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sábado, 7 de julho de 2012

Mariella Devia em Lucrezia Borgia (Ancona 19/2/2010

Encontrei finalmente no Youtube, um vídeo com a interpretação de Mariella Devia, do final da ópera Lucrezia Borgia a que assisti em Ancona a 19 de Fevereiro de 2010.

Para além da interpretação excepcional da cantora, chamo a atenção para o tenor, Giuseppe Filianoti que no final, olha para Devia certamente sem certeza da interpolação ou não, do mi bemol sobre-agudo. Como é evidente, o mi bemol surgiu (e em crescendo) e o cantor não pôde deixar de sorrir.


domingo, 21 de março de 2010

Lucrezia Borgia (Gaetano Donizetti) - Ancona 19/02/2010 - IV

Termino esta série de posts sobre a Lucrezia Borgia de Ancona com a apreciação da voz de Mariella Devia.

Foi por causa de Mariella Devia que fiz esta viagem. Demorei dois dias a chegar a Ancona e dois dia para regressar.

Valeu a pena? Claro que sim...

Já conheço a voz de Devia há muito tempo, visto que tenho várias interpretações da cantora em CD e DVD e no youtube existe uma colecção apreciável de vídeos seus. No entanto, por muito que se esteja familiarizado com uma voz, o que é facto é que as gravações muitas vezes não nos dão uma perspectiva exacta da mesma. Há umas vozes que nos parecem extraordinárias em gravação e que depois nos desiludem ao vivo e há outras cujas qualidades nunca são devidamente evidenciadas em gravação.

Quanto à Devia, devo confessar-vos que tinha algum receio em termos de volume e projecção. Já me aconteceu várias vezes gostar da voz de um cantor e depois ficar desiludido porque mal o consigo ouvir no teatro de ópera.

Estes receios foram postos de parte assim que Devia cantou a primeira nota. A voz tem um volume e uma projecção apreciáveis (mais do que eu esperava). Para além disso é muito clara e acutilante, atingindo-nos como se de uma flecha se tratasse. Para além disso o timbre é belíssimo e a dicção perfeita.

Para além destas qualidades, o que permite à cantora de 62 manter uma voz com possibilidade de interpretar óperas como Lucrezia Borgia, Maria Stuarda, Lucia di Lammermoor e Anna Bolena (todas autênticos "cavalos de batalha" de Donizetti) é sem dúvida a técnica. Realmente, não há uma respiração fora do lugar ou uma nota que acuse esforço.

A cantora foi brilhante nesta interpretação de Lucrezia Borgia. Excedeu todas as minhas expectativas e tornou aquela noite em Ancona verdadeiramente memorável para mim. Terminou a ária final Era desso il figlio mio com um extraordinário mi bemol sobre-agudo em crescendo que fez a casa "vir abaixo", mesmo antes da orquestra terminar...

Ao sair do teatro e depois de longos minutos de aplausos em pé e ovações de brava, fiquei nas redondezas, para tentar a sorte de conseguir falar com Devia. Já estava quase a desistir, quando reparei que havia um grupo de pessoas perto de uma das portas laterais do teatro. Dirigi-me para lá, e lá estava a pequena simples e humilde diva a falar com alguns dos seu apreciadores. Consegui dar-lhe os parabéns, elogiar a sua magnífica voz e tirar a fotografia que já se encontra aqui no Outras Escritas há algum tempo.

Foi o concretizar de um sonho.

Aqui ficam alguns vídeos com excertos das récitas de 19 e 21 de Fevereiro.


Com'è bello - 19/02


Dueto com Dom Alfonso (Alex Exposito)- 19/02


Era desso il figlio mio - 19/02


Dueto com Gennaro (Giuseppe Filianoti) - 19/02


Final do primeiro acto com Gennaro (Giuseppe Filianoti) e Don Alfonso (Alex Exposito) - 19/02


Era desso il figlio mio - 21/02

sábado, 13 de março de 2010

Lucrezia Borgia (Gaetano Donizetti) - Ancona 19/02/2010 - III

Reservo este terceiro post sobre a récita da ópera Lucrezia Borgia de Gaetano Donizetti ocorrida em Ancona (Itália) a 12 de Fevereiro, para vos falar da prestação de Marianna Pizzolato (mezzo-soprano) e de Alex Esposito (baixo).

Pizzolato interpretou o papel de Maffio Orsini, ou seja um papel masculino. Já conhecia a voz da cantora, uma vez que é presença assídua no Festival de Ópera Rossini de Pesaro e tem uma carreira internacional com alguma importância, sendo por isso fácil encontrar no youtube vários vídeos com interpretações suas. Na récita da Lucrezia, Pizzolato portou-se bem. Gostei da voz a nível de timbre e volume, não gostei tanto da interpretação. Deu-me sempre ideia que a cantora apenas lia a partitura, sem grande emoção e cingindo-se a cantar o que está escrito. Esperava mais a nível interpretativo nomeadamente na ária do segundo acto, onde as cantoras podem dar um pouco "asas à imaginação". De qualquer forma a nota global é positiva, mas abaixo da interpretação da grande Ewa Podlés em Barcelona no ano de 2008.

Alex Esposito foi a maior surpresa da noite. O baixo interpretou o papel de Duca Alfonso, marido de Lucrezia. Sempre que intervém, o Duca está zangado ou furioso, ou com a mulher ou com o que julga seu amante, mas que afinal é seu filho (Gennaro). Esposito demonstrou a fúria de Duca Alfonso de forma magistral. A voz é densa, escura, precisa, encorpada e bela. Sem dúvida que a carreira deste baixo é para seguir com atenção.

Infelizmente não encontrei no youtube a interpretação da Pizzolato da ária de Orsini do segundo acto da ópera, pelo que aqui fica a o dueto com Gennaro (não da récita a que assisti, mas da récita seguinte, onde me parece que a cantora esteve melhor).

Encontrei um vídeo (apenas com som) da interpretação de Esposito da cena do Duca Alfonso, que embora não tenha muita qualidade, dá uma ideia das qualidades vocais do cantor.



domingo, 7 de março de 2010

Lucrezia Borgia (Gaetano Donizetti) - Ancona 19/02/2010 - II

Como dizia, as luzes desceram e o espectáculo ia começar. Os batimentos cardíacos aumentam sempre nestas ocasiões.

A ópera Lucrezia Borgia tem como personagens principais, a própria Lucrezia, interpretada por um soprano, o seu marido, Don Alfonso, interpretado por um baixo, o seu filho Gennaro, tenor, e Maffio Orsini, personagem masculina interpretada por um mezzo-soprano. Em Ancona o baixo Alex Esposito interpretou Don Alfonso, o tenor Giuseppe Filianoti foi Gennaro e o mezzo Marianna Pizzolato foi Maffio Orsini.

Todos este nomes são conhecidos da lírica internacional e não sendo pesos pesados, vão-se afirmando nos últimos anos.

Dos três, foi o tenor Giuseppe Filianoti, que menos me impressionou. A voz tem um timbre interessante, um volume apreciável (facilitado pelo facto da apresentação ser em forma de concerto com a orquestra atrás), mas os agudos são, na minha opinião, demasiadamente forçados e enfraquecidos. O tenor possui uma daquelas vozes que parece encolher e perder o conforto à medida que se move para as parte mais agudas do registo.
Não posso dizer que Giuseppe Filianoti não tenha feito um bom Gennaro, mas preferi Josep Bros na récita de Barcelona com a Gruberova a que assisti em em 2008. Curiosamente o tenor interpretou no segundo acto uma ária alternativa que Donizetti escreveu para o tenor Mario (Giovanni Matteo de Candia) na ocasião de um récita da ópera ocorrida em Paris no ano de 1840. Aqui fica um vídeo com a interpretação do dia 21 de Fevereiro (eu assisti à récita de 19).





escreve aqui

terça-feira, 2 de março de 2010

Lucrezia Borgia (Gaetano Donizetti) - Ancona 19/02/2010 - I

Como já tinha referido no Outras Escritas, desloquei-me a Ancona (Itália) propositadamente para assistir à récita da Ópera Lucrezia Borgia de Gaetano Donizetti.O motivo primeiro da deslocação foi poder ouvir "ao vivo e a cores" a voz do soprano Mariella Devia. O realizar de um sonho antigo que teimava em ser adiado.

Demorei dois dias a chegar a Ancona e dois dias a regressar, mas posso garantir-vos que o esforço da viagem desvaneceu-se completamente quando ouvi as primeiras notas da ária de entrada da personagem Lucrezia interpretada por Devia.

Primeiro comboio pendular de alta velocidade italiano (Pendolino) em que viajei de Roma para Ancona e vice-versa

Como acontece sempre que vou assistir a uma récita deste calibre, gosto de fazer uma preparação prévia com a leitura do libretto e demais informação sobre a ópera. Passei no Teatro delle Muse durante a tarde para levantar o ansiado bilhete e aproveitei para comprar o libretto cujo preço (5€) achei bastante em conta quando comparado com os preços praticados por outros teatros. A informação sobre o compositor e a ópera é bastante vasta o que permitiu uma boa preparação e uma agradável leitura.

Fachada do Teatro delle Muse (Ancona)

Chegada a hora, parti para o teatro com o bilhete no bolso e o libretto na mão. Gosto sempre de chegar cedo e evitar a agitação do público que entra na sala quase com o espectáculo a começar. Aproveito o tempo para apreciar a sala e para me preparar emocionalmente para o que vai acontecer (quem gosta de ópera, ou de música erudita sabe do que falo).

Libretto, bilhete e material promocional

O Teatro delle Muse tem uma configuração muito interessante que junta o antigo ao moderno de uma forma muito prática e que faz com que praticamente de qualquer local da sala se veja o palco por completo. O meu lugar mais ou menos a meio do primeiro balcão revelou-se perfeito acústica e visualmente. A ópera foi em versão concerto o que faz com que o aspecto visual tenha menos importância, mas de qualquer forma é sempre mais agradável poder ver na totalidade a orquestra e todos os cantores.

Interior do Teatro delle Muse (Ancona)


A preparação estava feita e o lugar era perfeito. As luzes diminuíram de intensidade...

Ia começar o espectáculo...

(continua)