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terça-feira, 29 de junho de 2010

Terça, Flashback XII (Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago)

Com algum atraso e depois de alguma polémica, recordo nesta Terça, Flashback, um "post" que publiquei aqui no Outras Escritas sobre o primeiro livro que li de Saramago.

Referi no Outras Escritas há algum tempo atrás, que nunca tinha lido Saramago e que, depois de ver o filme "Ensaio Sobre a Cegueira" (Blindness) de Fernando Meirelles, tinha ficado com alguma curiosidade sobre o livro do mesmo nome.

Sabendo deste facto, um amigo ofereceu-me o livro como presente de Natal. Obrigado.

Não comecei de imediato a leitura. Há sempre tanta coisa para ler e, além disso, Saramago sempre me assustou. As críticas que a maioria das pessoas faz à sua escrita é de que a falta de pontuação torna os seus livros quase impossíveis de ler.
Quando iniciei a leitura coloquei este "post" no Outras Escritas as criticas negativas à escrita e atitude de Saramago foram mais que muitas.

Com tanta expectativa, confesso que estava apreensivo e decidido a parar imediatamente de ler, caso a escrita não me agradasse ou fosse demasiadamente difícil. A leitura para mim tem que ser um prazer e não um exercício de esforço.

Aconteceu precisamente o contrário do que eu esperava. Difícil foi parar de ler. Não consegui encontrar as dificuldades de leitura de que tanto se fala. Apenas os diálogos são escritos de forma "corrida", sem separação entre o que dizem as diferentes personagens. De resto, está "tudo no sítio". Pelo menos neste livro.

O Ensaio sobre a Cegueira tornou-se desta forma, um dos melhores livros que já li. A história de uma cidade em local indeterminado onde todos os habitantes vão ficando cegos e as modificações que tal cegueira obriga na maneira de ser e de pensar das pessoas são impressionantes. Leva-me a pensar "onde é que o homem foi buscar esta ideia?", "como é possível alguém inventar uma história destas?".

O livro é de tal forma interessante e denso, que as personagens não têm nome. São identificadas pelas suas características físicas ou pela sua profissão (o médico, a mulher do médico, a mulher dos óculos escuros).

A mensagem transmitida fica ao critério de cada leitor, mas leva-nos a pensar que há muito cegos por aí.

"SE PODES OLHAR VÊ. SE PODES VER REPARA". Esta frase do Livro dos Conselhos, está na contracapa do Ensaio Sobre a Cegueira e leva-me a pensar que, como posso ver, vou reparar mais em Saramago.

sábado, 26 de junho de 2010

Sábado, última hora XII (Matemática: segunda chamada «chumbada»)


A notícia que comentamos hoje na rubrica Sábado, última hora, foi publicada no IOL Diário sob o título "Matemática: segunda chamada «chumbada»" e tem o seguinte texto:

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considera que o exame da disciplina do 3.º Ciclo, realizado esta sexta-feira, tem um grau de dificuldade inferior ao da primeira chamada e que uma nota positiva nesta prova não garante preparação para ingressar no secundário, escreve a Lusa.

«Com o fraco grau de exigência que tem, uma classificação positiva nesta prova não garante o mínimo de preparação matemática necessária para ingressar no Ensino Secundário», escreve a SPM no parecer ao exame nacional da segunda chamada.

A SPM diz mesmo que, ao contrário do enunciado da primeira chamada, de dia 18, esta prova representa «um passo atrás no sentido de se vir a alcançar um nível adequado nos exames de matemática» do 3.º Ciclo.

«Vale a pena lembrar que este exame é também o realizado pelos alunos retidos no 8.º ano, com vista à conclusão do Ensino Básico e eventual passagem direta para o 10.º ano», destaca o Gabinete do Ensino Básico e Secundário da SPM.

A prova «não tem os aspectos positivos» referidos no parecer da SPM na primeira chamada e «continua a sofrer de muitas lacunas», lê-se no documento.

A SPM reconhece como aspetos positivos nesta prova as questões de geometria, que se «adequam melhor aos objectivos» deste ciclo de estudos, mas refere que há áreas estruturantes que «não são verdadeiramente avaliadas», como os sistemas de equações e os números reais.

A área de probabilidades, acrescenta, é avaliada «a um nível bastante inferior» ao da primeira chamada.

«Esta prova avalia muito pouco o domínio dos procedimentos e a capacidade de aplicação dos algoritmos. Tal como na primeira chamada, cerca de 30 por cento da cotação do exame corresponde a questões de resposta imediata, o que nos parece excessivo», afirmam.

Para a prova de hoje estavam inscritos 615 alunos e compareceram 396, segundo dados do Ministério da Educação.


Confesso que nunca compreendi o problema nacional da matemática. Desde há uns bons anos que as matérias cobertas pela disciplina de matemática são consideradas difíceis, para a maioria, impossíveis para alguns e apaixonantes para meia dúzia.

No que me diz respeito, a matemática, nunca me assustou e foi sempre das disciplinas de que mais gostei. Reconheço que não será das disciplinas mais fáceis, mas daí a fazer dela um problema nacional, vai muito.

Um dos primeiros erros que surgem neste contexto é o de incutir nas crianças em idade escolar a falsa ideia de que a matemática é difícil. Isto acontece porque muitas vezes os próprios pais nunca foram bons alunos e acabaram por ter grandes dificuldades para realização da disciplina.

Seguem-se os professores que muitas vezes fomentam também a ideia de dificuldade, não conseguindo incutir nos alunos o interesse e o à vontade necessários para que encarem a matemática de ânimo leve e com espírito crítico.

Um outro erro, a meu ver dos mais graves, prende-se com a ideia generalizada de que para um aluno conseguir realizar uma cadeira de matemática terá que ter um bom explicador. Se se generaliza o uso de explicadores então é porque está algo de errado na forma de ensinar.

Segundo a notícia, a forma que parece estar a ser utilizada pelos governantes para resolução do problema é a de utilizar um facilitismo inapropriado para elaboração de exames. Ora este é o maior erro de todos...

E você Reflexos? O que acha desta notícia?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Terça, Flashback XI (O verão que tarda em chegar...)

Parece que já no ano passado a Primavera e o Verão demoraram a chegar.

Aqui fica um "post" que publiquei aqui no Outras Escritas no dia 6 de Julho de 2009 e que recordo nesta Terça, Flashback.


Não sei porquê, mas estamos em pleno verão e eu ainda nem dei por ele. As recentes viagens para Norte e para Sul e as baixas temperaturas para a época serão responsáveis por tal facto.

Apenas os "braços de fora" dos condutores portugueses, que o Pedro Rolo Duarte tão bem retratou neste "post", me lembram que Julho já chegou.

Ontem fui pela primeira vez à praia mas até a chuva se lembrou de aparecer. Lá consegui ficar umas horas durante a manhã, mas tomar banho foi hipótese que nem se colocou.

A certa altura a luz solar permitiu esta fotografia, que não me parece nada mal.


Publicada também no Olhares.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quinta, Lugares cruzados XII (Campo)


Escolhi O Campo como tema para a Quinta, Lugares Cruzados desta semana.

Quando penso em campo é o meu Alentejo que me vem à memória. O Alentejo da minha infância e o Alentejo de agora com o seu "mar" de campo a perder de vista.

Campo para mim é planície e horizontes largos com poucas árvores. Campo é terra cor de barro ou castanha no Inverno que se cobre de verde com o nascer das searas. Campo é cor, muita cor, na primavera com os desabrochar das flores silvestres, roxas, amarelas, brancas, azuis e vermelhas. Campo é amarelo no verão, torrado pelo sol que abrasa as searas e o restolho seco...

Campo é um conjunto de oliveiras velhas muito alinhadas ou um conjunto de sobreiros em desordem.

Campo é o meu pai, que tanto gostava de ir aos espargos e que depois a minha mãe cozinhava com carne do alguidar.

Que saudades...


E você Reflexos? Como é o seu campo?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Terça, Flashback X (Futebois - Cristiano Ronaldo)

Num período em que não se fala de outra coisa que não seja futebol, recordo um pequeno post com uma ligação para uma notícia que publiquei aqui no Outras Escritas em Julho de 2008.

Aqui fica o texto:

Li aqui que Cristiano Ronaldo concorda com as declarações de Joseph Blatter, presidente da FIFA que afirma que existe "escravatura" no futebol.

Fiquei a pensar que deve haver muito boa gente que adoraria ser "escrava" como o Cristiano Ronaldo...

sábado, 5 de junho de 2010

Sábado, última hora XI (Actor islandês vence câmara da capital)



A notícia que hoje comento, conjuntamente com a Reflexos, foi por ela escolhida e consta da edição de hoje do Diário de Notícias on-line.

O título é "Actor islandês vence câmara da capital" e o texto é o seguinte:

Apesar de sempre terem existido, os partidos e os candidatos bizarros correm o risco de ver as suas hipóteses crescer à medida que diminui a credibilidade dos políticos sérios. Foi o que aconteceu na Islândia, ilha vulcânica do Atlântico Norte, após o choque da bancarrota.


Winston Churchil dizia que uma piada é uma coisa muito séria. E aquilo que recentemente aconteceu na capital islandesa encaixa perfeitamente nessa ideia: o mais famoso humorista do país ganhou as eleições autárquicas de há uma semana em Reiquejavique, com um partido que prometia coisas tão absurdas como plantar palmeiras na gelada frente ribeirinha da cidade e adquirir um urso-polar para o seu jardim zoológico. Mas o que começou precisamente por ser encarado como uma piada parece ser agora um caso sério.

Jon Gnarr, d'O Melhor Partido, tem grandes condições para ser presidente da câmara da cidade, depois de a formação política que criou há seis meses ter tido 34,7%, elegendo seis vereadores em 15, ficando a dois da maioria absoluta. Einar Orn Benediktsson, músico que já trabalhou com a banda Sugarcubes e a cantora Björk, é um dos vereadores.

O partido, diz o actor, que é também criativo de publicidade, foi criado para denunciar as responsabilidade das elites políticas e financeiras da Islândia na grave crise em que mergulhou a ilha vulcânica do Atlântico Norte. O seu resultado deixou boquiaberta parte da classe política e dos analistas islandeses. Atrás de si deixou, com 33,6%, cinco vereadores, ficou o Partido da Independência, que liderou o país 18 anos. Os sociais-democratas e os Verdes, que actualmente governam em coligação a nível nacional, elegeram apenas quatro vereadores e o dos progressistas não foi reeleito.

Gnarr, de 43 anos, disse ao Financial Times que está a negociar com os sociais-democratas a hipótese de uma coligação municipal em que ele seja o presidente da câmara. E garantiu que está preparado para o cargo. "Adoro esta cidade e quero mesmo fazer bom trabalho. Vou manter o meu humor e tentar usá-lo como uma vantagem."

O actor diz que a chegada ao poder da sua formação constitui uma nova opção para a política. "Temos que trabalhar a infra-estrutura do partido para que as pessoas tenham uma forma de compreender o que é O Melhor Partido e quais são os benefícios do que nós chamamos anarco-surrealismo", declarou, citado desta vez pelo Wall Street Journal.

Não sendo caso único no que toca a partidos e candidaturas eleitorais bizarras, esta formação chegou mais longe do que era previsto e até a primeira-ministra da Islândia, Johanna Sigurdadottir, admitiu que isto pode ditar o fim do tradicional sistema de quatro partidos naquele país. "Nunca vi nada assim", declarou por sua vez o conhecido analista e professor da Universidade de Reiquejavique Olafur Hardarsson.


Ora aqui está um notícia com piada e, como diria Churchil, "uma piada é uma coisa muito séria". Correndo o risco de não conseguirem governar a Câmara da capital da Islândia, os membros d' O Melhor Partido, estão mesmo dispostos a fazê-lo (pelo menos a tentar). O facto do futuro presidente da Câmara ser um actor, não é, a meu ver, obstáculo algum a que faça um bom trabalho.

Já repararam os meus leitores que grande parte dos políticos portugueses não passam de maus actores? A começar no governante máximo e a acabar nos tristes actores do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista.

Ao menos em Reiquejavique ganhou a Câmara um actor de qualidade e se é um humorista, tanto melhor. Afinal, fazer humor é um desafio que nem todos ganham.

E você Reflexos? O que pensa disto tudo?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quinta, Lugares cruzados XI (Restaurante)


O tema do Quinta, Lugares Cruzados de hoje é o Restaurante e foi escolhido pela Reflexos.

Lembro-me da alegria que sentia quando em pequeno se almoçava ou jantava em família num restaurante. Naquela altura ir ao restaurante não era muito usual, a não ser quando nos encontrávamos de férias na praia. Nessa altura quando visitávamos a Nazaré, almoçávamos no restaurante "O Tamanco". De decoração e hábitos modestos, O Tamanco, fazia a delícia dos mais novos e os seus pratos de peixe eram muito apreciados por todos.

Quando crescemos, as idas ao restaurante tornam-se vulgares. Às vezes demasiadamente vulgares...

Na nossa agitação diária, os restaurantes são muitas vezes "usados" como recurso porque não temos tempo de cozinhar em casa, ou porque estamos de tal forma cansados, que não temos força para cozinhar coisa alguma. É pena!

Mas há o outro lado! Embora rotineira, uma ida ao restaurante num dia de semana no intervalo de almoço com um ou mais amigos, é uma forma óptima de manter as conversas em dia.

E menos frequentes, mas muito mais excitantes e agradávies são os almoços e jantares de fim-de-semana, sem horários para cumprir e que nos permitem apreciar demoradamente um bom prato, regado com um bom vinho tinto, seguindo de um daqueles doces maravilhosos da culinárias portuguesa e terminado, como não poderia deixar de ser, com um café.


E você Reflexos? Vai muito ao restaurante?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Terça, Flashback IX (Uma ida à Feira do Livro do Funchal)

Como encerrou no último fim de semana, a Feira do Livro do Funchal, resolvi hoje na rubrica Terça, Flashback, recordar as minhas compras na feiro do ano passado.

O post dizia o seguinte:

Visitei ontem pela tarde a feira do livro do Funchal. Não procurava nenhum livro em especial, mas acabei por deixar a feira com três livros no saco.


Cão velho entre flores - Baptista-Bastos

Mil novecentos e oitenta e quatro - George Orwell


As velas ardem até ao fim - Sándor Márai

sábado, 29 de maio de 2010

Sábado, última hora X

Que dizer, que comentar?
Que o Ronaldo chegou à Covilhã, que a selecção está a treinar, ou que ainda não saíram de Portugal e já há uma quantidade deles lesionados. Ou seja, vamos para lá com um monte de pernetas...
Sim, a maioria das notícias são à volta disto, depois de uma pausa para falar sobre os Globos de Ouro e dos vestidos das meninas.
Ah, depois no intervalo disto iam falando da crise. Sabem o que é? Pois não é importante para o país... afinal temos a selecção a caminho da África do Sul... na falta do campeonato de futebol...

E para a semana esperamos que os media sejam mais originais para que possamos trazer uma notícia a comentário...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quinta, Lugares cruzados X (Jogo da Glória)


Esta semana o Quinta, Lugares Cruzados será o Jogo da Glória.

Dados lançados. Casas contadas. Caímos em "avance uma casa", que aqui é como quem diz uma semana... e lá vamos nós para quinta-feira, dia 03 de Junho.

Jogo é jogo... é como a vida... às vezes obriga-nos a avançar "casas".

E você Reflexos, já saltou?

sábado, 22 de maio de 2010

Sábado, última hora IX (Mil anos de prisão para cada etarra pelo atentado no aeroporto de Madrid em 2006)


Escolhi esta semana uma notícia publicada no site da SIC, por contraposição a uma outra que foi comentada neste rubrica e que reflectia um erro grave na justiça norte americana.

Com o título "Mil anos de prisão para cada etarra pelo atentado no aeroporto de Madrid em 2006", a notícia tem o seguinte texto:

Três elementos da ETA foram esta manhã condenados a 1040 anos de prisão cada pelo atentado de 30 de Dezembro de 2006 no aeroporto de Madrid, que matou dois equatorianos e pôs em causa o processo de paz.

Na prática, cada um vai cumprir 40 anos de prisão efectiva, pena máxima em Espanha pelos crimes de terrorismo.

A Audiência adicional considerou os três elementos da organização separatista basca responsáveis pelos crimes de "assassínio terrorista", "tentativa de assassínio terrorista" e "participação em atentado terrorista", que, além dos dois mortos, fez 40 feridos.


Este tribunal encarregue dos dossiês de terrorismo, condenou ainda Mattin Sarasola, Igor Portu e Mikel San Sebastian a indemnizar os familiares das duas vítimas mortais: 700 mil euros a uma família e 500 mil a outra.


Depois deste atentado, cometido em plenas tréguas, o governo socialista de Zapatero pôs fim ao diálogo iniciado seis meses antes para pôr um fim pacífico ao conflitos com os separatistas bascos.



Dois mortos e mais de 40 feridos


A 30 de Dezembro de 2006, a ETA colocou uma furgoneta armadilhada no parque de estacionamento do Terminal 4 do aeroporto de Madrid Barajas.

Carlos Alonso Palate e Diego Armando Estacio morreram soterrados pelos escombros de um dos módulos do parque de estacionamento do terminal, onde se tinham deslocado para recolher familiares e amigos que chegavam do Equador.


Considerada uma organização terrorista pela União Europeia (UE), a ETA é dada como responsável pela morte de 829 pessoas em mais de 40 anos de luta armada pela independência do País Basco.

O último atentado da ETA remonta a Agosto de 2009 e foi perpetrado nas ilhas Baleares.

É bom ler estas notícias em que a a lei é aplicada implacavelmente para punir actos hediondos. Embora condenados a mais de mil anos de prisão, efectivamente a pena reduz-se a quarenta. Mesmo assim, é mais que a pena máxima em Portugal.

Mais uma vez, desculpem-me o texto telegráfico, mas encontro-me de viagem.


E você Reflexos, o que achas desta notícia?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados IX (Praia)


Nesta Quinta, Lugares Cruzados, desafiei a Reflexos a escrever sobre a Praia.

Nasci e cresci no Alentejo, numa pequena aldeia a mais de 100 quilómetros da praia mais próxima. À primeira vista este facto pode dar a entender que terei tido um contacto tardio com o mar, o que na realidade não aconteceu. Desde muito cedo na minha vida, que cerca de um mês de verão era passado em casa das "Tias das Caldas". As Tias, ambas irmãs da minha avó materna viviam (e ainda vivem) nas Caldas da Rainha, uma cidade com pouco interesse, mas que fica mesmo ao lado de praias como as de S. Martinho do Porto, de Peniche, do Baleal, da Nazaré e da Foz do Arelho.

Foi por isso nestas praias da zona Oeste, com águas frias e cheias de "nevoeiro e neblinas matinais" (eram sempre assim as previsões meteorológicas), que passei grande parte dos Verões da minha infância e que mesmo apesar destas condicionantes, eram a alegria do nosso Verão (meu, da minha irmã e dos meus pais também).
Nas Caldas os dias começavam cedo como uma ida à praça para comprar fruta e outros mantimentos para o dia. Regressávamos depois a casa para ultimar os preparativos (esta era a parte menos agradável para nós crianças, porque, mesmo que estivesse quase a chover, ansiávamos por chagar à praia). Depois partíamos para um dia inteiro de praia.
Os primeiros anos foram passados quase exclusivamente em S. Martinho do Porto, porque uma das Tias alugava sempre uma daquelas barracas com riscas coloridas, onde nos podíamos abrigar. Do vento, entenda-se, porque o sol pouco aparecia. Para além disso, a praia de S. Martinho do Porto é uma baía em concha (uma perfeição natural), o que faz com que o mar seja sempre calmo e ideal para as crianças que ou não sabem ainda nadar, ou que ainda se aventuram pouco no mar.
Foi em S. Martinho do Porto que aprendi a nadar, sem que ninguém me tenha ensinado. Aprendi de um dia para outro quando concluí que para não ir ao fundo, basta mexer com algum sincronismo os braços e as pernas.
Os melhores amigos de praia estavam também em S. Martinho, uma vez que as vizinhanças de barraca se mantinham de ano para ano e por isso as crianças eram sempre as mesmas. Éramos bons amigos, apesar de nos falarmos só durante o Verão e de não termos telemóveis nem Facebooks.
Durante a adolescência, as férias nas Caldas mantiveram-se, mas a idas a S. Martinho, passaram a ser intercaladas com idas à Nazaré, ao Baleal e a Peniche. Nestas praias podíamos contactar com o mar a sério e fazer uma das coisas que mais gosto, saltar na ondas. Lembro-me como se fosse hoje de me aventurar nas ondas da Nazaré e de vir ter à praia completamente enrolado numa ou outra das ondas mais fortes. Para além da praia, sempre que íamos à Nazaré era obrigatória a subida ao Sítio no funicular (a que chamam Elevador) e o almoço no restaurante "O Tamanco".

De todas as praias talvez seja a do Baleal a mais bonita e a mais agradável. A vila do Baleal, a poucos quilómetros de Peniche, fica situada numa pequena península que se liga a terra por uma estreita faixa de areia, que em dias de mar tempestuoso acaba por desaparecer nas ondas, transformando o Baleal numa ilha. A praia, de areias finas e brancas, tem uma extensão considerável e zonas de mar abrigadas, ideais para ir a banhos, que contrastam com as zonas mais expostas com ondas ideais para a prática de surf.
As idas ao Baleal, eram quase sempre precedidas de um passeio por Peniche e, pelo menos uma vez no Verão, uma ida ao Cabo Carvoeiro.

Com a chegada da adolescência, as férias nas Caldas foram interrompidas durante três anos. Foram os anos do Algarve (ainda com os pais). Habituados que estávamos às águas frias e revoltas do Oeste, o Algarve apresentou-se-nos como o "paraíso na terra" (hoje mudei completamente de opinião), com os seus dias ensolarados e as suas águas cálidas. Ficávamos hospedados numa casa em Albufeira e a praia que habitualmente frequentávamos era a praia do Peneco, mesmo no centro da então vila. De notar que no início dos anos oitenta, o Algarve tinha ainda algo de paradisíaco que hoje se perdeu completamente.

Depois destes três anos, as férias voltaram a ser passadas em casa das "Tias das Caldas".

Confesso que não me lembro de quando foi a última vez que fiz férias com os meu pais em casa das tias, mas lembro-me de ainda lá ter ido quando já estava na Faculdade.

Depois disso e no que respeita a férias na praia, ainda fui mais umas vezes ao Algarve com os amigos da Faculdade, ao Brasil em viagem de fim de curso, às Canárias e a Cabo Verde.

Hoje em dia não faço férias de praia. O destino praia enquadra-se num tipo de turismo que não me agrada e ao qual não dou qualquer valor. Vou, no entanto, bastantes vezes à praia nos fins de semana de Verão que passo na Madeira ou no Porto Santo. Continuo a adorar o mar, mas a magia dos tempos de criança perdeu-se...

Voltei há algum tempo a percorrer as praias da minha infância na companhia da minha mãe, mas fomos assaltados por uma onda de nostalgia que nos impede de lá voltar tão cedo. Há coisas que devem ficar no nosso passado e que não devemos tentar repetir porque nunca nos vão saber ao mesmo.

As férias em casa das "Tias das Caldas" ficarão para sempre gravadas na minha memória como as melhores épocas da minha infância.


E você Reflexos, vai muito à praia?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Terça, Flashback VIII (Londres, 13 de Agosto de 2101)

Relembro hoje na rubrica Terça, Flashback, a primeira história que escrevi para a Fábrica de Histórias e que intitulei - Londres, 13 de Agosto de 2101.

Esta história foi publicada no segundo volume da Fábrica que se encontra disponível para compra na loja da editora Autores.


Jorge chega a casa depois de mais um dia de trabalho estafante. Estaciona o veículo de transporte e olha em volta para um jardim completamente seco. Vive naquela casa há mais de quarenta anos, mas não consegue habituar-se ao seu jardim seco. Desde 2086 que a água começou a ser racionada. Primeiro só durante umas horas por dia, geralmente durante o horário de trabalho, mas depois os períodos de racionamento foram aumentando e hoje em dia o abastecimento de água está disponível apenas uma hora por dia. Entre as 7 e as 8 da manhã. Dá para tomar um duche, não dá, evidentemente para beber. Água potável, só mesmo nos estabelecimentos próprios e a um preço cada vez mais elevado.

Ao subir a escada que conduz à porta de entrada, Jorge, descendente de portugueses que partiram para Londres quando ainda era uma criança, recorda o seu jardim de outros tempos, florido e verde, com água abundante, sistemas de rega automática que ligavam e desligavam depois de analisarem as condições atmosféricas, estufas que se elevavam automaticamente quando as noites se tornavam demasiadamente frias para as suas plantas tropicais.

“É melhor esquecer” - pensa Jorge enquanto olha para a pequena câmara de vídeo, que faz um “scan” completo ao seu corpo e lhe abre a porta com um “Olá Jorge bem vindo a casa”. Tem que desligar aquela Voz Irritante que lhe dá sempre as boas vindas e que o persegue pela casa, relembrando-o dos seu afazeres diários. Jorge tem 70 anos e começa a perder a paciência para algumas destas coisas, a que costuma chamar “modernices”.

“Será que a Ana está em casa?” - pensa Jorge. Olha para o relógio, faz as contas ao fuso horário e conclui que Ana deve estar já levantada. São casados quase há 30 anos e nunca viveram juntos. Encontram-se apenas uma vez por ano, fisicamente pelo menos. “Ciberneticamente” encontram-se quase todos os dias.

- Voz Irritante, verifica se a Ana já acordou e se pode falar comigo.

Voz Irritante é o nome que Jorge resolveu dar à sua assistente cibernética que o persegue pela casa. A Voz reponde que Ana já está acordada e que podem falar.
Jorge olha para o ecrã e lá está Ana à sua espera.

-Hoje não estás com bom aspecto, já bebeste o teu copo de água? - diz Ana que está sempre preocupada com a saúde de Jorge.

- Não. Vou beber daqui a pouco, não te preocupes.

-Está bem! A água é importante, Jorge sabes disso. Como foi o teu dia?

-Quase tão rotineiro como todos os outros. Não parece haver solução para o problema da água. Conseguimos isolar uma pequena quantidade livre de qualquer contaminação, mas os custos associados ao processo são tão elevados que não nos permitem partir para produções em grande escala. Tu como estás? Pareces um pouco abatida.

- A água Jorge! É sempre a água. Por aqui quase não se consegue um litro por semana. Não posso beber um copo todos os dias...

- Não percas a esperança, minha querida Ana...

- Não perdi! Vou sair, Jorge, já estou um pouco atrasada. Adeus meu querido, uma boa noite. Falamos amanhã.

Desligam. Jorge sente-se profundamente triste. Tem saudades de Ana. Do seu corpo, dos seus carinhos e da sua presença. “Tocam-se” ao fim de semana, quando resolvem vestir os fatos cibernéticos, mas esta solução nunca lhe lhe agradou inteiramente.
Sonha com as férias que ainda estão distantes...

Perde-se nos pensamentos...e então... então tem uma ideia para mais um processo de purificação de água. Fica animado. Talvez seja só mais uma ideia que não dará em nada, mas como cientista, tem que tentar. Sabe que um dia poderá salvar o mundo.

Hoje Jorge vai dormir um pouco melhor...

Londres 13 de Janeiro de 2101 (preço de 1 litro de água potável 562,23 €)

sábado, 15 de maio de 2010

Sábado, última hora VIII (Concorrentes abrem guerra à Apple nos equipamentos e nos tribunais)

A notícia deste Sábado, escolhida pela Reflexos, foi publicada no Económico do dia 14 de Maio sob o título "Concorrentes abrem guerra à Apple nos equipamentos e nos tribunais" e com o seguinte texto:

A HTC processou a dona do iPhone e a Google vai lançar rival ao iPad.

Seja em que área for a Apple de Steve Jobs parece estar sempre a somar inimigos, desde os processos em tribunais a produtos concorrentes aos lançados pela tecnológica da maçã. A HTC avançou ontem com um processo em tribunal contra a dona do iPhone, em resposta a uma acção judicial interposta, em Março, pela Apple contra a fabricante do Taiwan.

A HTC alega, neste processo, que a Apple viola cinco das suas patentes e pede a suspensão nos Estados Unidos da venda do iPad, iPhone e iPad - os sucessos da tecnológica. Desta forma a HTC, que fabrica o telemóvel da Google, responde à tecnológica de Steve Jobs, que, em Março, acusou a fabricante do Taiwan de violar 20 das suas patentes em telemóveis com sistema operativo Google Android, em particular o Nexus One, considerado a resposta da Google ao iPhone.

Os processos e contra-processos já são uma realidade bem conhecida da Apple: a Cisco chegou a avançar com uma queixa contra a empresa, pela utilização indevida do nome iPhone. Contudo, a guerra contra a empresa de Steve Jobs também se joga ao nível dos equipamentos e sistemas operativos. Desde o lançamento do iPad (e já quando existiam rumores) que as tecnológicas se têm desdobrado em esforços para lançar os seus próprios ‘tablet'. O último anúncio veio da Google, que confirmou estar a desenvolver um ‘tablet' concorrente ao iPad.

Os rumores foram confirmados por Lowell McAdam , presidente-executivo da operadora Verizon Wireless, com quem a Google está a negociar o desenvolvimento do equipamento. O novo ‘tablet' rodará o Android, mas desconhecem-se outros pormenores, como o fabricante ou a data de lançamento.

A Google, que sempre esteve mais vocacionada no ‘software', com o sistema operativo Android, tem apostado no desenvolvimento de equipamento que já inclua o seu sistema operativo para evitar o progressivo crescimento da Apple.

O lançamento do Nexus One, telemóvel de marca própria, foi um sinal de que a Google não quer ficar de fora de um mercado que está a crescer. Em 2009, o Android conquistou uma quota de mercado de 4,1%, segundo dados da consultora IDC, um crescimento exponencial face a 2008. Já o sistema operativo da Apple, o Mac OS X, atingiu uma quota de 14,5%.


Não me é fácil comentar esta notícia, porque uso um computador da Apple, tenho um telemóvel HTC que vou trocar por um A1 com o sistema operativo Androide (Google), uso gmail e googledocs e para completar oiço música num iPod.

Seria bem mais fácil se fosse referida a Microsoft, da qual eu poderia dizer mal à vontade.

A Apple ganha sempre pontos a nível de design e robustez do sistema operativo. O meu Mac nunca "crashou" e aqueles ecrãs azuis tão característicos da Microsoft são coisas que já não vejo há muito tempo.

Tenho uma simpatia especial pela Google, principalidade ao nível das aplicações web gratuitas que disponibilizam. O Gmail que uso a nível profissional e pessoal é um bom exemplo disso. O GoogleDocs e o Google Reader são outros.

A HTC é excelente no mercado dos PDA.

Quanto a estas guerrilhas de que fala a notícia, penso que até são de salutar se forem entendidas como concorrência. Para monopólios já nos basta o que nos foi imposto pela Microsoft durante tanto tempo e que parece estar finalmente a quebrar-se. Que seja tudo para bem do consumidores finais que somos todos nós...

E você Reflexos? É pela Apple ou pela Google?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados VIII (Lisboa)


Na rubrica Quinta, Lugares Cruzados, era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, escrevêssemos sobre Lisboa. Confesso que deixei a Reflexos escolher esta cidade como tema, mas que tinha pensado em Lisboa assim que começámos a rubrica, já lá vão sete semanas.

Lisboa! Que nome mais bonito para uma cidade. Esta é, desde que me conheço a minha cidade portuguesa de eleição, mesmo com os defeitos e os problemas sociais inerentes a todas as cidades da sua dimensão,

Não me recordo da minha primeira ida à capital. Devia ser ainda bebé quando tal aconteceu. Lembro-me porém de ainda muito pequeno, passear por Lisboa com o meu pai e ficar deslumbrado com tanto movimento, tanta agitação e tantas coisas diferentes.

Lembro-me particularmente de um episódio que marcou o meu pai de uma forma menos positiva. O meu pai era um adepto fervoroso do Clube de Futebol os Belenenses e numa das nossas idas a Lisboa a casa da tia Isabel, que vivia no Restelo, resolveu levar-me pela primeira vez a assistir a um jogo de futebol no estádio do Restelo. Eu deveria ter oito anos nessa altura e era sócio do Belenenses desde que nascera. Não me lembro do jogo, mas lembro-me da cara do meu pai quando no final lhe perguntei qual tinha sido o resultado, demonstrando que o futebol não me despertava a mínima atenção. Claro que a minha inscrição como sócio do clube foi desde logo anulada e nunca mais assisti a nenhum jogo de futebol. Já na altura havia coisas em Lisboa que achava bem mais interessante como ver os aviões passar tão próximo nas aproximações à Portela.

Lembro-me também no fascínio de usar o metropolitano. Pode parecer ridículo nos dias de hoje, mas na altura praticamente não usava transportes públicos em Lisboa, porque as deslocações eram feitas de carro e, talvez por isso, o metropolitano tinha algo de especial, por ser um "comboio por baixo da rua". Devo confessar que hoje em dia ainda tenho algum interesse nos transportes urbanos que circulam em carril como metro, metro ligeiro, eléctricos (Tram), etc.

E a Lisboa de hoje?

Ao contrário do que muitos dizem, Lisboa hoje está mais bonita que nunca. As praças e ruas estão mais limpas e luminosas e a cidade apresenta-se de cara lavada. As novas centralidades, das quais o Parque das Nações é o melhor exemplo, são autênticos casos de sucesso.

E os bairros populares? Como é agradável "trepar" de eléctrico pela rua acima e depois sair na Graça e tomar um café numa esplanada com o Castelo ali mesmo ao lado e a cidade em fundo... e depois à noite passar em Alfama e parar numa daquelas casa de fado pequeninas onde se come maravilhosamente, e já pela noite dentro uma passar por um dos bares de Bairro Alto, menos característicos é verdade, mas onde se sente a cidade vibrar.

E a Baixa? A Baixa tem as mais belas praças de Lisboa. O Rossio, os Restauradores, o Terreiro do Passo e o Largo de Camões. Tem também cafés como a Brasileira do Chiado, o Benard, o Martinho da Arcada, o Nicola e a Suíça. E tem o D. Maria, o Coliseu, o Politeama, o Trindade e o S. Carlos.

E as Avenidas Novas, que nos mostram uma Lisboa bem mais cosmopolita?

E por fim, uma ida a Belém ao fim da tarde para comer meia dúzia de pastéis e ver o pôr-de-sol junto ao rio.

Em Lisboa há uma luz muito especial e única que não encontro e nenhuma outra cidade portuguesa e que me faz sentir bem. Sinto-me em casa, embora nunca lá tenha vivido...


E você Reflexos? O que lhe diz Lisboa?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Terça, Flashback VII (Jacarandás em flor)

Porque andamos todos a dizer que a Primavera nunca mais chega, e porque os Jacarandás já estão em flor há um tempo, transcrevo um post que aqui coloquei no ano passado. Parece que a primavera se está a habituar a ser teimosa...


Ao ler este "post" no Valkirio que anuncia o florescer dos Jacarandás em Lisboa, lembrei-me que aqui no Funchal os Jacarandás já estão em flor há algum tempo, anunciando a primavera que teima em chegar (continuam temperaturas de inverno).

Aqui ficam umas fotografias tiradas com o telemóvel hoje de manhã.



E você Reflexos? O que recorda hoje?

sábado, 8 de maio de 2010

Sábado, última hora VII (Juíza vai as lágrimas ao libertar inocente que esteve 29 anos preso)


A notícia que hoje comentamos na rubrica Sábado, última hora, foi publicada no IOL Diário no dia 6 de Maio com o título "Juíza vai as lágrimas ao libertar inocente que esteve 29 anos preso".
O texto é o seguinte:

Um homem passou 29 anos na cadeia e afinal estava inocente. O norte-americano Raymond Towler foi condenado por raptar e violar duas crianças, uma menina de 12 anos e um rapaz de 13. As análises de ADN vieram agora comprovar a inocência e Towler foi libertado esta quarta-feira, segundo informa a BBC.

Raymond Towler, de 52 anos, tinha sido condenado à prisão perpétua em 1981, quando tinha 24 anos e que trabalhava como. Numa audiência rápida, a juíza Eileen A. Gallagher, do tribunal do condado de Cuyahoga, lembrou os detalhes das acusações apresentadas: Towler teria atraído as crianças para a reserva de Rocky River, antes de violentá-las.

No entanto, graças à intervenção da organização não-governamental Ohio Innocence Project, que numa colaboração com o jornal americano Columbus Dispatch investiga centenas de condenações consideradas suspeitas, baseando-se em exames de ADN, ficou comprovado que o homem não é o violador das vítimas.

A notícia revela mais um de muitos casos de injustiça da justiça. É incompreensível que uma pessoa perca 29 anos da sua vida por um erro de julgamento.

Não há muito tempo fui testemunha num julgamento em que estava em causa a decisão de um júri de um concurso público. Confesso que fiquei surpreendido pela atitude do juiz, que rebatia praticamente todas as minhas afirmações. Depois, advogados de defesa e acusação tentaram contorcer factos e contornar a lei de uma forma que eu não pensava possível. Por muitas séries que se vejam na FOX ou no AXN, acho que nunca estamos preparados para este tipo de situações que, a meu ver, são totalmente contra o senso de um comum mortal.

Quanto a esta notícia em si, devo fazer notar que foi uma organização não governamental que interveio para repor a verdade e não qualquer organismo publico. Para além disso, o verdadeiro criminoso deve estar à solta e a rir-se.

Como vai o Estado recompensar esta pessoa injustamente condenada? As lágrimas de uma Juíza não são de forma alguma suficientes.

Errar todos erramos, mas erros destes...

E você Reflexos? O que acha desta notícia?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados VII (Cafés)


Na semana passada a Reflexos escolheu como tema da rubrica Quinta, Lugares Cruzados, a Nossa Casa. Numa atitude reactiva, escolhi para esta semana Os Cafés como lugares a cruzar.

Numa primeira abordagem a este tema, penso no meu pai e no Ervedal (Alentejo). Quando eu era pequeno, era hábito nas pequenas aldeias do interior, os indivíduos do sexo masculino reunirem-se diariamente nos cafés depois de um dia de trabalho. As tertúlias ou conversas de café duravam até à hora de jantar, altura em que erra interrompidas para serem de novo retomadas até à hora de deitar. Os fins-de-semana eram passados de café em café. Este deambular de café em café fazia com que os homens passassem muito pouco tempo em casa e consequentemente participassem pouco no processo educativo dos seus filhos. Infelizmente isto aconteceu comigo, o que fez com que o meu relacionamento com o meu pai fosse nos tempos da minha infância e adolescência algo frio e distante. Felizmente a situação alterou-se mais tarde e criaram-se entre nós laços bem mais fortes.

Por outro lado, foi através do meu avô, pai do meu pai, homem bastante mais "caseiro", que tomei pela primeira vez contacto com um café a sério, daqueles cafés míticos que geralmente só existem nas cidades. A idas com o meu avô Alberto a Estremoz eram bastante frequentes e à chegada impunha-se sempre uma ida ao Café Central, um dos míticos cafés da cidade. Ficávamos sempre na mesma mesa e lembro-me como se fosse hoje, das maravilhosas torradas de pão de forma que ali comia. Hoje, o Café Central já não existe. Transformaram-no numa loja de chineses (obrigado ao João Vieira por esta informação). No entanto, o Café Alentejano e o famoso Café Águias d'Ouro mantêm-se abertos e quando visito Estremoz, tomo sempre café neste último.

Resumindo, durante a minha infância e adolescência a minha relação com os cafés foi uma espécie de relação amor-ódio.

Esta situação alterou-se quando iniciei os meus estudos universitários no Porto. Nessa altura o conceito de tertúlia de café foi de tal forma enraizado em mim, que iniciou uma paixão e interesse por este tipo de espaços que dura até hoje.

No café falávamos, no café estudávamos, nos café jogávamos e ríamos e brincávamos! O espaço em si até nem era nada de especial, era pequeno e cheirava muito a tabaco, tinha umas mesas e uns bancos baixos, forrados com napa vermelha. Chamava-se "Bolo Dourado" e hoje em dia já não existe. Lembra-se Reflexos?

E a Padaria Santo António? Este pequeno espaço de padaria/pastelaria/confeitaria/café ficava a caminho de casa. Todos os dias antes das aulas era aí que tomava o meu primeiro café na companhia da Reflexos (tínhamos a sorte de morar os dois para os mesmos lados). No final do dia passávamos novamente pela padaria para um último café e mais dois dedos de conversa. Falávamos de tantas coisas: das aulas, dos professores, dos colegas, de livros... Houve até uma altura em que ficámos viciados em palavras cruzadas! Muitas vezes tínhamos companhia de outros colegas, mas os habitués éramos nós os dois.

Em dias mais festivos, íamos à Cunha, uma pastelaria na Rua Sá da Bandeira. Tinha uns gelados óptimos, mas caros para o nosso bolso. A Cunha ainda hoje existe, e pelo que me pareceu da última vez que estive no Porto, está de saúde. Ainda bem que assim é.

E o Imperial? Café mítico em plena Praça da Liberdade, com um vitral fabuloso em estilo Art Déco. Parava lá sempre para tomar um café quando ia tomar o comboio para o Alentejo na Estação de S. Bento. Tristemente, o Imperial é hoje um McDonalds. Mantiveram-lhe o interior, mas o ambiente perdeu-se.

Quanto a cafés do Porto, devo ainda referir a Brasileira, o Guarani e o Majestic. Cafés que não frequentei muito, mas que foram e são uma referência na cidade. A Brasileira parece que não está a passar pelos melhores dias, mas o Guarani e o Majestic estão de pé e cheios de vitalidade.

Falei de Estremoz e do Porto... e os cafés de Lisboa? A Brasileira do Chiado, o Nicola, o Benard, o Martinho da Arcada, a Suíça, a Mexicana e tantos outros?

E o café onde vou todos os sábados de manhã a que chamam a Esquina do Mundo (Golden Gate no Funchal)?

A lista parece não acabar.

Gosto de café e adoro cafés... Gostos de cafés grandes, espaços de muitas conversas... Cafés belos e míticos... Cafés com história e com histórias para contar.


E você, Reflexos, qual o seu café de eleição?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Terça, Flashback VI (A menina Laura)

Porque ainda está presente o dia da mãe, publico no Terça, Flashback de hoje, um texto sobre a minha mãe que foi publicado no terceiro volume da Fábrica de Histórias.

A menina Laura nasceu num dia de Maio de 1942 numa pequena vila do interior alentejano. Filha do mestre Quim Sapateiro e da menina Maria do Quim, sim, porque por essas bandas as mulheres são todas meninas, a pequena Laura teve uma infância cheia de atenções e mimos dos seus pais. Nada de muitos luxos. O mestre Quim não era nem nunca foi rico, pelo menos do ponto de vista financeiro.

A menina cresce, vai à escola mas completa apenas a quarta classe segundo o que era habitual naquela altura, pelo menos no seio das famílias mais pobres. Não foi, no entanto, o facto de não ter continuado os estudos que fez dela uma pessoa menos inteligente ou menos pronta para enfrentar a vida que tinha pela frente.

Já uma mulherzinha, Laura aprende a bordar com a menina Amália que por sua vez tinha aprendido com uma senhora da Madeira. Aprendeu depressa e bem a arte do bordado mas, curiosamente, não foi nesta altura da sua vida que mais uso dela fez.

Mais uns anos passam e a menina Laura começa a interessar-se por um rapaz meio traquinas que andava já há uns tempos a fazer-lhe olhos bonitos. Havia, no entanto, um problema. A menina era filha do mestre Quim sapateiro e o rapaz filho do senhor Alberto Grilo, um dos homens mais ricos da terra.

O amor, felizmente, venceu e a menina Laura casou com o menino Zé Joaquim num dia de Abril de 68.

Logo após o casamento, começam os problemas financeiros do Sr. Alberto Grilo que é obrigado a encerrar vários dos seus negócios e a despedir muitos dos seus funcionários. Os membros da família têm que arregaçar mangas para salvar o que resta. A menina Laura e as outras mulheres da família Grilo ficam com o trabalho ingrato de cuidar do aviário. Limpar e alimentar os frangos eram as suas tarefas diárias. Quem na altura pensou que Laura casara por dinheiro, imediatamente verificou que tal não poderia estar mais longe da realidade. O afinco com que ajudou a família Grilo era a maior prova de amor que Laura poderia dar ao seu marido.

É nesta época de luta e dificuldades, que Laura tem o seu primeiro filho ao qual é dado o nome do seu sogro, Alberto, segundo a tradição da família Grilo que, chama "Alberto" a todos os primeiros filhos dos casais.

Quatro anos mais tarde nasce uma menina a quem e dado o nome de Alexandra. Nesta altura os problemas financeiros da família Grilo estão já mais controlados e Laura não necessita trabalhar.

Laura e Zé Joaquim levam muito a sério a educação dos seus dois filhos. Laura, mais presente no dia-a-dia, é uma mãe amiga e carinhosa, mas sabe impor respeito e quando os meninos se portam mal, levam com um sapato no rabo. A relação que tem com os dois é, no entanto, franca e aberta e baseada na confiança mútua. Uma forma de educar diferente do que era habitual na altura e que ainda hoje se reflecte no relacionamento com tem com os filhos.

Desenganem-se, os que pensam que Laura nesta altura da sua vida apenas cuidava da casa, do marido e dos filhos. A menina-mulher tinha, entretanto aprendido alguns conceitos básicos de enfermagem e quase todos os dias ao fim da tarde saia de casa para dar injecções ou fazer curativos em pessoas doentes. Durante o dia, os doentes que se podiam deslocar passavam em sua casa para receber este tipo de cuidados. Laura raramente cobrava dinheiro a estas pessoas. A uns porque eram pobres e a outros porque eram amigos. No entanto, a recompensa vinha sempre mais tarde e em géneros. Ovos, galinhas, patos, borregos, legumes e tantas outras coisas que valiam bem mais que o dinheiro que cobrasse.

É com muita alegria que Laura recebe uma proposta de trabalho para auxiliar de Médico, numa fábrica de lacticínios. Trabalha apenas umas horas durante a manhã, mas o dinheiro que ganha sempre ajuda nas despesas da casa. Este foi talvez um dos períodos mais felizes e intensos da sua vida. Conheceu muita gente e fez muitos amigos. Laura tem uma aptidão inata para lidar com as pessoas e teria sido uma excelente enfermeira se tal oportunidade lhe tivesse sido dada.

Os filhos crescem, são bons alunos e não dão preocupações. Laura, embora tenha muito orgulho neles, nunca os recompensa nos finais de ano escolar. Porquê? Porque os filhos devem estudar para se realizarem pessoalmente e não para serem recompensados materialmente por isso.

É com alguma tristeza que vê Alberto partir para longe afim de iniciar os seus estudos universitários. No entanto, Laura é forte e quando o filho sente saudades de casa, faz tudo para não se comover e para lhe dar força para continuar. Uns anos mais tarde parte Alexandra com a mesma finalidade. A casa fica mais vazia, mas Laura não se deixa ir abaixo. Precisa de ocupar o seu tempo, nunca foi mulher de estar parada em casa a tratar do marido, com quem mantém um óptimo relacionamento.

É por esta altura que vê surgir a oportunidade de colocar em prática os seus conhecimentos na área do bordado. A convite de uma entidade pública local, passa a ser monitora de um curso de bordados. Mais uma vez as capacidades de Laura são postas à prova. Desta vez tem que ensinar e ser "professor" não é tarefa para qualquer um.

O primeiro curso corre muito bem, ou não fosse Laura uma excelente comunicadora. Surgem convites para o segundo, o terceiro, o quarto... tantos que já se perdeu a conta. Ainda hoje mantém esta actividade, passados que estão mais de quinze anos.

Como qualquer história de vida, também a história de Laura conta com alguns momentos menos bons:a morte repentina do sogro, o cuidar da sogra acamada durante os últimos meses de vida, a doença do marido que o levou à portas da morte e a morte do pai, são só alguns exemplos.

Laura, enfrentou todas estas situações com tristeza mas determinação. Ela comanda, decide, fala e resolve.

Em 2007 toda a família fica em pânico quando após uma cirurgia sem importância Laura fica às portas da morte. Nova cirurgia e as coisas ficam resolvidas. Laura é forte e não se deixa vencer assim às boas.

Hoje em dia, esta Mulher, continua a viver na pequena vila alentejana onde nasceu. Mantém um casamento de mais de quarenta anos com o seu Zé Joaquim e cuida mãe e da cunhada Isabel que é como se fosse sua irmã. Laura revelou-se uma verdadeira Matriarca e é o pilar da família.

Pediram-me para olhar para uma caixa com lápis de cor e escrever uma história sobre "a cor dos meus dias". Lembrei-me imediatamente da menina Laura. Ela é, sem dúvida, a cor dos meus dias. Meus, e de muita gente...

A menina Laura é também a minha mãe e a minha melhor amiga.

Texto de minha autoria, escrito para a Fábrica de Histórias

sábado, 1 de maio de 2010

Sábado, última hora VI (Subsídio de férias pago em certificados de aforro. Concorda?)


A notícia que hoje comentamos foi publicada no IOL Diário no dia 30 de Abril. O texto é o seguinte:

O PSD está disponível para discutir com o Governo a possibilidade de se pagar o 13º mês dos funcionários públicos em títulos de dívida pública. Ou seja, em vez de receberem subsídio de férias em dinheiro, os funcionários receberiam certificados de aforro.

A ideia não é nova e até já foi usada nos anos 80 por imposição do Fundo Monetário Internacional. Mário Soares era então primeiro-ministro e tinha Ernâni Lopes ao seu lado na pasta das Finanças.

Quase 30 anos depois, a ideia de pagar o subsídio de férias com certificados de aforro volta a estar em cima da mesa. Alguns economistas, como Silva Lopes, já a defenderam e o líder do PSD não põe a hipótese de lado.

Mas para o Governo, pagar o décimo terceiro mês com títulos da dívida pública não é solução. Se o executivo viesse a adoptar esta medida o dinheiro era retirado dos salários mas teria que ser gasto na mesma para comprar os certificados de aforro.

A medida não ia ajudar por isso a reduzir o défice, e poderia funcionar apenas como uma forma de financiamento, já que os funcionários públicos se tornariam credores do Estado.


Aparentemente o poder político com o apoio do maior partido da oposição estão mais uma vez a tentar encenar uma estratégia que pretende mais uma vez iludir a população com um pretenso objectivo de diminuir o défice.

Neste momento difícil, o défice tornou-se "pau para toda a obra" e serve de justificação para as tomadas de posição mais disparatadas dos nossos governantes.

De uma vez por todas é necessário que se tomem medidas que estimulem a economia, apoiem o sector privado, nomeadamente as pequenas e médias empresas, e criem postos de trabalho.

Desculpem o post telegráfico, mas estou num pequeno e merecido descanso no Porto Santo...


E você Reflexos, concorda com esta medida?