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sábado, 2 de agosto de 2008

Ao Lado da Música (III) - Joan Sutherland - La Stupenda

Joan Sutherland nasceu em Sydney na Austrália, a 7 de Novembro de 1926. Como a maioria dos grandes cantores, Sutherland teve desde cedo contacto com a música. A sua mãe era mezzo-soprano e mesmo em criança a pequena Joan escutava com atenção a sua.

As primeiras aulas de canto foram, assim, orientadas pela mãe e, talvez por esse facto, Joan Sutherland começou a estudar no registo de mezzo-soprano.

Aos 18 anos inicia aulas de canto com Aida e John Dickens que concluem imediatamente que a sua voz não é de mezzo-soprano, mas sim de soprano, isto é, com um registo mais agudo. Conta-se que Sutherland ficou surpreendida com esta conclusão dos seus professores, uma vez que sempre tinha estudado com a mãe num registo de mezzo-soprano, menos agudo, portanto.

Em 1948, Joan Sutherland conhece um jovem pianista, Richard Bonynge que passou a acompanhá-la em alguns recitais na Austrália e que se viria a tornar-se uma das pessoas mais importantes da sua carreia e da sua vida (casariam uns anos mais tarde). Bonynge era de opinião que a voz de Sutherland poderia ser trabalhada num registo ainda mais agudo do que aquele em que estava a trabalhar. Joan tinha uma voz gigantesca em termos de potência e pensou na altura que seria um soprano dramático . Um soprano dramático tem uma voz com uma grande potência, mas com pouca agilidade (dificuldade em executar passagens muito rápidas ou notas muito agudas). Este tipo de voz é ideal para as óperas de Wagner.

Depois de uma breve carreira como "dactilógrafa" e de ter ganho alguns concursos de voz, nomeadamente em 1949 o "Sydney Sun Aria" e em 1950 o "Mobil Quest", Joan Sutherland parte para Londres para pôr em prática o seu grande sonho, tornar-se cantora residente da Royal Opera House, um dos maiores teatros de ópera da altura (e da actualidade).
Em Londres volta a encontrar Richard Bonynge com quem casa em 1954. Joan tem como professor de canto Clive Carey e Richard Bonynge estuda composição e regência.

Mais uma vez nos seus estudos em Londres, Sutherland desenvolveu a sua voz como soprano dramático, embora Bonynge estivesse convencido que a sua voz detinha uma agilidade especial e capacidade para ser trabalhada num registo mais agudo.
Depois de uma audição na Royal Opera House (Covent Garden), é-lhe oferecido um contrato de dois anos nesta casa de ópera. Joan estreia-se na ópera "A Flauta Mágica de Mozart" em 1952. Ainda nesse ano estreia-se como Clotilde (personagem secundária) na ópera "Norma" de Bellini, ao lado de Maria Callas. Foi esta a única ocasião em que as duas Divas cantaram juntas.

Com a ajuda e entusiasmo de Richard Bonynge, estreia-se também em 1952 no papel principal de Amélia na ópera de Verdi "Um Baile de Máscaras".

Por esta altura, e embora com várias apresentações em diferentes papeis na Royal Opera House, Richard Bonynge convence Sutherland de que a sua voz é ideal para interpretação de repertório de Bel canto, isto é, Sutherland possuía um tipo de voz raro. Era um soprano dramático de coloratura, uma voz de soprano com uma potência considerável, mas também com muita agilidade e com capacidade de atingir notas extremamente agudas.

A 17 de Fevereiro de 1959 dá-se uma viragem na então curta carreira de Sutherland. Deu-se nesse dia a estreia da ópera "Lucia de Lammermoor" de Donizetti na Royal Opera House. Sutherland assumiu o papel principal de Lucia, dirigida pelo maestro Tulio Serafin. Da ópera faz parte uma ária de loucura, característica de muitas óperas de Bel canto, em que a personagem, como o próprio nome indica, enlouquece. Estas árias são de extrema dificuldade de execução, quer a nível vocal, que a nível cénico. Sutherland foi um sucesso estrondoso. Como se costuma dizer "a casa vaio abaixo com aplausos".
A partir daqui a carreira de Sutherland foi catapultada e as estreias nos mais famosos teatros de ópera do mundo (Milão, Veneza, Paris, Nova Iorque, etc) foram enormes sucessos. Sutherland passa a ser dirigida por Bonynge em praticamente todas as suas actuações e depois de uma récita ocorrida no Teatro La Fenice de Veneza, Sutherland passa a ser chamada de La Stupenda.

Devido às capacidades da sua voz, Sutherland e Bonynge recuperaram muitas operas do repertório de Bel canto (compositores dos séc. XVIII e XIX), trabalho já iniciado por Maria Callas durante a sua carreira, óperas estas que estavam afastadas dos palco há longos anos.

Sempre com muito cuidado na escolha dos seus trabalhos, Sutherland conseguiu que a sua voz se mantivesse praticamente intacta durante décadas. Trabalhou com os melhores cantores da sua época e deixou um legado importantíssimo em gravações de áudio e vídeo.

Destacam-se as suas interpretações de:

Lucia - Lucia de Lammermoor (Donizetti)
Norma - Norma (Bellini)
Elvira - I Puritani (Bellini)
Maria - Maria Stuarda (Donizetti)
Amina - La Sonnambula (Bellini)
Marie - La Fille du Regiment (Donizetti)
Semiramide - Semiramide (Rossini)
Lucrezia - Lucrezia Borgia (Donizetti)
Anna - Anna Bolena (Donizetti)
Violetta - La Traviata (Verdi)
Gilda - Rigoletto (Verdi)
Elvira - Il Trovatore (Verdi)


Terminou a sua carreira no dia de Ano Novo em 1990 (aos 63 anos) na Royal Opera House, ao Lado de Luciano Pavarotti e de Marylin Horne com quem tinha trabalhado inúmeras vezes.

Ao longo da sua vida recebeu várias condecorações sendo a mais importante a de "Comandante do Império Britânico" concedida pela Rainha Isabel II em 1961. Passou a designar-se a partir desta data Dame Joan Sutherland.

Continua ainda hoje a sua actividade no meio musical como júri de alguns concursos de canto.

Joan Sutherland é para muitos a "Voz do século XX"


A Decca lançou em Novembro de 2006 esta colectânea de árias, duetos e canções interpretadas por Joan Sutherland, para comemorar o seu octogésimo aniversário e a sua ligação a esta editora ao longo de mais de trinta anos.

O duplo CD cobre uma parte importante da longa carreira de Sutherland e inclui gravações de estúdio ocorridas entre 1960 e 1988.

Além dos CD's, a obra inclui cerca de 100 páginas de informação sobre a vida e a carreira de Sutherland e apresenta uma lista de todas as óperas e recitais gravados pela cantora com o selo Decca.

Por cobrir praticamente toda a carreira de Sutherland, é possível acompanhar as alterações de voz que se foram verificando ao longo do tempo.
Sutherland foi sempre muito inteligente na escolha do seu repertório, deixando algumas interpretações para o final da sua carreira, o que não acontece com muitos cantores da actualidade (que muitas vezes vêem as suas carreiras destruídas precocemente) . São exemplos disso, as óperas Lucrécia Borgia (Donizetti), cuja ária " Era desso il figlio mio" faz parte desta colectânea, e Anna Bolena (Donizetti). A sua técnica incomparável, permitiu-lhe executar os papeis mais difíceis até ao final da carreira.

Os duetos são todos interpretados com Luciano Pavarotti com quem Sutherland gravou inúmeras óperas com o selo da Decca. Aliás, foi Sutherland quem lançou Pavarotti nos mais importantes palcos operáticos do mundo.

O repertório escolhido pela Decca demonstra bem as capacidades vocais de Sutherland. Salientam-se obras dos seguintes compositores (por ordem das obras apresentadas nos CD's)

Gounod
Verdi
Delibes
Bizet
Donizetti
Bellini
Offenbach
Heuberger
J. Strauss
Massenet
Rossini
Lehár
Noel Coward
Puccini

Sutherland é dirigida por Molinari-Pradelli, John Pritchard e, obviamente, Richard Bonynge.

De salientar a presença de uma ária que nunca tinha sido incluída em nenhum dos lançamentos anteriores da Decca: "Ancor non guinse...Perchè non ho del vento...Toma, toma, o caro oggeto" da ópera Rosmonda D'Inghilterra de Donizetti.


A Deutsche Grammophon lançou em Novembro de 2005 este DVD gravado numa récita da ópera Lucia de Lammermoor ocorrida na Metrpolitan Opera House (Nova Iorque) em 1982.

Lucia de Lammermoor é uma ópera trágica em três actos com música de Gaetano Donizetti e libretto de Salvatore Cammarano, baseada no romance histórico "The Bride of Lammermoor" de Sir Walter Scott. A estreia ocorreu no ano de 1835 no Teatro San Carlo em Nápoles.

A acção decorre na Escócia em 1669 e relata a tragédia que ocorre quando Lucia e Edgardo, pertencentes a famílias que há muito se odeiam, se apaixonam um pelo outro. Enrico, irmão de Lucia, descobre o romance entre os dois e rapidamente se apressa a encontrar um pretendente para a sua irmã.
Lucia vive entusiasmada com o seu amor por Edgardo, mas atormentada por um suposto fantasma de uma mulher assassinada na fonte dos jardins do castelo onde vive (aria "Regnava nel Silenzio").
Num dos seu encontros amorosos, Edgardo diz a Lucia que tem que partir para França para combater, mas que quando voltar proporá tréguas entre as famílias e pedirá a mão de Lucia.
Passa-se algum tempo. Arturo consegue interceptar uma carta de Edgardo para Lucia e com base nela, falsifica uma nova carta que supostamente Edgardo teria escrito para outra mulher. Convencida de que Edgardo a trai, Lucia aceita a proposta do irmão para casar com Arturo.
Na festa de noivado entre Lucia e Arturo, a pobre Lucia assina o contrato de casamento. Momentos depois entra Edgardo que a acusa de traição (famoso sexteto "Chi mi frena").
A tragédia começa quando Lucia na noite de núpcias assassina o seu marido Arturo. Quando os convidados ainda se encontram a festejar o casamento, Lucia aparece perante eles com as vestes ensanguentadas e num estado delirante. Inicia-se, assim, a famosa cena da loucura. Lucia imagina que está a casar com Edgardo, faz movimentos completamente despropositados (ária "Il dolce suono me colpi"). Chega o seu irmão Enrico, que ao ver Lucia num estado demente é tolhido por um enorme sentimento de remorso. Lucia canta "Spargi d'amaro pianto" onde promete que rezará por Edgardo no céu e lá esperará por ele. Desfalece depois, perante o horror de todos.
Edgardo, por seu lado, prepara o seu suicídio. Sem Lucia não valerá a pena viver. Alguém passa e lhe comunica o que se passou. Comunica-lhe também que Lucia acabara de falecer. Sabendo que Lucia nunca o havia traído e que morreu por ele, Edagardo consuma o suicídio.

Lucia de Lammermoor é das óperas de Donizetti mais apresentadas nos palcos actualmente. A sua recuperação deve-se em muito a Maria Callas que voltou a interpretá-la no início da década de 1950 e depois a Joan Sutherland a partir de 1959. Lucia de Lammermoor foi mesmo a ópera que lançou Joan Sutherland para o estrelato no mundo operático depois de uma famosa récita ocorrida na Royal Opera House de Londres em Fevereiro de 1959. Conta-se que Maria Callas assistiu a uma das récitas e que comentou que nunca conseguiria interpretar a cena de loucura como Joan Sutherland (isto depois de Sutherland se atirar literalmente de uma escada abaixo no final da cena).

Sutherland viria a encarnar Lucia de Lammermoor inúmeras vezes durante a sua carreira. Interpretou Lucia pela última vez em 1988 no Garn Teatre del Liceu de Barcelona em 1988, isto é, 29 anos depois da estreia de Londres.

Não existem infelizmente em vídeo, gravações das primeiras Lucias de Sutherland.

O DVD que apresentamos foi realizado em 1982 quando Sutherland tinha já 55 anos de idade. No entanto, a interpretação pode ser considerada de altíssimo nível e a cena de loucura interpretada magistralmente. Os aplausos no final da cena são prova disto mesmo.

Acompanha Sutherland um grande tenor de nome Alfredo Kraus (Edgardo) que, curiosamente, também a acompanhou na última récita em Barcelona.

Assim, o elenco é:

Joan Sutherland
Alfredo Kraus
Pablo Elvira

Paul Plishka

Orquestra e coro da Metropolitan Opera House dirigidos por Richard Bonynge.


Existe para além desta, uma outra gravação da Lucia de Lammermoor com a Sutherland ocorrida na Austrália em 1986. A interpretação de Sutherland está ao mesmo nível, mas o resto do elenco é de qualidade um pouco inferior.

Actualmente a ópera Lucia de Lammermoor continua a ser regularmente apresentada nos teatros de ópera e com intérpretes de grande qualidade. Saliento as interpretações de Edita Gruberova, Mariella Devia, June Anderson e Natalie Dessay.


Publicado no Ao Lado da Música a 15/01/2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Joan Sutherland - Biografia

No passado dia 15 de Janeiro dediquei a rubrica Ao Lado da Música que apresentava na RTP Madeira a Joan Sutherland.

Escrevi na altura uma pequena biografia da cantora que publiquei no blogue da rubrica e que transcrevo hoje, dia do seu aniversário, para o Outras Escritas.

Joan Sutherland nasceu em Sydney na Austrália, a 7 de Novembro de 1926. Como a maioria dos grandes cantores, Sutherland teve desde cedo contacto com a música. A sua mãe era mezzo-soprano e mesmo em criança a pequena Joan escutava com atenção a sua.

As primeiras aulas de canto foram, assim, orientadas pela mãe e, talvez por esse facto, Joan Sutherland começou a estudar no registo de mezzo-soprano.

Aos 18 anos inicia aulas de canto com Aida e John Dickens que concluem imediatamente que a sua voz não é de mezzo-soprano, mas sim de soprano, isto é, com um registo mais agudo. Conta-se que Sutherland ficou surpreendida com esta conclusão dos seus professores, uma vez que sempre tinha estudado com a mãe num registo de mezzo-soprano, menos agudo, portanto.

Em 1948, Joan Sutherland conhece um jovem pianista, Richard Bonynge que passou a acompanhá-la em alguns recitais na Austrália e que se viria a tornar-se uma das pessoas mais importantes da sua carreia e da sua vida (casariam uns anos mais tarde). Bonynge era de opinião que a voz de Sutherland poderia ser trabalhada num registo ainda mais agudo do que aquele em que estava a trabalhar. Joan tinha uma voz gigantesca em termos de potência e pensou na altura que seria um soprano dramático . Um soprano dramático tem uma voz com uma grande potência, mas com pouca agilidade (dificuldade em executar passagens muito rápidas ou notas muito agudas). Este tipo de voz é ideal para as óperas de Wagner.

Depois de uma breve carreira como "dactilógrafa" e de ter ganho alguns concursos de voz, nomeadamente em 1949 o "Sydney Sun Aria" e em 1950 o "Mobil Quest", Joan Sutherland parte para Londres para pôr em prática o seu grande sonho, tornar-se cantora residente da Royal Opera House, um dos maiores teatros de ópera da altura (e da actualidade).
Em Londres volta a encontrar Richard Bonynge com quem casa em 1954. Joan tem como professor de canto Clive Carey e Richard Bonynge estuda composição e regência.

Mais uma vez nos seus estudos em Londres, Sutherland desenvolveu a sua voz como soprano dramático, embora Bonynge estivesse convencido que a sua voz detinha uma agilidade especial e capacidade para ser trabalhada num registo mais agudo.
Depois de uma audição na Royal Opera House (Covent Garden), é-lhe oferecido um contrato de dois anos nesta casa de ópera. Joan estreia-se na ópera "A Flauta Mágica de Mozart" em 1952. Ainda nesse ano estreia-se como Clotilde (personagem secundária) na ópera "Norma" de Bellini, ao lado de Maria Callas. Foi esta a única ocasião em que as duas Divas cantaram juntas.

Com a ajuda e entusiasmo de Richard Bonynge, estreia-se também em 1952 no papel principal de Amélia na ópera de Verdi "Um Baile de Máscaras".

Por esta altura, e embora com várias apresentações em diferentes papeis na Royal Opera House, Richard Bonynge convence Sutherland de que a sua voz é ideal para interpretação de repertório de Bel canto, isto é, Sutherland possuía um tipo de voz raro. Era um soprano dramático de coloratura, uma voz de soprano com uma potência considerável, mas também com muita agilidade e com capacidade de atingir notas extremamente agudas.

A 17 de Fevereiro de 1959 dá-se uma viragem na então curta carreira de Sutherland. Deu-se nesse dia a estreia da ópera "Lucia de Lammermoor" de Donizetti na Royal Opera House. Sutherland assumiu o papel principal de Lucia, dirigida pelo maestro Tulio Serafin. Da ópera faz parte uma ária de loucura, característica de muitas óperas de Bel canto, em que a personagem, como o próprio nome indica, enlouquece. Estas árias são de extrema dificuldade de execução, quer a nível vocal, que a nível cénico. Sutherland foi um sucesso estrondoso. Como se costuma dizer "a casa vaio abaixo com aplausos".
A partir daqui a carreira de Sutherland foi catapultada e as estreias nos mais famosos teatros de ópera do mundo (Milão, Veneza, Paris, Nova Iorque, etc) foram enormes sucessos. Sutherland passa a ser dirigida por Bonynge em praticamente todas as suas actuações e depois de uma récita ocorrida no Teatro La Fenice de Veneza, Sutherland passa a ser chamada de La Stupenda.

Devido às capacidades da sua voz, Sutherland e Bonynge recuperaram muitas operas do repertório de Bel canto (compositores dos séc. XVIII e XIX), trabalho já iniciado por Maria Callas durante a sua carreira, óperas estas que estavam afastadas dos palco há longos anos.

Sempre com muito cuidado na escolha dos seus trabalhos, Sutherland conseguiu que a sua voz se mantivesse praticamente intacta durante décadas. Trabalhou com os melhores cantores da sua época e deixou um legado importantíssimo em gravações de áudio e vídeo.

Destacam-se as suas interpretações de:

Lucia - Lucia de Lammermoor (Donizetti)
Norma - Norma (Bellini)
Elvira - I Puritani (Bellini)
Maria - Maria Stuarda (Donizetti)
Amina - La Sonnambula (Bellini)
Marie - La Fille du Regiment (Donizetti)
Semiramide - Semiramide (Rossini)
Lucrezia - Lucrezia Borgia (Donizetti)
Anna - Anna Bolena (Donizetti)
Violetta - La Traviata (Verdi)
Gilda - Rigoletto (Verdi)
Elvira - Il Trovatore (Verdi)


Terminou a sua carreira no dia de Ano Novo em 1990 (aos 63 anos) na Royal Opera House, ao Lado de Luciano Pavarotti e de Marylin Horne com quem tinha trabalhado inúmeras vezes.

Ao longo da sua vida recebeu várias condecorações sendo a mais importante a de "Comandante do Império Britânico" concedida pela Rainha Isabel II em 1961. Passou a designar-se a partir desta data Dame Joan Sutherland.

Continua ainda hoje a sua actividade no meio musical como júri de alguns concursos de canto.

Joan Sutherland é para muitos a "Voz do século XX"

sábado, 7 de novembro de 2009

Faz anos hoje - Joan Sutherland

No dia 7 de Novembro de 1926 nasceu Joan Sutherland.

Da Wikipédia:

Joan Sutherland (Sydney, 7 de Novembro de 1926) é uma cantora de ópera australiana que se tornou uma das mais famosas sopranos do século XX. É conhecida também como La Stupenda ou Koloraturwunder por seus fãs.

Sutherland ganhou renome internacional pela sua voz belíssima e cheia, dotada de uma rara combinação, no meio operístico, de enorme volume e extensão vocal com uma notável flexibilidade na realização de intrincados ornamentos vocais e de sobreagudos.[1] Dona de impecável domínio do legato, do trilo, do staccato e de amplos recursos de fraseado, ideais para o repertório de coloratura tanto lírica como dramática,[2] deu uma decisiva contribuição à redescoberta de óperas que haviam sido escritas para grandes divas do Bel Canto e que haviam sido negligenciadas por anos até a década de 1950, quando se iniciou um movimento de resgate, liderado inicialmente por Maria Callas.

Juventude na Austrália

Órfã de pai quando tinha apenas seis anos, sua mãe era uma mezzo-soprano aposentada, com quem Joan Sutherland diz ter aprendido bastante em casa, quando costumavam cantar juntas e ouvir gravações. Segundo ela, "Eu não me lembro de quando eu não cantava". [3] Curiosamente, Sutherland não freqüenta de início nenhum conservatório, aperfeiçoando-se com a mãe, tempo em que estudava como mezzo-soprano, e, mais tarde, com as lições de Aida Summers, a partir de quando se prepara como soprano dramático. Enquanto trabalhava como secretária, Sutherland começou a estudar canto seriamente por volta dos 18 anos. Curiosamente, ela nunca freqüentou um conservatório.[4] Desde 1946, com 20 anos, atua como corista no Oratório de Natal de Bach, seguindo-se concertos e atuações em óperas e oratórios barrocos. Seu debute operístico é Austrália como Dido, de Dido and Aeneas, de Purcell, em 1947. Nos recitais, seu repertório é heterogêneo e, acima de tudo, conta com árias de óperas para soprano dramática, especialmente as de Richard Wagner.[5]

Carreira na Grã-Bretanha

Em 1951, canta na estréia mundial de Judith, de Eugene Goosens. No mesmo ano, ganha a mais importante competição de canto da Austrália e, com o dinheiro do prêmio, viaja para Londres a fim de estudar na Opera School of the Royal College of Music. Aí reencontra o pianista Richard Bonynge, a quem já havia sido apresentada na Austrália e que a incentiva de imediato a voltar-se para a técnica e o repertório do Bel Canto, que considera ideal para a sua voz grande mas com enorme facilidade para atingir notas agudas. Em 16 de julho de 1952, faz seu debute europeu como Giorgetta (Il Tabarro), de Puccini, no Parry Theatre, acolhendo boas críticas, o que lhe abre as portas da célebre Royal Opera House, Covent Garden, de Londres. Em 28 de outubro daquele ano, canta aí a Primeira Dama em A Flauta Mágica.

Embora ainda seguindo os passos de Kirsten Flagstad, quem Sutherland considerava a maior cantora de todos os tempos, a jovem australiana passa a aperfeiçoar-se no repertório de coloratura do século XVIII e XIX. Devido à agilidade e, por outro lado, ao grande volume da voz, sua definição vocal se torna complexa - Bonynge acredita tratar-se ela de uma soprano dramático-coloratura, a Royal Opera House vê nela uma soprano dramática e, por fim, sua mãe insiste que ela é uma mezzo-soprano.

Em 1953, ela canta sua primeira protagonista no Covent Garden: Amelia, de Un Ballo in Maschera. Depois, interpreta ainda a Condessa de Almaviva de Le Nozze di Figaro. No mesmo ano, participou da estréia mundial da Gloriana de Britten, parte das comemorações da coroação da rainha Elizabeth II. Em 1954, Sutherland casa com Richard Bonynge, com quem tem, em 1956, um filho, Adam.

Entre 1954 e 1958, a jovem soprano aumenta seu repertório em um ritmo muito veloz, demonstrando uma enorme versatilidade, desde os papéis convencionados para soprano ligeira até os para soprano dramática: em 1954, Aida (da ópera de Verdi), Ágata (Der Freischütz, de Weber), Lucinda (Cecchina, de Piccinni) e Antonia (Les Contes d'Hoffmann, de Offenbach); em 1955, Jennifer (na estréia mundial de A Midsummer Marriage, de Michael Tippett) Euryanthe (de Weber), Micaëla, na Carmen de Bizet e Giulietta e Olympia (Les Contes d'Hoffmann); em 1956, Vitellia (La Clemenza di Tito) e Pamina (A Flauta Mágica); em 1957, Eva (Die Meistersinger von Nurnberg), Alcina (da ópera homônima de Händel), Gilda (Rigoletto), Madame Herz (Der Schauspieldirektor), Desdemona (Otello), Laodice (Mitridate Eupatore, de Scarlatti) e Emilia di Liverpool (da ópera homônima de Donizetti); e, em 1958, Madame Lidoine (Dialogues des Carmelites), Temperentia (Applausus Musicus, de Händel) e Donna Anna (Don Giovanni).

Nesses anos prepatórios, momentos importantes foram seu debute como Olympia (Les Contes d'Hoffmann), em 1955, que significou a aceitação da direção do Covent Garden em escalar Sutherland para papéis de coloratura, após muita insistência de Richard Bonynge; em 1957, o debute dela em Alcina, que lhe trouxe grande sucesso e marca seu longo trabalho de redescoberta das óperas há muito esquecidas do barroco e do bel canto; sua interpretação de Madame Lidoine na estréia inglesa da consagrada ópera de Francis Poulenc Dialogues des Carmelites; e, por fim, seu debute fora da Grã-Bretanha em 1958, como Donna Anna, em Vancouver.

La Stupenda

A consagração como Lucia

Em 1959, Joan Sutherland é convidada para cantar, no Covent Garden, a ópera Lucia di Lammermoor, de Donizetti - que não fora apresentada no teatro há décadas - em uma produção regida por Tullio Serafin e encenada por Franco Zeffirelli. Essa produção se tornou um clássico, inspirando diversas encenações posteriores, e catapultou Joan Sutherland para a consagração internacional, cuja interpretação de uma agilidade possante e destemida e um senso trágico e elegíaco apurado fez manchetes em diversos jornais e, de imediato, tornou-a uma das divas mais promissoras de sua geração.

A diva greco-americana Maria Callas, que assistiu aos ensaios da soprano para Lucia e por quem Sutherland sempre declarou grande admiração, também elogiou os dotes da australiana e se diz que teria afirmado que os britânicos não mais precisavam dela em Lucia, pois já tinham a sua própria. Elisabeth Schwarzkopf, que também estava presente nos ensaios e era esposa de Walter Legge, diretor da EMI, persuadiu o marido a contratá-la para gravar Don Giovanni, em sua primeira gravação de estúdio para uma grande gravadora. No mesmo ano de 1959, a soprano grava seu primeiro álbum solo, com árias de óperas do Bel Canto tardio.

Nesse apogeu inicial, Sutherland manifesta ainda uma expressão vocal mais focada na palavra e em recursos teatrais mais extrovertidos, os quais vão dando lugar, na década de 1960, a recursos expressivos mais intimistas e elegíacos, com a comunicação das emoções derivando de forma mais imediata e pura da própria melodia e da voz, sendo um exemplo dessa transformação artística a comparação entre sua primeira Lucia, no Covent Garden, e suas interpretações ao redor do mundo e em estúdio após 1960.[2]

O apogeu da carreira

Em 1960, grava o legendário álbum The Art of the Prima Donna para o selo DECCA, que a partir de então se torna sua gravadora exclusiva. No ano seguinte, o álbum ganha o Grammy Award, sendo ainda hoje um dos mais recomendados pelos críticos. No mesmo ano, Sutherland faz seu debute estadunidense como Alcina na Dallas Opera. Prosseguem os êxitos, cantando Lucia em Paris e, em 1961, no La Scala de Milão e no Metropolitan Opera de Nova York. Em 1960, ela interpreta uma aclamadíssima Alcina no La Fenice, de Veneza, onde foi apelidada pela platéia de La Stupenda. Logo após, Sutherland tornou-se conhecida como La Stupenda em todo o mundo.

Com a fama no repertório belcantista, Sutherland incluiu suas maiores heroínas no seu repertório: Violetta (La Traviata), Amina (La Sonnambula) e Elvira (I Puritani) em 1960; Beatrice di Tenda, de Bellini, em 1961; Marguerite de Valois (Les Huguenots), de Meyerbeer - esta no La Scala, em um dos maiores sucessos da história daquele teatro -, e Semiramide, de Rossini, em 1962; Norma, de Bellini - o segundo papel que ela mais interpretou na carreira e tipo por ela como seu favorito [4] - e Cleopatra (Giulio Cesare), de Händel em 1963.

Em 1965, Sutherland volta à Austrália para uma longa turnê em que interpreta diversas heroínas de óperas famosas. Aí também debuta como Marguerite, do Fausto de Charles Gounod. Em fevereiro desse ano, em Miami, havia convencido a casa de ópera a contratar o jovem Luciano Pavarotti em lugar de um tenor subitamente adoentado, cantando com ele em Lucia di Lammermoor e iniciando aí uma famosa parceria de décadas. Logo em seguida, Pavarotti a acompanhou na turnê australiana, cantando várias óperas com ela, em um momento decisivo na carreira do célebre tenor italiano.[6]

Outros debutes foram como Euridice, do Orfeo ed Euridice de Haydn, e Lakmé, da ópera homônima de Delibes, ambos em 1967. Em 1966, ela acrescentara Marie (La Fille du Régiment), que, junto a Luciano Pavarotti, ela transformou em um de seus cavalos-de-batalha, devido à coloratura ágil e impecável, à primazia no estilo do bel canto, ao belo fraseado e ao seu reconhecido dote para a comédia.

Mesmo durante o auge de sua carreira, Sutherland passou por nítidas transformações vocais. Logo após sua apoteótica Lucia di Lammermoor, em 1959, a soprano teve que realizar uma cirurgia nas cordas vocais devido a um problema no sinus. Isso, junto às mudanças técnicas necessárias, fez com que o timbre agudo e límpido dos primeiros anos da fama dessem lugar, por volta de 1962, a um timbre notavelmente mais escuro, cheio e redondo. Sua dicção, considerada antes adequada, piorou bastante como resultado de uma escolha profissional - segundo seu marido e técnico, Richard Bonynge, para aperfeiçoar o legato, uma vez que, anteriormente, ela seguia um estilo "não-legato" ou "germânico" de canto.

Na década de 1970, Sutherland adquiriu um peso e expressividade maiores na voz, e sua dicção melhorou bastante. Em 1972, gravou uma inusitada Turandot com Pavarotti e regência de Zubin Mehta, que se tornou um enorme sucesso de vendagem. Entre 1971 e 1974, Sutherland adicionou ao repertório alguns de seus maiores sucessos futuros: em 1971, Maria Stuarda, de Donizetti; em 1972, Lucrezia Borgia, do mesmo compositor; em 1973, Rosalinde (Die Fledermaus) e, pela primeira vez, as quatro heroínas de Les Contes d'Hoffmann juntas; e, em 1974, a então desconhecida Esclarmonde, de Massenet, que Bonynge, tendo redescoberto a partitura, resgatou aos palcos.

Carreira posterior e final

A decadência vocal de Sutherland foi marcantemente lenta. Iniciou-se no fim dos anos 1970, quando foi gradualmente crescendo um tremolo em seu registro médio e a voz se tornou um tanto menos flexível em coloraturas muito ágeis. Além disso, um certo tom matronal dificultou sua adequação em papéis muito joviais, daí porque seus maiores sucessos, nesse período, foram em interpretações de papéis maduros, que requerem voz mais pesada e escura, como Norma e Lucrezia Borgia.

Não obstante, devido à sua indiscutível maestria técnica e musical, a soprano continuou a obter grandes sucessos em teatros desde os Estados Unidos até o Japão, inclusive cantando o mesmo repertório da juventude. Entretanto, apesar de notavelmente manter boa parte das cadências e ornamentos que cantava no seu apogeu até mesmo após os 55 anos, ela recorreu cada vez mais a transposições da tessitura de papéis e árias, adaptando-as à sua voz mais grave e madura - alternativa a que muitas das intérpretes originais do Bel Canto recorriam, a exemplo da lendária Maria Malibran.

Em 1977, Sutherland canta a Suor Angelica de Giacomo Puccini, um de seus únicos papéis veristas, em Sydney, gravando a ópera para a DECCA no ano seguinte. Em 1979, acrescenta ao repertório, após muito tempo sem adentrar mais no repertório mozartiano, o papel de Elettra, em Idomeneo. No mesmo ano, grava um álbum exclusivo de árias de Wagner, compositor em cujas obras inicialmente se acreditava que viriam os êxitos de Sutherland.

Em 1980, obtém um grande êxito em sua primeira Lucrezia Borgia no Covent Garden. Em 1982, retornando ao Metropolitan Opera, de Nova York, após uma ausência de quatro anos, Sutherland obteve um grande sucesso como Lucia di Lammermoor. Mesmo na década de 1980, Sutherland ainda adicionou os papéis de Anna Bolena (1984) Amalia em I Masnadieri (1980), Adriana Lecouvreur (1983) e Ophélie em Hamlet, de Ambroise Thomas (1985). Em 1988, interpretou sua última Lucia di Lammermoor no Gran Teatre del Liceu de Barcelona, após interpretar o papel mais de duzentas vezes ao longo de quase trinta anos.

Sua última performance operística se deu em 1990, aos 64 anos, como Marguerite de Valois (Les Huguenots). A carreira de Joan Sutherland foi uma das mais longas e prestigiadas do século XX, abrangendo 43 anos. Entretanto, sua última aparição como soprano ocorreu em um recital de gala, intercalado a uma produção de Die Fledermaus, com seus amigos e freqüentes parceiros Luciano Pavarotti e Marilyn Horne, também na sua terra natal.

Durante toda a sua carreira e, mesmo depois, Sutherland recebeu vários prêmios. Em 1961, Sutherland foi tornada uma Commander of the British Empire. Em 30 de dezembro de 1978, ela foi elevada de Commander para Dame Commander. Em 9 de junho de 1975, Dame Joan foi feita uma Companion of the Order of Australia. Finalmente, em 29 de novembro de 1991, foi nomeada para a Order of Merit, uma das maiores honras da Grã-Bretanha. Joan Sutherland aparece em diversas competições de canto internacionais e é a patrona da famosa competição BBC Cardiff Singer of the World. Vive em Les Avants, na Suíça, com o marido Richard Bonynge.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O jornal Público destaca a morte de Joan Sutherland (com fotografia na primeira página)



Morreu Joan Sutherland, "La Stupenda"

Por Sérgio C. Andrade
A soprano australiana, vista como a herdeira de Callas e uma das mais extraordinárias cantoras de ópera do século XX, actuou em Lisboa em Abril de 1974
Augusto M. Seabra diz que foi "uma das noites mais memoráveis" da sua vida: começou no Coliseu dos Recreios a ouvir Joan Sutherland cantar La Traviata de Verdi, ao lado de Alfredo Kraus, e continuou, madrugada fora, a festejar a revolução que iria acabar com os 48 anos de ditadura fascista em Portugal.



O crítico de música e ensaísta recorda "o momento premonitório" em que, nessa noite de 24 de Abril, perante um Coliseu cheio e em delírio depois de ouvir a grande soprano australiana, a Joan Sutherland "foi oferecido um ramo de cravos vermelhos".

Rui Esteves, que foi programador do 2.º Canal da RTP e que viria a conhecer bem a soprano, não esteve no Coliseu nessa noite histórica, mas diz que Joan Sutherland lhe contou como tinha ficado "surpreendida no hotel, com o marido, o maestro Richard Bonynge, sem saberem o que se estava a passar em Lisboa" - com uma carrinha, a British Airways deixou o casal em Espanha a caminho de Londres.

São memórias da única passagem e actuação em Portugal da cantora que morreu no domingo na Suíça, na sua casa junto ao lago de Genebra, aos 83 anos. "Faleceu calmamente, após uma longa doença", disse a família num comunicado destinado aos amigos e admiradores de Dame Joan Sutherland (n. Sydney, 1926) e citado pela AP.

Augusto M. Seabra recorda ainda que, nesse distante Abril, a soprano se apresentou, nos dias 18 e 21, no Teatro Nacional São Carlos - "como de costume, o primeiro concerto, à quinta-feira, era só para convidados, seguindo-se o de domingo à tarde e o de quarta à noite (este já no Coliseu) para o restante público". O crítico assistiu aos dois últimos, e aí confirmou ao vivo a ideia que já tinha de que Joan Sutherland era "uma das grandes intérpretes do século XX, a digna sucessora de Maria Callas", com quem, aliás - e também premonitoriamente, realça Seabra -, tinha contracenado fazendo um pequeno papel no início da sua carreira. "Era uma estilista incomparável", que, na senda de Callas, continuou o trabalho de redescoberta e devolução à cena da tradição do bel-canto e da ópera italiana do século XIX".

Rui Esteves reforça a ideia, destacando a "técnica deslumbrante", mas também a "personalidade divertida", com quem privou, por exemplo, em Cardiff, quando Joan Sutherland e Marilyn Horne se tornaram patronas do famoso concurso da BBC Cardiff Singer of the World.

O ex-programador da RTP recorda também que a televisão portuguesa foi co-produtora do espectáculo de despedida dos palcos de Joan Sutherland, na noite de 31 de Dezembro de 1990, no Covent Garden - onde a cantora, de resto, tinha iniciado a fase europeia da sua carreira, em 1952 -, quando ela aparece ladeada por Horne e por Luciano Pavarotti, no 2.º acto da ópera O Morcego, de J. Strauss, também dirigida por Richard Bonynge.

Nessa noite, Pavarotti classificou Joan como "a maior soprano de coloratura de todos os tempos". Os melómanos italianos designavam-na como "La Stupenda".

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Giuseppe Verdi e Joan Sutherland / Giuseppe Verdi and Joan Sutherland

Faz hoje 183 anos que nasceu Giuseppe Verdi, e passa um ano da morte de Joan Sutherland. Deixo-vos, como homenagem, dois vídeos com uma Traviata de Sutherland (Tóquio 1975).

Guiseppe Verdi was born 183 years ago and Joan Sutherland passed away one year ago. To remember both, here are two videos with a complete Traviata with Joan Sutherland (Tokyo 1975).




Violetta................Joan Sutherland
Alfredo.................John Alexander
Germont.................Robert Merrill
Flora...................Jean Kraft
Gastone.................Douglas Ahlstedt
Baron Douphol...........Arthur Thompson
Marquis D'Obigny........Gene Boucher
Dr. Grenvil.............Edmond Karlsrud
Annina..................Constance Webber
Giuseppe................Lou Marcella
Gardener................Peter Sliker
Dance...................Patricia Heyes
Dance...................Ivan Allen
Dance...................Jeremy Ives

Conductor...............Richard Bonynge

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Joan Sutherland (I Puritani)


Descobri na Amazon, que estará disponível no dia 1 de Novembro, um duplo CD com uma gravação ao vivo da ópera I Puritani de Vincezno Bellini em que Joan Sutherland interpreta Elvira.

A gravação é do ano de 1960 e foi captada em GlynderbourneNão será de esperar grande qualidade sonora, mas Sutherland estará certamente em topo de forma e na fase "pré-Bonynge".
O maestro é Vittorio Gui.













Review

The Glyndebourne performance is persuasive. Joan Sutherland is the heroine with such art and high accomplishment. --Financial Times 25 May 1960



With Joan Sutherland singing Elvira with extraordinary beauty of tone and line, and the orchestra playing with a new freedom, spontaneity and a welcome lack of affectation, Glyndebournes new production justifies itself. --The Observer 29 May 1960

Vittorio Gui conducts with an ideal blend of gentleness and high spirits, warmth and dash. The RPO and the excellent Glyndebourne Chorus are in good form --Spectator 3 June 1960

CD Description

Italian conductor Vittorio Gui was Glyndebournes musical director from 1951 1963, and introduced a strong Italian theme in his programming Rossini and Bellini amongst them. Bellinis last and arguably richest opera I Puritani, comes from Glyndebournes recording archive, dated 1960 and was the first performance of this opera in Britain since 1887. This is Joan Sutherlands debut in the role of Elvira. This young and extraordinary bel canto talent is the heroine in this production. She has a beauty of tone, her voice fluent and eloquent, the intimate confines of the Glyndebourne opera house allowing the warm glowing colour in Sutherlands voice to radiate. So acclaimed was this production that it was selected for Glyndebournes return to the Edinburgh Festival after a 4 year absence and Sutherland, so in love with her Glyndebourne costumes was she, that she borrowed them from the production for her performances as Elvira at the Gran Teatro del Liceo in Barcelona in December 1960.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Lucrezia Borgia com Sutherland e Kraus Paris 17 de Junho de 1989 / Lucrezia Borgia with Sutherland and Kraus - Paris June 17th 1989

Em 1989 Joan Sutherland praticamente no final da sua longa carreira. No entanto, a cantora continuava a encher teatros e a deliciar multidões.

Já falei aqui no Outras Escritas das famosas interpretações da cantora na ópera Lucrezia Borgia de Gaetano Donizetti no Teatro Del Liceu de Barcelona e no Théatre des Champs-Elysées de Paris precisamente no ano de 1989.

Recentemente encontrei no youtube uma gravação com excertos da récita de Paris (em versão concerto) realizada no dia 17 de Junho. Sutherland, com 62 anos na altura é acompanhada por um "fantástico" e jovial Alfredo Kraus, na altura com 61.

Vale a pena ouvir!



In 1989 Joan Sutherland was practically at the end of his long career. However, the singer continued to fill theaters and delighting crowds.

I've mentioned several times here on Outras Escritas the famous interpretations of Sutherland in the opera Lucrezia Borgia by Gaetano Donizetti at the Teatro del Liceu in Barcelona and the Théâtre des Champs-Elysées in Paris precisely.

Recentely I found a recording on youtube with excerpts of  the Paris performance (concert version) held on 17 June. Sutherland, aged 62 at the time, was accompanied by a "fantastic" Alfredo Kraus in aged 61.

Well worth listening!



sábado, 15 de novembro de 2008

Ao Lado da Música (XVIII) - Marilyn Horne

Marilyn Horne nasceu nos Estados Unidos da América em Bradford (Pennsylvania) a 16 de Janeiro de 1934. Desde muito cedo na sua vida foi influenciada pelo pai a prosseguir o seu sonho de se tornar cantora de ópera. Aliás, o pai, até morrer, teve sempre um papel bastante importante na carreira da cantora.

Aos treze anos, depois da família se ter mudado para Long Beach na Califónia, integra o Los Angeles Concert Youth Chorus, onde sempre teve um papel de destaque como Soprano.

Mais tarde estuda canto com William Vennard na University of Southern California em Los Angeles onde assiste também às Master Classes de Lotte Lehmann.

Embora tenha iniciado os seus estudos como Soprano, cedo os seus professores compreenderam que as suas características vocais se adequavam mais a um registo de Mezzo-soprano.

Embora, caracterizada como Mezzo-soprano, isto é, uma voz mais encorpada nos registos médio e grave que a do Soprano, mas com um registo agudo praticamente igual, a voz de Marilyn Horne é bastante mais que isso. O seu registo grave, bastante poderoso, leva-nos muita vezes a pensar a sua voz como Contralto, a voz feminina de registo mais grave. Outra característica importante da voz da cantora é a sua agilidade em qualquer dos registos. A voz, com uma extensão rara de mais de três oitavas, é capaz de executar passagens extremamente rápidas, ou seja, Marilyn Horne deve ser considerada um Mezzo-soprano de Coloratura, mas com uma potência muito apreciável, característica rara na maioria deste tipo de Mezzo-sopranos.

A cantora debutou na ópera aos vinte anos de idade (1954) no papel de Hata na ópera The Bartered Bride de Smetana na ópera de Los Angeles. Ainda nesse ano deu voz a Carmen de Bizet em versão de filme, papel que foi interpretado pela actriz Carmen Jones.

Depois da morte de seu pai, em 1957, Marilyn Horne parte para a alemanha, onde assina contrato com a companhia de ópera de Gelsenkirchen e onde se mantém durante 3 anos, interpretando papeis de soprano nomeadamente, Mimi (La Bohème - Puccini), Guilietta (Tales of Hoffmann - Offenbach) e Amélia (Simon Boccanegra - Verdi). Destaca-se nesta altura a sua interpretação de Marie na ópera Wozzeck do compositor austríaco Alban Berg. Os aplausos dos críticos a esta interpretação (que a cantora nem queria fazer), valeram-lhe o regresso aos Estados Unidos a convite da ópera de S. Francisco. A cantora deixa a Alemanha em 1960.

A sua interpretação de Marie na ópera Wozzeck é amplamente aclamada pelo público e pela crítica nos Estados Unidos e Marilyn Horne passa a ser conhecida internacionalmente.

Em 1961, a cantora aparece pela primeira vez acompanhada pelo soprano Joan Sutherland, com quem viria durante a sua carreira a interpretar inúmeras óperas. Aliás, Joan Sutherland e Marilyn Horne ficarão para a história como duas das vozes que mais se completam. No ano de 1961 Horne interpreta a personagem de Agnese (Mezzo-soprano) da ópera Beatrice di Tenda de Bellini com Joan Sutherland como Beatrice.

Depois do êxito no papeis de Marie e Agnese, a cantora estreia-se nos mais importantes palcos operáticos do mundo. Salientam-se as suas interpretações com Joan Sutherland nas óperas Norma e Semiramide de Bellini e Rossini, respectivamente.

A cantora é por muito críticos considerada a melhor interprete dos papeis de Rossini para Mezzo-soprano, com destaque para Rosina do Barbeiro de Sevilha, Falliero da ópera Bianca e Falliero (papel para contralto), Isabella de L'italiana In Algeri, Arsace da ópera Semiramide, Tancredi da ópera homónima e Angelina de La Cenerentola.

Importa também referir a interpretação de Rinaldo personagem da ópera homónima de Handel, que a cantora interpretou no Metropolitan de Nova Iorque e que nunca aí tinha sido interpretada neste palco operático.

Marilyn Horne retirou-se dos palcos em 1999 com um recital no Chicago Symphony Center. Tem hoje uma fundação com o seu nome que ajuda a preservar a arte dos recitais vocais e que se dedica também ao ensino.

A cantora ficará na história como um dos melhores Mezzo-sopranos de sempre.


The Spectacular Voice of Marilyn Horne foi lançado pela Decca em 1998 com reedição posterior integrada no conjunto de 11 CD's intitulado Marilyn Horne - The Complete Decca Records em Março de 2008.

As capacidades vocais da cantora para interpretação de várias árias de Rossini para Mezzo-soprano e Contralto são claramente evidenciadas neste álbum. A agilidade e potência vocais com que Marilyn Horne interpreta Rossini fazem deste trabalho uma obra essencial para os apreciadores do Bel canto iltaliano.

Fazem parte do CD os seguintes temas:

Bel raggio lusinghier - Semiramide
Cruda Sorte! - L'italiana in Algeri
Di tanti palpiti - Tancredi
Nacqui all'affanno...Non più mesta - La Cenerentola
Mura felici - La donna del lago
Tanti affetti - La dona del lago
L'ora fatal s'apressa... Guisto ciel! - L'assedio di Corinto
Avanziam... Non temer, d'un basso affetto... I destini tradir ogni speme!... Signor, che tutto puoi... Sei tu che stendi, o dio - Lássedio di Corinto

Embora com edição de 1998, ainda é relativamente fácil encontrar este álbum nas discotecas ou em lojas on-line.

Para uma visão geral da carreira de Horne, o conjunto de 11 CD's The Complete Decca Records é uma referência.

Lançado pela Deutsche Grammophon no final de 2006 este duplo DVD apresenta-nos um récita da ópera L'italiana in Algeri ocorrida no Metropolitan de Nova Iorque a 11 de Janeiro de 1986.

L'italiana in Algeri é uma ópera cómica de Gioachino Rossini com libretto italiano em dois actos de Angelo Anelli e estreada no ano de 1813 no Teatro de San Benedetto de Veneza.

Espontânea e desenvolta, a comédia distingue-se pelo argumento delirante, no qual sobressai a agilidade das peripécias e o hábil desenho das personagens, enquadrados por um ambiente oriental.

Sinopse

Elvira, mulher de Mustafà, Rei de Argélia, confidencia tristemente à sua escrava Zulma que o marido já não a ama. Quando Mustafà entra, acompanhado por Haly, capitão dos corsários, Elvira tenta falar-lhe, mas o Rei ordena-lhe que se retire para os seus aposentos com Zulma e os eunucos. Para se ver livre dela, resolve dá-la em casamento ao seu escravo italiano, Lindoro, sem atender às razões de Haly, acaba por ordenar a este que lhe arranje uma italiana, daquelas que tanto arreliam os seus apaixonados, farto que estava de mulheres dóceis e modestas. Concede-lhe seis dias para o conseguir ou espera-o a morte.

Lindoro, que recorda Isabella, a sua noiva que ficara em Itália, não se sente nada entusiasmado com a proposta de Mustafà e tenta escapar à vontade de Rei, mas este, entre lisonjas e ameaças, obriga-o a segui-lo para admirar a mulher que decidira dar-lhe por esposa.

Entretanto, um navio italiano naufraga na costa e Haly acorre para o pilhar e fazer prisioneiros. Entre estes encontram-se Isabella, vinda por mar à procura de Lindoro, e Taddeo, que a acompanha como seu admirador e que ela, para o salvar da morte, faz passar por seu tio. Haly anuncia à bela italiana que será apresentada ao Rei e que se tornará a rainha do seu harém. Taddeo fica horrorizado, mas Isabella assegura-lhe que com a sua astúcia feminina e desenvoltura saberá fazer frente àquele terrível Mustafà.

Numa sala do palácio, o Rei informa Lindoro que um navio veneziano acaba de pagar o seu resgate e que se o jovem deseja voltar à pátria, se apresse a levar Elvira e que, além disso, dar-lhe-à tanto ouro que ficará riquíssimo. Com notícia que lhe traz Haly que entre os prisioneiros do navio naufragado se encontra uma formosíssima italiana, Mustafà, radiante, afasta-se com o seu séquito para ir recebê-la dignamente, enquanto Lindoro procura convencer Elvira a esquecer o marido ingrato e a segui-lo para Itália, onde poderá ter os amantes que quiser.

Isabella é apresentada a Mustafà, que de imediato se apaixona. Ela finge corresponder a fim de tirar as maiores vantagens da situação. Entretanto entram Lindoro e Elvira, para se despedirem do Rei. O encontro imprevisto faz inflamar ainda mais o coração dos dois jovens. Mas Isabella não perde a cabeça e, ao saber por Mustafà que a sua ex-mulher e o seu escravo vão partir para Itália, simula uma grande indignação. Se Mustafà quer ter uma atitude digna, que fique com Elvira e que ponha o escravo Lindoro ao seu serviço. Mustafà, fascinado por Isabella, cede à sua vontade provocando o espanto geral.

Elvira, Zulma, Haly e um grupo de eunucos comentam a condescendência de Mustafà e a esperteza de Isabella, que poderá ser útil à causa de Elvira. Mustafà, entrando a seguir, afirma que saberá conquistar a bela italiana, excitando a sua ambição. Na sala deserta, encontram-se Isabella e Lindoro, o qual assegura à sua bem amada que nunca tencionara atraiçoá-la e que a projectada viagem a Itália com Elvira era apenas um estratagema para poder voltar para junto dela.

Isabella arquitecta então um plano com Lindoro para abandonarem a Argélia e fugirem juntos no mesmo barco para Veneza. saem os dois e entra Mustafà que, cada vez mais apaixonado por Isabella, decide atribuir a Taddeo, que naturalmente julga seu tio, o título de Kaimakan. Em troca, este deverá ajudá-lo a conquistar Isabella. Tadeo, obrigado a escolher entre a tortura e a tarefa humilhante de fazer de alcoviteiro, aceita o título prestigioso, respeitado por todos.

Num maravilhoso aposento junto ao mar, Isabella veste-se à turca. Conversando com Elvira, ensina-lhe a maneira mais conveniente para conservar um marido. É necessário dominar os homens e não ser dominada. Mustafà, à parte, ordena a Lindoro que conduza Isabella à sua presença e Taddeo que lhe faça companhia e se retire assim que ele fizer sinal, espirrando. Isabella entra, murmurando palavras ternas a Mustafà, que espirra várias vezes, mas Taddeo finge não ouvir. Então Isabella, divertida com a situação, manda servir o café em três chávenas, uma das quais destinada a Elvira. Mustafà mostra-se muito aborrecido com a presença de Elvira, mas Isabella recorda-lhe a sua promessa de ser gentil com a esposa e o Rei, obrigado a condescender para não irritar a bela e prepotente italiana, começa a suspeitar que está ser alvo de troça.

Enquanto Haly louva a inteligência e a astúcia das mulheres italianas, Lindoro e Taddeo (que não descobriu ainda que o escravo é o noivo de Isabella) asseguram a Mustafà que Isabella está apaixonadíssima por ele e que o quer nomear, com grande pompa e solenidade, o seu Pappataci (Come e cala). O Rei fica muito lisonjeado, mesmo sem saber o que significa aquele título. Os dois explicam-lhe que se trata de um título muito considerado em Itália reservado aos conquistadores irresistíveis. Um verdadeiro Pappataci deve pensar somente em comer, beber, dormir e divertir-se.

Isabella, que obteve do Rei os escravos italianos para preparar a cerimónia, disfarça alguns de Pappataci. Encarrega outros de se manterem no barco prontos para a fuga e informa todos da partida que pretende pregar a Mustafà. Taddeo ajuda-a, convencido naturalmente de que ela deseja enganar Mustafà por amor dele.

Inicia-se a cerimónia. Mustafà, vestindo solenemente de Pappataci e lisonjeado por se encontrar no meio de tantos italianos com o mesmo título, promete observar escrupulosamente o regulamento da ordem. Deve jurar não ver, não ouvir e não se intrometer, comer e gozar apenas. Fingem depois pô-lo à prova. Isabella e Lindoro trocam frases amorosas e ele, obedecendo às ordens, continua a comer sem se preocupar com o que acontece. Quando um navio acosta ao palácio, Lindoro, Isabella e os escravos italianos entram nele à pressa, enquanto Taddeo apercebendo-se finalmente que Lindoro é o noivo da mulher que serviu com tanta devoção, procura despertar Mustafà para que ele impeça a fuga dos dois apaixonados. Mas Mustafà mantém-se fiel ao juramento dos Pappataci. De novo, Taddeo tem de escolher entre a tortura de ficar, e a humilhação de auxiliar os objectivos de Lindoro e Isabella; escolhe a humilhação e embarca com os outros.

Acorrem entretanto Elvira, Zulmira e Haly com os eunucos completamente embriagados (obra também de Isabella), aos quais Mustafà, dando-se conta de que foi enganado, ordena inutilmente que prendam os fugitivos, que se afastam já no barco. "Mulheres italianas nunca mais!", afirma Mustafá, resignado. Pedindo perdão, volta para junto da sua dócil esposa Elvira.

Elenco

Mustafà - Paolo Montarsolo
Elvira - Myra Merrit
Zulma - Diane Kesling
Haly - Spiro Malas
Lindoro - Douglas Ahlstedt
Usabella - Marilyn Horne
Taddeo - Allan Monk

Coro e Orquestra do Metropolitan sob a direcção de James Levine.

Marylin Horne conquista mais uma vez o publico do Metropolitan com a sua interpretação de Isabella. Aliás Horne apresentava-se no Met regularmente nesta ópera, aliás das 46 vezes que a ópera tinha sido levado à cena, Horne foi a protagonista de 36.

Publicado no Ao Lado da Música a 13/05/2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Joan Sutherland - Vídeo (III)

O trio que termina o primeiro acto da ópera Norma de Bellini em três situações diferentes:


Sidney 1978, Joan Sutherland, Margretta Elkins e Ron Stevens


Toronto 1981, Joan Sutherland, Tatiana Troyanos e Francisco Ortiz


Nova Iorque 1981, Joan Sutherland, Marilyn Horne, Luciano Pavarotti

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Anna Bolena - Joan Sutherland

Joan Sutherland interpretou Anna Bolena já bastante tarde na sua longa carreira.

Está disponível no YouTube desde há uns dias, um magnífico registo de uma gravação desta ópera em versão concerto que data de 1985 (New York City Opera).

Apesar da idade e de não estar já no topo da sua forma vocal, Sutherland comanda sempre que intervém, mesmo quando o coro, a orquestra e os outros cantores cantam em forte. A cena final é de uma beleza sublime.

Gostaria também de salientar a interpretação de Judith Forst no papel de Giovanna Seymour, a sua ária do segundo acto é interpretada de forma soberba (fez-me lembrar a interpretação de Garanca).

Infelizmente o som por vezes não está nas melhores condições, mas este é um óptimo documento histórico de uma das melhores cantoras líricas da história da ópera.

No intervalo é apresentada uma entrevista com Sutherland e Bonynge.






Maestro Richard Bonynge - 1985
Orquestra - New York City Opera
Coro - New York City Opera
Anna Bolena - Joan Sutherland
Enrico - Gregory Yurisich
Giovanna - Judith Forst
Percy - Jerry Hadley
Rochefort - Jan Opalach
Smeton - Cynthia Clarey
Hervey - Gran Wilson

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Joan Sutherland

Joan Sutherland, na minha opinião a melhor voz de sempre, faria hoje 87 anos. Aqui fica uma gravação da ária "Confusa e alma" da ópera Emilia di Liverpool de Gaetano Donizetti. A gravação é de 1957, dois anos antes da famosa Lucia do Covent Garden em Fevereiro de 1959.


Joan Sutherland, the best voice ever in my opinion, would be today 87 years. Here is a recording of the aria "Confused and soul" of Emilia di Liverpool opera by Gaetano Donizetti. The recording is from 1957, two years before the famous Lucia Covent Garden in February 1959.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Joan Sutherland (85 anos / 85th birthday)

Dame Joan Sutherland, se fosse viva, faria hoje 85 anos. Aqui fica a referência da uma das melhores vozes de sempre.

Deixo-vos com alguns episódios de Who's afraid of opera de 1972/73.

If Dame Joan Sutherland was alive, today was her's 85th birthday. Here are some clips from the show Who's afraid of opera (1972/73).

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Joan Sutherland

No que respeita a cantores há, a meu ver, os maus, os medíocres, os medianos, os bons, os muito bons, os absolutos e depois há Joan Sutherland.

(An hour with Joan Sutherland-1965)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Lucia di Lammermoor (Gaetano Donizetti) - Metropolitan Opera (Nova Iorque) 24/02/2010

Lucia di Lammermoor é talvez a ópera mais conhecida de Gaetano Donizetti e um dos pilares do período do bel canto italiano. Esta foi uma das poucas ópera de Donizetti que se manteve sempre nas temporadas líricas um pouco por toda a parte, desde o ano em que estreou (1835 Nápoles).

Até aos anos 50 do século XX, a personagem Lucia era interpretada essencialmente por sopranos ligeiros de coloratura, ou seja, por cantoras com vozes pequenas mas muito ágeis e com um registo agudo brilhante e fácil. A ópera era então considerada pouco dramática e associada apenas aos malabarismos e pirotecnias vocais das cantoras. Foi Maria Callas que iniciou uma nova forma de cantar e representar Lucia no início dos anos 50 do século XX, imprimindo à personagem a carga dramática que lhe está subjacente no libretto de Salvadore Cammarano baseado no romance "A noiva de Lammermoor" de Sir Walter Scott. Em 1959, o soprano Joan Sutherland fez catapultar a sua carreira com uma extraordinária interpretação de Lucia no Covent Garden de Londres. Joan Sutherland é para mim a melhor Lucia de sempre.


Do ponto de vista musical, Lucia di Lammermoor será porventura o expoente máximo do bel canto de Donizetti. Destaca-se, obviamente, a cena de loucura do 3º acto em que Lucia, depois de obrigada a casar com Arturo, resolve num acesso de loucura, assassiná-lo na noite de núpcias. O assassinato ocorre fora de cena, mas de seguida Lucia regressa a palco e interpreta um conjunto de árias de exigência vocal extrema, onde expressa vários estados psíquicos, que vão desde a mais pura insanidade, até à mais suave e bela alucinação.
Como é característico nas óperas de bel canto, é através da voz que se exprimem todas estas formas de estar e sentir. Os estados de maior agitação através de passagens de coloratura e os estados mais serenos através de uma linha melódica aparentemente mais simples, mas que obriga a um domínio absoluto do legatto e da beleza tímbrica.

Actualmente Lucia di Lammermoor é posta em cena com alguma frequência e interpretada sopranos ligeiros de coloratura, líricos-ligeiros e mesmo alguns spintos.

A récita do passado dia 24 de Fevereiro no MET, marcou o regresso de Natalie Dessay como Lucia, numa produção que a cantora tinha já estreado em 2007, na altura com um estrondoso sucesso. Esta produção, com encenação de Mary Zimmerman, tem voltado ao MET regularmente e está disponível em DVD mas com Anna Netrebko (que é incomparavelmente inferior a Dessay neste tipo de repertório).

O elenco foi o seguinte:

Lucia: Natalie Dessay
Edgardo: Joseph Calleja
Lord Enrico Ashton: Ludovic Tézier
Raimondo: Kwangchul Youn
Alisa: Theodora Hanslowe
Arturo: Matthew Plenk

Direcção: Patrick Summers
Encenação: Mary Zimmerman

Coro e Orquestra da Metropolitan Opera


A encenação de Zimmerman, sobejamente conhecida pelo lançamento em DVD, pareceu-me simples e extremamente eficaz. Na cena de loucura foi usada a "tradicional" escadaria que Lucia desce depois de assassinar Arturo, que produz um efeito visual forte e ajuda as cantoras na interpretação (ficou famosa a interpretação de Joan Sutherland que no final da cena se atirava pela escadaria).

Natalie Dessay é sobejamente conhecida como uma Lucia de referência. A voz, ligeira, clara e de timbre agradável adapta-se perfeitamente à partitura de Donizetti e, para além disso, a cantora é uma actriz extraordinária. Este último facto não é propriamente um elogio da minha parte, uma vez que considero  que os movimentos em palco de Dessay, muitas vezes usados em excesso, prejudicam a emissão sonora.
Na noite de 24 de Fevereiro, penso que a cantora não esteve no seu melhor no que às condições vocais diz respeito. Ao contrário do que tenho visto em gravações, pareceu-me ter estado muitas vezes com uma atitude defensiva e, por isso, pouco à vontade. Não quero dizer com isto que a interpretação não tenha sido de um nível superior, de qualquer forma, ficou abaixo das minhas expectativas (tenho como referência a sua Lucia de 2007 que ouvi através da Antena 2).
No primeiro acto, a ária Regnava nel silenzio foi interpretada sem falhas, mas denotei uma certa dificuldade no registo agudo, que poderá ter-se devido ao facto de a voz estar ainda um pouco fria. No dueto com Edgardo houve melhorias significativas, tendo sido este um dos melhores momentos da noite. 
No famoso sexteto que encerra o segundo acto, e que é um dos pontos altos da ópera, Dessay não me impressionou. Isto pode dever-se ao facto de as "Lucias" que tenho como referência, terem vozes maiores que a sua e, por isso, estar habituado a que o sexteto seja em grande parte dominado pela voz de soprano. Houve partes em que deixei de ouvir a cantora e mesmo o sobre-agudo final foi abafado pelas outras vozes.
Finalmente a cena de loucura. Aqui Dessay esteve realmente bem, demonstrando todas as suas capacidades vocais e cénicas. Gostei particularmente da interpretação de Ardon gl' incesi à qual a cantora imprimiu um carga dramática brutal. Executou tal como em 2001 toda a cadência final sem qualquer suporte orquestral (o diálogo com a flauta, foi transformado num extraordinário monólogo vocal). Todos os pontos menos bons de Dessay durante a récita foram compensados em dobro nesta parte da ópera. Curiosamente o público do MET não aplaudiu a cantora nesta altura, talvez porque tenha sido omitido o habitual mi bemol sobre-agudo. Para mim, que até aprecio bastante notas sobre-agudas, Dessay merecia um aplauso de pé. A cena termina com Spargi d'amaro pianto, aria bastante mais agitada que a anterior, esta sim com mi bemol sobre-agudo no final a que se seguiu o merecido aplauso.

A surpresa da noite foi para mim, Joseph Calleja. O tenor, cuja carreira não tenho acompanhado, tem uma voz grande, com bastante corpo e de timbre belo (denoto-lhe apenas algum de vibrato em excesso). Encheu o MET! 
A partitura de Edgardo não está escrita propriamente para um tenor ligeiro, uma vez que quase não existem quase passagens de coloratura. Calleja provou que a sua voz de tenor lírico se adapta perfeitamente a esta personagem mantendo uma prestação uniforme e de nível superior durante toda a récita. Gostaria de destacar as suas prestações soberbas no dueto com Enrico que abre o terceiro acto, que é muitas vezes omitido da ópera, e em toda a cena final também do terceiro acto. Lucia di Lammermoor coloca ao tenor que interpreta Edgardo, o desafio de ter que interpretar uma cena inteira depois da cena de loucura do soprano. Calleja venceu este desafio com distinção e foi, na minha opinião, o melhor cantor da noite.

Ludovic Tézier fez um excelente Enrico, mantendo um timbre poderoso e escuro, mesmo nas passagens mais agudas em que por vezes os barítonos tendem a deixar a voz tornar-se demasiado clara ou brilhante. Gostei da sua prestação na primeira cena do primeiro acto, mas penso que atingiu o auge no duetto com Edgardo que inicia o terceiro acto.

Kwangchul Youn fez também um excelente Raimondo, o papel mais pequeno de entre as quatro personagens principais desta ópera. O baixo, de timbre escuro e potente destacou-se no dueto com Lucia no segundo acto. Durante o sexteto a sua voz foi sempre audível, o que muitas vezes não acontece nestes casos, visto que as vozes mais agudas e vibrantes tendem a sobressair.

O Maestro Patrick Summers fez um excelente trabalho á frente da Orquestra do MET. Gostei particularmente dos tempos utilizados e da interacção da orquestra com Dessay na cena de loucura.

Devo notar que este regresso de Dessay ao MET com Lucia di Lammermoor não tem merecido as melhores críticas. Curiosamente é na parte cénica que Dessay é mais criticada, pelo facto de aparentemente estar mais "preocupada" com as câmaras de cinema (para projecção em HD noutros teatros) do que com o publico do MET. As câmaras são, a meu ver, um factor perturbador para um cantor (e encenador), uma vez que ele tem noção de que a há muitos pormenores na sua face e corpo que não são visíveis no teatro e que são acentuados numa tela cinematográfica.

Fico a aguardar com curiosidade os comentários à transmissão directa em HD que terá lugar na Gulbenkian no próximo Sábado.