendas de carros novos mais aumentaram no último trimestre? Foi Portugal, claro está. Os pobres dos Alemães foram os que menos carros compraram.
Tomem e embrulhem!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Pobríssimo?
Pobríssimo, foi a palavra que li ontem no meu livro de cabeceira, A Sangue Frio de Truman Capote.
Paupérrimo é o superlativo absoluto sintético do adjectivo pobre. Foi assim que aprendi e parece que assim se mantém.
Claro que se fizerem uma pesquisa na Internet encontram vários artigos em português brasileiro que referem que se podem utilizar as duas palavras. Não me convencem, no entanto. São excepções como estas que enriquecem uma língua e o Português Europeu está cheio delas.
Paupérrimo é o superlativo absoluto sintético do adjectivo pobre. Foi assim que aprendi e parece que assim se mantém.
Claro que se fizerem uma pesquisa na Internet encontram vários artigos em português brasileiro que referem que se podem utilizar as duas palavras. Não me convencem, no entanto. São excepções como estas que enriquecem uma língua e o Português Europeu está cheio delas.
terça-feira, 9 de março de 2010
Escuteiro ou Escoteiro
Jantei com um grupo de amigos entusiastas da aviação (Madeira Spotters) no passado Domingo. Um deles faz voluntariado com um grupo de Escuteiros desde a tragédia do dia 20 de Fevereiro. Em conversa sobre os grupos de escuteiros, ele referiu que na Madeira (correcção: a nível nacional) existem os ESCUTEIROS e os ESCOTEIROS.Todos achámos estranho a palavra escoteiro, e eu fiquei de verificar se na realidade se podem usar as duas palavras.
A resposta é que, ambas as palavras existem (o que foi uma surpresa para mim), mas não querem dizer a mesma coisa.
Da Infopédia:
Escuteiro:
nome masculino
indivíduo pertencente a uma associação praticante do escutismo
Escoteiro:
nome masculino
adjectivo| 1. | aquele que viaja sem bagagem, gastando por escote nas estalagens |
| 2.pioneiro |
| 1. | desacompanhado |
| 2. | leve |
| 3. | veloz |
O que me leva a concluir que, apesar de existir, a palavra escoteiro está mal aplicada no contexto referido.
Adenda:
Afinal, parece que não...
No site dos ESCOTEIROS de Portugal:
Escotismo / Escutismo
Para quem não conhece a A.E.P. e a História do Escotismo em Portugal pode parecer estranho que se utilizem duas grafias para uma palavra, que, além de homófona é homónima. São vulgares as acusações de erro ortográfico a quem utiliza a expressão "escotismo" - assim mesmo, com um "o" - em vez do actualmente mais vulgarizado "escutismo", com "u"Afinal, qual delas está certa? Estão as duas, como adiante veremos, embora talvez mais a primeira.
Em 1913, após experiências feitas por vários grupos, foi fundada a primeira associação escotista portuguesa, a A.E.P. - Escoteiros de Portugal, segundo os princípios delineados por Lord Baden-Powell, o fundador do movimento escotista. Porque a adopção do estrangeirismo “boy-scouts” não agradou aos seus mentores, foi adoptada uma palavra já existente na língua portuguesa, com uma fonética e um significado muito semelhantes ao scout saxónico: escoteiro, (s.m.) pioneiro; aquele que viaja sem bagagem, gastando por escote; adj. leve; veloz. (Dicionário Porto Editora)
Em 1923, a Igreja Católica idealizou criar outra associação escotista, mas com carácter uniconfessional, destinada exclusivamente aos jovens que professavam a religião Católica Romana. Assim nasceu o "Corpo de Scouts Católicos Portugueses", mais tarde "Corpo Nacional de Scouts".
Por desconhecimento da pronúncia inglesa e inspiração no escotismo católico francês, a expressão "scout" era pronunciada à maneira francesa: "secúte". E, embora com outro desfecho, a história repetiu-se - os responsáveis daquele movimento católico tentaram encontrar uma palavra portuguesa que soasse ao ouvido de uma maneira próxima de "secúte" e com um significado ajustável. Escolheram o "escuta", justificando que, para além da semelhança fonética, o "scout" era atento e observador e, por isso, se adequava ao significado da palavra. Apesar de ser um conceito muito redutor veio a vingar, dando origem ao "Corpo Nacional de Escutas".Durante o regime anterior ao 25 de Abril de 1974, a AEP sobreviveu com grandes dificuldades, sendo considerada indesejável e apenas tolerada. Chegou mesmo a ser publicado um Decreto que extinguia a actividade da AEP nas colónias. Entretanto, o CNE, sob os auspícios da Igreja, atingiu uma notável expansão e, felizmente, conseguiu manter acesa a chama escotista durante a longa noite da ditadura. Enquanto o "escotismo" definhava, o "escutismo" foi-se tornando cada vez mais conhecido dos portugueses.
No entanto, até meados do século, é mais frequente encontrar a grafia "escotismo" em livros e jornais portugueses. No entanto o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa reconhece as duas grafias, tanto mais que os brasileiros sempre escreveram "escoteiro".
Esta diferenciação, nunca foi objecto de grande polémica, até porque os escoteiros consideram-se irmãos entre si e os valores da fraternidade escotista estão muito acima de meros preciosismos etimológicos. Pelo contrário, os escoteiros até consideram vantajosa a existência das duas grafias, pois assim se torna muito mais fácil identificar a que associação pertence o adepto dos ideais de Baden-Powell.
E no FLIP
Relativamente ao uso geral da língua, as palavras escoteiro/escuteiro e escotismo/escutismo correspondem a dois pares de sinónimos, a que se podem juntar outros pares como escotista/escutista ou escoteirismo/escuteirismo. Qualquer delas está correcta ortograficamente e pode dizer-se que são pares de variantes gráficas homófonas.
A discussão que se gera à volta delas decorre essencialmente do registo lexicográfico destas palavras (ou da ausência dele) ou de visões ligeiramente diferentes do chamado movimento escutista (ou escotista).
Para compreendermos melhor os argumentos utilizados, é necessário fazer alguma pesquisa, não tanto linguística, mas acerca da história do próprio movimento escutista em Portugal, que permita perceber o motivo da existência destas variantes (no Brasil, o problema não se coloca, pois as variantes com -u- são consideradas lusismos). Para isso, é esclarecedora a breve nota a que podemos aceder no sítio da Associação de Escoteiros de Portugal, que nos apresenta brevemente a história do movimento, salientando que esta foi esta primeira associação de Portugal que utilizou a palavra escoteiro, já existente na língua e com o significado de "pessoa que viaja sem bagagem", para traduzir o inglês scout. Só mais tarde apareceu o Corpo Nacional de Escutas, movimento católico que assumiu uma dimensão maior e que, para a tradução de scout, utilizou a palavra escuta (de que depois derivaram escuteiro e escutista), já existente na língua como derivado regressivo do verbo escutar.
Sem ter a pretensão de fazer um levantamento exaustivo na lexicografia portuguesa, podemos verificar no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado que a palavra escoteiro está documentada na língua desde o séc. XVI em Lendas da Índia por Gaspar Correia, publicadas pela Ordem da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras da Academia Real das Ciências de Lisboa, sob a direcção de Rodrigo José de Lima Felner, 1858: "...tudo puderam bem carregar, ficando os homens escoteiros e despejados para andar o caminho". O registo da acepção que diz respeito aos membros de movimentos semelhantes àquele que foi criado por Baden-Powell é bem mais recente.
Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa (Coimbra: Coimbra Editora, 1966), referência importante para a lexicografia portuguesa, considera escoteiro, escotismo e escotista como variantes brasileiras de escuteiro, escutismo e escutista, respectivamente. Nesta opção, segue o que está no Vocabulário Ortográfico Resumido da Língua Portuguesa, da Academia das Ciências de Lisboa (Lisboa: Imprensa Nacional de Lisboa, 1947).
Também o dicionário de Cândido de Figueiredo regista escoteiro como brasileirismo, na acepção que aqui nos interessa e as formas escuta e escuteiro como as preferenciais em Portugal. De notar que estamos a falar da edição coordenada por Rui Guedes (25.ª ed., 1996), pois em edições antigas, nomeadamente na edição de 1913, por exemplo, apenas consta a entrada escoteiro, com a acepção "aquele que viaja sem bagagem".
José Pedro Machado, nas várias edições do Grande Dicionário da Língua Portuguesa (por exemplo, Lisboa: Amigos do Livro, 1981 e Lisboa: Círculo de Leitores, 1991), outra grande referência na lexicografia portuguesa, regista também escuteiro (assinalando neste verbete, que "No Brasil, usa-se a forma escoteiro"), escutismo e escutista (nestes dois últimos verbetes, confrontando com as formas em -o- para avisar o consulente de que se trata de verbetes diferentes, não sinónimos). Curiosamente, não regista escuteirismo, mas sim escoteirismo, definindo-o de maneira bastante abrangente, de modo a incluir o movimento idealizado por Baden-Powell e qualquer movimento organizado em moldes semelhantes. Por outro lado, se no verbete escuteiro este dicionário assinala a forma escoteiro como brasileira, no verbete escoteiro, com o sentido sobre os qual nos debruçamos, não tem qualquer indicação de que se trata de brasileirismo, estando o verbete escoteiro definido, com etimologia e sem qualquer registo geográfico (o mesmo acontece com escotismo, que remete para escoteirismo).
O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (Lisboa: Verbo, 2001), por sua vez, parece ser o primeiro a registar os vários pares de variantes gráficas, sem distinguir registos de língua pertinentes. Neste sentido apresenta a definição nas formas com -u-, por serem mais usuais, e uma remissão nas formas com -o-.
Por motivos diversos, quer etimológicos, quer históricos, estes pares de palavras surgiram na língua, à semelhança de muitos outros casos de variação, e podem ser considerados sinónimos, sem que haja motivo para considerar uma ou outra forma mais correcta do que outra. Adicionalmente, e sobretudo entre os membros ou simpatizantes do movimento escotista/escutista em Portugal, a distinção escoteiro ou escuteiro permite também distinguir, respectivamente, entre os membros da Associação de Escoteiros de Portugal (de cariz interconfessional) e os membros, bem mais numerosos, do Corpo Nacional de Escutas (de cariz católico e estruturado numa relação directa com as dioceses).
Apesar de tudo, não me parece correcto que se usem as duas palavras que, ainda por cima são homófonas.
Imaginem a situação:
Alguém me diz: Eu sou esco/uteiro. Ao que me vejo obrigado a perguntar: Mas é esco/uteiro com "u" ou com "o"?
terça-feira, 23 de junho de 2009
Língua Portuguesa
quarta-feira, 18 de março de 2009
António Nobre
No dia 18 de Março de 1900, morria no Porto o poeta António Nobre.Da Infopédia:
Poeta português, nascido em 1867, no Porto, e falecido a 18 de Março de 1900, na mesma cidade. A infância e a adolescência de António Nobre foram passadas entre Leça da Palmeira, onde o pai, antigo emigrado no Brasil, possuía uma quinta, e a Foz do Douro. Tendo estudado em colégios do Porto, frequentou os principais centros da boémia portuense, convivendo com figuras literárias como Raul Brandão e Júlio Brandão e publicando criação poética. Frequentou posteriormente a Faculdade de Direito de Coimbra, onde, com Alberto de Oliveira, fundou a revista Boémia Nova, cuja polémica com a publicação de Insubmissos, de Eugénio de Castro, constituiu um marco na emergência do Simbolismo e do Decadentismo em Portugal. Foi em Coimbra que, habitando a fortificação medieval que ficaria conhecida como "Torre de Anto", se acentuou o culto por uma postura romântica e egocêntrica, e que elaborou grande número das composições que viriam a integrar a sua principal obra publicada em vida. Em Paris, desde 1890, forma-se em Direito na Sorbonne e, conquanto à margem da dinâmica literária francesa que, por essa altura, consagra o Simbolismo, publica Só, em 1892, obra onde a voz do lusíada exilado reinventa, entre nostálgico e auto-irónico, uma existência que, nutrida nas tradições de um Portugal puro e preservado, o votou à solidão e ao sofrimento. Não chegando a ocupar o lugar de cônsul para que concorrera em 1893, os últimos anos de vida de António Nobre serão marcados por deslocações frequentes entre os lugares da sua infância e juventude e lugares de repouso, como a Suíça e a Madeira. Uma leitura literal de um biografismo assumido com emotividade e a evocação de um "Portugal da minha infância", vislumbrado em paisagens rurais e em textos plasmados sobre formas populares, permitiu que a publicação de Só surgisse como um modelo a um tempo de uma estética neo-romântica e neogarrettista que, pelo menos desde o início dos anos 90, fora elaborando as suas propostas teóricas. Mas, na verdade, o mais original do volume passa por uma forma antideclamatória que, inserindo-se num dolorismo e confessionalismo lírico, frequentemente de inspiração autobiográfica, busca a impressão de extrema simplicidade, delindo na sua elaboração a cultura literária e o rigor construtivo que lhe subjazem. É neste sentido que António Nobre se insere numa poesia portuguesa pré-modernista, ao colocar em questão uma língua poética fortemente convencional e normativa. Segundo Gastão Cruz, "enquanto Cesário revoluciona fundamentalmente o nível linguístico, através da renovação vocabular, a revolução de Nobre, não deixando de situar-se igualmente num plano semântico, e por vezes com uma liberdade de associações e uma violência que encontram o que encontramos em Cesário [...], abala, pela primeira vez, os alicerces, e toda a construção, do edifício romântico-parnasiano." (CF. CRUZ, Gastão - A Poesia Portuguesa Hoje, 2.ª ed. aum., Lisboa, Relógio d'Água, Lisboa, 1999, pp. 20-21). No ano de 2000 comemorou-se o centenário da sua morte, através de publicações que relembram a sua vida pessoal e poética, entre outros eventos. Bibliografia: Só, Paris, 1892; Ao Cair das Folhas, Lisboa, 1895; Despedidas, Porto, 1902; Lisboa: Poesia, Lisboa, 1914; Primeiros Versos, Porto, 1937; Canção da Felicidade, Porto, 1951; Alicerces, seguido de Livro de Apontamentos, Lisboa, 1983; Cartas e Bilhetes Postais a J. de Montalvão, Porto, s/d; Cartas Inéditas de António Nobre, Coimbra, 1933; Correspondência com Cândida Ramos, Porto, 1981; Correspondência, Lisboa, 1982
António Nobre. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-18]
domingo, 1 de março de 2009
Notícia em Destaque - Acordo Ortográfico Jornais não consideram prioritária adaptação às novas regras
Fiquei contente com esta notícia. Quanto mais tarde tivermos que ler em "brasileiro", melhor.Lê-se no "site" da SIC:
A maioria dos directores dos jornais portugueses considera que a adaptação ao novo acordo ortográfico, que entrou em vigor no Brasil no primeiro dia de 2009, não é uma questão prioritária, mas há quem já tenha metas traçadas.
"Neste momento esse tema não é prioritário e não temos planos nem datas", disse o director do Público, José Manuel Fernandes. Também no semanário Expresso ainda não há data marcada para a mudança. O director do título, Henrique Monteiro, acredita que a adaptação deverá ser feita a nível do grupo Impresa, e não só do Expresso, o que passará por "acordos com os restantes directores das publicações".
No desportivo O Jogo, o tema já começou a ser "discutido", mas ainda não há conclusões até porque no jornal há agora "outras prioridades", de acordo com o director do jornal, Manuel Tavares. O Correio da Manhã já tem uma "estratégia traçada", mas Octávio Ribeiro, director do título escusou-se a adiantar mais pormenores. "Anunciaremos (estratégia) aos nossos leitores a 19 de Março, dia em que faremos 30 anos", adiantou. Entre os poucos títulos que já adoptaram as novas regras, conta-se o desportivo Record onde desde 1 de Janeiro já é possível ler algumas notícias que respeitam o novo acordo ortográfico. No primeiro dia do ano, a mudança foi referida no editorial do jornal. Desde então, todos os dias é publicado numa das últimas páginas um pequeno texto destinado "a quem estranha".
"Record atualiza-se - Estamos já a aplicar o Novo Acordo Ortográfico. Dada a complexidade da mudança, durante alguns meses utilizaremos nas nossas colunas a ortografia nova e a antiga, para o que pedimos a compreensão dos leitores", pode ler-se no jornal. Também o mais antigo jornal de Coimbra, O Despertar, adoptou no início do ano o novo acordo ortográfico. Quase 20 anos para ser implantado Em Portugal, o segundo protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a sua entrada em vigor, foi aprovado no Parlamento em Maio e promulgado pelo Presidente da República em Julho. O Acordo Ortográfico foi aprovado em Dezembro de 1990 por representantes de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, porque Timor-Leste só aderiu em 2004, após a independência face à Indonésia. Para vigorar, o acordo tem de estar ratificado por um mínimo de três dos oito países, o que foi alcançado em 2006 com São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil, seguidos de Portugal.
In SIC
domingo, 11 de janeiro de 2009
Al Berto
No dia 11 de Janeiro de 1948 nascia em Lisboa Alberto Raposo Pidwell Tavares.Da Infopédia:
Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de Janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 1997, em Lisboa. Tendo vivido até à adolescência em Sines, exilou-se, entre 1967 e 1975, em Bruxelas, dedicando-se, entre outras actividades, ao estudo de Belas-Artes. Publicou o primeiro livro dois anos depois de regressar a Portugal. Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudónimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. Trazendo à memória as experiências poéticas de Michaux ou de Rimbaud, é no próprio sofrimento, na sua violenta exaltação, na capacidade de o tornar insuportavelmente presente (nas imagens de uma cidade putrefacta, na obsidiante recorrência da morte e do mal, sob todas as suas formas) que a palavra encontra o seu poder exorcizante, combatendo o mal com o mal. É neste sentido que Ramos Rosa fala de uma "poesia da violência do mundo e da realidade insuportável": "a opacidade do mal ou a agressividade do mundo é tão intensa que provoca um choque e um desmoronamento geral", mas "à violência desta destruição responde o poeta com uma violenta negatividade que é uma pulsão de liberdade absoluta, que procura por todos os meios o seu espaço vital.", sublinhando ainda a forma como esta espécie de "grito de fragilidade extrema e irredutível do ser humano, do seu desamparado infinito, da sua revolta absoluta e sem esperança", se consubstancia, ao nível do estilo, num ritmo "ofegante, precipitado, como um assalto contínuo feito de palavras tão violentas como instrumentos de guerra" (cf. ROSA, António Ramos - A Parede Azul. Estudos Sobre Poesia e Artes Plásticas, Lisboa, Caminho, 1991, pp. 120-121). No domínio editorial, a sua actividade pautou-se pela isenção e certa ousadia relativamente às políticas comerciais livreiras dominantes. Inicialmente seguindo uma estética surrealizante de temática erótica, em O Anjo Mudo (1993) funde prosa e poesia, exprime intertextualidades, numa viagem marginal e purificadora. A quase totalidade da sua obra poética encontra-se coligida em O Medo. Foi galardoado com o Prémio Pen Club de Poesia em 1987.
Bibliografia: À Procura do Vento num Jardim d'Agosto, Lisboa, 1977; Meu Fruto de Morder Todas as Horas, Lisboa, 1980; Trabalhos do Olhar, Lisboa, 1982; O Último Habitante, Lisboa, 1983; Salsugem, Lisboa, 1984; A Seguir o Deserto, Lisboa, 1984; Três Cartas da Memória das Índias, Lisboa, 1985; Uma Existência de Papel, Lisboa, 1985; O Medo - Trabalho Poético, 1974/1986, Lisboa, 1987; Lunário, Lisboa, 1988; O Livro dos Regressos, Lisboa, 1989; A Secreta Viagem das Imagens, Lisboa, 1991; Canto do Amigo Morto, Lisboa, 1991; O Medo - Trabalho Poético, 1974/1990, Lisboa, 1991; O Anjo Mudo, Lisboa, 1993; Luminoso Afogado, Lisboa, 1995; Horto de Incêndio, Lisboa, 1997
Al Berto. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-01-11]
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
"Maracujazeiro" ou "Maracujaleiro"
Hoje, numa reunião de trabalho, surgiu uma dúvida a todos os participantes sobre o nome que se dá à planta cujo fruto é o maracujá.Na Madeira, local onde estas plantas são muito frequentes, utiliza-se o termo "Maracujaleiro" para as designar. Porém, a palavra "Maracujaleiro" não existe no dicionário da língua portuguesa.
Da Infopédia:
maracujazeiro
nome masculino
| BOTÂNICA arbusto trepador, originário da América do Sul, da família das Passifloráceas, cujo fruto é o maracujá; martírios |
(De maracujá+z+-eiro)
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Amália Rodrigues
No dia 6 de Outubro de 1999 morria em Lisboa, aquela que foi considerada como um dos maiores ícones de Portugal. Amália Rodrigues.Da Infopédia:
Fadista e actriz, Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, a 23 de Julho de 1920, e faleceu, na mesma cidade, a 6 de Outubro de 1999. Filha de beirões radicados na capital, foi deixada ao cuidado dos avós maternos quando os pais regressaram à Beira Baixa. Tendo tido, ainda muito nova, várias ocupações - desde bordadeira até empregada de balcão -, cantou pela primeira vez em público em 1935, numa festa de beneficência, acompanhada por um tio. Ainda como fadista amadora chegou a usar o nome de Amália Rebordão, apelido que aproveitou de um dos seus irmãos, na altura um pugilista relativamente conhecido. Como profissional, estreou-se em 1939 no Retiro da Severa. Logo no ano seguinte actuou em Madrid, dando início a uma carreira nacional e internacional jamais igualada por qualquer outro artista português. Ainda em 1940, estreou-se como actriz no palco do Teatro Maria Vitória, como atracção convidada, na revista Ora Vai Tu!, seguindo-se, nos anos seguintes, muitas outras participações em peças revisteiras (Espera de Toiros, Essa é que é Essa, Boa Nova, entre outras), operetas (Rosa Cantadeira, A Senhora da Atalaia e Mouraria, por exemplo) e teatro declamado (A Severa, 1955). Em 1944, viajou pela primeira vez para o Brasil onde o sucesso obtido foi tão grande que acabaria por lá permanecer mais tempo do que o previsto e por lá voltar muitas mais vezes. Capas Negras, um dos maiores êxitos de sempre no cinema português, realizado em 1946 por Armando de Miranda, viria a ser a rampa de lançamento de Amália na sétima arte. Outros filmes se seguiriam como Fado - História de Uma Cantadeira, 1947; Sol e Toiros, 1949; Os Amantes do Tejo, 1954; Sangue Toureiro, 1958; As Ilhas Encantadas, 1964; e Fado Corrido, 1964. Cantou pela primeira vez no Olympia de Paris, em 1956, numa festa de despedida de Josephine Baker, mas só no ano seguinte actuaria nesse palco como artista principal e absoluta. A sua voz poderosa e expressiva fez-se ouvir e aplaudir em quase todo o Mundo. Amália Rodrigues tornou-se a grande divulgadora do fado além-fronteiras e é reconhecida como a maior intérprete da já longa tradição desse tipo de música. Tendo gravado pela primeira vez em Portugal para a editora Melodia, seria a Valentim de Carvalho que, a partir de 1952, ficaria estreitamente ligada à discografia da cantora. Entre os seus fados de maior êxito encontram-se "O fado do ciúme", "Estranha forma de vida", "Povo que lavas no rio", "Lavava no rio, lavava", "Lágrima", "Ai, Mouraria", "Fado português", "Barco negro", "Casa portuguesa", "Vou dar de beber à dor", "Meia-Noite", "Casa da Mariquinhas", "Uma guitarra", "Erros meus" e "Foi Deus". Muitos dos seus fados contaram com o trabalho de excelentes letristas, entre os quais alguns dos mais destacados poetas portugueses contemporâneos, como José Régio, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill, Ary dos Santos, Manuel Alegre e José Afonso. Foram inúmeros os concertos que deu ao longo de toda a sua vida artística e foram também várias as situações em que foi venerada, como as que aconteceram no grande espectáculo de homenagem do Coliseu dos Recreios de Lisboa, onde recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e Espada (1990); na cerimónia em que François Miterrand, Presidente da República de França, lhe concedeu a Legião de Honra (1991); e no espectáculo da Gare Marítima de Alcântara, exibido em directo pela Radiotelevisão Portuguesa (1995). A RTP transmitiu também, em 1995, a série documental "Amália - Uma Estranha Forma de Vida", de Bruno de Almeida, que incluía imagens de arquivo, muitas delas inéditas. Amália Rodrigues actuou em público pela última vez no Coliseu dos Recreios, num espectáculo integrado na programação de "Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura". Pouco antes da sua morte, Segredo - um álbum editado pela EMI-VC, em 1997, com um conjunto de gravações inéditas da fadista realizadas entre 1965 e 1975 - foi galardoado com um disco de platina. A 8 de Julho de 2001, numa última homenagem prestada a Amália Rodrigues, o seu corpo foi trasladado para a Sala dos Escritores (agora Sala da Língua Portuguesa), no Panteão Nacional.
Amália Rodrigues. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-10-05]
Porque Amália é muito mais que fado, aqui fica a sua interpretação da que considero uma das mais belas melodias algumas vez escritas. Aranjuez, 2º andamento do Concerto de Aranjuez de Joaquín Rodrigo. Interpretado em francês...
domingo, 5 de outubro de 2008
"Estadia" ou "Estada"?
Quando escrevi o "post" anterior, veio-me à ideia uma questão relacionada com a palavra "estada". Até há alguns anos atrás sempre que se permanecia nalgum local temporariamente, dizia-se que tal tinha sido uma "estadia".O termo "estadia" deixou aparentemente de ser utilizado para esta situação, passado a usar-se o termo "estada". Acontece que "estada" nunca me soou bem. Cada vez que tenho que utilizar esta palavra, o pensamento "foge-me" para estadia.
Resolvi consultar a Infopédia.
Este foi o resultado:
Estadia
nome feminino
| 1. | residência durante um período de tempo; estada; permanência |
| 2. | tempo que o capitão de um navio fretado é obrigado a permanecer no porto de chegada |
| 3. | prazo concedido para a descarga e a carga da mercadoria de navio fretado |
nome feminino
| 1. | acto de estar |
| 2. | permanência; estadia |
| 3. | demora |
| 4. | estância |
Ou seja, embora actualmente seja mais comum utilizar a palavra "estada" para designar a permanência num local e "estadia" como o tempo de permanência de um navio num porto, as palavras são, segundo o dicionário, sinónimas.
Assim, sendo, penso que poderei usar a palavra estadia como o fazia antigamente.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Jose Régio
A 17 de Setembro de 1901 nascia em Vila do Conte o escritor José Régio.Da Infopédia:
Poeta, autor dramático e ficcionista, de seu nome verdadeiro José Maria dos Reis Pereira, nasceu em 1901, em Vila do Conde, onde faleceu em 1969. Formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Coimbra, com uma tese de licenciatura subordinada ao título As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa, na qual ousa apresentar como nome cimeiro da poesia contemporânea Fernando Pessoa, autor que não possuía ainda nenhuma edição em livro. É em Coimbra que colabora com as publicações Bysancio e Tríptico, convivendo com o grupo de escritores que virão a reunir-se em torno da criação da revista Presença. No primeiro número da revista, fundada com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, publicará o texto "Literatura Viva", que pode ser entendido como manifesto programático do grupo, defendendo que "Em arte, é vivo tudo o que é original. É original tudo o que provém da parte mais virgem, mais verdadeira e mais íntima duma personalidade artística", pelo que, "A primeira condição duma obra viva é pois ter uma personalidade e obedecer-lhe". Definindo "literatura viva" como "aquela em que o artista insuflou a sua própria vida, e que por isso mesmo passa a viver de vida própria.", aí reclama, para a obra artística, o carácter de "documento humano" e os critérios de originalidade e sinceridade.
As linhas mestras da sua poética surgem claramente logo no seu primeiro livro de poesia (Poemas de Deus e do Diabo, 1925), no qual o culto da originalidade, entendida como autenticidade expressiva, se processa tematicamente entre os pólos do Bem e do Mal, do espírito e da carne, e, enfim, do divino e do humano. Neste contexto, os neo-realistas criticaram o psicologismo da sua poesia, que consideravam excessivamente voltada "para o umbigo".
Como autor dramático, José Régio coligiu, em 1940, no Primeiro Volume de Teatro, textos dramáticos (Três Máscaras, Jacob e o Anjo) publicados dispersamente desde os anos trinta, a que se seguiriam o drama realista Benilde ou a Virgem-Mãe (1947), uma peça que veio a ser adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira, El-Rei Sebastião (1949), A Salvação do Mundo (1954), O Meu Caso ou Mário ou Eu-Próprio - O Outro (1957), peças que, em larga medida, estabelecem uma continuidade entre temas, problemáticas religiosas, humanas e metafísicas já abordadas na obra poética, transferindo o que esta possuía de forma latente em tensão dramática, patético e exibição emotiva para o registo teatral. É de destacar também O Jogo da Cabra Cega (1934), um romance marcado pelo recurso à técnica do monólogo interior. Postumamente foram editadas as memórias Confissão de um Homem Religioso. Comparecendo ainda em publicações como Portucale, Cadernos de Poesia ou Távola Redonda, José Régio organizou vários florilégios de poetas diversos, redigiu estudos prefaciais para poetas da geração da Presença e preparou a primeira série das Líricas Portuguesas.
Bibliografia: Poemas de Deus e do Diabo, s/l, 1925; Biografia, 1929; Encruzilhadas de Deus, s/l, 1935; Fado, Coimbra, 1941; Mas Deus é Grande, Lisboa, 1945; A Chaga do Lado, Lisboa, 1954; Filho do Homem, Lisboa, 1961; Cântico Suspenso, Porto, 1968; Música Ligeira, volume póstumo, Lisboa, 1970; Colheita da Tarde, 1971; 16 Poemas, Póvoa de Varzim, 1971; Jacob e o Anjo, Três Máscaras in Primeiro Volume de Teatro, Porto, 1940; Benilde ou a Virgem-Mãe, Porto, 1947; El-Rei Sebastião, Porto, 1949; A Salvação do Mundo, Lisboa, 1954; Três peças em um Acto, Lisboa, 1957; Sonho de uma Véspera de Exame, fantasia em um acto, Vila do Conde, 1989; O Jogo da Cabra Cega, Coimbra, 1934; Davam Grandes Passeios aos Domingos..., Lisboa, 1941; O Príncipe com Orelhas de Burro, Lisboa, 1942; Histórias de Mulheres, Porto, 1946; As Raízes do Futuro, romance, Porto, 1947; Há Mais Mundos, Lisboa, 1962; A Velha Casa: uma gota de sangue, Lisboa, 1945; A Velha Casa e os Avisos do Destino, Vila do Conde, 1953; As Monstruosidades Vulgares, romance, Lisboa, 1960; Há Mais Mundos, contos, Lisboa, 1963; Vidas São Vidas, romance, Lisboa, 1966; O Vestido Cor-de-Fogo e Outras Histórias, Lisboa, 1971; Correspondência: 1933-1958, Portalegre, 1994; As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa, s/l, 1925; António Botto e o Amor, Porto, 1938; Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa, Lisboa, 1941; Em Torno da Expressão Artística, Lisboa, 1941; Ensaios de Interpretação Crítica, Porto, 1964; Três Ensaios sobre Arte, Lisboa, 1967; Confissões de Um Homem Religioso, Porto, 1971; Páginas de Crítica e Crítica da "Presença", Porto, 1977; Páginas do Diário Íntimo, 1984; Crónica e Ensaio, I e II, 1994; Crítica e Ensaios, I e II, 1994; Correspondência, 1994
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Bocage
Nasce a 15 de Setembro de 1765 o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.Da Infopédia:
Considerado por muitos autores como o mais completo poeta do nosso século XVIII, Manuel Maria Barbosa du Bocage, filho de um advogado e de uma senhora francesa de quem herdou o último apelido, nasceu a 15 de Setembro de 1765, em Setúbal, e morreu a 21 de Dezembro de 1805, em Lisboa. Aos 16 anos assentou praça na Infantaria de Setúbal, mas em 1783 alistou-se na Academia Real da Marinha. Em Lisboa, participou na vida boémia e literária e começou a ganhar fama devido à sua veia de poeta satírico. Em 1786 embarcou para a Índia, chegando a ser promovido a tenente; em 1789 aventurou-se a ir a Macau e logo no ano seguinte regressou a Portugal. Em Lisboa encontrou a amada Gestrudes (em poesia Gestúria) casada com o seu irmão. Infeliz no amor, sem carreira e com dificuldades financeiras, dedicou-se à vida boémia e à poesia, tendo publicado, em 1791, o primeiro volume de Rimas . Aderiu então à Nova Arcádia (ou Academia de Belas Letras) onde recebeu o nome de Elmano Sadino. No entanto, Bocage, pela sua instabilidade e irreverência, não se adaptou ao convencionalismo arcádico e abriu conflitos com os seus confrades, sendo expulso em 1794. Três anos depois foi acusado de "herético perigoso e dissoluto de costumes" e, como era conhecida a sua simpatia pela Revolução Francesa, foi preso e condenado pela Inquisição. Quando saiu da reclusão, conformista e gasto, viu-se obrigado a viver da escrita (sobretudo de traduções). Apesar de ter recebido o auxílio de alguns amigos, acabaria por morrer doente e na miséria. Se formalmente a poesia bocagiana ainda é neoclássica, se nalgum vocabulário e nos processos de natureza alegórica ainda se sente a herança clássica, concretamente a camoniana, pelo temperamento, por grande parte dos temas (como o ciúme, a noite, a morte, o egotismo, a liberdade, o amor - muitas vezes manifestado por uma expressão erotizante) e pela insistência nalgumas imagens e verbos que denunciam uma vivência limite, pode bem dizer-se que uma parte significativa da produção poética de Bocage é já marcadamente pré-romântica, anunciando assim a nova época que se aproxima. Apesar de a sua poesia ser contraditória, irregular, e de os seus versos revelarem concessões artisticamente duvidosas, Bocage é considerado, com justeza, um dos maiores sonetistas portugueses. As obras de Bocage encontram-se editadas actualmente nas antologias: Opera Omnia, Poesias (antologia que inclui a lírica, a sátira e a erótica) e Poesias de Bocage. Bibliografia: Rimas de Manuel Maria de Barbosa du Bocage; tomo I, 1791; Rimas de Manuel Maria Barbosa du Bocage;tomo II, 1799 e Rimas de Manuel Maria Barbosa du Bocage, dedicadas à Il. ma e Ex.ma Sr. a Condessa de Oyenhausen, tomo III, 1804
sábado, 13 de setembro de 2008
Alexandre Herculano
No dia 13 de Setembro do ano de 1877, morre o escritor português Alexandre Herculano.Da Infopédia:
Poeta, romancista, historiador e ensaísta português, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu a 28 de Março de 1810, em Lisboa, e morreu a 18 de Setembro de 1877, em Santarém.
A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.
Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório, onde se iniciou também na leitura meditada da Bíblia, o que viria a marcar a sua mundividência. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras. Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime miguelista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes).
No exílio, aperfeiçoou o estudo da história, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott. Em 1832, participou no desembarque das tropas liberais em Mindelo e na defesa do Porto, onde foi nomeado segundo-bibliotecário e encarregue de organizar os arquivos da biblioteca. Entre 1834 e 1835, publicou importantes artigos de teorização literária na revista Repositório Literário, do Porto, (posteriormente compilados nos Opúsculos). Em 1836, por discordâncias com o governo setembrista, demitiu-se do seu cargo de bibliotecário e publicou o folheto A Voz do Profeta. Em Lisboa, dirigiu a mais importante revista literária do Romantismo português, O Panorama, para que contribuiria com diversos artigos, narrativas e traduções, nem sempre assinados. Em 1839, aceitou o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, prosseguindo os seus trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados no decurso das duas décadas seguintes. Foi precisamente por essa altura que se envolveu numa polémica com o clero, ao questionar o milagre de Ourique, polémica que daria origem aos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. Eleito deputado pelo Partido Cartista em 1840, demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a actividade parlamentar.
Voltou à política em 1851, fundou o jornal O País, mas logo se desiludiu com a Regeneração, manifestando o seu desagrado pela concepção meramente material de progresso de Fontes Pereira de Melo. Em 1853, fundou o jornal O Português, e dois anos depois foi nomeado vice-presidente da Academia Real das Ciências e incumbido pelos seus consórcios da recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV - tarefa que viria a traduzir-se na publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, iniciada em 1856. Neste mesmo ano tornou-se um dos fundadores do partido progressista histórico e em 1857 atacou a Concordata com a Santa Sé. Em 1858, recusou a cátedra de História no Curso Superior de Letras. Entre 1860 e 1865, envolveu-se em nova polémica com o clero, quando, ao participar na redacção do primeiro Código Civil Português, defendeu o casamento civil. Em 1865, fruto das suas reflexões, saíram os Estudos sobre o Casamento Civil. Em 1867, desgostoso com a morte precoce de D. Pedro V, rei em quem depositava muitas esperanças, e desiludido com a vida pública, retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (comprada com o produto da venda das suas obras), onde se dedicaria quase exclusivamente à vida rural, casando com D. Maria Hermínia Meira, sua namorada da juventude.
Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, interveio em 1871 contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária. Morreu de pneumonia aos 67 anos, originando manifestações nacionais de luto.
Bibliografia: Da imensa bibliografia de Alexandre Herculano salientam-se A Voz do Profeta, 1836 (poesias); A Harpa do Crente, 1838 (poesias); Eurico, o Presbítero, 1844 (romance); História de Portugal, 4 vols., 1846, 1847, 1850, 1853 (historiografia); O Monge de Cister, 1848 (romance); Poesias, 1850 (poesias); Lendas e Narrativas, 1851 (novelas); História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, 3 vols., 1854, 1855, 1859 (historiografia); Estudos sobre o Casamento Civil, 1866 (ensaios); O Bobo, 1878 (romance), Opúsculos, 2 vols., 1873, 1876 (compilação de textos)
sábado, 6 de setembro de 2008
Climatérico ou Climático?
Ontem, no festival Artmar de que já falei aqui no Outras Escritas, enquanto me abrigava da chuva debaixo de uma palmeira, falava com o amigo que me acompanhou sobre as alterações climatéricas.Climatéricas ou climáticas? Climatérico ou Climático?
Consultei a Infopédia. Eis o resultado:
Climatérico: adjectivo - relativo ao clima; climatológico
Climático: adjectivo - climatérico
Ou seja, pode-se usar qualquer uma das palavras. Se bem que "Climático" seja mais utilizado.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
António Lobo Antunes
No dia 1 de Setembro de 1942 nascia em Lisboa o escritor e médico António Lobo Antunes.Da Infopédia:
Escritor português nascido a 1 de Setembro de 1942, em Lisboa. Licenciado em Medicina e especializado em Psiquiatria, exerceu actividade clínica durante a guerra colonial em Angola, e, posteriormente, em Lisboa, no Hospital Miguel Bombarda. Acabou posteriormente por consagrar-se quase exclusivamente ao ofício da escrita, vontade expressa desde os princípios da sua adolescência. Como ele próprio afirmou, tirou a especialidade de psiquiatria por considerar que tem parecenças com a literatura. Nos primeiros livros publicados explorou a experiência da Guerra Colonial e com Os Cus de Judas conseguiu um sucesso notável, tornando-se um dos mais traduzidos e internacionalmente reconhecidos romancistas portugueses contemporâneos, tendo sido o convidado de honra do "Carrefour des Littératures" realizado em Maio de 2002. A partir desse romance - conclusão de uma trilogia de inspiração autobiográfica que, com Conhecimento do Inferno e Memória de Elefante, descrevia uma descida aos infernos, desde a experiência da guerra colonial até à perda do amor e ao regresso a um mundo de loucos - Lobo Antunes aperfeiçoou, durante a década de oitenta, uma cada vez maior desenvoltura na subversão das convenções narrativas quer do ponto de vista temático quer formal, o que culminaria com o fulgurante sucesso de Auto dos Danados, editado em 1985, obra galardoada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. O constante cruzamento de vozes e a multiplicação dos pontos de vista; o livre encadeamento dos substratos temporais; a desarticulação da sintaxe narrativa; a metaforização insólita e frequentemente erotizada das descrições; a auto-referencialidade e intertextualidade; a versatilidade de articulação de diversos registos de linguagem e a utilização de um léxico sem censuras, frequentemente agressivo e injurioso; ou a individualização de anti-heróis através dos quais se perspectiva uma realidade abjecta, social, histórica e moralmente degradada, são alguns dos traços que consubstanciaram, desde então, a novidade trazida pela novelística de António Lobo Antunes. Ao mesmo tempo, a autognose cruel do país pré e pós-revolucionário é feita com uma violência e negatividade tais que visam, não o lirismo de uma revolta impotente, mas, pelo contrário, tocando o humor negro, a anulação de qualquer sentimentalismo na dessacralização das imagens de um passado recente e na análise lúcida da loucura e desmoronamento colectivos. O Auto dos Danados é outra das suas obras que mereceu o grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores de 1986. A memória do passado serviu de pretexto para a reflexão sobre as relações humanas em Tratado das Paixões da Alma (1990) e a sua visão pessimista da vida confirmou-se com A Morte de Carlos Gardel (1994). Em 1996 foi publicado Manual dos Inquisidores, e, em 1997, O Esplendor de Portugal. Em 1999 escreveu Exortação aos Crocodilos, romance com que foi proposto para o Prémio Nobel da Literatura, e, em 2000, Não Entres tão Depressa Nessa Noite Escura. Na edição dos prémios União Latina de 2003, o escritor foi distinguido com o prémio de Literatura pelo conjunto da sua obra, que foi definida pelo presidente do júri como "a voz mais expressiva" da realidade portuguesa. Em reconhecimento do seu valor, foi também galardoado com o Jerusalem Prize 2004. No ano de 2004, pelo seu livro Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo (2003), foi galardoado com o prémio Fernando Namora. Ainda no mesmo ano lançou um novo livro, intitulado Eu Hei-de Amar uma Pedra, apresentado durante a comemoração dos seus 25 anos de carreira no Teatro S. Luiz, em Lisboa. No dia da cerimómia de entrega do prémio Fernando Namora (2004), a 25 de Janeiro de 2005, organizada no Teatro Auditório do Casino Estoril, Lobo Antunes foi condecorado pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago, a mais importante condecoração portuguesa atribuída às áreas de letras, artes e ciências. Ainda no mesmo ano, em Fevereiro, foi homenageado com o Jerusalem Prize 2005, pelo conjunto da sua obra. Bibliografia: Memória de Elefante, Lisboa, 1979; Os Cus de Judas, Lisboa, 1979; Conhecimento do Inferno, Lisboa, 1980; Explicação dos Pássaros, Lisboa, 1981; Fado Alexandrino, Lisboa, 1983; Auto dos Danados, Lisboa, 1985; As Naus, Lisboa, 1988; Tratado das Paixões da Alma, Lisboa, 1990; A Ordem Natural das Coisas, Lisboa, 1992; A Morte de Carlos Gardel, Lisboa, 1994; A História do Hidroavião, Lisboa, 1994; Crónicas, Lisboa, 1995; O Manual dos Inquisidores, Lisboa, 1996; O Esplendor de Portugal, Lisboa, 1997; Exortação aos Crocodilos, Lisboa, 1999; Livro de Crónicas, Lisboa, 2000; Não Entres tão Depressa nessa Noite Escura, Lisboa, 2000; Que Farei Quando Tudo Arde?, Lisboa, 2001; Algumas Crónicas, Lisboa, 2002; Segundo Livro de Crónicas, Lisboa, 2002; Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, Lisboa, 2003; Eu Hei-de Amar uma Pedra, Lisboa, 2004
sábado, 16 de agosto de 2008
Eça de Queiroz
A 16 de Agosto de 1900 morria um dos maiores escritores portugueses do século XIX, José Maria Eça de Queiroz.Da Infopédia:
Escritor português, José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de Novembro de 1845, na Póvoa de Varzim, filho de um magistrado, também ele escritor, e morreu a 16 de Agosto de 1900, em Paris. É considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária. Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70, já então aglutinados em torno da figura carismática de Antero de Quental, e onde acedeu às recentes ou redescobertas correntes ideológicas e literárias europeias: o Positivismo, o Socialismo, o Realismo-Naturalismo, sem, contudo, participar activamente na que seria a primeira polémica dessa geração, a Questão Coimbrã (1865-1866). Terminado o curso, iniciou a sua experiência jornalística como redactor do jornal O Distrito de Évora (1866) e como colaborador na Gazeta de Portugal, onde publicou muitos dos textos - indiciadores de uma nova estilística imaginativa - postumamente reeditados no volume das Prosas Bárbaras. Em 1867 fundou o jornal O Distrito de Évora. No final desse ano, formou-se o "Cenáculo", de que viriam a fazer parte, nesta primeira fase, além de Eça, Jaime Batalha Reis, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e Salomão Saragga, entre outros. Após uma viagem pelo Oriente, para assistir à inauguração do canal de Suez como correspondente do Diário Nacional, regressou a Lisboa, onde participou, com Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, na criação do poeta satânico Carlos Fradique Mendes e escreveu, em 1870, em parceria com Ramalho Ortigão, o Mistério da Estrada de Sintra. No ano seguinte, proferiu a conferência "O Realismo como nova expressão da Arte", integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola, com influência das doutrinas de Proudhon e Taine. No mesmo ano, iniciou, novamente com Ramalho, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa. Em 1872, iniciou também a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocuparia o cargo de cônsul sucessivamente em Havana (1872), Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888). O afastamento do meio português - aonde só ia muito espaçadamente - não o impediu de colaborar na nossa imprensa, com crónicas e contos, em jornais como A Actualidade, a Gazeta de Notícias, a Revista Moderna, o Diário de Portugal, e de fundar a Revista de Portugal (1889), dando-lhe um critério de observação mais objectivo e crítico da sociedade portuguesa, sobretudo das camadas mais altas. Aliás, foi em Inglaterra que Eça escreveu a parte mais significativa da sua obra, através da qual se revelou um dos mais notáveis artistas da língua portuguesa. Foi, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa, de onde se destacam O Primo Basílio (1878), O Crime do Padre Amaro (2.ª edição em livro, 1880), A Relíquia (1887) e Os Maias (1888), este último considerado a sua obra-prima. Parte da restante obra foi publicada já depois da sua morte, cuja comemoração do seu centenário teve lugar no ano 2000. Na obra deste vulto máximo da literatura portuguesa, criador do romance moderno, distinguem-se usualmente três fases estéticas: a primeira, de influência romântica, que engloba os textos posteriormente incluídos nas Prosas Bárbaras e vai até ao Mistério da Estrada de Sintra; a segunda, de afirmação do Realismo, que se inicia com a participação nas Conferências do Casino Lisbonense e se manifesta plenamente nos romances O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro; e a terceira, de superação do Realismo-Naturalismo, espelhada nos romances Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras. Bibliografia: Da imensa bibliografia de Eça de Queirós salientam-se O Mistério da Estrada de Sintra, 1870 (romance); O Primo Basílio, 1878 (romance); O Crime do Padre Amaro, 2.ª ed., 1880 (romance); O Mandarim, 1880 (conto); A Relíquia, 1887 (romance); Os Maias, 1888 (romance); Uma Campanha Alegre, 1890-1891 (crónicas); A Correspondência de Fradique Mendes, 1900 (romance, edição póstuma); A Ilustre Casa de Ramires, 1900 (romance, edição póstuma); Prosas Bárbaras, 1903 (crónicas, edição póstuma); Cartas de Inglaterra, 1905 (folhetins, edição póstuma); Ecos de Paris, 1905 (folhetins, edição póstuma); Notas Contemporâneas, 1909 (crónicas, edição póstuma); Últimas Páginas, 1912 (crónicas, edição póstuma); A Capital (romance, edição póstuma)
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