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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Os desaires da TAP

Para que vejam a forma vergonhosa como A TAP resolve as reclamações dos seus clientes, deixo aqui os textos trocados dos e-mails trocados com o "fale connosco":

Reclamação referente à reserva xxxx - ALBERTO GRILO

A reserva identificada corresponde à aquisição de passagens aéreas para o percurso FNC LIS FCO LIS FNC, como viagens prémio associadas ao cartão Victoria Gold TP xxxxxxxxx (Alexandra xxx).

A primeira reclamação prende-se com o facto de, ao pretender realizar o check in móvel para os voos FNC LIC TP xxx e LIS FCO TP xxx , apenas conseguir obter o cartão de embarque móvel para a primeira viagem. Contactei-vos através de facebook, mas não me foi dada resposta em tempo útil, o que me obrigou a passar no balcão de check in no Funchal.

A segunda reclamação, esta bem mais grave, refere-se ao facto de o primeiro segmento da viagem ter sido adquirido para classe executiva uma vez que não havia disponibilidade de lugar em classe económica. No embarque foi-me comunicado que não existia serviço de bordo e, já na aeronave, a chefe de cabina fez o mesmo anúncio justificando que o voo ia ser feito com o número mínimo de tripulantes. Pensei na altura que em executiva teria que haver serviço de bordo, uma vez que foram cobradas mais 5000 milhas no cartão atrás identificado para prestação desse serviço. Já a meio do voo e percebendo que nada acontecia, uma vez que toda a tripulação se encontrava sentada nos seus lugares com cortinas fechadas e em "amena cavaqueira", resolvi confirmar com um dos elementos, que realmente não haveria serviço de bordo, mesmo em executiva. Fui informado que não, mesmo em executiva não haveria serviço de bordo. Pedi imediatamente para preencher documento com reclamação. Nesse documento, que foi entregue à chefe de cabina, exijo que devolvam imediatamente as 5000 cobradas para viajar em executiva, uma vez que em voos de médio curso em Airbus A 319/320/321 não há praticamente distinção a nível de conforto entre económica e executiva. Para além disso, refiro que "esta é uma situação vergonhosa para uma companhia como a vossa", que anuncia sistematicamente um serviço de qualidade, que pratica, por isso, preços exorbitantes e que nos "recebe de braços abertos". Até hoje não tive qualquer resposta à reclamação feita, nem sequer uma confirmação por e-mail de que tinha sido entregue no departamento respectivo.
Por este facto, venho aqui reiterar a minha exigência da devolução imediata de 5000 milhas para o cartão Victoria Gold TP xxx (Alexandra xxx).

A terceira reclamação é praticamente igual à primeira, uma vez que nos voos de regresso (FCO LIS TP xxx e LIS FNC TP xxxx ) ter acontecido a mesma coisa com o check in móvel, isto é, apenas consegui o cartão de embarque para o primeiro voo, o que me obrigou a enfrentar uma longa fila de check in em FCO. Aqui foi-me dada uma resposta em tempo útil, mas de nada adiantou. Dizem do departamento técnico que está tudo ok e que experimentaram um equipamento móvel igual ao que possuo, conseguido obter os dois cartões. Acontece que o meu equipamento está actualizado a nível de software e de sistema operativo logo, não existe justificação para esta situação.

A quarta reclamação prende-se com os atrasos excessivos nos voos de regresso. É inconcebível que os voos do fim do dia estejam sistematicamente atrasados e sempre com as mesmas desculpas. Verifiquem, por favor os atrasos nos meus voos de regresso, já identificados.

Melhores cumprimentos
Alberto Velez Grilo


Resposta da TAP:

Exmo. Senhor Alberto Grilo,

Fazemos referência ao seu contacto com a TAP Portugal, relativo à sua viagem entre o Funchal e Roma via Lisboa no dia xxx e regresso no dia 24 xxx, que mereceu a nossa melhor atenção.

Permita-nos apresentar o nosso mais sincero pedido de desculpa por todos os transtornos decorrentes das situações descritas por V. Exa, esclarecendo que os seus comentários foram tidos em total consideração e de imediato remetidos aos responsáveis pelas áreas visadas.

No que concerne à falta de serviço a bordo no voo TPxxx entre o Funchal e Lisboa no dia xxx, aproveitamos a oportunidade para esclarecer que a TAP Portugal assumiu um Acordo de Empresa com os seus tripulantes em que, como regra, deve existir uma composição de Tripulação de Cabine de determinado número. Caso o número de tripulantes seja reduzido ao “mínimo de segurança”, está acordado que o voo pode ser assegurado mas sem serviço a bordo.

Aproveitamos esta oportunidade para esclarecer que o serviço de catering não é obrigatório, mas sim uma cortesia da Companhia aos passageiros, que naturalmente cumprimos sempre, salvo em ocasiões excecionais, tal como foi o caso. Desta forma, lamentamos informar mas não poderemos corresponder ao solicitado.

Todavia, na tentativa de minimizar os transtornos causados, informamos que procedemos ao crédito de 500 milhas no seu cartão Victoria TP xxx, como forma de compensação.

Gostaríamos ainda de informar que tanto o voo TPxxx entre Roma e Lisboa, como o voo TPxxx até ao Funchal, sofreram um atraso por razões de ordem operacional.

A pontualidade é um dos objetivos da TAP Portugal, estando a trabalhar arduamente no sentido de garantir que as partidas e chegadas dos nossos voos sejam, sempre, na hora inicialmente prevista. Ainda que conscientes que existirão sempre fatores dificilmente controláveis, inerentes à própria natureza do transporte aéreo, a nossa responsabilidade é estarmos preparados para os contornarmos, momento a momento.

Certos da sua compreensão para o exposto, esperamos que um próximo voo com a TAP Portugal se revele totalmente satisfatório e aproveitamos esta ocasião para apresentar os nossos melhores cumprimentos.

Carla Anes
Fale connosco


Resposta minha à resposta da TAP

Exmos. Senhores

Confesso que fiquei perplexo com a solução que encontraram para, como afirmam, "minorarem os transtornos que me causaram".

Resumindo, para não me alongar em exposições que em nada resultam. O que eu vos exijo não 500 milhas no meu cartão TAP Victoria, são sim, 5000 Milhas no cartão com o qual foi obtido o bilhete prémio, Victoria Gold TP xxx (Alexandra xxx).

Relembro que a utilização da classe executiva foi por vós imposta, e que não houve qualquer diferenciação de serviço relativamente à classe económica.

Alberto Velez Grilo


Resposta final da TAP

Exmo. Senhor Alberto Grilo,

Fazemos referência ao email que nos enviou no dia 29 de Agosto, na sequência da nossa resposta datada do mesmo dia, que mereceu a nossa melhor atenção.

Renovamos o nosso pedido de desculpas pelos transtornos causados.

Contudo, gostaríamos de esclarecer que o caso vertente não se enquadra nas situações passíveis de reembolso ou pagamento de compensação de acordo com o Regulamento EC 261/2004 ou das Condições Gerais de Transporte, pelo que lamentamos mas não podemos corresponder solicitado.

Conforme já previamente referido, reiteramos o crédito de 500 milhas no seu cartão Victoria.

Certos da sua compreensão, aproveitamos esta ocasião para apresentar os nossos melhores cumprimentos.

Carla Anes

Fale connosco



A companhia foi muito célere a creditar as 500 minhas no meu cartão TAP Victoria. Como é obvio não tenciono usá-las em bilhetes prémio, muito menos nesta companhia. Fiz imediatamente uma doação à Associação das Aldeias de Crianças SOS de Portugal

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Guillaume Tell de Gioachino Rossini no Rossini Opera Festival 2013

Assisti no dia 20 de Agosto à última das récitas da ópera Guillaume Tell, integradas no Rossini Opera Festival de 2013.

Foi com grande expectativa que me desloquei mais uma vez a Pesaro e o Guillaume Tell, ponto alto do festival deste ano, não desiludiu.

Como sempre, a ópera principal do festival, é posta em cena na Arena Adriática, um recito desportivo, adaptado muito razoavelmente para o efeito. Desta forma, é possível ter bastante mais publico a assistir do que no pequeno Teatro Rossini.

O elenco da récita foi o seguinte:

Guillaume Tell: Nicola Alaimo
Arnold Melcthal: Juan Diego Flórez
Walter Furst: Simon Orfila
Melcthal: Simone Alberghini
Jemmy: Amanda Forsythe
Gesler: Luca Tittoto
Rodolphe: Alessandro Luciano
Ruodi: Celso Albelo
Leuthold: Wojtek Gierlach
Mathilde: Marina Rebeka
Hedwige Veronica Simeoni

Direcção: Maestro Michele Mariotti
Encenação: Graham Vick
Coreografia: Ron Howell

Orquestra e coro do Teatro Comunale di Bologna

Devo referir desde já que a do ponto de vista vocal a récita esteve sempre a um nível que considero de alta qualidade. No entanto, há algumas interpretações que merecem uma referência mais detalhada.

Nicola Alaimo esteve magistral no papel principal. A sua voz quente e possante esteve sempre fresca e nunca esforçada, mesmo nas partes mais exigentes e difíceis. Devo relembrar que em algumas partes da ópera o barítono enfrenta desafios muito idênticos aos de um barítono Verdiano.

Juan Diego Flórez interpretou o papel mais difícil desta ópera do ponto de vista vocal. Alías, na informação distribuída com o libretto há um capítulo inteiro dedicado à discussão sobre o tipo de tenor que deve interpretar Arnold. Resumido, é um papel muito longo, que exige, por um lado bastante potência vocal e por outro muita flexibilidade. Para complicar as coisas, o tenor tem uma cena e ária longuíssima no início do quarto acto, depois de mais de 3 horas de ópera, e que, para complicar as coisas, é o momento pelo qual todos esperam.
Flórez, como devem calcular, foi mais uma vez a estrela do festival. Embora o tenor interprete a ária que referi anteriormente com alguma frequência nos seus recitais, interpretou pela primeira vez na sua carreira o papel de Arnold na totalidade.
Esteve bem, esteve muito bem, mas notei-lhe algum cansaço no final da ária do quarto acto. Isto notou-se perfeitamente quando começou a prolongar menos o final das frases e também no dó de peito final, que foi pouco potente e curto. De qualquer forma, devo salientar que no geral, Flórez esteve ao seu nível, isto é, provou que é dos melhores cantores da actualidade.

A revelação da noite foi, para mim, Amanda Forsythe. O soprano americano interpretou o papel masculino de Jemmy, o jovem filho de Guillaume. A cantora tem um timbre fantástico e uma flexibilidade vocal extraordinária. Para além disso, é uma pessoa de pequena e magra estatura, o que do ponto de vista cénico foi perfeito para o papel (a senhora francesa que estava sentada ao meu lado chegou a pensar que a cantora era mesmo um rapaz soprano).

Marina Rebeka esteve a um bom nível vocal, mas considero a sua interpretação um pouco inferior às dos outros cantores que destaquei.

A encenação de Vick, foi melhor do que o que eu estava à espera. Dominou o cenário de pareces brancas que foi sendo preenchido com os mais diversos adereços (cenários e figurinos de Paul Brown). Penso que a encenação, não obrigou os cantores a esforços desnecessários nem a fazerem figuras ridículas, o que já não é nada mau.

O ROF decidiu não cortar os dois bailados incluídos na ópera (bem ao gosto do publico francês). Não sendo eu um grande apreciador de bailado, devo no entanto dizer que a coreografia de Ron Howell foi uma desgraça. E mais não digo, a não ser que se ouviram muitos "bhuuuusss" na sala, principalmente no final do bailado do teceiro acto.

A direcção de Mariotti, maestro de tenra idade, foi bastante boa. A abertura for excelentemente interpretada e não houve descoordenações ao longo de toda a récita.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Rossini Opera Festival 2013

Acabei de chegar de Pesaro onde assisti a quatro récitas de óperas de Rossini, integradas no Rossini Opera Festival de 2013.

Nos próximos dias segue-se um resumo do que ali vivenciei.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Finalmente uma pausa! / At last a break!

Finalmente a caminho de Madrid para Gruberova e a DiDonato no Teatro Real.

Finally going to Madrid for Gruberova and DiDonato performances at Teatro Real.




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Apanhados no Rossini Opera Festival / On "Candid Camera" in Rossini Opera Festival

(in English below)

No concerto do soprano Mariella Devia, integrado no Rossini Opera Festival (ROF 2012 - Pesaro) fui a primeira pessoa a aplaudir de pé a cantora (na plateia), logo seguido da minha amiga Adélia que viajou de Nova Iorque para Itália, para assistir a este evento. Fomos apanhados em flagrante numa fotografia que agora foi publicada no sítio oficial do ROF.

Eis a prova do "crime" (estou a meio da fotografia com camisa azul e a Adélia um pouco mais atrás, de cor-de-rosa)...




I was the first one to offer soprano Mariella Devia a standing ovation, followed by my friend Adélia who came from New York to Italy, for the Rossini Opera Festiva 2012. Someone made a photo of this special moment and now that photo (see above) is published on the official site of the festival.

(in the photo I'm with a blue shirt and Adélia with a pink dress).

domingo, 14 de outubro de 2012

Mais uma vez juntos (Desvios e Outras Escritas)

Foi já há dois anos que o Outras Escritas visitou o Desvios pela última vez. Estarão neste momento os meus leitores a perguntar, que raio quero eu dizer com isto.

O Desvios é o blogue da minha melhor amiga, a Reflexos. Logo, com isto quero dizer que estou em Braga a visitá-la. Quer dizer, já estou quase a ir-me embora, mas a azáfama tem sido tanta, só agora conesgui um tempinho para vir aqui.

Desta vez até consegui rever um amigo que não via há 19 anos!

Como dizíamos há dois anos:


...é quando Outras Escritas se Desviam para o Desvios ou o Desvios entra n'Outras Escritas!

Como repararam, estivemos e "postámos" juntos!

domingo, 9 de setembro de 2012

Voce che Tenera (Mariella Devia, Rossini Opera Festival 2012)

Assisti no passado dia 20 de Agosto, no âmbito do Rossini Opera Festival 2012, a um concerto do soprano Mariella Devia intitulado "Voce che Tenera". O concerto ocorreu no Teatro Rossini e o soprano foi acompanhado pela Orquestra Sinfónica Gioachino Rossini dirigida pelo maestro Antonino Fogliani.

Como os meus leitores sabem, considero Mariella Devia uma das melhores cantoras do repertório de bel canto da actualidade. Neste concerto a cantora provou isso mesmo, ao interpretar de forma magistral árias de óperas de Rossini, Bellini e Donizetti.

Este foi o programa do concerto:

Gioachino Rossini

Semiramide - Sinfonia
Adelaide di Borgogna - Cavatina de Adelaide "Occhi miei piangeste assai"
Tancredi - Scena e Cavatina di Amenaide "Di mia vita infelice... No, che il morir non è..."


Vincenzo Bellini

Norma - Sinfonia
I Capuleti e i Montecchi - Recitativo e Romanza di Giulietta "Eccomi in lieta vesta... Oh! quante volte, oh quante!"
Norma - Cavatina di Norma "Casta Diva"


Gaetano Donizetti

Maria Stuarda - Sinfonia
Anna Bolena - Scena e Aria Finale "Piangete voi?... Al dolce guidami... Coppia iniqua"


Tudo menos fácil, é o mínimo que se pode dizer neste programa. De Rossini, a cantora interpretou duas cavatinas que, obrigam a um legatto e controlo respiratório tremendos. Poderia ter interpretado uma ou duas cabalettas, mas para Mariella Devia não há que evitar dificuldades!

Mas foi com Bellini e Donizetti que a cantora demonstrou todas as sua capacidades vocais e interpretativas. "Oh! Quante volte, oh quante" e "Casta Diva" foram interpretadas de forma sublime, com um legatto perfeito, uns pianíssimos sublimes e uns agudos belíssimos. Penso que em 2012 a cantora se estreará no papel de Norma e, a avaliar pela sua interpretação de Casta Diva, este será mais um dos papeis de sucesso da sua longa carreira.

Para terminar o programa, Mariella Devia, apresenta a cena final da ópera Anna Bolena de Donizetti. Quem conhece esta ópera, sabe que esta cena é muito longa e de estrema dificuldade interpretativa. Inicia-se com um recitativo, "Piangete voi", durante o qual a voz fica várias vezes exposta sem qualquer acompanhamento orquestral e cuja intensidade vai de uma serenidade quase absoluta a uma agitação tremenda. Segue-se uma dificílima cavatina, com frases muito longas, sem qualquer possibilidade de respirações intermédias, sob risco de se perder completamente a linha melódica. Por fim, a cabaletta "Coppia iniqua" que exige uma agilidade e um controlo respiratório tremendos.
A cantora interpretou esta cena, como se nada fosse difícil. O legatto foi perfeito, as respirações quase imperceptíveis e nos locais certos (às vezes parece-me que tem 3 pulmões) e as passagens de coloratura sem qualquer falha. Para terminar o público é brindado no final da cabaletta com um mi bemol sobreagudo em fortíssimo que deixou a sala aos gritos!

Como extras, Devia interpretou de Pucini, Quando me'n vo" de "La Bohéme" e repetiu a cavatina "Pangete voi".

Inesquecível este concerto. Ficará certamente na minha memória como um dos melhores concertos a que já assisti.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ópera em Estremoz

A ópera regressa ao Teatro Bernardim Ribero em Estremoz. Lá estarei no próximo Sábado à noite...

Lê-se no sítio Internet da Câmara Municipal de Estremoz:


"La Princesse de Jaune" e "The Wandering Scholar" | Ensemble Conteporaneus



Sábado 08 de Setembro de 2012 | 21:30

Nesta, que será a estreia nacional das duas óperas, reorquestradas propositadamente para esta ocasião por Antonio Risueño, o Ensemble Contemporaneus será dirigido pelo maestro João Paulo Santos. A encenação ficará a cargo de Fernanda Lapa, a cenografia será de Rui Alexandre e o desenho de luzes de Paulo Sabino. Os solistas serão Inês Simões (soprano), Marco Alves dos Santos (Tenor), João Merino (Barítono) e Nuno Dias (Baixo.

O Teatro Bernardim Ribeiro reabre a sua temporada de programação 2012/2013 novamente com ópera, numa coprodução do Município de Estremoz e da Contemporaneus, naquela que é a 1ª apresentação nacional destas duas óperas.


Coprodução: Câmara Municipal de Estremoz e Contemporaneus


Reservas/Informações:
CME | Telef.: 268 339 216 ou E-mail: cultura@cm-estremoz.pt
Teatro Bernardim Ribeiro | Telef.: 268 339 222

domingo, 2 de setembro de 2012

Ciro in Babilonia (Rossini Opera Festival 2012)



A ópera Ciro in Babilonia marcou a minha estreia no Rossini Opera Festival. Assiti à quarta récita desta ópera, no dia 19 de Agosto.

O elenco foi o seguinte:

Baldassare - Michael Spyres
Ciro - Ewa Podles
Amira - Jessica Pratt
Argene - Carmen Romeu
Zambri - Mirco Palazzi
Arbace - Robert McPherson
Daniello - Raffaele Costantini

Encenação - Will Crutchfiled

Orquestra e coro do Teatro Comunale di Bolonha dirigidos pelo Maestro Davide Livermore.

O libretto de Francesco Aventi relata a história de Baldassare, rei da Babilónia, que se encontra cercado na sua cidade pelas tropas de Ciro, rei da Pérsia (sinopse). Baldassare rapta e apaixona-se pela mulher de Ciro e este faz tudo para salvá-la.

A encenação de Will Crutchfield, transporta-nos para uma sala de cinema mudo dos anos 30 do século XX. Para os mais cépticos, esta transposição poderá parecer à partida estranha, uma vez que a ópera retrata cenas bíblicas, nos entanto, devo dizer que foi bastante eficaz e agradável.
Durante a abertura o público, constituído por elementos do coro, entra na sala de cinema e toma o seu lugar. A ópera é assim apresentada como se fosse um filme a preto e branco, com os cantores como personagens principais e os cenários projectados em telas no fundo de palco. Por vezes é usada uma tela transparente na frente de palco onde são projectados uns efeitos que fazem parecer que se está mesmo a ver um filme de cinema mudo.
Curiosamente, os figurinos das personagens masculinas respeitam, aparentemente, os trajes de época, mas os das personagens femininas são muitos inspirados nos anos 20/30 do século passado.


Quanto às vozes:

Carmen Romeu, Mirco Palazzi e Raffaele Costantini estiveram bem nos seus papeis secundários e não desvirtuaram o trabalho dos cantores principais, tendo constituído um bom elenco de suporte.

Robert McPherson, tenor, interpretou Arbace, personagem secundária, mas com uma ária tipicamente rossiniana no primeiro acto. A voz é ligeira, mas ouve-se bem (o Teatro Rossini não é muito grande, penso que será um pouco mais pequeno que o S. Carlos), o timbre não é dos mais agradáveis, mas tem um bom legatto e domina bem as passagens de coloratura. No registo agudo, denota-se um certo stresse e, para compensar uma certa diminuição de volume, o cantor parece entrar em esforço, o que se traduz em alguma estridência.

Michael Spyres, tenor interpretou Baldassare, rei da Babilónia. O cantor de timbre muito agradável esteve em excelente forma, e "portou-se" como um verdadeiro tenor rossiniano, com uma excelente agilidade e um registo agudo cheiro e nada stressado (penso que terá atingido por várias vezes o ré sobreagudo). No segundo acto interpreta o que parece ser uma "ária de loucura", de forma extraordinária, mesmo que passe grande parte do tempo em cima de uma passadeira rolante. Uma característica interessante da voz do cantor é que tem um registo grave bastante bem suportado. Isto é importante porque Rossini usou e abusou do registo grave (e do agudo também).

Jessica Pratt, soprano, interpretou Amira, mulher de Ciro. A cantora tem uma voz cheia e potente (quase lírica), de timbre agradável e com um bom legatto. Denotei no entanto um uso excessivo do pianíssimo nas passagens mais agudas, principalmente no primeiro acto. Isto pode ser apenas uma questão de gosto e não uma dificuldade técnica, uma vez que nas cabalettas os agudos eram alcançados em forte sem dificuldade. A coloratura não foi também perfeita no primeiro acto, tendo melhorado no segundo. No geral achei o desempenho de Pratt muito bom, as críticas que faço são apenas de pormenor. 

Ewa Podles, contralto,  interpretou Ciro, personagem central da ópera. Já falei várias vezes aqui no blogue da voz de Podles uma vez que é das minhas cantoras favoritas. Já tinha ouvido a cantora em Barcelona a interpretar Orsini na ópera Lucrezia Borgia de Donizetti e desta vez fiquei ainda mais satisfeito com a sua prestação. Tudo em Podles é perfeito. A voz é escura (escuríssima), maleável, e potente e cheia em todos os registos (a cantora tem 3 oitavas de voz).
Na récita, a cantora foi uma verdadeira rainha vocal, embora tenha interpretado o papel de "rei"! Ciro tem duas grandes (longas) árias, uma no primeiro acto e outra no segundo, quase no fim da ópera. Podles interpretou de forma perfeita estas árias (vocal e cenicamente), fazendo delas o ponto alto da récita. No segundo acto os aplausos foram tantos e tão prolongados que a cantora teve que "sair da personagem" para agradecer.
Para além da voz, Podles é também uma boa actriz, o que abona ainda mais a seu favor.


Depois da récita tive oportunidade de cumprimentar Michael Spyres, Jessica Pratt e, claro, Ewa Podles. Apesar de cansados, todos foram bastante simpáticos e distribuíram autógrafos. Com Podles tirei também a fotografia que está destacada na barra lateral do blogue, porque afinal como alguém dizia, "a Podles é um fenómeno da Natureza!".




sábado, 25 de agosto de 2012

Rossini Opera Festival

O meu primeiro destaque no que diz respeito ao Rossini Opera Festival 2012, vai para a extraordinária prestação de Ewa Podlés (contralto), na ópera Ciro in Babilonia.

Dentro de uns dias, farei uma descrição detalhada das récitas e concertos a que assisti. Para já, gostaria apenas de referi que, na minha opinião, Ewa Podlés foi a melhor cantora presente no festival.

Aqui ficam uns excertos da sua interpretação da personagem Ciro.


sábado, 7 de julho de 2012

Mariella Devia em Lucrezia Borgia (Ancona 19/2/2010

Encontrei finalmente no Youtube, um vídeo com a interpretação de Mariella Devia, do final da ópera Lucrezia Borgia a que assisti em Ancona a 19 de Fevereiro de 2010.

Para além da interpretação excepcional da cantora, chamo a atenção para o tenor, Giuseppe Filianoti que no final, olha para Devia certamente sem certeza da interpolação ou não, do mi bemol sobre-agudo. Como é evidente, o mi bemol surgiu (e em crescendo) e o cantor não pôde deixar de sorrir.


terça-feira, 26 de junho de 2012

A ignorância americana! E a minha também...

(Desculpem alguns erros dactilográficos neste artigo. Foi escrito no iPad cujo teclado requer habituação. Estão, agora, corrigidos)

Por razões profissionais deparei-me hoje com um e-mail de uma jovem norte-americana que, pelo facto de ter que passar uns meses aqui no Funchal perguntava, entre outras coisas, se a rede eléctrica por aqui era fiável e se havia ligacões domésticas à Internet, como se estivéssemos aqui num fim de mundo e como se não soubesse que o trabalho que vem aqui realizar deixa implícito que, obviamente, todas essas questões estão devidamente asseguradas. 

Enfim, a ignorância típica dos norte-americanos, pensei na altura! Só que logo de seguida eu próprio fui confrontado com a minha ignorância, uma vez que há quase vinte anos quando pensei em vir viver para esta ilha, não fazia a mínima ideia das suas dimensões (na escola apenas se falava dos nome das ilhas e das capitais) e que ao confrontar-me com os famosos cinquenta por vinte quilómetros, achei que nunca conseguiria viver aqui... 

Que seja muito bem vinda a jovem norte americana e que aprenda muitas coisas novas por aqui, porque, apesar de tudo, é bom viver no Funchal!

domingo, 17 de junho de 2012

Rossini Opera Festival (novidades)


Depois de ter escrito "isto" aqui no Outras Escritas, como desabafo pelo facto de, mais uma vez, não poder comparecer no Rossini Opera Festival em Pesaro (Itália), uma amiga também apreciadora da ópera, chamou-me a atenção para o facto de "mais uma vez" eu perder um concerto do soprano Mariella Devia que já há uns anos não acontecia neste festival. Fiquei surpreendido, uma vez que, não sei como, não tinha reparado que este concerto estava incluído no programa e Mariella Devia é um dos meus sopranos favoritos da actualidade.


Assim sendo, resolvi mesmo contrariar esta malfadada crise em que o país está mergulhado e partir, pela primeira vez, à descoberta do maior festival dedicado a Rossini, que é um dos meus compositores favoritos.

Neste momento já tenho tudo reservado, incluindo os bilhetes para as récitas e concerto.

Aqui fica o "programa das festas":

19/08/2012 - Ciro in Babilonia (onde destaco a participação de um dos maiores contraltos da actualidade, Ewa Podles);

20/08/2012 - Voce que tenera (concerto com o soprano Mariella Devia, com interpretações de arias de Rossini, Belline e Donizetti)

20/08/2012 - Mathilde di Shabran (com a presença extraordinário Juan Diego Flórez)

21/08/2012 - Il signor Bruschino.


Demoro quase três dias a chegar a Pesaro. mas tenho a certeza que vai valer a pena!

terça-feira, 6 de março de 2012

ROF 2012 (Rossini Opera Festival) - Desabafo

Um sonho por concretizar: uma ida ao Festival Rossini em Pésaro (Itália), onde em três ou quatro dias do mês de Agosto se consegue assistir a várias récitas de óperas pouco apresentadas, deste que é um dos meus compositores favoritos (e ainda se pode ir à praia).

Recebo o programa para este ano. "Flórez, Ewa Podles, Daniela Barcelona? Uau!, pensei.

Abro sítio da easyJet: Funchal - Lisboa - Roma - Lisboa - Funchal, preço em conta!

Entusiasmo-me...

Abro agora o sítio da Trenitalia: Roma - Pesaro - Roma, um pouco caro, quando comparado com o preço dos voos... mas...

O entusiasmo continua...

Vejamos agora hotéis no Booking: quatro noites em Pésaro, mais uma noite em Roma... hum, um pouco caro, mas...

O entusiasmo relativiza-se.

Preços das récitas: mais ou menos em conta...


Somatório das partes: "O quê? Deves estar doido! Até parece que vais ter subsídio de férias".


Fechei todas as janelas do browser e voltei a "enterrar-me" no trabalho!

(Atenção, este "post" deverá ser considerado um desabafo da minha parte e não uma provocação ou  um lamento. No meio de tanto desemprego e tanta precariedade, ainda me considero razoavelmente remediado).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

easyjet - Funchal-Lisboa-Funchal


Acabo de ver no sítio Internet da easyJet, que a companhia não tem prevista a realização dos dois voos diários entre Lisboa e o Funchal no Inverno 2011/12 às segundas, terças, quartas, quintas e sábados (por simulação de marcação de viagens).


Tinha lido aqui que os voos de Londres e Bristol seriam reduzidos, mas que os voos de Lisboa se mantinham.

Alguém me confirma isto? A verificar-se, será péssimo para residentes e turismo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A crise tem destas coisas

Decedi hoje, que não estarei presente em nenhuma das récitas da temporada do MET de Nova Iorque 2011/12.

Tentei planear uma deslocação em Fevereiro de 2012 que me permitiria assistir uma Anna Bolena (com Netrebko e Garanca), ao Ernani ( com Meade, Licitra, Hvorostovsky e Furlanetto) e ainda a um Barbeiro de Sevilha (com Damrau), mas vai ser de todo impossível devido a esta crise em que nos colocaram e da qual ainda nem imaginamos as consequências.

Como consolo, tentarei estar na Gulbenkian para as transmissões do MET HD Live das seguintes óperas:

Anna Bolena (15 de Outubro)
Rodelinda (3 de Dezembro)
Ernani (25 de Fevereiro)
La Traviata (14 de Abril)


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mariella Devia em Roberto Devereux


O soprano Mariella Devia, terá afirmado em tempos que não interpretaria o papel de Elisabetta na ópera Roberto Devereux de Gaetano Donizetti (não tenho confirmação oficial). Para os apreciadores de bel canto era uma pena que tal não acontecesse, uma vez que a cantora tem vindo a interpretar de forma superlativa as duas óperas de Donizetti que em conjunto com esta formam a trilogia das Rainhas Tudor (Maria Stuarda e Anna Bolena).


Beverly Sills, soprano americano que fez sucesso com esta trilogia na segunda metade do século passado, afirmou que Roberto Devereux lhe encurtou a carreira em dez anos, aludindo ao grau de dificuldade da interpretação de Elisabetta.

Actualmente, Edita Gruberova tem interpretado este repertório com enorme e merecido sucesso. Tive o privilégio de assistir as suas interpretações de Roberto Devereux (Munique 2005) e Anna Bolena (Barcelona 2011) e considero-as pontos altos da sua carreira.

Recentemente tive conhecimento através da minha amiga Adélia, fã incondicional de Mariella Devia, que a cantora irá interpretar Elisabetta na ópera Roberto Devereux pela primeira vez em Marselha no próximo mês de Novembro (versão concerto).

Mariella Devia com 63 anos avança desta forma para mais um desafio na sua longa carreira, o que demonstra que é detentora de um técnica extraordinária, para além de todas as suas outras qualidade vocais de que tenho falado inúmeras vezes aqui no Outras Escritas.

Esperemos que a crise não me impeça de dar "um pulo" a Marselha.

Mais informações aqui.