segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Florbela Espanca

No dia 8 de Dezembro de 1894 nasce em Vila Viçosa a poetisa Florbela Espanca. Florbela Espanca viria a morrer neste mesmo dia, no ano de 1930.

Da Infopédia:

Poetisa e contista. Depois de concluir os estudos liceais em Évora, frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa. A abordagem crítica da sua obra poética, marcada pela exaltação passional, tem permanecido demasiado devedora de correlações, mais ou menos implícitas, estabelecidas entre o seu conturbado percurso biográfico - uma existência amorosa e socialmente malograda que culminaria com um suicídio aos 36 anos de idade -, e uma voz poética feminina, egotista e sentimental, singularmente isolada no contexto literário das primeiras décadas do século. Na verdade, a leitura mais imparcial das suas composições, entre as quais se contam alguns dos mais belos sonetos da língua portuguesa, permite posicioná-la quer na matriz de uma poesia finissecular que, formalmente, cruza caracteres decadentistas, simbolistas (são várias as referências na sua poesia a autores simbolistas) e neo-românticos (acusando a admiração por certos autores da terceira geração romântica, como Antero de Quental), "à maneira de um epígono de António Nobre" (cf. PEREIRA, José Augusto Seabra - prefácio a Obras Completas de Florbela Espanca, vol. I, Poesia, Lisboa, D. Quixote, 1985, p. IV), quer, ainda, pela forma como a vivência do amor promove, a cada passo, uma mitificação do eu, na senda de certos autores do primeiro modernismo como Sá-Carneiro, Alfredo Guisado ou António Botto. Por outra via, a da literatura mística, Florbela Espanca reata conscientemente ("Soror Saudade") com a tradição da literatura claustral feminina que recebera, no período de maior florescimento, uma marca conceptista, mantida na poética de Florbela por certa propensão para a exploração das antíteses morte/vida, amor/dor, verdade/engano. A imagem da mulher que sofre de ilusão em ilusão amorosa, que reitera até ao desespero a sua fatalidade, que dá expressão a uma existência irremediavelmente minada pela ansiedade e pela incompreensão, acabou por, na recepção alargada da sua poesia, sobrepor-se a outros nexos temáticos com igual pertinência, como a dor de pensar e a aspiração à simplicidade ("Quem me dera voltar à inocência / Das coisas brutas, sãs, inanimadas, / Despir o vão orgulho, a incoerência: / - Mantos rotos de estátuas mutiladas!" ("Não Ser"); ou a forma como a busca do amor se volve essencialmente em busca de si mesma através dos estilhaços de um ser que não sabe ser sozinho: "Ó pavoroso mal de ser sozinha! / Ó pavoroso e atroz mal de trazer / Tantas almas a rir dentro da minha!" ("Loucura", in Sonetos). Bibliografia: Livro de Mágoas, s/l, 1919; Livro de Soror Saudade, Lisboa, 1923; Charneca em Flor: Sonetos de Florbela Espanca, Coimbra, 1931; Juvenília: Versos Inéditos de Florbela Espanca, precedidos dum estudo crítico de Guido Batteli, Coimbra, 1931; Cartas de Florbela Espanca a Dona Júlia Alves e a Guido Batteli, Coimbra, 1931; Cartas de Florbela Espanca, Lisboa, s/d; As Máscaras do Destino, contos, Porto, 1931; Diário do Último Ano, Amadora, 1981; O Dominó Preto, contos, Amadora, 1982

Florbela Espanca. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-12-08]

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