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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ainda há boas notícias (The Ritz)

Hoje "fingi" que era Sábado e saí pela manhã em direcção ao Golden Gate Café, para a tomar a minha bica acompanhada de uma torrada.

Pelo caminho verifique que o café "The Ritz" voltou a abrir portas!

O que até há bem pouco tempo era um stand de automóveis, voltou a ser o café Ritz. O café, em plena Avenida Arriaga, foi inaugurado em 1920 e esteve aberto até finais dos anos 60 do século passado.

O interessados na história do café podem consultar "este documento".

A Avenida Arriaga passa, desta forma, a ter três cafés (no sentido mais tradicional do termo): O Golden Gate, o "The Ritz" e o Café do Teatro.





segunda-feira, 12 de março de 2012

Artigo interessante sobre Lisboa na Opera News deste mês (em Inglês)


Road Show: Lisbon

JOHN ALLISON takes a look at the history of opera in the Portuguese capital — and the state of opera there today.
Road Show Lisbon lg 312
© Gregory Downer 2012
"What a day, what a day, for an auto-da-fé! What a sunny summer sky!" It goes without saying that the Lisbon depicted in Candide — Bernstein's as well as Voltaire's — is a very different place from the city that today counts as one of Europe's most enchanting capitals. Indeed, it changed radically and catastrophically on the very day Voltaire was prompted to recount: no "sunny summer's day," it was All Saint's Day, November 1, 1755, when the Great Earthquake struck and was felt as far away as Jamaica. On that morning, most of the population was at Mass, and many who made it down to the seafront to take refuge from falling buildings were swept away by the resulting tsunami. 
There was even an operatic casualty. The 600-seat Casa de Opera, situated near the royal palace and the banks of the Tagus river, had been open for only seven months when it was destroyed. (It had been inaugurated on March 31, 1755, withAlessandro nell'Indie, by David Perez, King José I's mestre de capela.) To judge by engravings of the ruin, it was a handsome building. When the city finally picked itself up again, opera performances were given in a variety of theaters, but the Casa's greatest and most enduring successor — the Teatro Nacional de São Carlos, still home to opera in Lisbon — was opened in 1793.
Attending a performance at the São Carlos today, in its exquisite five-tiered rococo auditorium, which currently seats around 850, may be one of the most overlooked pleasures of European operagoing, but one doesn't have to have had the privilege to picture the scene. With its neoclassical façade opening onto a little square in Lisbon's affluent Chiado quarter, it seems for nearly 220 years to have been a constant focal point of city life, and as such it is well documented in the pages of Portuguese literature. It crops up atmospherically from time to time as a backdrop to the bourgeois life drawn so piquantly in the great realist novels of Eça de Queirós.
With a performance schedule that is not exactly intense, the São Carlos leaves opera-lovers time to explore a fine eighteenth-century city (the legacy of that earthquake), laid out elegantly within a triangle of hills. There are still remnants of the pre-quake Lisbon, none more spectacular than the Mosteiro dos Jerónimos at Belém, a masterpiece of the exuberant "Manueline" architectural style named in honor of Manuel I, who ruled (1495–1521) at the apogee of Portugal's seafaring power. The monastery is built on the site where Vasco da Gama (who makes an appearance in Meyerbeer'sL'Africaine) spent his last night ashore in prayer before setting off to round the Cape and sail to India. This voyage is celebrated by Luís de Camões in his epic Os Lusíadas (The Lusiads); the towering poet himself puts in an appearance in Donizetti's Dom Sébastien, the grand opéra that anticipates Don CarlosDom Sébastien tells of how King Philip of Spain's nephew, Sebastião, crippled the proud seafaring nation with a disastrous crusade against Morocco.
Despite its touchy subject, Dom Sébastien was seen at the São Carlos in 1845, only two years after its premiere, and much other opera history has been made there. The theater is cozy yet capable of holding almost any work, including Wagner, though the composer's most recent appearances here have not involved the pit. In his radically-conceived Ring, staged in annual installments between 2006 and 2009, Graham Vick turned the theater back-to-front and (as it were) inside-out, putting the action on a platform built over the stalls and ranging the audience around in the theater's boxes and even on the regular stage. The in-the-round approach, allowing the audience to get unusually close to the performers, was made possible only through the vision and commitment of then-intendant and artistic director Paolo Pinamonti, an Italian who left in 2007 when the government set up the administrative body OPART, fusing the opera and ballet companies and forcing the former to absorb the latter's debts. 
Since then, CEOs have come and gone, and so has Pinamonti's artistic successor, German stage director Christoph Dammann. British conductor Martin André is now at the artistic helm, and the 2011–12 season (the first he has planned) is a good example of his vision. It opened in October with a new production of Don Carlo and includes such intriguing fare as a double bill of Busoni's Turandot and Rachmaninoff's Francesca da Rimini alongside rarities by Montsalvatge and Marcos Portugal. Nevertheless, the theater often appears to be muddling on and is always in danger of being treated as a political football. State funding commitments in Portugal have always been disclosed later than in most European countries, making advance planning (and the booking of international artists) difficult.
Opera may never have had the easiest time here, yet in a city where the twin impulses of poetry and song run so deep, it is unthinkable that it should disappear. It's not a far walk from the São Carlos up to the fado bars where the spirit of Amália Rodrigues lives on. Evoking a peculiarly Portuguese strand of fatalism — saudade — this is music that could only have evolved in a city perched on the edge of Europe. The same can be said of the melancholy poems of Fernando Pessoa, whose literary review Orpheu — which he founded to introduce modernism to Portugal — carried deep musical resonance in its very title. In the words of George Steiner, all Pessoa's writing "gives to Lisbon the haunting spell of Joyce's Dublin or Kafka's Prague." spacer 
JOHN ALLISON is editor of Opera magazine and chief music critic of The Sunday Telegraph

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Lisboa


Lisboa é a minha cidade de eleição em Portugal. É, sem dúvida, a cidade mais bonita do país e um local onde me sinto em casa, independentemente de todos os problemas inerentes a uma cidade com a sua dimensão.

Infelizmente, nunca vivi em Lisboa, mas devo confessar-vos que não me importava nada. Mas atenção! Quando digo "viver em Lisboa" refiro-me a Lisboa cidade e não aos tristes arrabaldes onde tanta gente é obrigada a viver.

Recebi hoje um postal de Lisboa. Foi-me enviado pela minha amiga Reflexos, que nasceu e sempre viveu no Norte e que, eventualmente, não terá a mesma opinião que eu sobre a cidade. Sei, no entanto, que adorou o passeio que lhe sugeri no eléctrico 28.

Obrigado...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Atenas


Na semana passada mencionei aqui no Outras Escritas a cidade de Atenas. Uma cidade que nunca me despertou muita curiosidade mas que encantou quando a conheci.

Por coincidência, ou não, soube esta semana da possibilidade de voltar a Atenas no início de Outubro. Será em trabalho, claro, mas sempre dará para matar saudades...

Fotografia de minha autoria, captada na acrópole.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Madrid e os grandes pintores espanhóis

Passei recentemente por Madrid. Esta é uma cidade que conheço relativamente bem e de que gosto cada vez mais.

Não sendo particularmente monumental, Madrid, longe do mar e com um rio para o qual não está nada virada, impressiona pelas suas gentes com uma actividade e força fora do comum e pela sua cultura riquíssima que contrasta com um ambiente completamente informal mas em que reina o bom gosto.
Madrid tem teatros cheios todas as noites, tem musicais e zarzuelas, tem um dos melhores teatros de ópera do mundo e tem museus tão extraordinários como o Prado e o Reina Sofia.

Como estava um calor brutal, resolvi revisitar em dias consecutivos, os dois grandes museus da cidade. Percorri ambos de forma calma e descomprometida, ao sabor do que me apetecia ver. Devo confessar que, apesar do Velasquez e do Goya, grandes "âncoras" do Prado, continuo a preferir, a irreverência do Picasso, do Dali e do Miró que dominam o Reina Sofia.

Aqui ficam umas preciosidades que fotografei (sem flash, obviamente).


Retrato (Juan Miró -1938)


O Pintor e a Modelo (Pablo Picasso - 1963)


Rosto do Grande Masturbador (Salvador Dali - 1929)


Natureza Morta (Salvador Dali - 1924)


Janela Aberta (Juan Gris 1927)



Guardiã do Guernica (Pablo Picasso 1937)





quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados VIII (Lisboa)


Na rubrica Quinta, Lugares Cruzados, era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, escrevêssemos sobre Lisboa. Confesso que deixei a Reflexos escolher esta cidade como tema, mas que tinha pensado em Lisboa assim que começámos a rubrica, já lá vão sete semanas.

Lisboa! Que nome mais bonito para uma cidade. Esta é, desde que me conheço a minha cidade portuguesa de eleição, mesmo com os defeitos e os problemas sociais inerentes a todas as cidades da sua dimensão,

Não me recordo da minha primeira ida à capital. Devia ser ainda bebé quando tal aconteceu. Lembro-me porém de ainda muito pequeno, passear por Lisboa com o meu pai e ficar deslumbrado com tanto movimento, tanta agitação e tantas coisas diferentes.

Lembro-me particularmente de um episódio que marcou o meu pai de uma forma menos positiva. O meu pai era um adepto fervoroso do Clube de Futebol os Belenenses e numa das nossas idas a Lisboa a casa da tia Isabel, que vivia no Restelo, resolveu levar-me pela primeira vez a assistir a um jogo de futebol no estádio do Restelo. Eu deveria ter oito anos nessa altura e era sócio do Belenenses desde que nascera. Não me lembro do jogo, mas lembro-me da cara do meu pai quando no final lhe perguntei qual tinha sido o resultado, demonstrando que o futebol não me despertava a mínima atenção. Claro que a minha inscrição como sócio do clube foi desde logo anulada e nunca mais assisti a nenhum jogo de futebol. Já na altura havia coisas em Lisboa que achava bem mais interessante como ver os aviões passar tão próximo nas aproximações à Portela.

Lembro-me também no fascínio de usar o metropolitano. Pode parecer ridículo nos dias de hoje, mas na altura praticamente não usava transportes públicos em Lisboa, porque as deslocações eram feitas de carro e, talvez por isso, o metropolitano tinha algo de especial, por ser um "comboio por baixo da rua". Devo confessar que hoje em dia ainda tenho algum interesse nos transportes urbanos que circulam em carril como metro, metro ligeiro, eléctricos (Tram), etc.

E a Lisboa de hoje?

Ao contrário do que muitos dizem, Lisboa hoje está mais bonita que nunca. As praças e ruas estão mais limpas e luminosas e a cidade apresenta-se de cara lavada. As novas centralidades, das quais o Parque das Nações é o melhor exemplo, são autênticos casos de sucesso.

E os bairros populares? Como é agradável "trepar" de eléctrico pela rua acima e depois sair na Graça e tomar um café numa esplanada com o Castelo ali mesmo ao lado e a cidade em fundo... e depois à noite passar em Alfama e parar numa daquelas casa de fado pequeninas onde se come maravilhosamente, e já pela noite dentro uma passar por um dos bares de Bairro Alto, menos característicos é verdade, mas onde se sente a cidade vibrar.

E a Baixa? A Baixa tem as mais belas praças de Lisboa. O Rossio, os Restauradores, o Terreiro do Passo e o Largo de Camões. Tem também cafés como a Brasileira do Chiado, o Benard, o Martinho da Arcada, o Nicola e a Suíça. E tem o D. Maria, o Coliseu, o Politeama, o Trindade e o S. Carlos.

E as Avenidas Novas, que nos mostram uma Lisboa bem mais cosmopolita?

E por fim, uma ida a Belém ao fim da tarde para comer meia dúzia de pastéis e ver o pôr-de-sol junto ao rio.

Em Lisboa há uma luz muito especial e única que não encontro e nenhuma outra cidade portuguesa e que me faz sentir bem. Sinto-me em casa, embora nunca lá tenha vivido...


E você Reflexos? O que lhe diz Lisboa?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Terça, Flashback VII (Jacarandás em flor)

Porque andamos todos a dizer que a Primavera nunca mais chega, e porque os Jacarandás já estão em flor há um tempo, transcrevo um post que aqui coloquei no ano passado. Parece que a primavera se está a habituar a ser teimosa...


Ao ler este "post" no Valkirio que anuncia o florescer dos Jacarandás em Lisboa, lembrei-me que aqui no Funchal os Jacarandás já estão em flor há algum tempo, anunciando a primavera que teima em chegar (continuam temperaturas de inverno).

Aqui ficam umas fotografias tiradas com o telemóvel hoje de manhã.



E você Reflexos? O que recorda hoje?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quinta Lugares Cruzados IV (Torre Eiffel)


Desde pequena que Maria sonhava com Paris. Foi na escola, no livro da terceira classe que viu pela primeira vez uma fotografia da cidade. Naquele tempo a televisão só estava acessível a alguns e a sua família era pobre e pouco instruída, pelo que apesar dos seus oito anos de idade, não tinha a mínima ideia de como seria Paris. Sabia intuitivamente que gostava da cidade, mas não sabia porquê...

Ao ver a fotografia no livro ficou confusa, porque em destaque estava um "edifício" diferente de todos os que já tinha alguma vez visto. Maria sabia que nas cidades grandes havia edifícios enormes com muitas janelas e onde vivia muita gente, já tinha ido inclusivamente uma vez a Lisboa, mas era muito pequena e não se lembrava muito bem. Chamou a D. Chica, sua professora e perguntou-lhe que edifício estranho era aquele. Queria saber também se todos os edifício de Paris eram assim, estranhos mas belos.

- Maria! Que ideia a tua! Essa é uma fotografia da Torre Eiffel um dos monumentos mais famosos do mundo e cartão de visita da cidade de Paris. - explicou a professora.

Maria envergonhou-se. Aparentemente todas as outras meninas da turma já tinham visto fotografias de Paris e sabiam o que era a Torre Eiffel.

- Deixa lá Maria, não tem mal nenhum não saberes que a Torre Eiffel é um monumento de Paris. Amanhã trago um pequeno texto sobre a torre para tu leres em voz alta aqui na aula. - tranquilizou a professora.

Maria no entanto, ficou aflita. No dia seguinte tinha que ler um texto em frente a todas as colegas e ainda por cima sobre um monumento com um nome difícil de dizer - Eiffel.

No dia seguinte leu o texto com muita atenção e ficou a saber que a Torre tinha sido inaugurada em 1889, que tinha 324 metros de altura e que era dos edifícios mais altos do mundo. Saiu-se muito bem na leitura e ficou encantada com um livro que a professora levou para a aula e que tinha mais umas lindas fotografias da torre.

"Um dia vou a Paris só para ver a Torre Eiffel e para subir até lá acima!" - prometeu Maria a si própria, a caminho de casa.

Maria cresceu. Completou a quarta classe, mas não pôde continuar os estudos. Com dez anos começou a trabalhar ajudando a mãe que era costureira. Tinha jeito para a costura, mas sonhava sair dali e conhecer mundo. Sonhava com Paris e com a Torre.

Casou com vinte anos com um rapaz lá da terra. Não lhe sentia amor, mas, como era costume na altura, cedeu à vontade dos pais e não levantou problemas em relação ao casamento. Embora não amasse o João, ele tinha um sonho parecido com o dela. Queria sair da aldeia e trabalhar numa cidade grande.

Naquele tempo, era difícil sair do país, mas o pai do João tinha um amigo que vivia em Espanha já há algum tempo e que os ia ajudar a passar a raia. Despediram-se da família e lá partiram, noite escura. Passaram a fronteira com facilidade, apesar do perigo e do medo.

De Espanha a França foi um pulo e passaram a viver num subúrbio de Marselha. Maria era empregada doméstica de um casal abastado e João era ajudante de mecânico. Não viviam mal, mas Maria não era feliz. João começou a ter problemas com o álcool, regressando a casa bêbado quase todos os dias. A violência doméstica instalou-se e Maria não aguentou. Resolveu fugir. Tal atitude pareceu-lhe na altura um sinal de fraqueza, mas mais tarde veio a concluir que foi das decisões mais acertadas que tomou na sua vida. Tinha um pequeno mealheiro e decidiu usá-lo para para chegar a Paris, aquela cidade que durante toda a sua vida a tinha fascinado e que finalmente lhe parecia tão próxima.

Chegou à Gare de Lyon numa noite escura e chuvosa. Sentia-se perdida, nunca tinha estado numa cidade tão grande e embora falasse muito bem francês, tudo ali lhe parecia confuso. Ficou naquela noite numa pensão bem próxima da estação. Valeu-lhe a ajuda da Madame Etoile a quem contou toda a sua aventura na manhã seguinte. A Madame Etoile era a dona da pensão que ao constatar que Maria falava tão bem francês, resolveu oferecer-lhe imediatamente um emprego como recepcionista.

Foi no dia seguinte que perguntou a Madame Etoile como poderia chegar à Torre Eiffel. A Madame riu-se, e disponibilizou-se imediatamente para ir com a ingénua e inexperiente Maria visitar a torre.

Foram metro, durante a tarde. Ao subir as escadas da estação da Ecole Militaire, Maria pode apreciar finalmente a imensidão da Torre vista a partir do fundo do Champ de Mars. Naquele momento de emoção, Maria, que contava já com trinta anos de idade, voltou aos seus tempos de menina e relembrou a sua professora que lhe tinha dado a conhecer o monumento símbolo de Paris naquela aula da terceira classe.

A Torre era muito maior do que alguma vez tinha imaginado e ao vê-la Maria quase derrubava a Madame Etoile de tanto lhe puxar o braço para chegar rapidamente à entrada. A calma só chegou quando o elevador parou no terceiro andar e pôde apreciar a grandiosidade da cidade de Paris. Chorou e emoção e ali mesmo fez mais uma promessa a si própria: aquela iria ser a sua cidade e viveria ali para sempre.

E assim aconteceu. Maria cumpriu a sua promessa e nunca mais deixou Paris. Teve vários empregos. Estudou, melhorou de vida e casou novamente com um senhor abastado que ficara viúvo recentemente e que vivia num apartamento da Avenue Charles Floquet com uma excelente vista para a Torre Eiffel.

Maria viveu intensamente e foi muito feliz em Paris. Enviuvou anos mais tarde, herdando do marido o apartamento de que tanto gostava.

Morreu já muito velhinha numa tarde de Outono. Diz quem com ela estava nessa tarde, que a morte veio de mansinho enquanto o olhar de Maria se perdia para lá da janela do seu quarto e se fixava no monumento que nunca tinha deixado de a fascinar...

E você Reflexos? Como vê a Torre Eiffel?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Luto no Rio de Janeiro


Desta vez foi a Cidade Maravilhosa. O número de mortos já ultrapassa uma centena.

As minha condolências ao Brasil...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quinta, lugares cruzados I (Porto)


O desafio desta primeira Quinta, lugares cruzados, leva-me a falar da cidade do Porto. Esse Porto, cidade no masculino, tão amada por uns e tão mal amada por outros. Cidade provinciana, no sentido mais saudável do termo, cidade de gentes bairristas e orgulhosas do seu património. Cidade de casario encosta acima, desde a Ribeira até à Baixa. Cidade Invicta, mui nobre e sempre leal...

Vivi no Porto durante seis anos, mas o Porto nunca foi a minha cidade e nunca ali me senti em casa. É por isso que escrever este post é para mim um desafio doloroso...

Cheguei pela primeira vez ao Porto num dia de Outono do ano de 1987. Tinha acabado de completar dezoito anos e era, para os devidos efeitos, um menino alentejano que acabara de atingir a maioridade. Cheguei para ficar, tinha acabado de entrar no ensino superior e o Porto até tinha sido a primeira escolha. Estava contente porque ia começar uma nova etapa e enfrentar um novo desafio. Sonhava sair da pequena vila do Alentejo e viver numa cidade grande, fazer novos amigos e ter novas actividades. Aos dezoito anos sonhamos em cortar o cordão umbilical com a família e partir sozinhos à aventura e o Porto ia dar-me essa oportunidade.

O primeiro impacto foi muito positivo. Naquela idade não é difícil deslumbrarmo-nos com a perspectiva de mudança, e passar a viver numa cidade é uma excelente forma de comemorar a maioridade. Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira praxe académica. Aconteceu precisamente no dia em que cheguei quando, muito ingenuamente respondi afirmativamente à pergunta de um colega: És do primeiro ano? Fui imediatamente baptizado com farinha, água, vinagre e batom... Uma autentica festa!

Ver partir os pais no dia seguinte não se revelou tão fácil como eu pensava, mas a perspectiva de mudança fez suplantar a dor da despedida.
Fiquei hospedado em casa de uns tios do meu pai por quem sempre tinha nutrido alguma simpatia, uma vez que eram visita regular da minha casa no Alentejo. A quinta onde viviam e que passou naquele momento a ser a "minha casa", ficava fora do centro da cidade e estava rodeada de outras quintas. Não gostei! A casa era velha, não estava nada bem cuidada e os terrenos da quinta pareciam abandonados. Não senti conforto, mas pensei que com o tempo me habituaria a viver ali. Estava enganado! Nunca me habituei e aquela acabou por não ser nunca a "minha casa".

O início das aulas veio uns dias depois e com ele começou uma nova rotina. Fui muito bem recebido no Instituto Superior de Engenharia do Porto e curiosamente, conheci logo nos primeiros dias de aulas alguns dos que são hoje os meus melhores amigos. A Reflexos, com a sua "memória de elefante", contou isso muito bem neste post do seu blogue Desvios.
Estava deslumbrado... gostava das aulas, dos colegas, do Instituto e da cidade. Dizia nesses primeiros tempos que o Porto era muito mais bonito a agradável que Lisboa, cidade que até então era a minha preferida.

O único senão no meio de todo este deslumbramento era ter que voltar para casa. Aquela que devia ser a "minha casa", mas que teimava em mostrar-se estranha e pouco acolhedora. Os meus tios começaram a revelar-se pessoas extremamente autoritárias, moralistas e controladoras. Fui obrigado logo nos primeiros dias de aulas a entregar-lhes o horário escolar e foi-me imediatamente imposto regressar todos os dias a casa assim que as aulas terminassem. Senti que não tinham qualquer confiança em mim, coisa a que eu não estava habituado enquanto tinha vivido com os meus pais.
Havia, no entanto, uma pessoa naquela casa que me compreendia e apoiava, a Maria. A Maria é a única pessoa que vou nomear neste texto, por merecer a minha homenagem e a minha gratidão. Desde nova que foi viver para casa dos meus tios para trabalhar como empregada doméstica. Naquela época e para todos os efeitos, era a Maria a dona da casa. Era ela quem dirigia e comandava tudo o que por ali se fazia, trabalhando que nem uma moura para manter tudo dentro da ordem possível. Por conhecer os donos da casa melhor que ninguém, a Maria era a única pessoa que sabia o que eu estava a passar.

Chegaram as primeiras férias de Natal e com elas a primeira visita aos meus pais no Alentejo. Nessa altura ainda pensava que o que se passava na quinta do Porto seria temporário e que à medida que o tempo fosse passando, se criasse entre os meus tios e eu uma relação de amizade e confiança mútua que os levasse a ser menos autoritários e a deixar-me viver mais intensamente aqueles que são para muita gente, os melhores anos de juventude. Depois das férias regressei com um expectativa positiva, mas infelizmente nada mudou...

O primeiro ataque de choro surge no final das primeiras férias de verão. Aconteceu quando o comboio partiu em direcção ao Porto e fiquei a ver da janela, cada vez mais distantes, os meus pais e irmã... Desde essa vez, nunca mais ficaram na plataforma da estação para me verem partir.

Seguiram-se mais cinco anos assim, entre a alegria de estar com os amigos e a tristeza de ter que lhes dizer que não podia ir ao cinema ou às festas da Queima da Fitas porque não me deixavam sair à noite.

E o Porto? Onde estava?
Era-me praticamente indiferente.

Com a conclusão do curso deixei o Porto. Parti para longe, para bem longe...
Hoje esqueci-me involuntariamente de muitos dos pormenores da cidade. Não me lembro do nome das ruas e não identifico algumas zonas que me deviam ser familiares. Deve ser fácil para algum psicólogo explicar este facto. Eu confesso não saber explicar...

Tenho vindo, no entanto, a redescobrir o Porto. Recentemente, percorri todos os caminhos que usava e o sentimento alterou-se. Estou a achar o Porto muito mais interessante, com coisas novas, menos escuro e bem mais agradável.
Ainda tenho esperança de um dia conhecer aquele Porto que tanta gente ama, mas, por enquanto continua a não ser uma das minhas cidades de eleição...

Dedico este texto à Maria, à Reflexos e a todos os outros amigos que o Porto me deu.

Obrigado Porto... e desculpa qualquer coisinha...

E você Reflexos, o seu Porto é igual ao meu?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lisboa

Por muito que se viaje, há sempre aquela cidade onde nos sentimos em casa, mesmo que nunca lá tenhamos vivido.
Lisboa é, sem dúvida, uma das minhas cidades de eleição.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Faz anos hoje - Ponte de D. Maria Pia

No dia 4 de Novembro de 1876 terminavam as obras da Ponte de D. Maria Pia.

Da Infopédia:

Ponte ferroviária metálica construída sobre o Rio Douro, em 1876, pelo famoso engenheiro francês Gustave Eiffel. Durante mais de um século, ligou a cidade do Porto ao Sul do País. Em 1991 o trânsito ferroviário passou para a Ponte de S. João, construída a muito pouca distância. A Ponte de D. Maria Pia é hoje monumento nacional. A Ponte de D. Maria Pia, construída nos finais do século XIX, permitiu concluir a ligação ferroviária entre o Porto e Lisboa que, na altura, terminava na estação das Devesas em Vila Nova de Gaia. Foi inaugurada em 1877. De facto, a revolução dos transportes em Portugal tornava urgente a ligação directa entre as duas principais cidades, assumindo a cidade do Porto a posição de nó de um conjunto de linhas importantes. As transformações operadas pela introdução deste meio de transporte na cidade são evidenciadas pela construção de novas estruturas ferroviárias (pontes, túneis, estações) e pelo reordenamento do tecido urbano em função da localização das estações. Em Maio de 1875 foi aberto um concurso público internacional para a selecção da empresa construtora. Das quatro soluções, apresentadas pelas companhias francesas Eiffel et Ce, Fiver Liles e Batignolles e pela inglesa Medd, Wrightson & Co, foi seleccionada a proposta dos engenheiros Gustave Eiffel e Théophile Seyrig, considerada a mais económica e elegante. De facto, o projecto de Eiffel, prevendo a construção de um tabuleiro horizontal ao nível da cota mais alta das margens, apoiado num enorme arco parabólico, revela uma especial atenção aos valores paisagísticos do vale do Douro, procurando os pontos de inserção mais favoráveis num local em que as margens mais se aproximam. Para além de concretizar um problema tecnicamente difícil que era a implantação de uma ponte numa escarpa acentuada, esta estrutura representa um sucesso do ponto de vista formal. O tabuleiro, com 354 metros de comprimento e 4,5 metros de largura, fica a 61 metros do nível das águas, assentando em seis pilares que apoiam sobre um arco com 160 metros de vão e 42,60 metros de flecha, formado por duas curvas parabólicas que no alto têm uma separação de dez metros. Apoia sobre rolos de fricção, o que possibilita a sua dilatação no sentido longitudinal e o torna independente dos movimentos do arco. A construção foi adjudicada em 5 de Janeiro 1876 e o contrato previa um prazo de construção de dezoito meses. O Inverno atrasou as obras que se fixaram em 22 meses, terminando em 30 de Outubro de 1877. No dia da conclusão foi realizada uma experiência de resistência tendo circulado dois comboios pela ponte. Nesta construção, vigiada pelos engenheiros Pedro Inácio Lopes e Manuel Afonso Espregueira, trabalharam cerca de duzentos operários. A montagem do arco, a operação mais delicada exigiu a presença dos engenheiros franceses Emil Nouguier e Marcel Augevère. A ponte foi inaugurada em 4 de Novembro, com assistência do rei e da rainha que daria o nome à ponte, esta estrutura manteve-se operacional até 1 de Junho de 1991. Depois desta obra notável, entre 1880 e 1884, Eiffel construiu em França o famoso viaduto de Gabarit, sobre a profunda garganta do Truyère, com 448 metros de vão e 122 metros de altura, seguindo o modelo estabelecido para a Ponte D. Maria Pia.

Ponte de D. Maria Pia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-11-04]

domingo, 25 de outubro de 2009

Parque de Santa Catarina (Funchal)

Nova passagem no Parque de Santa Catarina. Desta vez com sol e com máquina fotográfica.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viagens (TAP Victoria)

Um amigo falou-me hoje pela manhã numas promoções do programa TAP Victoria para viajar por menos milhas.

Em primeiro ligar deixem-me referir que, na minha opinião, o programa de fidelização da TAP anda pelas ruas da amargura, aliás, o mal é geral nesta companhia onde até os pilotos parecem ter perdido a cabeça ao exigirem aumentos de 9% nos seus vencimentos (cujo valor médio é de 6000 €, se não estou em erro). Não quero com isto dizer que a culpa da crise na TAP é dos pilotos, não são eles que gerem a companhia, mas lá que as razões da greve são para o "povo" português um atentado à pobreza, não tenho a menor dúvida.

Mas adiante, que eu continuo a gostar muito da TAP, mas cada vez a viajar mais em LowCost.

Já ando há algum tempo a planear uma viagem a Nova Iorque e a promoção no programa Victoria vinha mesmo a calhar, uma vez que me permitia viajar entre o Funchal e essa cidade por apenas 50.000 milhas e em executiva.

Antes mesmo de simular a marcação de viagens, entro no "site" do MET, para dar uma vista de olhos na temporada 2009/10. Já estive uma vez em Nova Iorque e não fui ao MET, por isso, desta vez isso não pode voltar a acontecer.

Descobri duas récitas quase perfeitas e coladas uma à outra. O Barbeiro de Sevilha com a Damrau (preferia a DiDonato), o Brownlee, o Vassalo e o Ramey, e o Attila com a Urmana, o Vargas e o Alvarez (e o Mutti a dirigir, infelizmente).

Como havia várias possibilidades de datas nos meses de Fevereiro e Março de 2010, segui para o "site" Victoria com todo o entusiasmo. Mas, passada quase meia hora desisti. Tentei tudo e mais alguma coisa, mas só obtive respostas de que "não há voos para os dias que escolhi", mesmo quando selecciono a opção de "flexibilidade de datas", soluções com idas por Lisboa que obrigam a passar uma noite e regressos pelo Porto que obrigam a passar outra noite e tentativas de marcar e ida e a volta em separado sempre goradas.

Vou, por tudo isto, aguardar pela temporada de 2010/11 do MET e tentar usar as milhas nessa altura, se o programa Victoria ainda existir.

Entretanto, já em Novembro vou a Madrid assistir a duas récitas da Italiana em Argel, uma com a Kasarova e outra com a Tro Santafé. Viajo na easyJet porque a viagem fica mais barata do que as taxas que teria que pagar se usasse as milhas do TAP Victoria.

Como curiosidade, as taxas a pagar se usasse um bilhete prémio TAP Victória entre o Funchal e Nova Iorque, teriam um valor superior a 300 euros.

Haja dinheiro, e paciência...

sábado, 3 de outubro de 2009

Mau tempo no Funchal

Parece que chove mas não chove, parece noite mas é dia, a roupa no estendal não seca e quase não se respira.

O vento de sudoeste faz destas coisas. O Funchal está transformado num caldeirão escuro e húmido.

domingo, 30 de agosto de 2009

Funchal - Parque de Santa Catarina

Às vezes andamos tão apressados que nem notamos os locais aprazíveis das cidades onde vivemos.

Mesmo no centro do Funchal existem dois jardins extraordinários: o Jardim Municipal e o Parque de Santa Catarina.

Hoje de manhã passei no Parque, coisa que não fazia já há algum tempo.

Aqui ficam umas fotografias captadas com o telemóvel.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mais uma vez os cafés - Martinho da Arcada (II)

Ainda relativamente ao possível encerramento do Martinho da Arcada, o Diário de Notícias da Madeira, publica hoje o mesmo artigo do Ionline a que fiz referência ontem. No entanto, este jornal completa o artigo com o seguinte texto:


Regresso das tertúlias


O proprietário do Café Martinho da Arcada vai retomar em Setembro as tertúlias naquele espaço histórico de Lisboa, para tentar evitar a morte anunciada.

O anúncio do regresso das tertúlias foi feito ontem em conferência de imprensa realizada no café, onde o proprietário, António Sousa, reafirmou que o movo modelo de trânsito imposto pela Câmara, designadamente o corredor de transportes públicos, está a afastar os clientes do "Martinho", que pode fechar a partir de Dezembro.


Parece, assim, ainda haver alguma esperança para o Martinho.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mais uma vez os cafés - Martinho da Arcada

A Reflexos chamou-me a atenção desta notícia do Ionline sobre a morte anunciada do Martinho da Arcada, um dos cafés mais antigos dos país.

É triste, ver os centros das nossas cidades ficarem vazios à noite e aos fins de semana e estes cafés emblemáticos ficarem sem clientela.

Morte anunciada para Martinho da Arcada aos 227 anos?

O "Café Martinho da Arcada", que ameaça encerrar as portas devido à escassez de clientela motivada pelas obras e recentes alterações ao trânsito no Terreiro do Paço, foi inaugurado há 227 anos e é actualmente o mais antigo de Lisboa.

Inaugurado a 07 de Janeiro de 1782 pelo Marquês de Pombal, o Café Martinho da Arcada teve como seu cliente mais conhecido o escritor e poeta Fernando Pessoa, a par das muitas individualidades lisboetas que atravessaram as suas muitas décadas de vida.

Rezam as crónicas que três dias antes de morrer, Pessoa tomou ali café, acompanhado pelo também poeta e pintor José de Almada Negreiros. O autor de "A Mensagem" adoptou o "Martinho" depois de ter sido um dos famosos frequentadores de "A Brasileira", no Chiado.

Em 1782, o estabelecimento abriu as suas portas como "Casa das Neves", devido aos sorvetes que vendia, e teve vários nomes, como "Café do Comércio" ou "Casa do Café Italiano", até ser adquirido por Martinho Bartolomeu Rodrigues, em 1845, que o rebaptizou como "Café Martinho da Arcada".

Além de Pessoa, que ali gostava de fazer as suas refeições e passar horas a escrever, passaram pelas suas cadeiras ilustres personalidades da história portuguesa, entre eles Afonso Costa, Manuel de Arriaga, Bernardino Machado, França Borges, Cesário Verde, António Botto, Augusto Ferreira Gomes, António Ferro, Almada Negreiros, Eça de Queirós, Columbano Bordalo Pinheiro, Bocage Gago Coutinho ou Duarte Pacheco.

Foi igualmente local de tertúlia de ministros, arquitectos e escritores que em comum tinham ideias liberais e revela a história que foi ali que os intelectuais da época se regozijaram quando em 1828 foi criada a Carta Constitucional e onde os homens "iluminados" fizeram juramento do documento, que representava um compromisso entre a doutrina da soberania nacional e o desejo de preservar os direitos régios.

Há dois anos, o 225º. aniversário do Café Martinho da Arcada, foi assinalado numa cerimónia presidida pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

In Ionline