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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fazes-me falta...


Funchal, 11 de Outubro de 2010


Meu querido Pai

Faz hoje um ano que te foste embora, sem teres tido oportunidade de uma despedida. Partiste, assim de mansinho e aos poucos, depois de uma luta inglória que durou tempo demais e que não conseguiste vencer.
Desde essa altura que não me é permitido falar contigo, ouvir-te, ver-te ou sentir a tua presença.

Vivemos separados a maior parte das nossas vidas porque eu saí cedo de casa para poder estudar e nunca mais voltei, a não ser em tempos de férias, ou a meio de viagens de trabalho. A minha ausência implicava que não falássemos muitas vezes, mas era bom poder ouvir-te ao telefone pelo menos uma vez por semana e quando eu chegava ao Alentejo para uma visita, era muito bom ouvir-te dizer: "Então como está o meu querido filho?"
Ai, como tenho saudades de ouvir-te chamar-me "meu querido filho"!

Com a idade, foste ficando mais ternurento, meigo e sossegado, e isso foi bom para o nosso relacionamento. Parece que te sentia mais próximo de mim e que estávamos mais à vontade um com o outro. Notei isto, quando passaste a não suportar as nossas despedidas. Ias-te embora e ficavas sozinho enquanto eu partia.

Há um ano inverteram-se os papéis, partiste tu e deixaste-me a mim e a todos os que gostam de ti, mais sozinhos e mais tristes. Sei que não tens culpa e que provavelmente terias ficado, se isso dependesse só de ti, mas na verdade, fazes-me falta pai, fazes-me muita falta.

Um beijo do teu filho

Alberto

domingo, 8 de janeiro de 2012

Fazes-me sempre muita falta...



Escrevi o texto abaixo já há algum tempo aqui no Outras Escritas aquando da passagem de um ano da morte do meu pai. Como hoje é um dia especialmente triste, uma vez que era o dia do seu aniversário, acho que devo uma vez mais partilhá-lo convosco.

A fotografia foi tirada há precisamente três anos aqui no Funchal, no último jantar de aniversário.




Funchal, 11 de Outubro de 2010

Meu querido Pai

Faz hoje um ano que te foste embora, sem teres tido oportunidade de uma despedida. Partiste, assim de mansinho e aos poucos, depois de uma luta inglória que durou tempo demais e que não conseguiste vencer.
Desde essa altura que não me é permitido falar contigo, ouvir-te, ver-te ou sentir a tua presença.

Vivemos separados a maior parte das nossas vidas porque eu saí cedo de casa para poder estudar e nunca mais voltei, a não ser em tempos de férias, ou a meio de viagens de trabalho. A minha ausência implicava que não falássemos muitas vezes, mas era bom poder ouvir-te ao telefone pelo menos uma vez por semana e quando eu chegava ao Alentejo para uma visita, era muito bom ouvir-te dizer: "Então como está o meu querido filho?"
Ai, como tenho saudades de ouvir-te chamar-me "meu querido filho"!

Com a idade, foste ficando mais ternurento, meigo e sossegado, e isso foi bom para o nosso relacionamento. Parece que te sentia mais próximo de mim e que estávamos mais à vontade um com o outro. Notei isto, quando passaste a não suportar as nossas despedidas. Ias-te embora e ficavas sozinho enquanto eu partia.

Há um ano inverteram-se os papéis, partiste tu e deixaste-me a mim a a todos os que gostam de ti, mais sozinhos e mais tristes. Sei que não tens culpa e que provavelmente terias ficado, se isso dependesse só de ti, mas na verdade, fazes-me falta pai, fazes-me muita falta.

Um beijo do teu filho

Alberto

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Fazes-me falta - Inês Pedrosa

Inês Pedrosa escreve o romance Fazes-me Falta a duas vozes.

Em capítulos intercalados são-nos apresentadas diversas perspectivas de um homem e de uma mulher. A mulher acaba de morrer, o homem sente-lhe a falta.

Foram amigos. Simplesmente amigos. De gerações diferentes e com gostos e formas de agir diferentes.

Inês Pedrosa debruça-se, desta forma, sobre os temas da vida, da morte, do amor, da amizade e do conflito de gerações.

Difícil parar de ler.


Ruídos de copos, pianos, palavras perdidas, fumo de cigarros. E livros, livros que desfolhavas com uma sofreguidão de leoa. Dizia-te: «Lês tanto, que acabas por não aprender nada.» Era esse tipo de frase o que mais te magoava. Ficavas calada, com medo que fosse verdade.
Já não sei quem te disse, uma vez, que bastava meter-te uma moeda para que falasses horas a fio. Calavas-te a noite inteira, com os olhos húmidos. Se te chamassem egoísta, alcoviteira, vaidosa, deslumbrada, ripostavas com um humor requintado, vitorioso. Só não podíamos tocar nas teclas pretas, pequenas, modulantes, desse teu grande piano. Acabava-se a música.