sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Steig Larsson - Os homens que odeiam as mulheres

Terminei de ler o primeiro volume da trilogia Millennum de Steig Larsson.

Viciante, é a palavra que mais bem descreve este livro. O mistério inerente a toda a história e os acontecimentos surpreendentes que constantemente acontecem, prendem-nos ao livro e tornam a tarefa de interromper a leitura, muito difícil.

Ler "Os homens que odeiam a mulheres" é quase como ler Agatha Christei ou Sir Asthur Conan Doyle transportando o Poirot, a Miss Marple ou o Sherlock Holmes para os tempo modernos.

Não vejo a hora de iniciar o segundo volume da trilogia. Até lá vou acalmar um pouco com o Mia Couto.

Faz anos hoje - Rosa Ramalho

No dia 14 de Agosto de 1888 nasceu Rosa Ramalho.

Da Infopédia:
Barrista portuguesa nascida em 1888, em Galegos, no concelho de Barcelos e falecida em 1977. Com apenas sete anos de idade, começou a reproduzir em barro os cestos de vime que via os ciganos fazer. Sempre revelou uma enorme criatividade e um forte poder de visualização. Tornou-se famosa pelos seus "figurões" e crucifixos.

Rosa Ramalho. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-14]

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Quatro trevos, quatro folhas

Hoje lembrei-me de deixar aqui no Outras Escritas, um trevo de quatro folhas para desejar boa sorte a todos os meus leitores...


Faz anos hoje - Alfred Hitchcock

No dia13 de Agosto de 1899 nasceu Alfred Hitchcock.

Da Infopédia:

Realizador inglês, nasceu a 13 de Agosto de 1899 em Londres, e morreu a 29 de abril de 1980, na Califórnia. O fulcro da sua obra residirá talvez na sábia exploração do suspense humoristicamente macabro do quotidiano através daquilo a que alguns críticos chamam uma «câmara ontológica», aquela que se autoproblematiza, simultaneamente investigando a complexidade das personagens sem coordenadas que procura captar: o homem inocente que deve perseguir o criminoso para se ilibar da acusação de um crime que não cometeu, a mulher culpada que cerca um herói masculino para o destruir ou acabar por ser salva por ele, e o assassino psicopata. É neste percurso que vamos deparando com a progressiva desorientação da personagem de James Stewart em Vertigo (A Mulher que Viveu Duas Vezes, 1958), depois com o estilhaçamento da personagem principal de Psycho (1960) e, finalmente, com a deglutição da humanidade no final de The Birds (Os Pássaros, 1963). Outros filmes emblemáticos deste realizador são Spellbound (A Casa Encantada, 1945), Notorious (Difamação, 1946), To Catch a Thief (Ladrão de Casaca, 1955) e North By Northwest (Intriga Internacional, 1959), estes três últimos com Cary Grant. Em 1999 comemorou-se o centenário do nascimento do realizador.

Alfred Hitchcock. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-13]

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Lawrence Brownlee (tenor)

Está a ter muito sucesso no Estados Unidos e começa a interpretar também em Itália.

Para quem, como eu, começa a ficar um pouco cansado do domínio do Floréz no reportório rossiniano, aqui fica um lufada de ar fresco com Brownlee.

Gosto do timbre e da técnica (faz-me lembrar a técnica insuperável do grande Blake).


Crónica de Férias (1992) - Vila Nova de Milfontes (V)

E como o que é bom acaba depressa, as fotos dos ultimos dias:


No parque de campismo

No parque de campismo

Com os amigos indianos


Com os amigos indianos


Em Lisboa (de novo)


END

Faz anos hoje - Miguel Torga

No dia 12 de Agosto de 1907 nasceu Miguel Torga

Da Infopédia:
Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha e autor de uma produção literária vasta e variada, nasceu em S. Martinho de Anta, Vila Real, a 12 de Agosto de 1907, e morreu em Coimbra, a 17 de Janeiro de 1995. Depois de ter trabalhado no Brasil, entre os 13 e os 18 anos (experiência que viria ser evocada na série de romances de inspiração autobiográfica Criação do Mundo), Adolfo Correia da Rocha regressou a Portugal, vindo a licenciar-se em Medicina. Durante os estudos universitários, em Coimbra, travou conhecimento com o grupo de escritores que viriam a fundar a Presença, chegando a publicar nas edições da revista o seu segundo volume de poesia, Rampa. Em 1930, depois de assinar, com Edmundo de Bettencourt e Branquinho da Fonseca, uma carta de dissensão enviada à direcção da publicação coimbrã, co-funda as efémeras revistas Sinal e Manifesto. Não obstante a passagem pelo grupo presencista, no momento da suas primícias literárias, Miguel Torga assumirá, ao longo dos cerca de cinquenta títulos que publicou - frequentemente em edições de autor e à margem de políticas editoriais - uma postura de independência relativamente a qualquer movimento literário. Os seus textos poéticos, numa primeira fase, abordaram temas bucólicos, a angústia da morte, a revolta, temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, e deixaram transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. Na poesia, depois de algumas colectâneas ainda imbuídas de certo dramatismo retórico editadas no início dos anos trinta, a publicação dos volumes onde ostenta já o pseudónimo Miguel Torga - segundo Pilar Vásquez Cuesta (cf. Revista de Ocidente, Agosto de 1968), esta invenção pseudonímica simboliza, pela analogia com a urze, a obrigação de constância, firmeza e beleza que o artista deve manter, por mais adversas que sejam as estruturas pessoais e históricas em que se move, ao mesmo tempo que "a escolha do nome Miguel responde ao propósito de acrescentar um novo elo lusitano a toda uma cadeia espanhola (Miguel de Molinos, Miguel de Cervantes, Miguel de Unamuno) de pensamento combativo e rebelde" - como Lamentação (1934), O Outro Livro de Job (1936), Libertação (1944), Odes (1946), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Penas do Purgatório (1954), Orfeu Rebelde (1958), Câmara Ardente (1962) ou Poemas Ibéricos (1965), firmam uma poesia que é "fundamentalmente a busca da fidelidade no Terrestre, a busca da aliança sem mácula do homem com o Terrestre; a busca da inteireza do homem no Terrestre" (ANDERSEN, Sophia de Mello Breyner, cit. in Boletim Cultural do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian, n.º 10, dedicado a Miguel Torga, Maio de 1988, p. 72). Ancorada no húmus natal, essa poesia dá também conta de uma "ambição de absoluto" que, para Torga, deve "permanecer como simples acicate, pura aspiração, porque o homem tem de realizar-se no relativo, a sua felicidade possível está no relativo, logo na contradição, na luta, numa esperança desesperada", não renegando "essa condição dramática de homem, besta e espírito, egoísmo e entrega generosa" (COELHO, Jacinto do Prado, cit. ibi., p. 72). Na prosa, obras como Bichos, Contos da Montanha e Novos Contos da Montanha marcaram, até aos nossos dias, sucessivas gerações de leitores que aí se deslumbraram com uma fusão entre o homem, o mundo animal e o mundo natural, vazada numa prosa "a um tempo sortílega e enxuta, despegada do efémero, agarrada ao concreto" (cf. MOURÃO-FERREIRA, David - "Miguel Torga e a Respiração do Mundo, ibi., p. 8). No domínio narrativo, a sua bibliografia contém ainda os seis volumes da ficção de inspiração autobiográfica Criação do Mundo e os dezasseis volumes do Diário, onde compaginam textos de vários géneros, desde os poemas e da reflexão cultural e ideológica, ao testemunho subjectivo de acontecimentos históricos, a notas tomadas nas inúmeras digressões pelo país. A sua bibliografia conta ainda com algumas páginas de intervenção cívica ou de ensaísmo como Fogo Preso ou Traço de União, bem como quatro títulos de teatro. Prevalecendo em qualquer dos géneros que cultivou "uma obsessão metafísica da liberdade" (a expressão é de Jesús Herrero, em Miguel Torga, Poeta Ibérico (cit. Ibi., p. 73), atestada biograficamente, durante a longa ditadura salazarista, por uma rebeldia que lhe valeu a apreensão e interdição de várias obras, bem como a proibição de saída do país e o levantamento de obstáculos ao exercício da sua actividade profissional, para David Mourão-Ferreira (Saudação a Miguel Torga, cit. ibi, p. 75), "O que há [...] de absolutamente invulgar, porventura único, no caso de Miguel Torga é a circunstância de ele ser, cumulativamente, quer como poeta, quer como prosador, um indivíduo inconfundível, um telúrico padrão e um cívico expoente da própria Pátria, um artístico paradigma da língua em que se exprime, um predestinado legatário de valores culturais em permanente abalo sísmico, um atento receptor e um sensível transmissor dos inúmeros problemas - quantos deles talvez indissolúveis - do Homem de todos os quadrantes, ora considerado na moldura dos condicionalismos que o cerceiam, ora ainda mais frequentemente entendido sb specie aeternitatis". É nesta medida que Fernão de Magalhães Gonçalves (Ser e Ler Torga, cit. ibi., p. 76) considera o modo como a obra de Miguel Torga "é progressivamente estruturada por três discursos ou níveis de sentido que evoluem através de fenómenos de divergência e de convergência numa suscitação dialéctica que põe a nu o movimento das elementares componentes dramáticas da natureza humana: o apelo da transcendência (discurso teológico), o fascínio telúrico (discurso cósmico) e o imperativo da liberdade (discurso sociológico)". Naquele que ainda é um dos mais profundos estudos sobre Miguel Torga, Eduardo Lourenço refere-se, percorrendo os vários níveis da sua matéria poética (incidindo particularmente na relação com o presencismo, na problemática religiosa e no sentimento telúrico que a percorre), a um "desespero humanista" que, partindo da "espécie de indecisão e luta que nela se trava entre um conteúdo que devia fazer explodir a forma e todavia se consegue moldar nela", "É humanista por ser filho da intenção mil vezes expressa na obra de Miguel Torga de confinar a realidade humana unicamente no Homem e na sua aventura cósmica, embora a presença mesma desse desespero testemunhe que essa intenção não encontra no espírito total do poeta uma estrada luminosa e larga. Como a todos os lugares reais ou ideais em que o homem busca a salvação, conduz a este humanismo [...] a porta estreita de uma agonia pessoal" (LOURENÇO, Eduardo - "O Desespero Humanista em Miguel Torga", in Tempo e Poesia, Porto, editorial Inova, 1974, p. 123). Proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978), a sua obra e a sua personalidade constituíram um referente cultural a nível nacional e internacional, tendo recebido, em vida, os Prémios Montaigne (1981), Camões (1989), Vida Literária (da Associação Portuguesa de Escritores, em 1992), o Prémio de Literatura Écureuil (do Salão do Livro de Bordéus, em 1991) e o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, em 1994. Bibliografia: Ansiedade, Coimbra, 1928; Rampa, poemas, Coimbra, 1930; Tributo, poemas, Coimbra, 1931; A Terceira Voz, s/l, 1934; Lamentação, poema, s/l, 1941; Libertação, poemas, Coimbra, 1944; Odes, Coimbra, 1946; Nihil Sibi, poesia, Coimbra, 1948; Cântico do Homem, Coimbra, 1950; O Outro Livro de Job, s/l, 1936; Alguns Poemas Ibéricos, s/l, 1952; Penas do Purgatório, poemas, Coimbra, 1954; Orfeu Rebelde, Coimbra, 1958; Câmara Ardente, poemas, Coimbra, 1962; Poemas Ibéricos, Coimbra, 1965; Portugal, Coimbra, 1950; Traço de União: Temas Portugueses e Brasileiros, Coimbra, 1955; Fogo Preso, Coimbra, 1976; Diário, Coimbra, 1941-1990 (15 vols.); Pão Ázimo, contos, s/l, 1931; Bichos, Coimbra, 1940; Pedras Lavradas, contos, Coimbra, 1951; Vindima, Coimbra, 1945; A Criação do Mundo, 6 vols., s/l (1937; 1938; 1939; 1974; 1981); Montanha, contos, s/l, 1941; Rua, novelas e contos, s/l, 1942; O Senhor Ventura, Coimbra, 1943; Terra Firme, s/l, 1941; Mar, s/l, 1941; Sinfonia, poema dramático em quatro actos, Coimbra, 1947; O Paraíso, farsa, Coimbra, 1949

Miguel Torga. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-12]

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um divertimento de Donizetti

Para que provar que Donizetti também pode ser muito divertido (para além das conhecidíssimas óperas La Fille du Regiment e L'elisir d'Amore) aqui fica um resumo da ópera (esquecida) "Le conveniense ed incovenienze".

Como poderão notar, esta é uma ópera muito "a lá Rossini". Nesta récita é mesmo usada uma ária de Rossini para demonstrar os dotes vocais da cantora.

Sempre achei interessante as abordagens de Luciana Serra às ópera de Rossini e também a considero muito bem nesta ópera de Donizetti, apesar de já estar em fim de carreira. Para muitos a sua voz é demasiadamente metálica e artificial, mas penso que a sua agilidade e leveza ultrapassam o timbre menos agradável.

Divirtam-se...

Faz anos hoje - Enid Blyton

No dia 11 de Agosto de 1897 nasceu Enid Blyton.

Da Infopédia:

Escritora inglesa nascida a 11 de Agosto de 1897, em Londres, e falecida a 28 de Novembro de 1968, em Hampstead. Com apenas alguns meses de vida, a sua família deixou Londres e mudou-se para uma zona rural de Kent. Enid teve no seu pai uma forte influência, já que este se dedicava a diversas artes, como a pintura, a escrita e a fotografia. Em criança era uma grande apreciadora da leitura, embora isso desagradasse à mãe. Já com os pais separados, Enid foi estudar para um colégio privado, onde desenvolveu o seu gosto pela escrita. Aos 20 anos, publicou pela primeira vez um poema seu, intitulado Have You?, que apareceu na revista Nash's Magazine. Em 1922, Enyd Blyton publicou o primeiro dos seus livros, uma colectânea de poemas chamada Child Whispers. Entretanto, tornou-se professora e, a partir de 1929 e até 1945, teve uma página semanal numa revista de professores dedicada a crianças. Em 1938, editou o seu primeiro livro de aventuras com crianças por protagonistas: The Secret Island. Quatro anos mais tarde, em 1942, criou a série "The Famous Five" ("Os Cinco"), que tinha por protagonistas três irmãos (Julian, Dick e Anna) e uma prima, Georgina, uma maria-rapaz que gostava de ser tratada por George. O quinto elemento do grupo era um cão chamado Timmy. Em Portugal os heróis chamavam-se Júlio, David, Ana e a Zé e o cão Tim. Até 1963, à cadência de um por ano, Enid Blyton, escreveu 21 livros de "Os Cinco", que foram todos editados em Portugal. O primeiro chamava-se Five on a Treasure Island (Os Cinco na Ilha do Tesouro), mas houve outros como Five on Kirrin Island (Os Cinco Voltam à Ilha), Five Go to Smuggler's Top (Os Cinco e os Contrabandistas), Os Cinco e o Comboio Fantasma, Os Cinco na Casa do Mocho, Os Cinco no Lago Negro, Five on the Demon's Rock (Os Cinco na Torre do Farol) e Os Cinco e a Torre do Sábio. As histórias de "Os Cinco" deram origem a duas séries de televisão, uma em 1957 e outra em 1995. Em 1949 Enid Blyton publicou Noddy Goes to Toyland, criando uma personagem que ainda hoje em dia é muito apreciada pelas crianças, nomeadamente através de séries de televisão difundidas em todo o mundo, um filme, banda desenhada e jogos. Um ano mais tarde, lançou a série "Os Sete", também muito popular, mas não tanto quanto "Os Cinco". Morreu vítima da doença de Alzheimer, depois de ter escrito mais de 600 livros. As suas obras foram traduzidas para cerca de 70 línguas, tendo vendido mais de 60 milhões de exemplares em todo o mundo.

Enid Blyton. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-11]

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Leituras



Está verdadeiramente emocionante este "Os homens que odeiam as mulheres" do Stieg Larsson.

Muito boa noite aos meus leitores. Vou ler...

Faz anos hoje - Jorge Amado

No dia 10 de Agosto de 1912 nasceu Jorge Amado.

Da Infopédia:

Ficcionista brasileiro de renome internacional, Jorge Amado nasceu em 1912, em Pirangi, Baía, e faleceu a 6 de Agosto de 2001. Viveu uma adolescência agitada, primeiro, na Baía, no início dos seus estudos, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou a dedicar-se ao jornalismo. Estreou-se como romancista com O País do Carnaval (1931), Cacau (1933), Suor (1934), seguindo-se Terras do Sem Fim (1943) e S. Jorge dos Ilhéus (1944). A sua marcada oposição à situação política vivida no Brasil levou-o ao exílio por duas vezes, a primeira em 1941, tendo regressado em 1942, e a segunda em 1948, por um período de quatro anos. Durante o exílio, viajou para países como Argentina (Buenos Aires), onde escreveu O Cavaleiro da Esperança (1942), biografia de Carlos Prestes, França, União Soviética, China, Mongólia, entre outros países, tendo estado também no Médio Oriente. Em 1951 recebeu o Prémio Estaline, com a designação de «Prémio Internacional da Paz». Os problemas sociais orientam a sua obra, mas o seu talento de escritor afirma-se numa linguagem rica de elementos populares e folclóricos e de grande conteúdo humano. A sua obra tem toques de picaresco, sem perder a essência crítica e a poética. Além das já citadas, referimos, na sua vasta produção: Jubiabá (1935), Mar Morto (1936), Capitães da Areia (1937), Seara Vermelha (1946), Os Subterrâneos da Liberdade (1952). Mas é com Gabriela, Cravo e Canela (1958), Os Velhos Marinheiros (1961), Os Pastores da Noite (1964) e Dona Flor e os Seus Dois Maridos (1966) em que o romancista põe, de certa forma, de parte a faceta politizante inicial e se volta para temas como a infância, a música, o misticismo popular, a turbulência popular e a vagabundagem, numa linguagem de sabor poético, humorista, renovada com recursos da tradição clássica ligados aos processos da novela picaresca. O seu sentimento humano e o amor à terra natal inspiram textos onde é evidente a beleza da paisagem, a tradição cultural e popular, os problemas humanos e sociais - uma infância abandonada e culpada de delitos, o cais com as suas misérias, a vida difícil do negro da cidade, a seca, o cangaço, o trabalhador explorado da cidade e do campo, o "coronelismo" feudal latifundiário perpassam significativamente na obra deste romancista dos maiores do Brasil e dos mais conhecidos no mundo. Fecundo contador de histórias regionais, Jorge Amado definiu-se, um dia, «apenas no baiano romântico, contador de histórias». «Definição justa, pois resume o carácter do romancista voltado para exemplos de atitudes vitais: românticas e sensuais... a que, uma vez por outra, empresta matizes políticos...», como diz Alfredo Bosi em História Concisa da Literatura Brasileira. Foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1994.

Jorge Amado. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-10]

domingo, 9 de agosto de 2009

Blogue da Semana (XXVII) - Improvisos Ao Sul

Como o próprio nome indica, o Improvisos Ao Sul é um blogue cujo tema principal é o jazz. Ao sul porque o bloguísta vive em Beja..-

Programação de festivais, programas de rádio e televisão, lançamentos em CD e DVD são ingredientes que tornam este blogue essencial para os amantes de jazz.

Está desde início nos "links" do Outras Escritas.

Faz anos hoje - Jean Piaget

No dia 9 de Agosto de 1896 nasceu Jean Piaget.

Da Infopédia:

Psicólogo suíço, Jean Piaget nasceu a 9 de Agosto de 1896, em Neuchâtel, na Suíça. Revelou-se desde cedo um homem de interesses vastos colocando um empenho extraordinário em tudo aquilo que fazia. O seu gosto pela Zoologia leva-o a elaborar aos dez anos de idade a sua primeira publicação científica sobre um pardal albino. Aos quinze anos as suas publicações sobre moluscos ganharam também uma alta reputação entre os zoologistas europeus. Na Universidade de Neuchâtel estudou Zoologia e Filosofia, recebendo o seu doutoramento em 1918. Apaixona-se rapidamente pela Epistemologia, Teoria do Conhecimento e percebe que a Psicologia é uma via científica para elaborar a Epistemologia Genética. Piaget estudou sob a alçada de Carl Gustav Jung e Eugen Bleuler, ingressando posteriormente na Universidade de Sorbonne em Paris no ano de 1919 permanecendo lá durante dois anos. Neste período criou e administrou testes de leitura para crianças em idade escolar, mostrando-se sobretudo interessado no tipo de erros que as crianças davam, o que o levou posteriormente a explorar o processo racional destas crianças. Em 1921 começou a publicar as suas conclusões e nesse mesmo ano veio para a Suíça, onde foi convidado por Claparéde, director do Instituto Jean-Jacques Rousseau, para o posto de Chefe de Trabalhos dando aulas de Psicologia de 1921 a 1925. De 1926 a 1929 foi professor de filosofia na Universidade de Neuchâtel e em 1929 juntou-se à Faculdade de Genebra como professor de psicologia infantil, permanecendo nesta instituição até à sua morte. Em 1939 Piaget passou a membro do Conselho Executivo da UNESCO, e em 1955 estabeleceu o Centro Internacional de Epistemologia Genética em Genebra tornando-se seu director. Em mais de cinquenta livros e monografias ao longo da sua carreira, Piaget, continuou a desenvolver o tema que inicialmente descobriu em Paris "que a mente da criança evolui ao longo de uma série de estádios até atingir o estado adulto". Piaget vê a criança como estando a criar e recriar o seu próprio modelo de realidade, atingindo um crescimento mental por integração de simples conceitos em conceitos de nível mais elevado ao longo de cada estádio. Piaget reivindica uma epistemologia genética, uma base estabelecida por natureza para o desenvolvimento da habilidade da criança para pensar. Traçou quatro estádios nesse desenvolvimento: o estádio sensório-motor, o estádio pré-operatório, o estádio operatório concreto e o estádio operatório formal. No estádio sensório-motor a criança gere os seus próprios reflexos inatos e transforma-os em acções de prazer ou interesse. Neste período, numa primeira fase, a criança começa a tomar consciência de si como uma entidade física separada, apercebendo-se posteriormente que os objectos à sua volta têm uma existência separada e permanente. No segundo estádio, pré-operatório, a idade da criança encontra-se entre os 2 aos 6/7 anos. Neste momento a criança já deve ser capaz de manipular o seu ambiente simbólico através das suas representações ou pensamentos acerca do mundo externo. Durante este estádio a criança aprende a representar os objectos por palavras e a manipular as palavras mentalmente. Por volta dos 7 até aos 11/12 anos de idade a criança deve encontrar-se no estádio operatório concreto. Neste período ocorre o começo da lógica nos processos de pensamento da criança e o inicio da classificação dos objectos pelas suas similaridades e diferenças. É nesta altura que a criança começa a ter noção dos conceitos de tempo e de número. O último estádio operatório formal vai da idade dos 12 anos, e estende-se até ao estado adulto. É caracterizado por uma generalização do pensamento e por um apuro da lógica, permitindo um tipo de experimentação mental mais flexível. A criança aprende neste estádio a manipular ideias abstractas, a formular hipóteses e a avaliar as implicações do seu pensamento e do dos outros. Piaget elaborou, assim, uma teoria de desenvolvimento que funcionou como fio condutor para muitos dos que se interessaram pelo estudo do desenvolvimento da criança. Ao longo de toda a sua vida acumulou observações e reflexões criando verdadeiros quadros acerca da forma como as crianças vêm o mundo. Morreu a 17 de Setembro de 1980 na Suíça, na cidade de Genebra.

Jean Piaget. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-09]

sábado, 8 de agosto de 2009

Cinema

Criaram mais uma entropia para quem gosta de ir ao cinema só para ver um filme. Sim, porque cinema é filme, ou não será?

Adiante...

Temos cola, pipocas, telemóveis, gente que se atrasa e temos agora, nos cinemas Lusomundo, o MyZON Card. Este maravilhoso cartãozinho dá direito a dois bilhetes pelo preço de um. É uma óptima ideia para os clientes da ZON (como eu) e, ainda por cima, é transmissível de pais para filhos.

O pior são as filas que a utilização do cartão gera, porque, para além do MyZON Card, é necessário mostrar o bilhete de identidade e o operador de caixa tem que introduzir uma série de dados no terminal.

Estamos quase como nos aeroportos em que temos que chegar mais de uma hora antes do voo. Neste caso, para não perder o início do filme é bom ir para a fila de aquisição de bilhetes com bastante antecedência. É que na fila temos que esperar que se comprem as colas, as pipocas e os bilhetes com o MyZON Card...

P.S. - Consultei o sítio da ZON para colocar o "link" para o cartão e venho a descobrir que quem for sozinho ao cinema tem direito a um abibida pequena e pipocas pequenas.

Morreu o Raul Solnado

Acabei de saber que morreu Raul Solnado, um dos maiores vultos do teatro do nosso país. Deixo aqui a minha homenagem.

Da Infopédia:

Comediante e actor português de teatro, cinema, rádio e televisão, nascido a 19 de Outubro de 1929, no bairro da Madragoa, em Lisboa. Iniciou a sua carreira artística aos 17 anos como actor amador na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, onde foi colega de José Viana, de Varela Silva e de Jacinto Ramos. O gosto pelo teatro levou-o a inscrever-se, em 1951, num curso nocturno do Conservatório Nacional. A sua estreia como profissional foi feita a 10 de Dezembro de 1952 no Maxime integrando o elenco do espectáculo Sol da Meia-Noite escrito por José Viana. Numa noite em que Vasco Morgado estava na plateia do Maxime, o empresário convidou-o para trabalhar no Parque Mayer. A sua primeira revista foi Canta, Lisboa! (1953) onde trabalhou ao lado de Laura Alves. Nos primeiros anos, fez a aprendizagem ao lado das primeiras figuras da revista da época, onde se incluíam nomes como os de António Silva, Irene Isidro, Vasco Santana, Teresa Gomes, João Villaret, Assis Pacheco e Manuel Santos Carvalho. Solnado passou também pela opereta, na altura já um género em decadência, integrando o elenco de Maria da Fonte (1953) e de O Zé do Telhado (1955). A estreia cinematográfica de Solnado fez-se numa curta-metragem de Ricardo Malheiro: Ar, Água e Luz. Seguiu-se um pequeno papel de detective ao lado de Humberto Madeira em O Noivo das Caldas (1956) de Arthur Duarte. Em 1956, casou-se com a actriz brasileira Joselita Alvarenga, de quem se separaria em 1970. Deste casamento, nasceriam dois filhos, Alexandra e José Renato. Gradualmente tornou-se um dos actores mais promissores do panorama artístico nacional. Começou a protagonizar as suas primeiras revistas: Música, Mulheres e... (1957) e Três Rapazes e Uma Rapariga (1957). Depois de pequenos papéis em Perdeu-se um Marido (1957) de Henrique Campos e Sangue Toureiro (1958) de Augusto Fraga, fez o primeiro filme como protagonista: a comédia O Tarzan do Quinto Esquerdo (1958), também realizado por Augusto Fraga. Em 1958, deu os seus primeiros espectáculos no Brasil, país onde desfrutou de enorme popularidade e sucesso. De novo em Portugal, regressou ao Parque Mayer, desta vez ao Teatro ABC, para protagonizar a revista Vinho Novo (1959), ao lado de José Viana. Em 1961, enfrentou os seus primeiros problemas com a Censura: Solnado e Camilo de Oliveira são julgados por ofensas contra a Comissão de Exame e Classificação dos Espectáculos por terem representado falas que tinham sido abolidas pela censura. Em 1960, juntamente com Humberto Madeira e Carlos Coelho, tornou-se sócio da Companhia Teatral do Capitólio. Pelo seu desempenho secundário de sacristão no filme As Pupilas do Senhor Reitor (1961) de Perdigão Queiroga, foi agraciado com o Prémio SNI para Melhor Interpretação Masculina. Marcou presença num dos momentos mais emblemáticos do Cinema Novo português: foi o protagonista de Dom Roberto (1962) de José Ernesto de Sousa. Ao lado de Glicínia Quartin, Rui Mendes e Adelaide João, Solnado desempenhou João Barbelas, um pobre fantocheiro de rua que salva a sua amada do desespero, passando ambos a viver num mundo de esperança e de ilusões. O registo dramático de Solnado foi elogiado em todos os panoramas jornalísticos nacionais que glorificaram a versatilidade interpretativa do actor. Dom Roberto veio a ser o primeiro filme português a ser distinguido no Festival de Cannes com o Prémio da Jovem Crítica. Em 1961, Solnado atingiu o auge da sua popularidade com a rábula A História da Minha Ida à Guerra de 1908, representada pela primeira vez na revista Bate o Pé. A rábula seria mesmo transcrita para disco, tornando-se um fenómeno de vendas pouco usual para a época. Após uma discreta participação no filme O Milionário (1962), de Perdigão Queiroga, e depois de muitos sucessos revisteiros em Portugal e no Brasil, fundou, em 1964, o Teatro Villaret com uma Companhia própria. Aí protagonizaria sucessos de público como O Impostor-Geral (1965), Braço Direito Precisa-se (1966), Desculpe Se o Matei (1966), Pois, Pois (1967) e A Preguiça (1968). Juntamente com Fialho Gouveia e Carlos Cruz, entrou para a História da Televisão portuguesa, apresentando o programa Zip Zip (1969). Esta mistura de talk-show com números cómicos e musicais acabou por alcançar uma popularidade nunca antes vista, a ponto de o cancelamento do programa ter sido recebido com grandes manifestações de pesar e protesto. Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, filiou-se no Partido Socialista e optou por passar largas temporadas no Brasil, onde protagonizou o filme Aventuras de um Detective Português (1975). De volta ao seu país natal, encarnou as personagens principais das peças Isto é Que Me Dói (1978), Felizardo e Companhia (1978), Há Petróleo no Beato (1981) e SuperSilva (1983). Em palco, foi ainda actor convidado do Teatro Nacional D. Maria II (O Fidalgo Aprendiz, de Francisco Manuel de Melo, em 1988) e do Teatro Nacional de S. Carlos (O Morcego, de Strauss, em 1992), e teve também papéis de destaque em As Fúrias, de Agustina Bessa-Luís (1994), O Avarento, de Molière (1995), e O Magnífico Reitor, de Diogo Freitas do Amaral (2001). Relativamente ao cinema e depois do seu regresso a Portugal, voltou a esta arte pela mão de José Fonseca e Costa num impressionante registo dramático de Inspector Elias Santana em A Balada da Praia dos Cães (1987). Daí para a frente, para além das participações em palco já mencionadas, apostou sobretudo em trabalhos televisivos: ao lado de Armando Cortez e de Margarida Carpinteiro, protagonizou a sitcom Lá em Casa Tudo Bem (1988), participou nas telenovelas A Banqueira do Povo (1993) e Ajuste de Contas (2000) e no telefilme da SIC Facas e Anjos (2000) onde pôde realizar o velho sonho de vestir a pele de um palhaço. Em 1991, lançou a biografia A Vida Não Se Perdeu. Foi também sua a ideia de criar a Casa do Artista, concretizada depois por Armando Cortez, Manuela Maria e Carmen Dolores, e inaugurada oficialmente em Setembro de 1999.
Raul Solnado. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-08]

Faz anos hoje - Dustin Hoffman

No dia 8 de Agosto de 1937 nasceu Dustin Hoffman.

Da Infopédia:

Actor de cinema e de teatro norte-americano nascido a 8 de Agosto de 1937, em Los Angeles, de seu nome completo Dustin Lee Hoffman. É um actor dotado de uma carga emocional intensa e também de uma vulnerabilidade que atrai a simpatia das audiências. Desde a infância que perseguiu o sonho de se tornar actor, tendo ido em 1957 para Nova Iorque onde se matriculou na prestigiada Actors Studio. Os primeiros tempos foram difíceis: partilhou um pequeno apartamento com Gene Hackman e, para pagar o curso de interpretação, foi obrigado a trabalhar como porteiro. Em inícios da década de 60, conseguiu protagonizar algumas peças no circuito teatral off-Broadway e em alguns telefilmes. Estreou-se em cinema no obscuro The Tiger Makes Out (1966), mas o seu segundo filme tirou-o rapidamente do anonimato: The Graduate (A Primeira Noite, 1967) apresentava ao grande público um jovem e talentoso actor que se movimentava com uma inusitada naturalidade num exigente papel dum jovem dividido entre o amor pela namorada e a atracção sexual pela mãe dela. A sua interpretação valeu-lhe a nomeação para o Óscar de Melhor Actor, feito que repeteria dois anos depois por outro inesquecível desempenho: o de Ratso Rizzo, um marginal das ruas, minado pela tuberculose que estabelece uma estranha amizade com um gigolo inexperiente (Jon Voight) em Midnight Cowboy (O Cowboy da Meia Noite, 1969). Confirmou o seu percurso ascensional na década de 70: foi um branco criado por índios em Little Big Man (O Pequeno Grande Homem, 1970), um matemático pacifista que é obrigado a empunhar armas para defender a sua casa em Straw Dogs (Cães de Palha, 1971), um condenado em Papillon (1973) e recriou de forma magistral o controverso humorista Lenny Bruce em Lenny (1974), tendo sido contemplado com nova nomeação para Óscar. Os cinéfilos sabiam que era uma questão de tempo até Hoffman vencer um Óscar: após as enérgicas performances em All The President's Men (Os Homens do Presidente, 1976) e em The Marathon Man (O Homem da Maratona, 1976), venceu o Óscar pelo melodrama Kramer Versus Kramer (Kramer Contra Kramer, 1979). Nos anos 80, continuou na mó de cima: foi uma mulher em Tootsie (Quando Ele Era Ela, 1982) e venceu o seu segundo Óscar pela personificação dum autista em Rain Man (Encontro de Irmãos, 1988). Nos seus trabalhos seguintes, continuou a demonstrar a sua faceta de incansável perfeccionista. Foi um impagável Capitão Gancho em Hook (1991), um herói indigente em Hero (Herói Acidental, 1992), um jornalista sem escrúpulos em Mad City (Cidade Louca, 1997) e um pouco ortodoxo conselheiro presidencial em Wag the Dog (1997), num papel que lhe valeu uma nomeação para o Óscar para Melhor Actor Secundário. Após fracassos de bilheteira como Sphere (A Esfera, 1998), voltou aos êxitos, contracenando com o seu velho amigo Gene Hackman no thriller Runaway Jury (O Júri, 2003). Trabalhou de seguida com Johnny Depp e Kate Winslet no premiado Finding Neverland (À Procura da Terra do Nunca, 2004) de Marc Forster; contracenou com Robert De Niro na comédia Meet The Fockers (Uns Compadres do Pior, 2004 ); com Andy Garcia no filme que este mesmo realizou, The Lost City (Havana - Cidade Perdida, 2005); e vestiu a pele do perfumista Giuseppe Baldini em Perfume: The Story of a Murderer (O Perfume - História de um Assassino, 2006), numa adaptação ao grande ecrã do livro O Perfume, da autoria de Patrick Süskind.

Dustin Hoffman. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-08]

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ewa Podleś

Falei ontem de uma récita em Barcelona da ópera Lucrezia Borgia da qual fez parte o contralto Ewa Podleś no papel de Orsini.

Aqui fica um excerto da interpretação da cantora. Um verdadeiro contralto, que aborda o registo grave de forma magnífica.


Faz anos hoje - Caetano Veloso

No dia 7 de Agosto de 1942 nasceu Caetano Veloso.

Da Infopédia:

Poeta, compositor e cantor brasileiro, irmão de Maria Bethânia, Caetano Emanuel Teles Viana Veloso nasceu em 1942, no estado da Baía. Desde pequeno, Caetano revelou pendores artísticos, demonstrando gosto por música, desenho e pintura. Na rádio, ouve os cantores da música brasileira em voga, como Luiz Gonzaga; na cidade, os sambas de roda e os pontos de macumba. Em 1952, faz uma gravação única, para desfrute familiar, cantando "Feitiço da Vila" (de Vadico e Noel Rosa) e "Mãezinha querida" (de Getúlio Macedo e Lourival Faissal), hit de Carlos Galhardo. Ao piano, quem o acompanha é a irmã Nicinha. Quatro anos mais tarde, fica uns tempos no Rio de Janeiro, onde frequenta o auditório da Rádio Nacional, palco de apresentações dos maiores ídolos musicais brasileiros de então. Em 1960, muda-se com a família para Salvador, onde prossegue os seus estudos. A partir daí, intensifica-se o seu interesse por música - graças à bossa nova, particularmente ao cantor e violonista baiano João Gilberto; por cinema - graças ao Cinema Novo, particularmente ao director Glauber Rocha, também baiano; e por teatro. Na universidade local, a programação de eventos proporcionou-lhe um ambiente modernizador e vanguardista. Enquanto absorvia essa atmosfera, Caetano escreveu críticas de cinema para o Diário de Notícias, cuja secção cultural é dirigida por Glauber Rocha. Ele aprende a tocar viola e canta com a irmã Maria Bethânia nos bares de Salvador. Na TV, aprecia quando, às vezes, aparece um cantor novo, chamado Gilberto Gil. É numa dessas aparições que a sua mãe, a senhora Canô, o chama: "Caetano, vem ver o preto que você gosta". Em 1963, Caetano Veloso entra na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Finalmente conhece Gilberto Gil, a quem é apresentado pelo produtor Roberto Santana, Gal Costa (ainda Maria da Graça, na época) e Tom Zé. O primeiro trabalho musical surge no seguimento desses contactos. Ainda neste ano, Caetano compôs a banda sonora da peça "O boca de ouro", de Nelson Rodrigues, do director baiano Álvaro Guimarães, que o convida também para compor a banda de "A excepção e a regra", de Bertolt Brecht. Estes trabalhos foram as primeiras expressões artísticas do cantor e tiveram um papel decisivo na sua decisão de se tornar cantor-compositor. No ano seguinte, em Junho, no programa televisivo "Nós, por exemplo", com Caetano, Gil, Bethânia, Gal e Tom Zé, entre outros, o cantor integra os eventos de inauguração do Teatro Vila Velha. Uma agradável mistura de canções e textos, o programa "Nós, por exemplo" acabará por influenciar a concepção de espetáculos semelhantes que virão a ser feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo pouco depois. O ano de 1965 estabelece um marco de particular importância para Caetano: em Salvador, conhece João Gilberto - para ele um dos artistas mais importantes do Brasil e uma das principais referências do seu trajecto artístico. Abandona a faculdade e acompanha sua irmã Bethânia, chamada ao Rio para substituir Nara Leão no espectáculo "Opinião". Gil, Gal e Tom Zé também se transferem para o Sul do Brasil. Em Maio, Caetano grava o seu primeiro single, com dois temas, "Cavaleiro" e "Samba em paz", ambos de sua autoria, pela RCA. A sua irmã, Maria Bethânia, lança "É de manhã", um original de Caetano. Ainda nesse ano, a colaboração de Caetano com Gil, Gal, Bethânia e Tom Zé continuou no espetáculo "Arena canta Bahia". Em 1966, concorre, como compositor, ao Festival Nacional da Música Popular, em São Paulo, com o tema "Boa palavra", interpretado por Maria Odette. A canção consegue o quinto lugar. Ainda neste ano, recebe o prêmio de melhor letra no 2.º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção original "Um dia". Em Julho de 1967, assina com a Philips e lança o LP de estreia, Domingo, dividido com Gal Costa; do repertório, constam "Coração vagabundo" e "Avarandado", entre outras. O disco mostra uma filiação do artista ao estilo da bossa-nova; no texto na contracapa, um aviso: "Minha inspiração agora está tendendo para caminhos muito diferentes dos que segui até aqui". O movimento tropicalismo estava já em marcha, revolucionando as estéticas artísticas e culturais da sociedade brasileira. No ano seguinte, edita o seu primeiro LP individual, de título homónimo. Deste disco destacam-se alguns grandes sucessos como "Alegria, alegria", "Tropicália", "Soy loco por ti, América" (de Gil e Capinan), "No dia que eu vim-me embora" e "Superbacana". A carreira de Caetano estava definitivamente lançada no trilho do sucesso. Todavia, ainda neste ano, em plena ditadura no Brasil, Caetano é preso, na companhia de Gilberto Gil, por alegado desrespeito ao hino e à bandeira brasileira. Ambos são libertados poucos meses depois. A carreira de Caetano é prosseguida com variadas gravações e participações especiais das quais se destacam Caetano Veloso (1969), Araçá Azul (1973), Muitos Carnavais (1977), Bethânia e Caetano (1978), Outras Palavras (1981), Totalmente Demais (1986), Caetanando (1987),Livro (1997). Publicou os livros Alegria, Alegria (1977) e Verdade Tropical (1997), narrando neste último alguns acontecimentos da sua vida. Contracenou em vários filmes e realizou, em 1986, O Cinema Falado. É considerado um autor original e decisivo na moderna evolução da música brasileira, principalmente ao nível da criação literária. No ano 2000 ganhou o prémio grammy para o melhor disco na categoria de world music, com o seu álbum Livro. Posteriormente, edita, entre outros, o disco Noites do Norte (2001), um álbum que regista um som simples e grandioso, reeditado ao vivo no mesmo ano, o disco Eu Não Peço Desculpa (2002), com Jorge Mauttner, o livro Letra Só (2003), a colectânea de êxitos Antologia (2003) e o álbum (2006), que revela uma fase musical mais rebelde e provocadora.. Da sua carreira constam também as participações na banda sonora dos filmes Habla Con Ella, de Pedro Almodóvar, onde o cantor aparece cantando "Cucurucucu Paloma", e Frida, filme galardoado com o Óscar de Melhor Banda Sonora, com a interpretação do tema "Burn it Blue", por Caetano e Lila Downs.

Caetano Veloso. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-07]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Do fundo do baú

Às vezes quando remexemos no fundo do baú encontramos estas coisas...

Edita Gruberovà - Lucrezia Borgia

Assisti à estreia do soprano Edita Gruberovà no papel de Lucrezia Borgia, ópera homónima de Gaetano Donizetti, em Fevereiro de 2008 no Teatro del Liceu de Barcelona.

Já referi aqui no Outras Escritas que esta foi uma das melhores experiências que tive no que à ópera diz respeito. Aliás, Gruberovà em Barcelona fez-se acompanhar por Ewa Podlès, Josep Bros e Ildebranco D'Arcangelo (que me desiludiu um pouco), ou seja, um elenco de luxo.


Recentemente Gruberovà apresentou-se numa série de récitas de Lucrezia Borgia na ópera de Munique (Bayerischen Staatsoper). Encontrei no youtube um vídeo com a sua interpretação da ária final da ópera, "Era desso il figlio mio" e parece-me interessante comparar a Gruberovà de Barcelona com a Gruberovà de Munique.





A diferença mais notória entre as duas abordagens, reside no facto de em Barcelona a ópera ter sido apresentada em versão de concerto e em Munique ter sido encenada. Para os cantores uma ópera encenada representa sempre um desafio maior. Além da voz, têm que se preocupar com movimentos em cena, com o guarda-roupa e com a carga dramática subjacente ao "libretto".



Nos dois vídeos as diferenças entre versão concerto e versão encenada estão bem patentes. Em Barcelona, Gruberovà aborda a aria com menos dramatismo, preocupando-se essencialmente com a linha melódica e com beleza vocal. Em Munique, o aspecto dramático domina física e vocalmente.

Poderão as vozes mais críticas dizer que o registo grave deste soprano não se adapta à interpretação desta ária ou desta ópera, mas, os sons produzidos para compensar a falta de volume no registo grave (em Munique) acrescentam dramatismo.

Em jeito de conclusão, direi que, vocalmente prefiro a versão de Barcelona e dramaticamente a de Munique.

O mi bemol final é, nitidamente melhor em Barcelona.