segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Árvores do Alentejo - Florbela Espanca


Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

Florbela Espanca

2 comentários:

  1. Ai ai, que o meu amigo está a precisar que o médico lhe avie uma receita de :

    Esta nostalgia conheço eu bem vinda daí!
    Receita:
    15 dias de Alentejo de manhã, à tarde e à noite, semana, fim de semana e feríados', no mínimo!

    ResponderEliminar
  2. Ora bom!!! É isso mesmo. A receita já está passada, já está aviada e a toma quase, quase a chegar...

    E são mais ou menos 15 dias :)

    ResponderEliminar

Comente o Outras Escritas