domingo, 30 de novembro de 2008

Fernando Pessoa

No dia 30 de Novembro de 1935 morre em Lisboa Fernando Pessoa.

Da Infopédia:
Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo, prosador, Fernando Pessoa é, inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX. Após a morte do pai, partiu com sete anos para a África do Sul onde o seu padrasto ocupava o cargo de cônsul interino. Durante os dez anos que aí viveu, realizou com distinção os estudos liceais e redigiu alguns dos seus primeiros textos poéticos, atribuídos a pseudónimos, entre os quais se salienta o de Alexander Search. Com dezassete anos, abandona a família e regressa a Portugal, com a intenção de ingressar no Curso Superior de Letras. Em Lisboa, acaba por abandonar os estudos, sobrevive como correspondente comercial de inglês e dedica-se a uma vida literária intensa. Desenvolve colaboração com publicações (algumas delas dirigidas por si) como A República, Teatro, A Águia, A Renascença, Eh Real, O Jornal, A Capital, Exílio, Centauro, Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença, O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento. Com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros, leva, em 1915, a cabo o projecto de Orpheu, revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores. Tendo publicado em vida, em volume, apenas os seus poemas ingleses e o poema épico Mensagem, a bibliografia que legou à contemporaneidade é de tal forma extensa que o conhecimento da sua obra se encontra em curso, sendo alargado ou aprofundado à medida que vão saindo para o prelo os textos que integram um vastíssimo espólio. Mais do que a dimensão dessa obra, cujos contornos ainda não são completamente conhecidos, profícua em projectos literários, em esboços de planos, em versões de textos, em interpretações e reflexões sobre si mesma, impõe-se, porém, a complexidade filosófica e literária de que se reveste. Dificilmente se pode chegar a sínteses simplistas diante de um autor que, além da obra assinada com o seu próprio nome, criou vários autores aparentemente autónomos e quase com existência real, os heterónimos, de que se destacam - o seu número eleva-se às dezenas - Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, cada um deles portador de uma identidade própria; de uma arte poética distinta; de uma evolução literária pessoal e ainda capazes de comentar as relações literárias e pessoais que estabelecem entre si. A esta poderosa mistificação acresce ainda a obra multifacetada do seu criador, que recobre vários géneros (teatro, poesia lírica e épica, prosa doutrinária e filosófica, teorização literária, narrativa policial, etc.), vários interesses (ocultismo, nacionalismo, misticismo, etc.) e várias correntes literárias (todas por si criadas e teorizadas, como o paulismo, o interseccionismo ou o sensacionismo). Elevando-se aos milhares de milhares as páginas já publicadas sobre a obra de Fernando Pessoa, e, muito particularmente, sobre o fenómeno da heteronímia, uma das premissas a ter em conta quando se aborda o universo pessoano é, como alerta Eduardo Lourenço, não cair no equívoco de "tomar Caeiro, Campos e Reis como fragmentos de uma totalidade que convenientemente interpretados e lidos permitiriam reconstituí-la ou pelo menos entrever o seu perfil global. A verdade é mais simples: os heterónimos são a Totalidade fragmentada [...]. Por isso mesmo e por essência não têm leitura individual, mas igualmente não têm dialéctica senão na luz dessa Totalidade de que não são partes, mas plurais e hierarquizadas maneiras de uma única e decisiva fragmentação. (p. 31) Avaliando a posteriori o significado global dessa aventura literária extraordinária revestem-se de particular relevo, como aspectos subjacentes a essas múltiplas realizações e a essa Totalidade entrevista, entre outros, o sentido de construtividade do poema (ou melhor, dos sistemas poéticos) e a capacidade de despersonalização obtida pela relação de reciprocidade estabelecida entre intelectualização e emoção. Nessa medida, a obra de Fernando Pessoa constitui uma referência incontornável no processo que conduz à afirmação da modernidade, nomeadamente pela subordinação da criação literária a um processo de fingimento que, segundo Fernando Guimarães, "representa o esbatimento da subjectividade que conduzirá à poesia dramática dos heterónimos, à procura da complexidade entendida como emocionalização de uma ideia e intelectualização de uma emoção, à admissão da essencialidade expressiva da arte" bem como à "valorização da própria estrutura das realizações literárias" (cf. O Modernismo Português e a sua Poética, Porto, Lello, 1999, p. 61). Deste modo, a poesia de Fernando Pessoa "Traçou pela sua própria existência o quadro dentro do qual se move a dialéctica mesma da nossa Modernidade", constituindo a matriz de uma filiação textual particularmente nítida à medida que a sua obra, e a dos heterónimos, ia, ao longo da década de 40, sendo descoberta e editada, a tal ponto que, a partir da sua aventura poética, se tornou impossível "escrever poesia como se a sua experiência não tivesse tido lugar." (LOURENÇO, Eduardo, cit. por MARTINHO, Fernando J. B. - Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa - do "Orpheu" a 1960, Lisboa, 1983, p. 157.) Bibliografia: 35 Sonnets, Lisboa, 1918; English Poems, I, II e III, Lisboa, 1921; Mensagem, Lisboa, 1934; Obras Completas, 11 vols., Ática, 1942-80; Obra Poética (org., intr., e notas de Maria Aliete Galhoz), Rio de Janeiro, 1965; Obras em Prosa (org., intr., e notas de Cleonice Berardinelli), Rio de Janeiro, 1974; Obra Poética e em Prosa, (org. intr. bibli. e not. de António Quadros), 17. vols, Lisboa, 1985-86, 3 vols, Porto, 1986. Edições Críticas da Obra de Fernando Pessoa: Fernando Pessoa-Ricardo Reis: Os Originais, as Edições, o Cânone das Odes (org. e apres. Silva Belkior), 1983; O Manuscrito de O Guardador de Rebanhos (edição fac-similada com texto crítico de Ivo Castro), Lisboa, 1986; Texto Crítico das Odes de F. Pessoa-Ricardo Reis: tradição impressa revista e inéditos (notas e comen. de Silva Belkior), Lisboa, 1988; A Passagem das Horas de Álvaro de Campos (edição crítica de Cleonice Berardinelli), Lisboa, 1988; Edição Crítica de Fernando Pessoa, vol. II, Poemas de Álvaro de Campos (edição crítica de Cleonice Berardinelli), 1990, reed., aum. e corr. 1992; Álvaro de Campos - Livro de Versos (ed. crítica org. e apres. por Teresa Rita Lopes), Lisboa, 1993; Edição Crítica de Fernando Pessoa, volume V, Poemas Ingleses, tomo I (ed. João Dionísio), 1993; Mensagem - Poemas Esotéricos (edição crítica e coord. José Augusto Seabra), Madrid, 1993; Edição Crítica de Fernando Pessoa, vol. III, Poemas de Ricardo Reis (edição crítica por Luis Fagundes Teles), Lisboa, 1994; Poemas Completos de Alberto Caeiro prefácio de Ricardo Reis posfácio de Álvaro de Campos (recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha, posfácio de Luís de Sousa Rebelo), 1994; Edição Crítica de Fernando Pessoa, volume I, Poemas de Fernando Pessoa: Quadras (ed. Luís Prista), Lisboa, 1997; Edição Crítica de Fernando Pessoa, volume V, Poemas Ingleses, tomo II (ed. João Dionísio), 1997; Edição Crítica de Fernando Pessoa, volume V, Poemas Ingleses, tomo III (ed. Marcus Angioni e Fernando Gomes), 1999. Edição Crítica de Fernando Pessoa, volume I, Poemas de Fernando Pessoa, 1934-1935, tomo V, (ed. Luís Prista), Lisboa, 2000.Correspondência: Cartas a Armando Cortes-Rodrigues (intr. e ed. Joel Serrão), Lisboa, 1944, reed. 1960; Cartas a João Gaspar Simões (editadas e prefaciadas pelo destinatário), Lisboa, 1957, reed. 1988; Cartas de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa, 2 vols., Lisboa, 1958-59; Cartas de Amor de F. Pessoa, vol. I (org. e pref. Urbano Tavares Rodrigues), Lisboa, 1958; (org., posfác. e notas de D. Mourão-Ferreira, estabelecimento do texto e preâmbulo de Maria da Graça Queirós), 2 vols., Lisboa, Ática, 1978; Correspondência inédita de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa (leitura, intr. e notas de Arnaldo Saraiva), Porto, 1980; Cartas de Amor de Ofélia a Fernando Pessoa (org. de Manuela Nogueira e Maria da Conceição Azevedo), Assírio e Alvim, 1996; Correspondência Inédita, (org. e notas Manuela Parreira da Silva, pref. Teresa Rita Lopes), Lisboa, 1996; Correspondência (1923-1935) (ed. Manuela Parreira da Silva), Lisboa, Assírio e Alvim, 1999; Correspondência (1902-1934) (ed. Manuela Parreira da Silva), Lisboa, 2000

Fernando Pessoa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-29]

sábado, 29 de novembro de 2008

Ainda Bombaim

Reparei agora que alguém de Bombaim consultou o Outras Escritas e fez tradução da Notícia em Destaque de hoje.

Parece que a cidade aos pouco vai voltando à normalidade.

Um grande bem-haja para quem nos visitou e para todos os habitantes de Bombaim.

Notícia em Destaque - Índia: Bombaim, ainda em choque, regressa ao normal

Lê-se no Jornal de Notícias:

A cidade de Bombaim, ainda sob o choque dos ataques terroristas de quarta-feira à noite, voltou à normalidade hoje à tarde, horas depois de terminar a batalha final pelo Hotel Taj Mahal.

A meio da tarde, o trânsito começou de novo a encher as ruas do sul da cidade, ao mesmo tempo que as forças de segurança começaram a retirar mais corpos do Hotel Taj Mahal.

"Estão a chegar em muito mau estado" afirmou à Agência Lusa um dos coordenadores das agências funerárias que recebiam os corpos no JJ Hospital.

"Muitos dos corpos são das vítimas das primeiras horas do ataque, quarta-feira à noite. Já passaram três dias", comentou o mesmo agente funerário, que pediu para não ser identificado "porque a imprensa nem sequer podia estar" no local.

"Há dois dias era pior. Lá dentro, nas câmaras frigoríficas, havia muitos corpos desmembrados, mãos e braços separados sem se perceber de quem eram", afirmou no local um funcionário indiano dos serviços consulares portugueses.

A poucos metros, a porta da morgue exalava um cheiro agoniante de cada vez que alguém entrava ou saía.

Em redor do agente funerário, representantes dos consulados ou embaixadas tentavam confirmar nomes em listas de vítimas e de hóspedes dos hotéis atingidos. Algumas pessoas entravam na morgue, saindo em lágrimas, depois de identificarem algum familiar ou amigo.

No mesmo recinto, entre as paredes da morgue e das enfermarias do JJ Hospital, um grupo de judeus confirmava nomes e pedia informações.

Um deles sentou-se num alpendre da recepção e mostrou uma fotografia a um enfermeiro indiano: "Esta é a Rivka".

Trata-se de uma das vítimas dos ataques ao centro judaico de Nariman Point, a sul do Taj Mahal.

O pulsar da grande metrópole indiana começou a sentir-se a meio da tarde, à mesma hora a que a limpeza do Taj Mahal começou quarto a quarto, no rescaldo de mais de 60 horas de crise e de uma madrugada de tiroteio e explosões de granadas.

"A vida começa outra vez", comentou o funcionário do consulado português à saída do JJ Hospital, perante o rápido aumento de tráfego.

Horas depois, ao cair da noite, o sul da península de Bombaim, em redor dos alvos principais dos ataques, animava-se com um formigueiro de lojas, mercados, restaurantes. A Bombaim habitual.

Há, no entanto, marcas profundas nesta cidade com reputação de ser orgulhosa e resistente à desgraça.

"Existe uma sensação de choque e de medo e a normalidade vai voltar lentamente, depois de dois dias em que a população ficou petrificada", afirmou à Lusa um dos comandantes das operações anti-terroristas, o subcomissário Vinay Kargaonkar, que coordenou a libertação de reféns no Hotel Oberoi.

"É o nosso 11 de Setembro (de 2001 em Nova Iorque)", explicou o oficial da polícia. "Os ataques foram um grito de alerta para todos sobre a possibilidade de operações novas que não estamos à espera".

Vinay Kargaonkar adiantou que "os terroristas vieram para morrer, altamente empenhados em causar um máximo de vítimas".

Duas bombas de grande potência, uma delas colocada num canteiro na rua das traseiras do Hotel Taj Mahal, não chegaram a explodir, disse ainda o oficial indiano. "Foi por sorte que o número de vítimas não foi ainda mais alto".

Quase duzentas pessoas perderam a vida nos ataques, incluindo cidadãos israelitas, franceses e americanos. Nenhum português foi atingido. "Não há feridos e não há mortos", resumiu o embaixador português em Nova Deli, Luís Filipe de Castro Mendes, que desde quinta-feira se encontra em Bombaim.

"A partir de agora Bombaim tem medo", resumiu à Lusa uma assistente social, Gita Balakrishna, que prestava ajuda a familiares das vítimas num quiosque improvisado na marginal junto do Hotel Oberoi.

"Mas somos todos como o Hotel Taj Mahal. Continua de pé mesmo depois de três dias de incêndio", concluiu esta assistente, orgulhosa da "vitalidade" de Bombaim.

In Jornal de Notícias

Ao Lado da Música (XX) - Vincenzo Bellini

Vincenzo Salvatore Carmelo Francesco Bellini, nasceu em Catânia na Sicília (Itália) a 3 de Novembro de 1801. Conjuntamente com Donizetti e Rossini, foi um compositor que marcou o período designado na ópera por Bel canto.

Bellini foi, desde muito jovem considerado uma criança prodígio. Sem confirmação histórica, conta-se que com dezoito meses interpretava uma ária de Valentino Fioravanti, que iniciou os seus estudos musicais apenas com dois anos e estudos de piano aos três anos. Conta-se ainda, que compôs pela primeira vez ao seis anos.

Embora a veracidade destes factos possa ser posta em causa, a verdade é que Bellini desde muito cedo iniciou os seus estudos musicais e que tal facto permitiu que viesse a compor um pequeno conjunto de óperas de grande qualidade e que são, ainda hoje, uma referência.

Premiado com uma bolsa de estudo do Governo de Catânia, Bellini parte aos dezoito anos para Nápoles, onde inicia estudos no Conservatório. Durante esta altura os trabalhos de Mozart e de Haydn foram uma referência para o jovem compositor.

Como era prática comum no Conservatório de Nápoles, os jovens mais promissores apresentavam os seus trabalhos ao público. Foi neste contexto que Bellini estreou a sua primeira ópera Adelson e Salvini no teatro do Conservatório em 1825. Devido ao sucesso deste primeiro trabalho, o compositor foi convidado a escrever uma nova ópera para ser apresentada no Teatro San Carlo de Nápoles. Em 1826 estreia Bianca e Gerando no San Carlo, mais uma vez com enorme sucesso (mais tarde a ópera é revista e estreia em Génova em 1828 como Bianca e Fernando).

A qualidade e aceitação pelo público das duas primeiras óperas de Bellini, originaram um convite
do empresário do Teatro alla Scala de Milão, Barbaia, para um novo trabalho.

Il Pirata (1828), a terceira ópera do compositor, marca o seu sucesso em Milão e o inicio da colaboração com Felice Romani (libretista e poeta), com quem virá a colaborar em todas as óperas seguintes. Para além de Felice Romani, Il Pirata contou na estreia com a participação do tenor Giovanni Battista Rubini que interpretou a personagem de Gualtiero. A voz de Rubini viria a servir mais tarde de inspiração para vários papeis para tenor nas óperas de Bellini.

Entre 1827 e 1833, Bellini permanece em Milão onde estreia a ópera La Straniera (1828), cujo sucesso foi ainda maior que o de Il Pirata. Durante este período compõe e estreia as óperas Zaira (Parma 1829) e I Capuletti e i Montecchi (Veneza 1830) baseada na peça Romeu e Julieta de William Shakespeare. Zaira não teve muito sucesso, mas I Capuletti e i Montecchi foi muito bem aceite em Veneza.

As três óperas mais famosas de Bellini são La Sonnambula (Milão 1831), Norma (Milão 1831) e I Puritani (Paris 1835).

A ópera Beatrice di Tenda, estreada em Veneza no ano de 1833 não teve tanto sucesso. E mesmo nos dias de hoje não é muito apresentada nos teatros líricos.

Depois da estreia da sua décima ópera, I Puritani, o compositor morre prematuramente em Paris a 23 de Setembro de 1835, com apenas 33 anos de idade.

A linha melódica de uma beleza inigualável aliada a passagens rápidas de coloratura, de que a ária Casta Diva da ópera Norma é um exemplo, são uma marca que Bellini deixou e que o destingue de outros compositores seus contemporâneos como Donizetti e Rossini.


NORMA

Antecedentes e Sinopse

A ópera Norma de Vincenzo Bellini teve a sua estreia no Teatro alla Scala de Milão em Dezembro de 1831 constituindo, essa primeira apresentação, uma decepção para Bellini que esperava que ela fosse recebida com um entusiasmo igual ao das óperas que apresentara anteriormente naquele mesmo teatro. No entanto, nos espectáculos que se seguiram o interesse do público foi crescente acabando por transformar num triunfo aquilo que parecera um fracasso sem futuro.

Um ano antes, na Primavera de 1830, ao ser convidado pelo empresário do Scala para escrever duas óperas para serem apresentadas no Outono desse ano e no Carnaval do ano seguinte, Bellini escolheu uma tragédia dum dramaturgo francês, Alexandre Soumet, que estava a obter um enorme sucesso em Paris no Teatro Odeon. O libretista foi Felice Romani, e o papel principal destinava-se à grande Giuditta Pasta (soprano), considerada a maior cantora do seu tempo. O papel de Norma é, de facto, um dos mais difíceis de toda a história da ópera, e não apenas da ópera italiana.

A acção de Norma passa-se na Gáulia durante a ocupação romana, cerca de 50 anos antes de Cristo.

No primeiro acto, os Druidas esperam a chegada de Norma, a Sacerdotisa, que lhes irá dar o sinal para se revoltarem contra os ocupantes. Norma mantém uma ligação secreta com Pollione, um romano, do qual tem dois filhos. Norma não sabe, mas Polione ama agora outra mulher, Adalgisa, uma jovem sacerdotisa. Os Druidas transmitem a Norma a decisão que tomaram: quando ela der o sinal, eles matarão os ocupantes, começando por Pollione. Norma diz aceitar essa decisão mas, quando fica só, declara o seu amor pelo romano.

O segundo quadro passa-se junto da casa de Norma que esconde os filhos ao ouvir alguém aproximar-se. É Adalgisa que lhe vem pedir para a libertar dos seus votos, confessando estar possuída por um amor proibido. Norma cede ao pedido de Adalgisa, e pergunta que amor é esse que a leva a tomar uma tal decisão. Adalgisa diz que é um romano que pretende levá-la consigo para Roma, e aponta Pollione que acaba de chegar para visitar os filhos. Ao compreender o que se passa, Norma revela o seu terrível segredo dizendo que também ela fora seduzida por aquele homem, e expulsa Pollione dizendo-lhe para partir sozinho para Roma.

O 2º acto inicia-se quando a Sacerdotisa, num acesso de raiva, tenta, em vão, arranjar coragem para matar os próprios filhos. Acaba por pedir auxílio a Adalgisa dizendo-lhe para partir para Roma com Pollione levando com ela as crianças nascidas da sua ligação com o oficial romano. Adalgisa aceita. Entretanto os Druidas reúnem-se e decidem pôr os seus planos em execução sem demoras antes que Pollione parta, já que dizem que o Consul que o vem substituir é ainda mais cruel. Do campo romano chegam notícias que dizem que Polione está prestes a partir pretendendo levar consigo Adalgisa contra sua vontade, mas recusando-se a levar os filhos de Norma.
A Sacerdotisa revolta-se e diz aos Druidas ter chegado a hora de agir. Pollione é preso, mas, quando o Chefe dos Druidas se prepara para o matar, Norma intervém dizendo que ela mesma o fará. Quando fica a sós com Pollione, Norma pretende libertá-lo, desde que ele prometa partir sem Adalgisa. Pollione recusa. Então Norma regressa ao Templo e confessa a sua traição e a sua culpa, dizendo dever ser sacrificada. A ópera termina com a morte de Norma e de Pollione que decide acompanhá-la no sacrifício.



Lançado pela editora Decca em 2002, esta gravação de estúdio de Norma constitui uma referência. No papel de Norma, Joan Sutherland, uma das maiores interpretes de sempre desta ópera. Para além de Sutherland, Maria Callas, Montserrat Caballé e, porventura, de Edita Gruberová constituem referências nesta ópera.

Nesta versão de estúdio, gravada em 1964, contamos como uma Sutherland no topo da sua forma. De notar que Norma é uma das óperas mais difíceis para soprano.

Acompanha Sutherland o Mezzo-soprano Marilyn Horne. As interpretações de Norma por parte desta "dupla" de cantoras ficaram na história.

Fazem parte do Elenco:

Norma - Joan Sutherland
Pollione - John Alexander
Adalgisa - Marilyn Horne
Oroveso - Richard Cross
Clotilde - Yvonne Minton
Flavio - Joseph Ward

O coro e orquestra Sinfónica de Londres dirigidos pelo Maestro Richard Bonynge.

Lançado pela Arthaus Musik, este DVD da Norma de Bellini foi captado na ópera de Sidney em Agosto de 1978.

Constituem o elenco:

Norma - Joan Sutherland
Pollinone - Ronald Stevens
Oroveso - Clifford Grant
Flavio - Trevor Brown
Adalgisa - Margreta Elkins
Clotilde - Etela Piha

The Australian Opera Chorus e a Elizabethan Sidney Orchestra são dirigidos pelo Maestro Richard Bonynge.


Publicado no Ao Lado da Música a 27/5/2008

Egas Moniz

No dia 29 de Novembro de 1874 nascia Egas Moniz.

Da Infopédia:

Neurologista português, nasceu em 1874, em Avanca, Estarreja, e morreu em 1955, em Lisboa. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1898, na qual foi nomeado professor em 1902. A partir de 1911 e até 1944 passou a ocupar a recém-criada cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi o primeiro professor. Em 1927 efectuou a primeira angiografia cerebral no homem. Este novo processo permitiu obter em películas radiográficas a imagem dos vasos sanguíneos intracranianos e constituiu o maior progresso da cirurgia cerebral dos últimos 50 anos. Egas Moniz levou à criação da cirurgia vascular no encéfalo e trouxe uma contribuição fundamental para os diagnósticos dos tumores cerebrais. Nos traumatismos cranianos também o método do neurologista português se revelou importante porque indica com segurança a presença de hematomas. Em 1935 concebeu uma nova forma de intervenção cirúrgica cerebral, a leucotomia pré-frontal, muito utilizada no tratamento de certas psicoses graves, o que lhe valeu o Prémio Nobel da Medicina em 1949, partilhado por W. R. Hess. Egas Moniz abriu caminho ao estudo da fisiologia do sistema nervoso central. Publicou uma extensa autobiografia da qual se destacam: Confidências de um Investigador Científico (1949) e A Nossa Casa (1950). Egas Moniz também se dedicou à política, tendo ocupado o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros. A sua actividade política decorreu no período entre 1903 e 1917.
Egas Moniz (médico). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-29]

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Rafal Olbinski - Posters for Performing Arts (XIV)

Lucia di Lemmermoor - Donizetti
New York City Opera

Notícia em Destaque - SIDA: portugueses acham a discriminação «natural»

Sem comentários...

Lê-se no IOL Portugal Diário:
Quase todos os portugueses consideram que as pessoas com Sida são vítimas de discriminação, mas quando confrontados com perguntas concretas, metade acha «natural» que estes doentes tenham dificuldades em progredir profissionalmente, revela um estudo da Universidade Católica, citado pela Lusa.

O estudo «A Opinião Portuguesa e a Sida - Ultrapassar a Era do Medo», do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica, foi feito com base num inquérito realizado este mês a 603 pessoas dos 18 aos 65 anos em Portugal Continental e será divulgado a 1 de Dezembro, Dia Mundial de Luta contra a SIDA.

Um total de 93 por cento considera que as pessoas com SIDA são discriminadas e sós, enquanto 37 por cento nota que a discriminação tem diminuído.

No entanto, mais de metade dos inquiridos concorda com a afirmação de que o dinheiro de todos é usado para pagar os erros de alguns e 54 por cento refere ser «natural» que um infectado com o vírus tenha mais dificuldade em progredir profissionalmente.

Não devem trabalhar em restaurantes

Quarenta e dois por cento diz que uma pessoa com SIDA não deve trabalhar em restaurantes, tendo igual percentagem referido que os portadores do vírus também «têm de compreender» que não é fácil obter um crédito de habitação.

«Uma pessoa com SIDA não pode ser um profissional de saúde» é uma afirmação subscrita por 33 por cento dos inquiridos.

Pessoas com preconceitos

O director do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica e coordenador do estudo, Alexandre Castro Caldas, interpreta estes dados e diz que as pessoas revelaram ter preconceitos, mas não têm essa noção.

O mesmo estudo conclui que a Sida é, a seguir ao cancro, a doença que os portugueses consideram mais grave e que o medo e a vergonha impede as pessoas de fazer o teste do HIV.

Quarenta e três por cento dos entrevistados indicou a SIDA como a segunda doença mais grave, depois do cancro (76 por cento). Segundo Alexandre Castro Caldas, ao cancro associa-se mais o conceito de morte.
In IOL Portugal Diário

Viagens...

Cada vez tenho menos tempo para preparar as minhas viagens de trabalho.

Vou para Dusseldorf (pela primeira vez) para a semana e só agora é que reparei que o hotel que me marcaram fica longe do centro da cidade (embora perto do local onde vou ter as reuniões de trabalho). Prefiro sempre o contrário, porque me permite conhecer um pouco a cidade fora das horas de trabalho.

Enfim...

Ao menos a temperatura está entre os -1 e os 3 graus. Tenho saudades do frio. Espero que neve.

Érico Veríssimo

No dia 28 de Novembro de 1975 morria em Porto Alegre o escritor Brasileiro Érico Veríssimo.

Da Infopédia:

Escritor brasileiro, Erico Veríssimo nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 1905. Iniciou o curso de Farmácia na sua terra, não o concluiu e fixou-se de vez em Porto Alegre, onde nasce o escritor, com Fantoches (1932). É, porém, com Clarissa (1933) que se afirma o grande romancista. A carreira segue com Caminhos Cruzados (1935), Música ao Longe (no mesmo ano), Um Lugar ao Sol (1936), Saga (1940). A primeira fase complementa-se com os romances Olhai os Lírios do Campo (1938) e O Resto é Silêncio (1943), e com a novela Noite (1954). Neste contexto afirma-se um modernista, interessado na paisagem brasileira do Sul, abordando o problema da imigração e suas consequências sociais, com base nos italianos, imigrantes nesse Estado. É evidente também a visão universalista que nos oferece na panorâmica da paisagem social de Porto Alegre, numa perspectiva moral e espiritual à qual não é alheia a sua base cristã. Entretanto surge O Tempo e o Vento, composto de O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961), sendo, naturalmente, esta trilogia a expressão mais significativa da sua obra. O assunto é a formação social de Rio Grande do Sul. E a obra surge em grandeza e em beleza, com a força da epopeia, com a delicadeza do lirismo e com a dinâmica do drama, afirmando-se o escritor do povo, ligado às origens e à constituição das fronteiras do seu Estado natal, contra os invasores castelhanos. Todas estas vertentes e mais lutas de natureza político-social estão na origem de outras novelas. A sua linguagem é fluente, correcta, vigorosa, e, embora tenha escrito biografia histórica e literatura infantil e modernamente o erotismo aflore em Solo de Clarineta, é como romancista que se afirma, ligado ao Modernismo, sempre atento à estrutura da obra, acusando a influência do romance em língua inglesa, quer o norte-americano, quer o inglês contemporâneo. Morreu ao cabo de sete décadas de vida (1975), em Porto Alegre.

Erico Veríssimo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-28]

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Notícia em Destaque (II) - Ataques em Mumbai, Índia

Relativamente aos atentados (cruéis) da Índia, lê-se no "site" da SIC:

Seis portugueses que fugiram do hotel "estão em segurança"

O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, disse hoje à agência Lusa que são seis os turistas portugueses que conseguiram fugir do Hotel Taj Mahal em Mumbai, atacado quarta-feira, e estão em segurança, numa outra unidade hoteleira. O último balanço da vaga de ataques aponta para pelo menos cem mortos e mais de 300 feridos.

"São seis portugueses mais um cidadão italiano marido de uma portuguesa que estavam no Royal Taj Mahal que não ficaram reféns, tendo sido retirados pelos bombeiros locais, encontrando-se agora em segurança num outro local", disse António Braga, corrigindo a informação de que seriam cinco os portugueses.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades Portugueses, os portugueses aguardam apenas que os novos documentos fiquem prontos para que se possa tratar do seu regresso.

"Estamos a investigar junto das autoridades locais se existem mais portugueses a necessitar de auxílio", garantiu António Braga, salientando que a situação dos portugueses em Mumbai está a ser acompanhada pelo Cônsul honorário de Portugal naquela cidade e ainda pelas estruturas consulares e diplomáticas em Goa e Nova Deli.

A Secretaria de Estado exortou entretanto os portugueses a não viajarem para a região.

Os ataques foram reivindicados por um grupo islamita que se apresenta como os Mujaedines do Deccan. A polícia começa a controlar o hotel Taj Mahal, um dos principais de Mumbai onde já foram libertados vários reféns. As informações divulgadas pelas agências internacionais reportam uma situação ainda confusa neste alvo dos ataques da noite passada. Um responsável da polícia de Mumbai deu conta da possibilidade de existirem ainda reféns num outro hotel da cidade, o Oberoi Trident. Cerca de 40 pessoas terão sido feitas reféns nos dois hotéis. Centenas conseguiram escapar graças à pronta acção da polícia que cercou os edifícios poucos depois de homens armados terem ocupado as instalações. Mais de 100 pessoas foram mortas e várias centenas ficaram feridas em Mumbai, capital económica da Índia, nos ataques de quarta-feira à noite cometidos por homens munidos de armas automáticas e granadas, que tinham essencialmente como alvo hotéis de luxo da cidade. In SIC

Notícia em Destaque - Portugueses são dos europeus menos satisfeitos com a vida

Somos muito pessimistas ou a conjuntura está mesmo má?

Lê-se no "site" da TSF:

Os portugueses estão entre os europeus que manifestam menor satisfação com a vida e felicidade, de acordo com o Inquérito Social Europeu de 2006, um estudo que compara os valores e atitudes sociais na Europa.

Os resultados da terceira fase do estudo, que tem sido desenvolvido desde 2001 em países comunitários e fora da União Europeia, são hoje apresentados em Lisboa, no Instituto de de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que, em consórcio com o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), assegura em Portugal a realização do inquérito.

Comparando com os resultados de inquéritos semelhantes realizados em 23 países europeus, Portugal ocupa «o quinto lugar mais baixo em bem-estar subjectivo, isto é, em felicidade e satisfação com a vida», revela.

Além do bem-estar subjectivo - que compreende avaliações acerca do grau de agradibilidade da vida -, o inquérito debruça-se igualmente sobre o bem-estar psicológico dos europeus, entendido como a visão mais profunda da qualidade de vida e o bem-estar social, equivalente à qualidade do funcionamento pessoal ao nível das relações com os outros e com a sociedade.

No que diz respeito ao bem-estar psicológico, Portugal está também abaixo da média europeia, ocupando o 16º lugar, entre 23, só à frente da Hungria, Federação Russa, Estónia, Eslováquia, Bulgária, Polónia e Ucrânia, que encerra a tabela.

No capítulo do bem-estar social, a posição portuguesa também não é brilhante. Numa tabela liderada pela Noruega, Portugal ocupa o 17º lugar, à frente da França, Rússia, Polónia, Ucrânia e Bulgária.

Os autores relacionam estes valores com o nível de desenvolvimento do país. «De facto, quanto maior o nível de desenvolvimento avaliado pelo índice de desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2007, maior o bem-estar subjectivo, psicológico e social», referem no estudo.

In TSF

Luís de Freitas Branco

No dia 27 de Novembro de1955 morria em Lisboa o compositor portugês Luís de Freitas Branco.

Da Infopédia:
Compositor, musicólogo e professor português, Luís Maria da Costa de Freitas Branco nasceu a 12 de Outubro de 1890, em Lisboa. Começou a aprender música desde cedo, tendo como professores Augusto Machado na disciplina de Harmonia, Tomás Borba no Contraponto, Fuga e Instrumentação e o Senhor Goñi para aprender violino. Em 1904, compôs a sua primeira peça Aquela Moça que é uma das composições mais interpretadas pelos artistas. Três anos depois, escreveu a 1.ª Sonata para violino e piano, com a qual obteve o 1.º Prémio com Distinção do Concurso de Música Portuguesa, em 1908. Em 1906, passou a frequentar a Academia de Amadores de Música e a estudar órgão com o belga Désiré Pâque que lhe apresentou as teorias de Vincent d'Indy. Em Fevereiro de 1910, partiu para Berlim com o tio, João de Freitas Branco, e tornou-se aluno de Humperdinck. Nessa cidade, estudou Paleografia Musical e Metodologia da História da Música, acolhendo fortemente as influências doutrinárias do compositor Stephan Krehl e de Hugo Riemann. Nessa altura, conviveu com Viana da Mota e com Francisco de Andrade. No ano seguinte, foi para Paris, onde teve aulas com Gabriel Graviez sobre estética e formas impressionistas e onde conheceu pessoalmente Debussy. Em 1913, recebeu uma menção honrosa no Concurso de Composição Musical de Lyon, pela canção La Glèbe s'Amollit. Em 1912, foi para a Madeira com a Família e, de regresso a Portugal continental, foi designado, em 1915, membro do Conselho de Arte Musical, cargo que ocupou até à sua extinção em 1930. Em 1916, foi professor de Leitura de Partitura, Realização de Baixo Cifrado e Acompanhamento, no Conservatório Nacional de Lisboa e, em 1918, foi vogal da Comissão de Reforma do Conservatório de Lisboa, propondo a criação de várias disciplinas. Após a reforma do Conservatório, tornou-se subdirector da instituição até 1924 e, entre 1919 e 1930, foi o único professor da disciplina de Ciências Musicais por ele criada. Em 1921, juntamente com Viana da Mota, participou no Congresso de História da Arte, em Paris, onde também fez uma comunicação sobre os mestre portugueses dos séculos XVI e XVII, sendo distinguido por Amédée Gastoné e André Pirro. Durante a sua estadia em França, aproveitou para visitar as principais catedrais francesas, como a de Chartres e a de Reims, e estabeleceu contacto com várias personalidades. Ao longo a sua vida fez outras pequenas viagens a França e a outros países a fim de realizar conferências. Entre 1925 e 1927, foi director artístico do Teatro de S. Carlos, em 1930, foi designado membro do Conselho Disciplinar do Ministério da Instrução Pública, vogal do Instituto para a Alta Cultura e docente de Composição no Conservatório. Em 1931, encontrou-se com Jacques Thibaud, no Porto, e com Béla Bartók, em Lisboa, com quem reflectiu sobre estética, técnica e pedagogia musical. Nesse ano, foi nomeado professor de Pedagogia Geral da Música no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa. Em 1937, apresentou ao ministro da Educação Nacional, Eduardo Pacheco, as Bases para uma Nova Lei Orgânica do Conservatório Nacional de Música, mas sem grandes esperanças na concretização desta reforma, visto que esta não se orientava pela política do Estado Novo. Aproximando-se das forças oposicionistas, Freitas Branco defendeu, na época, Fernando Lopes-Graça que se encontrava preso, por razões políticas, desde 1931. Em 1939, foi suspenso das suas funções no Conservatório, facto que conduziu ao seu afastamento na prestação de serviços a organismos do Estado Novo. Em 1951, foi também afastado da Emissora Nacional, pelo facto de ter usado uma gravata vermelha no dia seguinte à morte do Presidente da República, Óscar Carmona. Como compositor, Freitas Branco deixou uma vasta obra musical: 5 sinfonias; músicas de câmara; peças instrumentais; poemas sinfónicos, tais como Depois duma leitura de Antero de Quental (1908), Depois duma leitura de Júlio Diniz (1908), Depois duma leitura de Guerra Junqueiro (1908), Os Paraísos Artificiais (1910); obras vocais, como A Elegia das Grades (1910), Soneto dos Repuxos (1915), 27 Canções Populares Portuguesas (1943); música sacra, como a oratória As tentações de S. Frei Gil (1910); música coral-sinfónica, como Noemi (1937); obras baseadas em escritores portugueses, como Dez Madrigais Camonianos (1935), Hino à Razão (1934, inspirado em Antero de Quental) e A Sulamita e Idílio (1934, sobre poemas de Antero). Registe-se a realização de trabalhos musicais para os filmes Gado Bravo de Max Nosseck, Douro, Faina Fluvial de Manoel de Oliveira e Frei Luís de Sousa de António Lopes Ribeiro. A sua investigação musical contribuiu para a revalorização do período polifónico da música portuguesa. A sua obra de compositor relaciona-se, numa primeira fase, com as correntes ultra-romântica, impressionista e expressionista e, numa segunda fase, encontra-se marcada pelo predomínio da influência neoclássica e pela construção formal de raiz beethoveniana. Freitas Branco, para além de ter fundado a revista Arte Musical e de ter dirigido a Gazeta Musical, publicou algumas obras teóricas, como Elementos de Ciências Musicais (1929), Acústica e História da Música (1929), Tratado de Harmonia (1930), História Popular da Música (1942), A Personalidade de Beethoven (1947), D. João IV Músico (1956, publicado postumamente). Luís de Freitas Branco faleceu a 27 de Novembro de 1955, em Lisboa, vítima de um colapso cardíaco.

Luís de Freitas Branco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-26]

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tina Turner - Proud Mary

Inesquecível "Proud Mary"...



Notícia em Destaque - Exploração sexual de crianças: «é preciso acabar com a hipocrisia»

Dados chocantes na abertura do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Lê-se no IOL Portugal Diário:

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu uma «posição muito forte» para combater a exploração sexual infanto-juvenil e acabar com a impunidade.

No seu discurso de abertura do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que a exploração sexual é um dos temas mais importantes para a humanidade e que «não pode ser tratado com hipocrisia».

«É preciso uma legislação dura, é preciso acabar com a impunidade. Há um outro ingrediente além do económico, é o processo de degradação a que está submetida a humanidade», reforçou Lula da Silva, destacando que a exploração sexual não deve ser vista «apenas como uma questão de pobreza».

«Muitas vezes uma criança de 10, 12 ou 14 anos é levada a vender seu corpo atrás de um prato de comida, mas os que se utilizam essa criança têm poder aquisitivo», comentou.

Lula considerou que, para além do lado económico, o abuso sexual faz parte de «um processo de degradação da humanidade».

Educação sexual

O chefe de Estado brasileiro defendeu a educação sexual de crianças a partir de 10 anos nas famílias e nas escolas.

«É preciso convencer os pais no Mundo inteiro de que a educação sexual dentro de casa é uma obrigação tão importante quanto dar comida todos os dias à criança», assinalou.

A violência sexual, salientou, «é um tema crucial que não tem cor, classe social e que não tem idade».

O chefe de Estado brasileiro destacou ainda a necessidade de acabar com a «hipocrisia religiosa de não permitir que temas importantes como esses sejam tratados à luz do dia».

Todos os anos 1,8 milhões de crianças e adolescentes são vítimas de abuso sexual ou exploração

Na cerimónia, a directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Anne Veneman, destacou que a exploração sexual de crianças acontece em todo o Mundo e que «nenhum país é imune».

Dados das Nações Unidas revelam que todos os anos 1,8 milhões de crianças e adolescentes são vítimas de alguma forma de abuso sexual ou exploração.

«Sabemos que as meninas são particularmente vulneráveis», entretanto, sublinhou que os meninos também estão a sofrer abusos.

Segundo a responsável da UNICEF, meninas grávidas que dão à luz antes de alcançarem os 15 anos têm cinco vezes mais hipóteses de morrer como consequência do parto.

Lula da Silva aprovou terça-feira a lei que regulamenta crimes de pedofilia na Internet, aprovado pela Câmara a 11 de Novembro. A lei estabelece punições mais rigorosas contra a pornografia infantil e crimes de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes na Internet.

O Brasil é o quarto país no ranking de consumo de pedofilia no Mundo, segundo a Polícia Federal brasileira.

In IOL Portugal Diário

Tina Turner - River Deep Mountain High

Várias versões do tema que mais gosto de Tina Turner - River Deep Mountain High.









Tina Turner

No dia 26 de Novembro de 1939 nasce nos Estados Unidos da América Anna Mae Bullock, conhecida mundialmente como Tina Turner.

Da Infopédia:
Cantora pop-soul norte-americana, Anna Mae Bullock, nascida a 26 de Novembro de 1939, em Nutbush, no Tennessee, entrou, em finais da década de 50, para o grupo de Ike Turner - com quem se viria a casar -, "Kings Of Rhythm", mais tarde chamados "The Ike And Tina Turner Revue". Marcaram o meio Rhythm & Blues com ritmos dançáveis e a voz versátil de Tina. Gravaram temas como "A Fool in Love" (1960), "It's Gonna Work Out Fine" (1961), "You Should'a Treated Me Right" (1962), "River Deep, Mountain High" (1966), "I've Been Loving You Too Long" (1969), "The Hunter" (1969) e "Proud Mary" (1971), que constituiu o seu maior êxito, conseguindo um prémio Grammy em 1971 para a Melhor Disco de Rhythm & Blues. Gravaram três álbuns: Blues Roots (1972), Nutbush City Limits (1973) e The Gospel According To Ike And Tina (1974). Foram grupo-suporte dos Rolling Stones na digressão norte-americana de 1969. 1976 marcou o fim da ligação de Ike e Tina e, consequentemente, da carreira conjunta. Tina gravara, antes da separação, dois álbuns a solo: Let Me Touch Your Mind (1972) e Tina Turns The Country On (1974). Na década de 70 ainda gravou os trabalhos Acid Queen (1975), Rough (1978) e Love Explosion (1979). A década de 80 trouxe-lhe a maior popularidade da sua carreira. O álbum Private Dancer (1984) constituiu um sucesso mundial, produzindo êxitos como o tema título, "Let's Stay Together", "Better Be Good" e "What's Love Got To Do With It", que lhe proporcionou dois prémios Grammy para Melhor Disco do Ano e Melhor Interpretação Feminina. Participou no tema "We Are The World" do projecto "USA For Africa" e cantou ao lado de Mick Jagger no concerto de beneficiência "Live Aid". O álbum seguinte, Break Every Rule (1986), incluiu os êxitos "Typical Male" e "Two People". Em 1988, editou o registo ao vivo Tina Live In Europe, no qual interpreta o tema "Addicted To Love" e surge ao lado de David Bowie em "Tonight". O último trabalho da década de 80, Foreign Affair (1989), constituiu mais um sucesso a nível mundial. Dele foram extraídos singles como "The Best", "Steamy Windows" ou "I Don't Wanna Lose You". Os anos 90 abriram com uma colectânea dos seus maiores êxitos: Simply The Best (1991). Em 1993, foi editada a banda sonora do filme What's Love Got To Do With It, baseado na sua autobiografia I, Tina (1985). No papel de Tina Turner esteve a actriz Angela Bassett. O álbum seguinte, Wildest Dreams (1996), incluiu êxitos como "Whatever You Want", "Missing You" e "Something Beautiful Remains". No cinema registam-se os papéis na ópera-rock Tommy (1975), em Mad Max, Beyond Thunderdome (1985), cujos singles "We Don't Need Another Hero" e "One Of The Living" constituíram outros sucessos e ainda a participação em Last Action Hero (1993). Em 1995, gravou o tema principal da banda sonora de 007 - Goldeneye, composto por Bono e The Edge dos U2. Colaborou em duetos com vários artistas: David Bowie em "Tonight" (1984), Bryan Adams em "It's Only Love" (1985) e Eros Ramazzotti em "Cose Della Vita/Can't Stop Thinking Of You" (1997), entre outros. Em 1999 juntou-se a Whitney Houston, Brandy, Cher e Elton John na produção ao vivo Divas Live pela estação televisiva VH-1. A cantora regressou em 1999 com o disco Twenty Four Seven. O álbum não conseguiu marcas comerciais significativas e pareceu contribuir para o declínio final da carreira de Tina Turner, na barreira dos seus 60 anos. Alguns anos depois, a reedição da compilação Simply The Best (2003), agora com um DVD extra, reuniu os principais temas, aos quais juntou um dueto com Rod Stewart ("It Takes Two") e um original novo ("I Want You Near Me"). Tina Turner tem-se mantido afastada dos estúdios. Dos seus últimos trabalhos, merece uma referência a colaboração na banda sonora do filme animado Brother Bear (2003).

Tina Turner. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-25]

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Açorda de Marisco (receita)

Penso que já terei escrito aqui no Outras Escritas que detesto tarefas domésticas. A tarefa de cozinhar está incluída. Pois é, não gosto de cozinhar, não tenho jeito e aborrece-me.

Há cerca de uma semana, convidei uns amigos meus para visitarem a minha nova casa e resolvi oferecer-lhes um jantar. O que estaria eu a pensar na altura de tão arrojado convite?! Não o convite para a visita, entenda-se, mas o convite para jantar.

Adiante...

Resolvi cozinhar açorda de marisco, um prato relativamente fácil e que eu já tinha confeccionado algumas vezes com mais ou menos sucesso.

E então não é que eles gostaram tanto que até pediram a receita!?

Pois aqui fica a dita:

Ingredientes:
600 g de camarão descascado
1 pão (tipo pão saloio, alentejano ou de Santana)
4 ovos
sal qb
cebola picada qb
alho picado qb
coentros qb
sal qb

Num tacho deita-se um pouco de azeite, sal(atenção que o pão já tem sal), cebola e alho picados e deixa-se alourar um pouco. Junta-se depois o camarão, um pouco de água e os coentros (muitos), deixando ferver um pouco. Junta-se depois mais água a ferver e o pão (que se parte à mão em pequenos pedaços).
Deixa-se cozer mexendo sempre e envolvendo o pão muito bem, até que fique com a consistência desejada.
Antes de servir juntam-se os ovos batidos, envolvendo muito bem.


Como vêem, uma receita muito simples e, pelos vistos, um prato muito saboroso.

Hoje estou orgulhoso. Publiquei uma receita minha aqui no Outras Escritas. A ver vamos se não será a última.

A fotografia é da mesa.

Notícia em Destaque - Manoel de Oliveira - Cem anos serão celebrados a filmar Eça

Lê-se no "site" da SIC:

O realizador Manoel de Oliveira iniciou, esta semana, em Lisboa a rodagem do filme "Singularidades de uma rapariga loura", com base no livro de Eça de Queiroz, que se prolongará pelas próximas quatro semanas, o que significa que o cineasta festejará os 100 anos atrás das câmaras.

O filme, produzido pela Filmes do Tejo, começou a ser rodado no passado domingo e vai prolongar-se até 19 de Dezembro, poucos dias depois do realizador completar cem anos de vida.

"Singularidades de uma rapariga loura", uma co-produção entre Portugal, Espanha e França, é uma adaptação de Manoel de Oliveira de um conto homónimo de Eça de Queirós, publicado no começo do século XX.

A história centra-se em Macário, um jovem contabilista que se perde de amores por Luísa Vilaça, uma rapariga loira por quem fez juras de amor e casamento até que descobre uma singularidade da virtuosa noiva.

Nesta nova produção, Manoel de Oliveira voltou a um leque de actores com quem já trabalhou antes.

São os casos de Ricardo Trêpa, seu neto, no papel de Macário, de Diogo Dória, como Tio Francisco, de Leonor Silveira, a interlocutora da aventura amorosa que Macário relata durante uma viagem de comboio, e de Júlia Buisel, a mãe da loira.

A excepção neste elenco é a presença da jovem actriz Catarina Wallenstein, que trabalha pela primeira vez com Manoel de Oliveira, juntando esta participação no cinema aos filmes "Um amor de perdição", de Mário Barroso, ainda por estrear, e "Lobos", de José Nascimento, que lhe valeu um prémio no Estoril Film Festival em 2007.

A direcção de fotografia é de Sabine Lancelin, que assinou filmes anteriores de Oliveira, como "O quinto império - ontem como hoje", "Belle toujours" e "Cristóvão Colombo - o enigma".

Em declarações recentes, Manoel de Oliveira manifestou intenção de apresentar este novo filme no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, em Fevereiro.


In SIC

Surpresa matinal..

Pelo segundo dia consecutivo tenho um presente matinal em cima da minha secretária.

Uma magnífica fatia de bolo de iogurte que sabe a ouro quando comida ao meio da manhã.

São muito boas estas surpresas...

Obrigado :)

Alfred Nobel

Neste dia 25 de Novembro do ano de 1867, Alfred Nobel patenteia a dinamite.

Da Infopédia:

Químico, engenheiro e industrial sueco, nasceu em 1833, em Estocolmo, e morreu em 1896, em San Remo (Itália). Inventor da dinamite e outros explosivos mais potentes, fundou os prémios Nobel. Patenteou a dinamite em 1867 e a pólvora sem fumo em 1888. Fundou em vários países da Europa e da América a indústria de explosivos. Doou, à fundação que tem o seu nome, em 1895, a fortuna conseguida devido aos seus inventos e à exploração de campos petrolíferos. Esta fundação é aquela que anualmente atribui os famosos Prémios Nobel. Estes são distribuídos àqueles que durante o ano tenham prestado maior contributo à humanidade nos sectores da Física, da Química, da Fisiologia ou Medicina, das Letras e da Paz. Os prémios começaram a ser distribuídos em 1901, cinco anos após a morte do fundador.

Alfred Nobel. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-25]

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

António Gedeão - Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956

Notícia em Destaque - Portugueses poupam 19 euros por depósito

Lê-se no IOL Portugal Diário:

Os portugueses poupam hoje cerca de 19 euros quando enchem o depósito do carro com gasolina 95 ou com gasóleo, face aos preços máximos registados em Junho.

Segundo o «Correio da Manhã», atestar um depósito de 60 litros, uma das dimensões mais comuns dos veículos do país, com gasolina sem chumbo 95 custa agora 71,4 euros, quando na última semana de Junho custava 90,66 euros.

Feitas as contas, os portugueses estão a poupar 19,26 euros face ao valor gasto há cinco meses, uma queda de 21,2% no preço. Por litro, a gasolina 95 está 32,1 cêntimos mais barata.

In IOL Portugal Diário

Grande órgão da Igreja do Colégio - concerto de inauguração

Realizaram-se ontem no Funchal, dois concertos aos quais tinha bastante interesse em assistir.

Pelas 19.30 na Sé catedral o agrupamento Madeira Winds - 5 ventos interpretou obras de Mozart, no âmbito da Global Entreprenership Week, fazendo parte do programa do concerto, que curiosamente foi designado por - Mozart, Um verdadeiro Empreendedor - a abertura das "Bodas de Fígaro", o Adagio and Allegro for a Mechanical Organ em Fá menor KV 594, o Wind Quintet in Si bemol op.56, No.1 e o Divertimento KV 270.
Bastante inovador/desafiador este programa, se pensarmos que geralmente não são permitidos pela igreja católica concertos de cariz profano nas igrejas do Funchal.

A outra opção era o concerto de inauguração do Grande Órgão da Igreja do Colégio com o organista Ton Koopman.


Optei pelo concerto de órgão, uma vez que Tom Koopman é um dos melhores intérpretes deste instrumento a nível mundial.
Do programa fizeram parte obras de Pablo Bruma, Juan Cabanilles, Dieterich Buxtehude e J. S. Bach.
A escolha deste repertório permitiu demonstrar todas as potencialidades deste novo instrumento, nomeadamente, a enorme variedade de sonoridades possíveis.

Sai do concerto bastante satisfeito. A interpretação de Koopman foi excelente.

A existência de um ecrã na parte da frente da igreja permitiu o visionamento de vários pormenores da interpretação do organista, nomeadamente detalhes do trabalho de mãos e de pés.

Rómulo de Carvalho (António Gedeão)

No dia 24 de Novembro de 1906 nascia em Lisboa Rómulo de Carvalho.

Da Infopédia:

Poeta, autor dramático, cientista e historiador, nasceu a 24 de Novembro de 1906, na cidade de Lisboa, e aí morreu a 19 de Fevereiro de 1997, na sequência de uma operação cirúrgica delicada. Personalidade multifacetada e homem de apurada cultura, licenciou-se em Ciências Físico-Químicas, na Universidade do Porto, e foi professor liceal para além de cientista, divulgador científico e investigador da História das ciências. Com o seu nome próprio, Rómulo de Carvalho é autor de numerosos volumes de divulgação da cultura científica, publicados, nos anos 50 e 60, na colecção "Ciência para gente nova", da Atlântida nos anos 70, nos "Cadernos de iniciação científica", da Sá da Costa, a que seguiriam nas décadas posteriores vários manuais escolares. No domínio da História da ciência em Portugal, são marcantes estudos como História dos Balões e A Astronomia em Portugal no Século XVIII. Elaborou também a obra História da Educação em Portugal. Já com cinquenta anos de idade, começou a publicar literatura, sob o pseudónimo de António Gedeão. É contemporâneo da geração de "Presença", mas só se revelou na segunda metade do século, sendo saudado, no momento da sua revelação, por David Mourão-Ferreira como uma voz "inteiramente nova" no panorama poético dos anos 50 (cf. Vinte Poetas Contemporâneos, 2.a ed., Lisboa, Ática, 1980, pp. 149-153). Para essa originalidade concorriam, entre outros traços, a incorporação das tradições do primeiro e segundo modernismos, a opção por um estilo rigorosamente cadenciado e ritmado, a expressão da inquietação e angústia colectivas do Homem do pós-guerra ou o recurso frequente a uma terminologia ou imagística provenientes do domínio científico. Jorge de Sena (cf. estudo introdutório à segunda edição de Poesias Completas, Lisboa, Portugália, 1968) e Fernando J. B. Martinho (cf. Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, Colibri, 1996, pp. 428-433) assinalam na poesia de António Gedeão a recorrência de dispositivos retóricos que permitem considerar no âmbito de um neobarroquismo a poesia do autor de Movimento Perpétuo. Os poemas alcançaram grande popularidade, pela linguagem simples mas emotiva e carregada de uma inteligente sensibilidade, sempre atenta aos valores humanistas. É uma poesia que funde meios de expressão tradicionais com uma visão moderna do mundo, abordando a temática do sentimento da solidariedade, da denúncia do sofrimento e da própria solidão humana. Todo o ser do poeta se ergue num protesto denso de substância vital, e, sob este aspecto, a sua poesia deixa transparecer um compromisso directo, imediato e espontâneo com o drama social do homem e o segredo do mundo. Vários dos seus poemas foram também divulgados através da música como, por exemplo, Calçada de Carriche, Fala do Homem Nascido, Lágrima de Preta e a canção Pedra Filosofal, composta e cantada por Manuel Freire, que teve um sucesso invulgar. Por ocasião do seu nonagésimo aniversário, em 1996, Rómulo de Carvalho foi alvo de homenagens em vários pontos do país. Por decisão ministerial, a data do seu aniversário, 24 de Novembro, passou a ser assinalada como o Dia da Cultura Científica. Bibliografia: Movimento Perpétuo, Coimbra, 1956; Teatro do Mundo, Coimbra, 1958; Máquina de Fogo, Coimbra, 1961; Linhas de Força, Coimbra, 1964; Poesias Completas (1956-1967), Lisboa, 1968; Poema para Galileo, Lisboa, 1982; Poemas Póstumos, Lisboa, 1983; Novos Poemas Póstumos, Lisboa, 1990; R.T.X. 78/24: peças em 2 actos e 7 quadros, Lisboa, 1963; História Breve da Lua: auto em 1 quadro, Lisboa, 1981; A Poltrona e Outras Novelas, Coimbra, 1973; História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa, Coimbra, 1959; Homenagem a Pascal, Lisboa, 1963; História do Ensino em Portugal, Lisboa, 1986; O Texto Poético como Documento Social, Lisboa, 1995; Colectânea de Estudos Históricos (1953-1994): Cultura e Actividade Científicas em Portugal, Évora, 1997

Rómulo de Carvalho. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-11-23]

domingo, 23 de novembro de 2008

Notícia em Destaque - Cerca de 15 por cento da electricidade em 2010 deverá vir da força do vento

Lê-se no Público:

A Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG) garante que a produção de energia eléctrica de origem eólica representa, neste momento, cerca de 4 por cento do consumo final de electricidade mas que é expectável que, até 2010, represente 15 por cento.

O continente português possuía 1427 aerogeradores no final de Agosto, representando uma potência eólica instalada de 2672 megawatts (MW) distribuída por 164 parques eólicos que começaram a ser instalados em meados de 1996. Os dados mais recentes da DGEG são referentes ao final do mês de Agosto e revelam que Portugal Continental possui uma potência eólica de 2672 MW espalhada por 164 parques.

Entre Janeiro e Agosto, a produção de energia foi de 3561 gigawatts-hora (GWh), que equivaleram a 1999 horas de produção. Em 2001, a potência eólica instalada era de 114 MW, distribuída por 16 parques com um total de 173 aerogeradores. Em 2004, já existiam 441 ventoinhas espalhadas por 71 parques, que representavam uma potência de 537 MW.

Os distritos com maior potência eólica instalada são Viseu (478 MW), Castelo Branco (409), Viana do Castelo (302), Coimbra (277), Lisboa (225), Vila Real (171), Santarém (152), Leiria (151) e Braga (144). Os distritos de Lisboa, Leiria e Castelo Branco apresentam uma forte componente eólica, superior a 50 por cento da potência renovável desses distritos.

A DGEG refere ainda que, de Janeiro a Agosto de 2008, foram licenciados 384 MW de potência eólica. E, segundo os dados da direcção de Energia, se "não decrescer o ritmo de entrada em funcionamento de novos parques eólicos", no final do corrente ano, "deverão atingir-se os 2800 MW de potência eólica no sistema eléctrico nacional".

O total da potência licenciada renovável está concentrado no norte do país, principalmente devido à localização das grandes hídricas e de um número significativo de parques eólicos. Segundo os dados da DGEG, até Agosto foram licenciados 9653 MW de instalações electroprodutoras a partir de fontes de energia renováveis, representando mais 21 por cento relativamente à potência instalada até àquele mês. Até esse período, Portugal tinha 7984 MW de capacidade instalada para produção de energia eléctrica a partir de fontes de energia renováveis.

In Público