
Como referi por várias vezes aqui no Outras Escritas, o tenor português
Paulo Ferreira debutou internacionalmente num concerto realizado em Colónia (Alemanha) no passado dia 2 de Julho ao lado de Anna Netrebko e Erwin Schrott.
Pedi ao cantor, de quem sou amigo no Facebook, que me dissesse como tinha sido a sua experiência neste concerto e o que sentiu ao cantar em dueto com Anna Netrebko, porventura o soprano mais famoso da actualidade. A resposta foi de tal forma interessante e emocionada, que resolvi pedir-lhe autorização para publicá-la.
Escreveu o Paulo:
Olá Alberto,
Desculpe so agora lhe estar a escrever mas francamente nem sei por onde começar.
Isto começa no dia do ensaio, mal eles, Netrebko e Schrott, chegam à Philharmonie para o ensaio, estava eu com o Maestro Claudio Vandelli.
Eles cumprimentaram-me efusivamente, como se ja me conhecessem ha anos; o certo é que já sabiam tudo de mim ( carreira, curriculum, onde cantava, o que cantava, de onde era...) fiquei atónito, pois todo este conhecimento da minha pessoa tiveram quando eu fui o escolhido para cantar com ela, mas foram logo maravilhosos comigo.
Seguimos para o ensaio com Piano e Maestro. Ela vira-se para mim, que estava com certeza com cara de nervoso e disse-me " vai correr tudo bem, eu também estou muito nervosa porque me vou estrear neste papel da Leonora - vamo-nos estrear ao mesmo tempo! Isso é óptimo!" Disse ela toda bem disposta.
Depois da minha primeira intervenção, eles ficaram a olhar para mim com admiração e carinho. No fim a Anna deu-me um abraço e um beijo e disse-me "Bravo Paulo, you are my wonderful Tenor!"
E então sempre me chamava de Wonderful tenor.
Logo de seguida tivemos ensaio com Orquestra e ela perguntou-me o que achei, quando acabamos de cantar! Eu fiquei parvo com a pergunta dela, pois ela estava a ser tão normal e humilde comigo ao fazer aquela pergunta!
La falamos e ela remata" Pois eu também achei que foi bom e as nossas vozes soam mesmo muito bem juntas"!
No dia do concerto ela estava muito concentrada e durante as entradas e saídas de palco, onde eu estava com ela depois das suas actuações, ela entrava e saía do palco como todos nós entramos e saímos, felizes e nervosos, ansiosos e satisfeitos.
Uma cantora/ Um ser humano perfeitamente normal!
Foi uma experiencia única e que pelo que parece será para repetir em breve.
Dali tirei como conclusão que a minha estreia internacional não foi com a soprano mais mediatica e aclamada do mundo de momento, mas sim a minha estreia foi com uma cantora, sem sombra de duvida espectacular no que faz, mas que sente e reage como todos nós cantores reagimos nas mesmas situações!
Uma pessoa muito agradável, simpatica, humilde, muito bem disposta! Para mim foi uma honra e uma aprendizagem sem precedentes!
Um abraço enorme
Paulo