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domingo, 25 de setembro de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Lídia Jorge

"Vendo a alma por um livro", palavras de Lídia Jorge na passada sexta-feira quando foi "Autor do Dia" na Festa do Livro do Funchal 2011, referindo-se à busca incessante que faz do livro perfeito.

É um prazer ler e ouvir Lídia Jorge...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Festa do Livro Funchal 2011

Começa hoje a Festa do Livro Funchal 2011. E começa em grande com Lídia Jorge como "Autor do Dia" no Baltazar Dias as 18.30.

(Programa completo na barra lateral do Outras Escritas)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Regresso ao Lar - Guerra Junqueiro

Cruzei-me recentemente com este poema de Guerra Junqueiro...

Ai, há quantos anos que eu parti chorando
deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?... Há trinta?... Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
canta-me cantigas para me eu lembrar!...

Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida...
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh, a ingénua alma tão desiludida!...
Minha velha ama, com a voz dorida.
canta-me cantigas de me adormentar!...

Trago de amargura o coração desfeito...
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!...
Minha velha ama, que me deste o peito,
canta-me cantigas para me embalar!...

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
pedrarias de astros, gemas de luar...
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...
Minha velha ama, sou um pobrezinho...
Canta-me cantigas de fazer chorar!...

Como antigamente, no regaço amado
(Venho morto, morto!...), deixa-me deitar!
Ai o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...

Canta-me cantigas manso, muito manso...
tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
que a minha alma durma, tenha paz, descanso,
quando a morte, em breve, ma vier buscar!

Guerra Junqueiro, in 'Os Simples'

sábado, 8 de janeiro de 2011

Dama de Espadas - Mário Zambujal

Terminei de ler há uns dias, o último romance de Mário Zambujal. Este é mais um dos pequenos livros do jornalista escritor que me sempre me deliciam.

A Dama de Espadas ou a Crónica dos Loucos Amantes, conta a historia de Filipe e da sua paixão po Eva Teresa. Depois de muitos encontros e desencontros, o autor oferece-nos um final fora do comum.

"As paixões arrebatadas são como o vinho das melhores castas: primeiro alegram, depois embriagam, um dia azedam.", escreve o autor na capa.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Travessuras da Menina Má - Mario Vargas Llosa

Um peruano que sonha viver em Paris e que rapidamente concretiza esse sonho. Uma mulher que teima em aparecer e desaparecer da sua vida. Um amor desequilibrado... uma entrega total da parte dele e um desprendimento injusto da parte dela.

Estes são os condimentos deste romance fantástico do prémio Nobel de literatura de 2010, que acabei hoje de ler.

Obrigado à minha amiga Reflexos pela oferta do livro.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fernando Pessoa

Morreu há setenta e cinco anos.

Horizonte

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Travessuras da Menina Má

Como o prometido é devido, acabei de receber um pacote postal vindo de Braga com o livro Travessuras da Menina Má do Vargas Llosa, empréstimo da minha amiga Reflexos.


Obrigado amiga, prometerei ser breve na leitura e reenviar o livro por correio, juntamente com o envelope e os selos.

Actualização: Afinal o livro foi oferecido. Triplamente obrigado, amiga. Pelo envio, pelo livro e pela surpresa.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mário Vargas Llosa, Nobel da Literatura 2010 (II)


Apetecia-me passar numa livraria e comprar um "Mário Vargas Llosa" qualquer, como forma de comemoração do seu Nobel. Mas tenho um pouco de vergonha, não vá o(a) empregado(a) pensar que eu sou daqueles que só lêem um escritor depois dele ganhar um prémio. O que não é o meu caso (risos).


Há, no entanto, outra questão que me atormenta: Saberá o(a) empregado(a) da livraria que Vargas Llosa é o Nobel da Literatura deste ano?

Compro, ou não compro?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mário Vargas Llosa, Nobel da Literatura 2010





Finalmente o merecido prémio de consagração.

Quero ler as "Travessuras da Menina Má". Alguém me empresta?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Belo Adormecido - Lídia Jorge




Li esta colectânea de seis contos da Lídia Jorge nos finais de tarde passados na praia.

Para quem gosta de pequenas histórias de pessoas comuns é recomendável.

terça-feira, 6 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

Terça, Flashback XII (Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago)

Com algum atraso e depois de alguma polémica, recordo nesta Terça, Flashback, um "post" que publiquei aqui no Outras Escritas sobre o primeiro livro que li de Saramago.

Referi no Outras Escritas há algum tempo atrás, que nunca tinha lido Saramago e que, depois de ver o filme "Ensaio Sobre a Cegueira" (Blindness) de Fernando Meirelles, tinha ficado com alguma curiosidade sobre o livro do mesmo nome.

Sabendo deste facto, um amigo ofereceu-me o livro como presente de Natal. Obrigado.

Não comecei de imediato a leitura. Há sempre tanta coisa para ler e, além disso, Saramago sempre me assustou. As críticas que a maioria das pessoas faz à sua escrita é de que a falta de pontuação torna os seus livros quase impossíveis de ler.
Quando iniciei a leitura coloquei este "post" no Outras Escritas as criticas negativas à escrita e atitude de Saramago foram mais que muitas.

Com tanta expectativa, confesso que estava apreensivo e decidido a parar imediatamente de ler, caso a escrita não me agradasse ou fosse demasiadamente difícil. A leitura para mim tem que ser um prazer e não um exercício de esforço.

Aconteceu precisamente o contrário do que eu esperava. Difícil foi parar de ler. Não consegui encontrar as dificuldades de leitura de que tanto se fala. Apenas os diálogos são escritos de forma "corrida", sem separação entre o que dizem as diferentes personagens. De resto, está "tudo no sítio". Pelo menos neste livro.

O Ensaio sobre a Cegueira tornou-se desta forma, um dos melhores livros que já li. A história de uma cidade em local indeterminado onde todos os habitantes vão ficando cegos e as modificações que tal cegueira obriga na maneira de ser e de pensar das pessoas são impressionantes. Leva-me a pensar "onde é que o homem foi buscar esta ideia?", "como é possível alguém inventar uma história destas?".

O livro é de tal forma interessante e denso, que as personagens não têm nome. São identificadas pelas suas características físicas ou pela sua profissão (o médico, a mulher do médico, a mulher dos óculos escuros).

A mensagem transmitida fica ao critério de cada leitor, mas leva-nos a pensar que há muito cegos por aí.

"SE PODES OLHAR VÊ. SE PODES VER REPARA". Esta frase do Livro dos Conselhos, está na contracapa do Ensaio Sobre a Cegueira e leva-me a pensar que, como posso ver, vou reparar mais em Saramago.

domingo, 30 de maio de 2010

Feira do Livro do Funchal (2010)

Passei na Feira do livro do Funchal (Festa do Livro do Funchal) hoje de manhã, precisamente no último dia.
Comprei apenas um livro. Chama-se O Belo Adormecido e é de autoria da Lídia Jorge. Custou 4,40 €. Uma autêntica pechincha.

domingo, 11 de abril de 2010

Conversas de escritores


Estou neste momento a assistir ao Câmara Clara que hoje tem como convidados dois escritores lusófonos. José Eduardo Agualusa e Mia Couto.

Os escritores estão pela segunda vez a escrever um texto para teatro. O texto é escrito a duas mãos, segundo as palavras de Paula Moura Pinheiro.

Isto fez-me lembrar do livro que estou a escrever em conjunto com a Reflexos e a que chamamos: História a qu4tro mãos (uma vez que usamos o computador para escrever e cada um usa duas mãos para escrever).

Há muito tempo que não avançamos no livro e a culpa é inteiramente minha, porque é a minha vez de escrever. Acontece que nem sempre temos predisposição para escrever e nos últimos meses esse tem sido o meu caso.

Já prometi à Reflexos que vou tentar recomeçar. Pode ser que um dia destes lhe faça uma surpresa...

Já agora, quando estivermos juntos temos que tirar uma fotografia às quatro mãos!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Faz anos hoje - Hans Christian Andersen

Hans Christian Andersen nasceu no dia 2 de Abril de 1805.

Da Infopédia:

Escritor dinamarquês, o autor de contos de fadas mais conhecido mundialmente, nasceu a 2 de Abril de 1805, em Odessa, e morreu a 4 de Agosto de 1875, em Copenhaga, também na Dinamarca. Membro de uma família humilde, aos 11 anos, após a morte do pai, foi viver para a capital, Copenhaga, onde estudou canto e dança, graças a uns protectores. Trabalhou no Teatro Real como actor e bailarino e também escreveu algumas peças. Entretanto, em 1828, entrou na Universidade de Copenhaga. Contudo, o grande interesse de Hans Christian Andersen era a literatura o que fez dele um ávido leitor. Em 1833, começou a publicar os seus primeiros textos, desde obras dramáticas, a diários, apontamentos de viagens e romances. O reconhecimento internacional chegou em 1835 com o romance O Improvisador. Ainda a nível de romances escreveu Nada como um menestrel (1837), Livro de Imagens sem imagens (1840) e O romance da minha vida (autobiografia, 1847). Contudo, tornou-se mundialmente famoso pelos contos que escreveu, especialmente por serem dedicados ao público infantil, o que era raro na época. Publicou os primeiros em 1835 e foi acrescentando outros até 1872, altura em que atingiu os 156 contos. De início, Andersen baseou-se nas tradições populares do seu país para escrever as histórias, passando depois aos contos de fadas e a outros onde a Natureza era a protagonista, ou até mesmo os objectos. Assim, escreveu, sucessivamente, contos como Companheiro de Viagem, Os Cisnes Selvagens, O Duende, A Colina dos Elfos, O Rouxinol, O Sapo, O Abeto, As Flores da Pequena Ida, A Agulha de Remendar, A Gota de Água, A Velha Lanterna e Os Trapos. Contudo, nos seus contos mais famosos, O Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia, notavam-se influências autobiográficas. Nos seus contos havia sempre uma moral e Andersen tentava passar a ideia de padrões de comportamento que deveriam ser adoptados, nomeadamente para que houvesse igualdade entre todas as pessoas. Hans Christian Andersen escreveu regularmente até 1872, altura em que ficou bastante doente. Viria a morrer três anos mais tarde, a 4 de Agosto de 1875, em Copenhaga. A data de nascimento do escritor, 2 de Abril, é hoje em dia utilizada para assinalar o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil e o mais importante prémio literário do mundo do género, atribuído pelo International Board on Books For Young People, tem o seu nome.

Hans Christian Andersen. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-04-02]

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Faz anos hoje - José Rodrigues dos Santos

José Rodrigues dos Santos nasceu a 1 de Abril de 1964.

Da Infopédia:

Jornalista de televisão português, José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964, na Beira, em Moçambique. Em 1975, depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, a sua família regressou a Portugal e instalou-se em Vila Nova de Gaia. Depois de uma breve passagem por Lisboa, José Rodrigues acabou por ir viver para Macau em 1979. Foi neste território que, aos 17 anos, se iniciou no jornalismo na Rádio Macau após ter despertado as atenções do meio ao elaborar um jornal escolar. Ainda com 17 anos regressou a Portugal para frequentar o curso de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa. Após ter concluído o curso candidatou-se com sucesso a um estágio de três meses em Londres, na Inglaterra, no canal de televisão da BBC (British Broadcasting Corporation - Companhia Britânica de Radiodifusão). De novo em Portugal foi premiado pelo Clube Português de Imprensa, em 1986, e pelo American Club of Lisbon (Clube Americano de Lisboa), em 1987. Entretanto, a BBC convidou-o a trabalhar em Londres, o que levou José Rodrigues dos Santos a regressar a Inglaterra, onde desta vez ficou três anos. Nesta época passou a ser correspondente da Radiotelevisão Portuguesa, estação onde ingressou em 1990, quando se estabeleceu definitivamente em Lisboa. Na estação pública de televisão começou por ser repórter para, ainda em 1990, apresentar o "24 Horas", jornal emitido por volta da meia-noite, e o "Telejornal", que vai para o ar à hora de jantar. Tornou-se uma das caras mais conhecidas da televisão depois de ter passado dez horas em directo na RTP no dia em que começou a Guerra do Golfo, a 16 de Janeiro de 1991. Como repórter de guerra esteve em Timor Leste, Angola, África do Sul, Koweit, Iraque, Bósnia e Jugoslávia. Mesmo com o aparecimento dos canais privados de televisão SIC e TVI, que levaram a RTP a perder audiências, manteve-se no canal estatal, onde chegou a director de programas e a director de informação. José Rodrigues dos Santos foi premiado diversas vezes ao longo da sua carreira, com destaque para as distinções atribuídas pela CNN, canal de notícias norte-americano. Em 1995 foi premiado devido a uma reportagem sobre a Guerra de Angola e dois anos depois graças a um trabalho jornalístico sobre os bunkers na Albânia. Em Junho de 2001 recebeu o prémio carreira World Report, um dos mais importantes do mundo a nível de jornalismo televisivo. Ainda em 2001, lançou Crónicas de Guerra. Da Crimeia a Dachau (vol.I) e Crónicas de Guerra. De Saigão a Bagdade, (Vol. II) , livros que relatam, as aventuras dos repórteres portugueses em diversos campos de batalha do mundo. Em 2002 publicou mais um livro, intitulado A Ilha das Trevas, em 2004 A Filha do Capitão, em 2005, O Codex 632, no ano seguinte, A Fórmula de Deus, em 2007, O Sétimo Selo e em 2008 A Vida Num Sopro.

José Rodrigues dos Santos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-04-01]

terça-feira, 16 de março de 2010

Faz anos hoje - Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco nascei a 16 de Março de 1825.

Da Infopédia:

Novelista entre os anos 50 e 80 do século XIX e um dos grandes génios da Literatura Portuguesa, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu a 16 de Março de 1825, em Lisboa, e suicidou-se a 1 de Junho de 1890 em S. Miguel de Seide, Famalicão. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove, passou, a partir desta idade, a viver em Vila Real com uma tia paterna. Aos 16 anos, casou-se com Joaquina Pereira, em Friúme, Ribeira de Pena. Em 1844, instalou-se no Porto com o intuito de cursar Medicina, acabando por não passar do 2.o ano. Em 1845, estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e também no jornalismo - actividade, aliás, que nunca abandonaria. Viúvo desde 1847, fixou-se definitivamente no Porto a partir de 1848 (onde, em 1846, já estivera preso por ter raptado Patrícia Emília, um dos seus tumultuosos amores, de quem teria uma filha). De 1849 a 1851 consolidou a sua actividade jornalística, retomou o teatro, estreou-se no romance com Anátema (1851), conheceu a alta-roda portuense bem como os meios boémios e foi protagonista de aventuras romanescas.
Em 1853, abandonou o curso de Teologia no Seminário Episcopal, fundou vários jornais e em 1855 tornou-se o redactor principal de O Porto e de Carta. Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários do Porto e de Lisboa: já alimentara várias polémicas e publicara alguns romances. Mas foi a partir de 1856 que atingiu a maturidade literária (no domínio dos processos de escrita) com o romance (por alguns autores considerado novela) Onde Está a Felicidade?. Foi ainda neste ano que iniciou o relacionamento amoroso com Ana Plácido, casada desde 1850 com Manuel Pinheiro Alves.
Por proposta de Alexandre Herculano, foi eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa em 1858 - ano em que nasceu Manuel Plácido, filho de Camilo e de Ana Plácido. Em 1860, Manuel Pinheiro Alves desencadeou o processo de adultério: em Junho foi presa a mulher e a 1 de Outubro Camilo entregou-se na cadeia da Relação do Porto. D. Pedro V visitou-o, em 1861, na cadeia, e a 16 de Outubro desse ano os réus foram absolvidos. Era intensa a actividade literária de Camilo (não sendo a esse facto de todo alheias as dificuldades económicas): entre 1862 e 1863, o escritor publicou onze novelas e romances atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Em 1864, fixou-se na quinta de S. Miguel de Seide (propriedade de Manuel Pinheiro Alves que, entretanto, falecera em 1863) e nasceu-lhe o terceiro filho, Nuno. Quatro anos depois, dirigiu a Gazeta Literária do Porto; em 1870 iniciou o processo do viscondado (o título ser-lhe-ia atribuído em 1885) e, em 1876, tomou consciência da loucura do segundo filho, Jorge. No ano seguinte morreu Manuel Plácido. A partir de 1881, agravaram-se os padecimentos, incluindo a doença dos olhos que o afectava. Em 1889, por ocasião do seu aniversário, foi objecto de calorosa homenagem de escritores, artistas e estudantes, promovida por João de Deus. No ano seguinte, já cego, impossibilitado de escrever (a escrita foi, no fim de contas, a sua grande paixão), suicidou-se com um tiro de revólver. A casa de Seide é hoje o museu do escritor e na sua vizinhança foram inauguradas, a 1 de Junho de 2005, as novas instalações do Centro de Estudos Camilianos.
Camilo foi o primeiro escritor profissional entre nós. Dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular narrativas, conhecedor profundo do idioma, observador, ora complacente ora sarcástico, da sociedade (sobretudo da aristocracia decadente e da burguesia boçal e endinheirada), inclinado (por gosto, por temperamento e formação) para a intriga e análise passionais (muitas vezes atingindo o sublime da tragédia, como no Amor de Perdição), este genial autor romântico deixou-nos uma obra incontornável (apesar de irregular) na evolução da prosa literária portuguesa. De facto, foi na novela passional e no "romance de costumes" que Camilo se notabilizou, legando-nos uma série de personagens ainda hoje inesquecíveis, quadros e situações que valem pela espontaneidade narrativa, pelo ritmo avassalador da acção, pela sugestão realista e ainda pela novidade temática, como em A Queda dum Anjo. A sua versatilidade literária e criadora (aliada à necessidade de não perder o público com a progressiva influência de Eça e de Teixeira de Queirós) levaram-no a assimilar (depois de ter parodiado) a atitude estética e os processos de escrita do Realismo e do Naturalismo, visíveis nesse notável livro que é A Brasileira de Prazins e em certa medida já iniciados com Novelas do Minho.
A sua arte de narrar constituiu, a par da de Eça de Queirós, um modelo literário para muitos escritores, principalmente até meados do século XX.
As suas obras principais são: A Filha do Arcediago, 1855; Onde está a Felicidade?, 1856; Vingança, 1858; O Romance dum Homem Rico, 1861; Amor de Perdição, 1862; Memórias do Cárcere, 1862; O Bem e o Mal, 1863; Vinte Horas de Liteira, 1864; A Queda dum Anjo, 1865; O Retrato de Ricardina, 1868; A Mulher Fatal, 1870; O Regicida, 1874; Novelas do Minho, 1875-1877; Eusébio Macário, 1879; A Brasileira de Prazins, 1882.
Além destas obras em prosa narrativa, assinale-se ainda os outros géneros (ou domínios) pelos quais se repartiu o labor de Camilo: poesia, teatro (de que se devem destacar O Morgado de Fafe em Lisboa, 1861, e O Morgado de Fafe Amoroso, 1865), dezenas de traduções (do francês e do inglês), polémica, prefácios, biografia, história, crítica literária, jornalismo e epistolografia (compreendendo mais de duas mil cartas).

Bibliografia: Da extensíssima bibliografia de Camilo salientam-se Pundonores Desagravados, 1845 (sátiras); Anátema, 1851 (novela); Inspirações, 1851 (poesias); Mistérios de Lisboa, 1854 (folhetim); O Livro Negro do Padre Dinis, 1855 (novela); A Filha do Arcediago, 1857 (novela); Amor de Perdição, 1862 (novela); Memórias do Cárcere, 1862 (memórias); Esboços de Apreciações Literárias, 1865 (crítica literária); Vaidades Irritadas e Irritantes, 1866 (opúsculo); A Queda de um Anjo, 1866 (novela); O Retrato de Ricardina, 1868 (novela); Curso de Literatura Portuguesa, 1876 (crítica literária); Eusébio Macário, 1879 (novela); A Corja, 1880 (novela); A Brasileira de Prazins, 1883 (novela)

Camilo Castelo Branco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-03-17]

segunda-feira, 15 de março de 2010

Faz anos hoje - Carolina Michaëlis

Carolina Michaëlis de Vasconcelos nasceu a 15 de Março de 1851.

Da Infopédia:

Romancista, filóloga e historiadora da literatura portuguesa, nascida em 1851, em Berlim, e falecida em 1925, no Porto. Foi basicamente autodidacta, pois no seu tempo não era permitido às mulheres frequentar os ensinos médio e superior. Publicou trabalhos na área da língua e literaturas italiana e espanhola com apenas 16 anos e cedo se tornou conhecida nos meios intelectuais europeus. Apaixonou-se pela cultura, língua e literatura portuguesas, tendo-se interessado especialmente por assuntos românicos, trocando correspondência com alguns membros da Geração de 70, como Teófilo Braga e Joaquim de Vasconcelos, com quem viria a casar, adquirindo nacionalidade portuguesa. Foi a primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa, mais concretamente na Universidade de Coimbra, desenvolvendo o seu trabalho de investigação no âmbito da cultura portuguesa medieval e quinhentista. Dirigiu, na sua fase inicial, a revista Lusitânia, de estudos portugueses, constituída por dez números publicados de Janeiro de 1924 a Outubro de 1927, em Lisboa, e redigiu artigos para jornais importantes na época, como O Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro. Recebeu várias honras, entre elas, os títulos Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Friburgo (1893) e Hamburgo (1923), ambas alemãs, e pela Universidade de Coimbra (1916). Em 1901, foi-lhe entregue a insígnia de Oficial da Ordem de Santiago da Espada pelo rei D. Carlos. Apesar de ter havido resistência por parte de membros mais conservadores, Carolina Michaëlis e a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho foram as duas primeiras mulheres a ser admitidas na Academia de Ciências de Lisboa, em 1912.

Carolina Michaëlis de Vasconcelos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-03-16]