Mostrar mensagens com a etiqueta filosofia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filosofia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de março de 2010

Faz anos hoje - Carolina Michaëlis

Carolina Michaëlis de Vasconcelos nasceu a 15 de Março de 1851.

Da Infopédia:

Romancista, filóloga e historiadora da literatura portuguesa, nascida em 1851, em Berlim, e falecida em 1925, no Porto. Foi basicamente autodidacta, pois no seu tempo não era permitido às mulheres frequentar os ensinos médio e superior. Publicou trabalhos na área da língua e literaturas italiana e espanhola com apenas 16 anos e cedo se tornou conhecida nos meios intelectuais europeus. Apaixonou-se pela cultura, língua e literatura portuguesas, tendo-se interessado especialmente por assuntos românicos, trocando correspondência com alguns membros da Geração de 70, como Teófilo Braga e Joaquim de Vasconcelos, com quem viria a casar, adquirindo nacionalidade portuguesa. Foi a primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa, mais concretamente na Universidade de Coimbra, desenvolvendo o seu trabalho de investigação no âmbito da cultura portuguesa medieval e quinhentista. Dirigiu, na sua fase inicial, a revista Lusitânia, de estudos portugueses, constituída por dez números publicados de Janeiro de 1924 a Outubro de 1927, em Lisboa, e redigiu artigos para jornais importantes na época, como O Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro. Recebeu várias honras, entre elas, os títulos Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Friburgo (1893) e Hamburgo (1923), ambas alemãs, e pela Universidade de Coimbra (1916). Em 1901, foi-lhe entregue a insígnia de Oficial da Ordem de Santiago da Espada pelo rei D. Carlos. Apesar de ter havido resistência por parte de membros mais conservadores, Carolina Michaëlis e a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho foram as duas primeiras mulheres a ser admitidas na Academia de Ciências de Lisboa, em 1912.

Carolina Michaëlis de Vasconcelos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-03-16]

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Faz anos hoje - António Sérgio

No dia 3 de Setembro de 1883 nasceu António Sérgio.

Da Infopédia:

Um dos expoentes da reflexão cultural e do ensaísmo da primeira metade do século XX, o pensamento e magistério de António Sérgio marcaram várias gerações de intelectuais, sendo nome de referência quer no âmbito da historiografia, da crítica literária, da história política e das ideias ou da teoria do conhecimento. Abandonou a carreira da marinha de guerra após a implantação da República, em 1910, abraçando com total dedicação uma actividade de reforma das mentalidades, missão que lhe parecia fundamental na consolidação de um regime democrático. Interessou-se vivamente pela pedagogia, tendo produzido um ensaio, Educação Cívica , em que defende a autonomia do aprendente e a instrução activa, que pouco eco teve na época mas que viria a ser recuperado durante a década de 80. Integrando o projecto da "Renascença Portuguesa", publicou vários trabalhos de teor pedagógico, em publicações como A Águia, que abandonará depois de acusar o carácter passadista e utópico do saudosismo, em polémica aberta com Teixeira de Pascoaes, para fundar a revista Pela Grei . Em 1923, aceitou a pasta governativa da Instrução Pública, de que se demitiria, vendo a impossibilidade de realizar alguns dos projectos a que se propusera, como a criação de uma Junta Propulsora dos Estudos. Depois de um afastamento de sete anos, em Madrid e Paris, para onde fora compelido a exilar-se após a instauração da ditadura militar, em 1926, foi amnistiado em 1933. De regresso a Portugal, leccionou, efectuou traduções e continuou, sempre com o fito numa reforma mental e económica, a publicação ensaística (Ensaios, 8 vols., 1920-1958). Durante a década de trinta, colaborou com Seara Nova , aí assumindo um papel de liderança intelectual, colaborando ainda, no âmbito do grupo da Biblioteca Nacional, na revista Lusitânia . Em 1953, participou no movimento político democrático que tentaria propor, em 1958, a candidatura à Presidência da República do General Humberto Delgado, conhecendo, durante esse processo logrado, a prisão. Ao longo da sua vasta e profunda obra ensaística, debruçando-se sobre temas diversos, que vão desde a reflexão histórica e filosófica à discussão literária, António Sérgio manteve como invariáveis os princípios do racionalismo idealista; a reflexão cultural de cunho universalista; uma interpretação histórica de fundamento socioeconómico; a doutrinação pedagógica com vista à criação de uma consciência cívica e democrática e a defesa, no domínio da ideação política económica e social, da prática do corporativismo. Submetido, sob todos os seus prismas, a um ideal humanista de libertação e autonomia do homem, o reformismo sergiano, rejeitando a postura marxista, postula que a transformação das estruturas sociais "não é possível com pregações, nem com políticas de autoritarismo, nem com reformas só pedagógicas - mas com reformas sociais e pedagógicas concatenadas, entrelaçadas como fios de um tecido único, as quais preparam o nosso povo para um uso razoável da liberdade e para compreender por si mesmo a sua emancipação social-económica." (Ensaios , t. II, 2.ª edição, p. 89). Tendo relegado para um segundo plano a criação literária, evidenciada num volume de Rimas (1908), desvalorizado pelo autor; na publicação de Antígona (1930), um drama de cariz didáctico e combativo, ou na publicação de alguns poemas nas páginas de Seara Nova (sob o pseudónimo de Álvaro Clarival), a sua bibliografia conta ainda traduções de obras enciclopédicas, filosóficas (Leibniz, Descartes) e literárias, obras de literatura infantil e a edição escolar, prefaciada e anotada pelo ensaísta, de obras de autores portugueses. Bibliografia: Notas sobre os Sonetos e as Tendências Gerais da Filosofia de Antero de Quental, Lisboa, 1909; Educação Cívica, Porto, 1915; Considerações Histórico-Pedagógicas, Porto, 1916; Ensaios (8 vols.), Lisboa, 1920-1958; História de Portugal, Barcelona, 1929; Democracia, Lisboa, 1934; Cartesianismo Ideal e Cartesianismo Real, Lisboa, 1937; Introdução Geográfico-Sociológica à História de Portugal, Lisboa, s/d; Um Problema Anteriano, Lisboa, s/d; Cartas de Problemática, Dirigidas a Um Grupo de Jovens Amigos, Alunas e Alunos da Faculdade de Ciências, Lisboa, 1952-55; Cartas do Terceiro Homem, 3 vols., Lisboa, 1953-57; Antígona, Porto, 1930

António Sérgio. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-09-03]

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Faz anos hoje - Johann Wolfgang von Goethe

No dia 28 de Agosto de 1749 nascei Johann Wolfgang von Goethe.

Da Wikipédia:

Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749Weimar, 22 de Março de 1832) foi um escritor alemão, pensador e também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã[1] e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Faz anos hoje - Georg Hegel

No dia 27 de Agosto de 1770 nasceu Georg Hegel.

Da Infopédia:

Nascido em Estugarda em 1770, é geralmente considerado como o «último filósofo da totalidade», tendo marcado o culminar da ambição de sistematismo racional ao tentar integrar todos os domínios da realidade numa arquitectónica englobante que só encontra paralelo em Aristóteles e em São Tomás de Aquino. Na esteira de Fichte e Schelling, o objectivo central de Hegel será o de reconciliar os dualismos remanescentes da filosofia crítica kantiana (fenómeno/númeno, pensado/pensante, natureza/liberdade, saber/fé...), que classificou como simples filosofia «do entendimento», incapaz de ultrapassar as antinomias que ela mesma evidenciara. No centro do sistema hegeliano encontra-se a ambição de superar todas as cisões, «elevando o Homem da vida finita à vida infinita», constituindo assim um projecto grandioso de organização do saber como um todo - o saber absoluto: «(...) que a filosofia se aproxime da forma da ciência - do objectivo de poder renunciar ao seu nome de amor do saber e ser um saber efectivo - eis aquilo que me propus». Com esse fim em vista, Hegel concebe o saber não como um dado mas como um processo, recusando-se a interpretá-lo isolada e independentemente da realidade efectiva. Sensível à essência dinâmica da realidade, todo o esforço sistemático será conduzido à luz da dialéctica, método através do qual pretende apreender o devir, fundamento da essência do pensamento e da realidade. A característica mais inovadora da dialéctica hegeliana é a de assimilar, de forma coerente, a negatividade inerente ao real - ou seja, as determinações contraditórias que estão na base do desenvolvimento deste - no esquema triádico a que recorre para explicar o encadeamento dos diversos momentos do devir: tese (momento afirmativo), antítese (momento negativo, de alienação, resultante da própria tese) e síntese (superação da contradição, num sentido unificador que não elimina, mas conserva, as determinações anteriores). Será de sublinhar que o esquema triádico da dialéctica não se pretende apresentar como um mero formalismo ou artifício racional para encerrar na pura abstracção o dinamismo do real: se, por um lado, funciona como princípio de inteligibilidade assegurando uma descrição adequada do que acontece, ele corresponde, por outro, à estrutura íntima do pensamento e da realidade, pondo em paralelismo a vida e o espírito e autorizando a identificação entre o ser que se manifesta na aparência e a respectiva essência, que se unificam no conceito. Aqui se encontra também a base para a afirmação da evolução simultânea e indissolúvel do ser e do conhecimento do ser, da experiência e da consciência. Sendo assim, a sucessão não se reveste de qualquer casualidade: todo o devir é produto de um desenvolvimento necessário no e para o espírito que progride historicamente no sentido do saber absoluto (que é, simultaneamente, auto-conhecimento), ou seja, no sentido de se reconhecer como sujeito e como substância, encontrando a identidade final entre o ser e o pensamento («todo o real é racional e todo o racional é real»). Tal é o processo que Hegel descreverá detalhadamente nas suas obras mais importantes: na Fenomenologia do Espírito, analisando o trajecto da consciência sensível individual em direcção à autoconsciência e à razão universal; na Ciência da Lógica, em que se debruça sobre a razão pura («a ideia no elemento abstracto do pensamento»), descrevendo o desdobramento desde os conceitos mais indeterminados (ser, nada e devir) até à ideia absoluta; e na Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Epítome, elaborando um plano sumário de todo o sistema, articulado em três grandes unidades: a «Lógica», ciência da ideia em si e para si, a «Filosofia da Natureza», ciência no seu ser-outro, e a «Filosofia do espírito», a ideia que regressa a si, depois da mediação do seu ser-outro. Hegel morreu em Berlim em 1831, onde chegou a ocupar o posto de reitor da Universidade, detendo um estatuto privilegiado como filósofo «oficial» do Estado prussiano. No entanto, a ambição do sistema que desenvolveu acabou por se revelar um obstáculo à sua aceitação. Numa época em que o modelo de objectividade proposto pelas ciências naturais, associado a posições materialistas e empiristas, se começava a afirmar como paradigmático, o idealismo absoluto que professara condenou-o a ser visto como um pensador retrógrado que procurou reduzir toda a realidade ao pensamento, motivo pelo qual grande parte da filosofia posterior se constituiu numa cerrada crítica às suas propostas. Só muito recentemente voltaram a despertar alguma curiosidade a originalidade e as virtualidades que as suas análises encerram.

G. W. F. Hegel. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-27]

domingo, 28 de junho de 2009

Jean-Jacques Rousseau

No dia 28 de Junho de 1712 nasceu Jean-Jacques Rousseau.

Da Infopédia:

Escritor e filósofo humanista de expressão francesa, nasceu em Genebra em 1712 vindo a falecer em Ermenonville em 1778. Ao recentrar a reflexão sobre a natureza humana nos temas da sensibilidade, do sentimento e da paixão em detrimento da razão, antagoniza os princípios do Iluminismo, anunciando já aqueles que virão a ser os valores centrais do Romantismo. Marcado por um forte optimismo relativamente à essência humana, considera que primitivamente os seres humanos viveriam num hipotético estado de natureza em que, deixando-se reger pelo sentimento (amor de si e piedade), reinava a liberdade e a igualdade. Com o advento da divisão do trabalho e da propriedade privada, tal estado de harmonia teria sido pervertido, tendo-se tornado a sociedade presa do egoísmo e da corrupção. Dessa forma, os poderosos, apropriando-se da Lei, colocaram-na ao serviço dos seus interesses particulares e fizeram dela um instrumento de servidão. Do mesmo modo, a ciência e a cultura em geral são vistas como focos de degeneração que afastam o ser humano da sua natureza genuína. Para libertar o homem do estado de servidão em que a sociedade o coloca, Rousseau apresenta duas vias complementares. A primeira - exposta pormenorizadamente no Émile (1762) - respeita à pedagogia, propondo que esta permita à criança desenvolver-se naturalmente na afirmação espontânea da sua essência e de acordo com a sua própria experiência pessoal, evitando que se torne vítima das deformações que a sociedade lhe procura impor. A segunda, no âmbito da filosofia política - e desenvolvida no Contrato Social (também de 1762) -, visa o restabelecimento da liberdade e baseia-se na ideia de soberania popular. Esta deve ser concretizada através do contrato social segundo o qual cada indivíduo se deve submeter à vontade geral, convergência e expressão mediada da vontade de cada um, garantindo assim a liberdade e a igualdade de todos. A submissão da Lei à vontade geral assegurará a sua justiça, não cabendo ao poder executivo mais do que garantir a sua correcta aplicação.

Jean-Jacques Rousseau. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-06-22]

domingo, 21 de junho de 2009

Jean-Paul Sartre

No dia 21 de Junho de 1905 nasceu Jean-Paul Sartre.

Da Infopédia:

Escritor e filósofo francês, Jean-Paul Sartre nasceu a 21 de Junho de 1905, na cidade de Paris. Filho de um oficial da marinha que morreu quando Sartre era ainda criança, mudou-se com a mãe, sobrinha-neta do famoso médico e escritor Albert Schweitzer, para junto do avô. A família partiu para La Rochelle em 1917, por ocasião do casamento da mãe em segundas núpcias. Após ter frequentado o Lycée Louis-le-Grand , licenciou-se pela Ècole Normale Supérieure em 1929, onde conheceu Simone de Beauvoir, que se viria a tornar na sua companheira. A partir de 1931 trabalhou como professor, tendo a possibilidade de viajar pelo Egipto, Grécia, Itália e Alemanha, onde estudou a filosofia de Edmund Husserl e Martin Heiddeger. Em 1938 publicou o seu primeiro romance, La Nausée (A Náusea), em que exprimia de forma pessimista a sua constatação do absurdo da vida, e o consequente ateísmo. No ano seguinte, e com a deflagração da Segunda Guerra Mundial foi engajado para o serviço militar em 1939, mas foi capturado pelos alemães ao fim de um ano e libertado em 1941. Juntou-se então à Resistência, e contribuiu para publicações periódicas como Les Lettres Françaises e Combat . Em 1943 publicou a sua primeira peça de teatro, Les Mouches (As Moscas ), escrita em moldes da tragédia grega e recorrendo à temática da sua mitologia, e em que procura afirmar a doutrina do existencialismo, de que a responsabilidade dos actos do indivíduo recai sempre sobre si mesmo, e constitui o melhor exercício da liberdade. Com o armistício fundou uma revista, a Les Temps Modernes, de teor literário e político. Decidiu então dedicar-se inteiramente à escrita e às actividades políticas marxistas. Em 1946 apareceu o seu estudo, L'Existencialisme Est Un Humanisme , uma espécie de manifesto da filosofia existencialista, e La Putain Respectueuse . Les Mains Sâles (As Mãos Sujas ) foi publicado em 1948. Visitou a União Soviética após a morte de Estaline, ocorrida em 1953, mas a azáfama política esgotou-o ao ponto de ter de ser internado durante dez dias num hospital. Defendeu a causa da liberdade do povo húngaro em 1956 e da do checo em 1968. Foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1964, mas recusou a honra como forma de protesto contra os valores da sociedade burguesa. Uma organização terrorista contra a independência da Argélia colocou duas bombas no seu apartamento, uma em 1962 e outra no ano seguinte. Foi presidente do tribunal criado por Bertrand Russell para julgar a conduta militar norte-americana na Indochina em 1967. Apoiou vivamente os acontecimentos do 'Maio de 68'. Em 1970 foi detido pela polícia por vender propaganda maoista, na época proibida em França. Um surto de glaucoma foi prejudicando gradualmente a sua visão, a partir de 1975, até o ter cegado quase completamente no fim da sua vida, que ocorreu a 15 de Abril de 1980 em Paris, devido a problemas pulmonares.

Jean-Paul Sartre. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-06-21]

sábado, 14 de março de 2009

Karl Marx

No dia 14 de Março de 1883, morria em Berlim, Karl Marx.

Da Infopédia:

Filósofo alemão nascido em Trèves (Renânia) em 1818. Acerca dele se afirmou: «No século dezanove foi o pensador que teve, de longe, a influência mais directa, deliberada e poderosa sobre a Humanidade» (Isaiah Berlin). Sensível aos problemas sociais da época, foi influenciado pelas doutrinas do socialismo utópico de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen e pelas teorias da economia política de Adam Smith e David Ricardo, que tentou superar. O pensamento de Marx define-se essencialmente em oposição ao idealismo hegeliano, embora dele retome a concepção dinâmica da realidade e os princípios da dialéctica, reinterpretando-os à luz de uma concepção materialista. A crítica fundamental que faz a Hegel é a de que este apenas se apercebeu do desenvolvimento espiritual abstracto, quando a ideia não é mais que «a matéria, trasladada e transformada na cabeça do homem», provocando, simultaneamente, uma inflexão no agir filosófico, afastando-o do domínio puramente teorético para o inserir na esfera da intervenção prática - «até ao presente, os filósofos só se têm preocupado com a interpretação do mundo segundo várias ópticas. Todavia, o problema está em ser capaz de o transformar». Recusando a transposição hegeliana do facto empírico para o plano metafísico, defende que não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas o seu ser social que determina a consciência. É a partir dessa premissa que Marx constitui o sistema do materialismo histórico , segundo o qual os processos económicos estão na base de toda a evolução da humanidade, considerando todas as restantes manifestações socioculturais como meras superestruturas ideológicas , estritamente determinadas pelas relações de produção vigentes. A história das sociedades é encarada como um longo processo dialéctico em que as classes oprimidas, vítimas de relações de produção desiguais, se revoltam contra as classes dominantes, instaurando uma nova ordem económica. A luta de classes percorre, portanto, todo o devir da humanidade, desde a antiguidade (sociedade esclavagista em que se opõe ao homem livre o escravo), passando pela sociedade feudal (oposição entre suserano e servo), até à sociedade capitalista, na qual a revolução do proletariado , através da abolição da propriedade privada e da colectivização dos meios de produção , suprimirá todos os antagonismos, instaurando o comunismo e a sociedade sem classes . Marx debruçou-se em particular sobre a formação e a essência do capitalismo considerando que este se fundamenta numa apropriação indevida da mais-valia gerada pelo trabalho numa lógica de acumulação e concentração de riqueza que deixa completamente de lado a função social do trabalho e reduz o proletariado a um estado de alienação em que o trabalho deixa de ser um factor de realização pessoal. A religião, que classifica como «ópio do povo», associa-se a esse processo de alienação, prometendo aos proletários uma satisfação extramundana em troca da sua submissão à ordem estabelecida. Marx morreu em Berlim em 1883. O seu sistema, desenvolvido em grande parte em colaboração com Friedrich Engels (1820-1895) e imbuído de objectivos sociais reformistas e emancipadores, marcou decisivamente toda a filosofia política contemporânea.

Karl Marx. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-03-14]