sábado, 8 de agosto de 2009

Morreu o Raul Solnado

Acabei de saber que morreu Raul Solnado, um dos maiores vultos do teatro do nosso país. Deixo aqui a minha homenagem.

Da Infopédia:

Comediante e actor português de teatro, cinema, rádio e televisão, nascido a 19 de Outubro de 1929, no bairro da Madragoa, em Lisboa. Iniciou a sua carreira artística aos 17 anos como actor amador na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, onde foi colega de José Viana, de Varela Silva e de Jacinto Ramos. O gosto pelo teatro levou-o a inscrever-se, em 1951, num curso nocturno do Conservatório Nacional. A sua estreia como profissional foi feita a 10 de Dezembro de 1952 no Maxime integrando o elenco do espectáculo Sol da Meia-Noite escrito por José Viana. Numa noite em que Vasco Morgado estava na plateia do Maxime, o empresário convidou-o para trabalhar no Parque Mayer. A sua primeira revista foi Canta, Lisboa! (1953) onde trabalhou ao lado de Laura Alves. Nos primeiros anos, fez a aprendizagem ao lado das primeiras figuras da revista da época, onde se incluíam nomes como os de António Silva, Irene Isidro, Vasco Santana, Teresa Gomes, João Villaret, Assis Pacheco e Manuel Santos Carvalho. Solnado passou também pela opereta, na altura já um género em decadência, integrando o elenco de Maria da Fonte (1953) e de O Zé do Telhado (1955). A estreia cinematográfica de Solnado fez-se numa curta-metragem de Ricardo Malheiro: Ar, Água e Luz. Seguiu-se um pequeno papel de detective ao lado de Humberto Madeira em O Noivo das Caldas (1956) de Arthur Duarte. Em 1956, casou-se com a actriz brasileira Joselita Alvarenga, de quem se separaria em 1970. Deste casamento, nasceriam dois filhos, Alexandra e José Renato. Gradualmente tornou-se um dos actores mais promissores do panorama artístico nacional. Começou a protagonizar as suas primeiras revistas: Música, Mulheres e... (1957) e Três Rapazes e Uma Rapariga (1957). Depois de pequenos papéis em Perdeu-se um Marido (1957) de Henrique Campos e Sangue Toureiro (1958) de Augusto Fraga, fez o primeiro filme como protagonista: a comédia O Tarzan do Quinto Esquerdo (1958), também realizado por Augusto Fraga. Em 1958, deu os seus primeiros espectáculos no Brasil, país onde desfrutou de enorme popularidade e sucesso. De novo em Portugal, regressou ao Parque Mayer, desta vez ao Teatro ABC, para protagonizar a revista Vinho Novo (1959), ao lado de José Viana. Em 1961, enfrentou os seus primeiros problemas com a Censura: Solnado e Camilo de Oliveira são julgados por ofensas contra a Comissão de Exame e Classificação dos Espectáculos por terem representado falas que tinham sido abolidas pela censura. Em 1960, juntamente com Humberto Madeira e Carlos Coelho, tornou-se sócio da Companhia Teatral do Capitólio. Pelo seu desempenho secundário de sacristão no filme As Pupilas do Senhor Reitor (1961) de Perdigão Queiroga, foi agraciado com o Prémio SNI para Melhor Interpretação Masculina. Marcou presença num dos momentos mais emblemáticos do Cinema Novo português: foi o protagonista de Dom Roberto (1962) de José Ernesto de Sousa. Ao lado de Glicínia Quartin, Rui Mendes e Adelaide João, Solnado desempenhou João Barbelas, um pobre fantocheiro de rua que salva a sua amada do desespero, passando ambos a viver num mundo de esperança e de ilusões. O registo dramático de Solnado foi elogiado em todos os panoramas jornalísticos nacionais que glorificaram a versatilidade interpretativa do actor. Dom Roberto veio a ser o primeiro filme português a ser distinguido no Festival de Cannes com o Prémio da Jovem Crítica. Em 1961, Solnado atingiu o auge da sua popularidade com a rábula A História da Minha Ida à Guerra de 1908, representada pela primeira vez na revista Bate o Pé. A rábula seria mesmo transcrita para disco, tornando-se um fenómeno de vendas pouco usual para a época. Após uma discreta participação no filme O Milionário (1962), de Perdigão Queiroga, e depois de muitos sucessos revisteiros em Portugal e no Brasil, fundou, em 1964, o Teatro Villaret com uma Companhia própria. Aí protagonizaria sucessos de público como O Impostor-Geral (1965), Braço Direito Precisa-se (1966), Desculpe Se o Matei (1966), Pois, Pois (1967) e A Preguiça (1968). Juntamente com Fialho Gouveia e Carlos Cruz, entrou para a História da Televisão portuguesa, apresentando o programa Zip Zip (1969). Esta mistura de talk-show com números cómicos e musicais acabou por alcançar uma popularidade nunca antes vista, a ponto de o cancelamento do programa ter sido recebido com grandes manifestações de pesar e protesto. Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, filiou-se no Partido Socialista e optou por passar largas temporadas no Brasil, onde protagonizou o filme Aventuras de um Detective Português (1975). De volta ao seu país natal, encarnou as personagens principais das peças Isto é Que Me Dói (1978), Felizardo e Companhia (1978), Há Petróleo no Beato (1981) e SuperSilva (1983). Em palco, foi ainda actor convidado do Teatro Nacional D. Maria II (O Fidalgo Aprendiz, de Francisco Manuel de Melo, em 1988) e do Teatro Nacional de S. Carlos (O Morcego, de Strauss, em 1992), e teve também papéis de destaque em As Fúrias, de Agustina Bessa-Luís (1994), O Avarento, de Molière (1995), e O Magnífico Reitor, de Diogo Freitas do Amaral (2001). Relativamente ao cinema e depois do seu regresso a Portugal, voltou a esta arte pela mão de José Fonseca e Costa num impressionante registo dramático de Inspector Elias Santana em A Balada da Praia dos Cães (1987). Daí para a frente, para além das participações em palco já mencionadas, apostou sobretudo em trabalhos televisivos: ao lado de Armando Cortez e de Margarida Carpinteiro, protagonizou a sitcom Lá em Casa Tudo Bem (1988), participou nas telenovelas A Banqueira do Povo (1993) e Ajuste de Contas (2000) e no telefilme da SIC Facas e Anjos (2000) onde pôde realizar o velho sonho de vestir a pele de um palhaço. Em 1991, lançou a biografia A Vida Não Se Perdeu. Foi também sua a ideia de criar a Casa do Artista, concretizada depois por Armando Cortez, Manuela Maria e Carmen Dolores, e inaugurada oficialmente em Setembro de 1999.
Raul Solnado. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-08]

Faz anos hoje - Dustin Hoffman

No dia 8 de Agosto de 1937 nasceu Dustin Hoffman.

Da Infopédia:

Actor de cinema e de teatro norte-americano nascido a 8 de Agosto de 1937, em Los Angeles, de seu nome completo Dustin Lee Hoffman. É um actor dotado de uma carga emocional intensa e também de uma vulnerabilidade que atrai a simpatia das audiências. Desde a infância que perseguiu o sonho de se tornar actor, tendo ido em 1957 para Nova Iorque onde se matriculou na prestigiada Actors Studio. Os primeiros tempos foram difíceis: partilhou um pequeno apartamento com Gene Hackman e, para pagar o curso de interpretação, foi obrigado a trabalhar como porteiro. Em inícios da década de 60, conseguiu protagonizar algumas peças no circuito teatral off-Broadway e em alguns telefilmes. Estreou-se em cinema no obscuro The Tiger Makes Out (1966), mas o seu segundo filme tirou-o rapidamente do anonimato: The Graduate (A Primeira Noite, 1967) apresentava ao grande público um jovem e talentoso actor que se movimentava com uma inusitada naturalidade num exigente papel dum jovem dividido entre o amor pela namorada e a atracção sexual pela mãe dela. A sua interpretação valeu-lhe a nomeação para o Óscar de Melhor Actor, feito que repeteria dois anos depois por outro inesquecível desempenho: o de Ratso Rizzo, um marginal das ruas, minado pela tuberculose que estabelece uma estranha amizade com um gigolo inexperiente (Jon Voight) em Midnight Cowboy (O Cowboy da Meia Noite, 1969). Confirmou o seu percurso ascensional na década de 70: foi um branco criado por índios em Little Big Man (O Pequeno Grande Homem, 1970), um matemático pacifista que é obrigado a empunhar armas para defender a sua casa em Straw Dogs (Cães de Palha, 1971), um condenado em Papillon (1973) e recriou de forma magistral o controverso humorista Lenny Bruce em Lenny (1974), tendo sido contemplado com nova nomeação para Óscar. Os cinéfilos sabiam que era uma questão de tempo até Hoffman vencer um Óscar: após as enérgicas performances em All The President's Men (Os Homens do Presidente, 1976) e em The Marathon Man (O Homem da Maratona, 1976), venceu o Óscar pelo melodrama Kramer Versus Kramer (Kramer Contra Kramer, 1979). Nos anos 80, continuou na mó de cima: foi uma mulher em Tootsie (Quando Ele Era Ela, 1982) e venceu o seu segundo Óscar pela personificação dum autista em Rain Man (Encontro de Irmãos, 1988). Nos seus trabalhos seguintes, continuou a demonstrar a sua faceta de incansável perfeccionista. Foi um impagável Capitão Gancho em Hook (1991), um herói indigente em Hero (Herói Acidental, 1992), um jornalista sem escrúpulos em Mad City (Cidade Louca, 1997) e um pouco ortodoxo conselheiro presidencial em Wag the Dog (1997), num papel que lhe valeu uma nomeação para o Óscar para Melhor Actor Secundário. Após fracassos de bilheteira como Sphere (A Esfera, 1998), voltou aos êxitos, contracenando com o seu velho amigo Gene Hackman no thriller Runaway Jury (O Júri, 2003). Trabalhou de seguida com Johnny Depp e Kate Winslet no premiado Finding Neverland (À Procura da Terra do Nunca, 2004) de Marc Forster; contracenou com Robert De Niro na comédia Meet The Fockers (Uns Compadres do Pior, 2004 ); com Andy Garcia no filme que este mesmo realizou, The Lost City (Havana - Cidade Perdida, 2005); e vestiu a pele do perfumista Giuseppe Baldini em Perfume: The Story of a Murderer (O Perfume - História de um Assassino, 2006), numa adaptação ao grande ecrã do livro O Perfume, da autoria de Patrick Süskind.

Dustin Hoffman. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-08]

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ewa Podleś

Falei ontem de uma récita em Barcelona da ópera Lucrezia Borgia da qual fez parte o contralto Ewa Podleś no papel de Orsini.

Aqui fica um excerto da interpretação da cantora. Um verdadeiro contralto, que aborda o registo grave de forma magnífica.


Faz anos hoje - Caetano Veloso

No dia 7 de Agosto de 1942 nasceu Caetano Veloso.

Da Infopédia:

Poeta, compositor e cantor brasileiro, irmão de Maria Bethânia, Caetano Emanuel Teles Viana Veloso nasceu em 1942, no estado da Baía. Desde pequeno, Caetano revelou pendores artísticos, demonstrando gosto por música, desenho e pintura. Na rádio, ouve os cantores da música brasileira em voga, como Luiz Gonzaga; na cidade, os sambas de roda e os pontos de macumba. Em 1952, faz uma gravação única, para desfrute familiar, cantando "Feitiço da Vila" (de Vadico e Noel Rosa) e "Mãezinha querida" (de Getúlio Macedo e Lourival Faissal), hit de Carlos Galhardo. Ao piano, quem o acompanha é a irmã Nicinha. Quatro anos mais tarde, fica uns tempos no Rio de Janeiro, onde frequenta o auditório da Rádio Nacional, palco de apresentações dos maiores ídolos musicais brasileiros de então. Em 1960, muda-se com a família para Salvador, onde prossegue os seus estudos. A partir daí, intensifica-se o seu interesse por música - graças à bossa nova, particularmente ao cantor e violonista baiano João Gilberto; por cinema - graças ao Cinema Novo, particularmente ao director Glauber Rocha, também baiano; e por teatro. Na universidade local, a programação de eventos proporcionou-lhe um ambiente modernizador e vanguardista. Enquanto absorvia essa atmosfera, Caetano escreveu críticas de cinema para o Diário de Notícias, cuja secção cultural é dirigida por Glauber Rocha. Ele aprende a tocar viola e canta com a irmã Maria Bethânia nos bares de Salvador. Na TV, aprecia quando, às vezes, aparece um cantor novo, chamado Gilberto Gil. É numa dessas aparições que a sua mãe, a senhora Canô, o chama: "Caetano, vem ver o preto que você gosta". Em 1963, Caetano Veloso entra na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Finalmente conhece Gilberto Gil, a quem é apresentado pelo produtor Roberto Santana, Gal Costa (ainda Maria da Graça, na época) e Tom Zé. O primeiro trabalho musical surge no seguimento desses contactos. Ainda neste ano, Caetano compôs a banda sonora da peça "O boca de ouro", de Nelson Rodrigues, do director baiano Álvaro Guimarães, que o convida também para compor a banda de "A excepção e a regra", de Bertolt Brecht. Estes trabalhos foram as primeiras expressões artísticas do cantor e tiveram um papel decisivo na sua decisão de se tornar cantor-compositor. No ano seguinte, em Junho, no programa televisivo "Nós, por exemplo", com Caetano, Gil, Bethânia, Gal e Tom Zé, entre outros, o cantor integra os eventos de inauguração do Teatro Vila Velha. Uma agradável mistura de canções e textos, o programa "Nós, por exemplo" acabará por influenciar a concepção de espetáculos semelhantes que virão a ser feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo pouco depois. O ano de 1965 estabelece um marco de particular importância para Caetano: em Salvador, conhece João Gilberto - para ele um dos artistas mais importantes do Brasil e uma das principais referências do seu trajecto artístico. Abandona a faculdade e acompanha sua irmã Bethânia, chamada ao Rio para substituir Nara Leão no espectáculo "Opinião". Gil, Gal e Tom Zé também se transferem para o Sul do Brasil. Em Maio, Caetano grava o seu primeiro single, com dois temas, "Cavaleiro" e "Samba em paz", ambos de sua autoria, pela RCA. A sua irmã, Maria Bethânia, lança "É de manhã", um original de Caetano. Ainda nesse ano, a colaboração de Caetano com Gil, Gal, Bethânia e Tom Zé continuou no espetáculo "Arena canta Bahia". Em 1966, concorre, como compositor, ao Festival Nacional da Música Popular, em São Paulo, com o tema "Boa palavra", interpretado por Maria Odette. A canção consegue o quinto lugar. Ainda neste ano, recebe o prêmio de melhor letra no 2.º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção original "Um dia". Em Julho de 1967, assina com a Philips e lança o LP de estreia, Domingo, dividido com Gal Costa; do repertório, constam "Coração vagabundo" e "Avarandado", entre outras. O disco mostra uma filiação do artista ao estilo da bossa-nova; no texto na contracapa, um aviso: "Minha inspiração agora está tendendo para caminhos muito diferentes dos que segui até aqui". O movimento tropicalismo estava já em marcha, revolucionando as estéticas artísticas e culturais da sociedade brasileira. No ano seguinte, edita o seu primeiro LP individual, de título homónimo. Deste disco destacam-se alguns grandes sucessos como "Alegria, alegria", "Tropicália", "Soy loco por ti, América" (de Gil e Capinan), "No dia que eu vim-me embora" e "Superbacana". A carreira de Caetano estava definitivamente lançada no trilho do sucesso. Todavia, ainda neste ano, em plena ditadura no Brasil, Caetano é preso, na companhia de Gilberto Gil, por alegado desrespeito ao hino e à bandeira brasileira. Ambos são libertados poucos meses depois. A carreira de Caetano é prosseguida com variadas gravações e participações especiais das quais se destacam Caetano Veloso (1969), Araçá Azul (1973), Muitos Carnavais (1977), Bethânia e Caetano (1978), Outras Palavras (1981), Totalmente Demais (1986), Caetanando (1987),Livro (1997). Publicou os livros Alegria, Alegria (1977) e Verdade Tropical (1997), narrando neste último alguns acontecimentos da sua vida. Contracenou em vários filmes e realizou, em 1986, O Cinema Falado. É considerado um autor original e decisivo na moderna evolução da música brasileira, principalmente ao nível da criação literária. No ano 2000 ganhou o prémio grammy para o melhor disco na categoria de world music, com o seu álbum Livro. Posteriormente, edita, entre outros, o disco Noites do Norte (2001), um álbum que regista um som simples e grandioso, reeditado ao vivo no mesmo ano, o disco Eu Não Peço Desculpa (2002), com Jorge Mauttner, o livro Letra Só (2003), a colectânea de êxitos Antologia (2003) e o álbum (2006), que revela uma fase musical mais rebelde e provocadora.. Da sua carreira constam também as participações na banda sonora dos filmes Habla Con Ella, de Pedro Almodóvar, onde o cantor aparece cantando "Cucurucucu Paloma", e Frida, filme galardoado com o Óscar de Melhor Banda Sonora, com a interpretação do tema "Burn it Blue", por Caetano e Lila Downs.

Caetano Veloso. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-07]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Do fundo do baú

Às vezes quando remexemos no fundo do baú encontramos estas coisas...

Edita Gruberovà - Lucrezia Borgia

Assisti à estreia do soprano Edita Gruberovà no papel de Lucrezia Borgia, ópera homónima de Gaetano Donizetti, em Fevereiro de 2008 no Teatro del Liceu de Barcelona.

Já referi aqui no Outras Escritas que esta foi uma das melhores experiências que tive no que à ópera diz respeito. Aliás, Gruberovà em Barcelona fez-se acompanhar por Ewa Podlès, Josep Bros e Ildebranco D'Arcangelo (que me desiludiu um pouco), ou seja, um elenco de luxo.


Recentemente Gruberovà apresentou-se numa série de récitas de Lucrezia Borgia na ópera de Munique (Bayerischen Staatsoper). Encontrei no youtube um vídeo com a sua interpretação da ária final da ópera, "Era desso il figlio mio" e parece-me interessante comparar a Gruberovà de Barcelona com a Gruberovà de Munique.





A diferença mais notória entre as duas abordagens, reside no facto de em Barcelona a ópera ter sido apresentada em versão de concerto e em Munique ter sido encenada. Para os cantores uma ópera encenada representa sempre um desafio maior. Além da voz, têm que se preocupar com movimentos em cena, com o guarda-roupa e com a carga dramática subjacente ao "libretto".



Nos dois vídeos as diferenças entre versão concerto e versão encenada estão bem patentes. Em Barcelona, Gruberovà aborda a aria com menos dramatismo, preocupando-se essencialmente com a linha melódica e com beleza vocal. Em Munique, o aspecto dramático domina física e vocalmente.

Poderão as vozes mais críticas dizer que o registo grave deste soprano não se adapta à interpretação desta ária ou desta ópera, mas, os sons produzidos para compensar a falta de volume no registo grave (em Munique) acrescentam dramatismo.

Em jeito de conclusão, direi que, vocalmente prefiro a versão de Barcelona e dramaticamente a de Munique.

O mi bemol final é, nitidamente melhor em Barcelona.

Crónica de Férias (1992) - Vila Nova de Milfontes (IV)

Nestes dias fomos cinco. O Jonas apareceu de surpresa e esteve connosco durante este tempo. O tempo nesta altura dava para muito e muito fizemos, para além de uns banhos de praia ao final do dia: Porto Covo, Odemira, Sines, Cabo Sardão...

O acordar


As tarde de Suecada no bar do parque


O passeio a Porto Covo

Odemira

Cabo Sardão


Sines

Faz anos hoje - Alexander Fleming

No dia 6 de Agosto de 1881 nasceu Alexander Fleming.

Da Infopédia:
Bacteriologista escocês nascido em 1881, em Lochfield, e falecido em 1955, em Londres. Partilhou o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina, em 1945, com o patologista australiano Howard Florey e com o bioquímico britânico Ernst Chain. Por ter descoberto a penicilina, abriu caminho para a cura de várias doenças infecciosas, através da utilização de antibióticos.

Alexander Fleming. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-06]

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Crónica de Férias (1992) - Vila Nova de Milfontes (III)

Já passaram dois dias depois daquela estada no café Benard, onde pagamos 720$00 por 4 cafés.


Bom, mas passemos à frente: fomos ao Terreiro do Paço pela Rua Augusta, onde compramos fitinhas para o cabelo das meninas ( não é que os meninos não quisessem, mas...).

Depois disso viemos pela rua Aurea e fomos novamente para a Casal Ribeiro. Apanhamos o 78 para Milfontes. Apanhamos um susto, porque quando estavamos a meter as mochilas na bagageira era só 'pessoal' a dizer: -É para Vila Nova de Milfontes , E nós logo a pensar: -ESTAMOS TRAMADOS! Mas pronto. continuamos caminho e às 15h05 o autocarro lá partiu! Depois e muito andar de passar por Santigo do cacém, Sines, paramos em Cercal do Alentejo.



Aqui, em Cercal como tínhamos muita sede, resolvemos comprar cada um um Calippo. Fizemos semelhante figura que, tão cedo, nenhum de nós compra tal coisa! É que o Calippo é um gelado muito bom para crianças (inocentes!), mas para nós que temos uma imaginação muito fértil... Chegamos a Vila Nova de Milfontes eram precisamente 19h30m! Foi tirar as mochilas e toca a acelerar o passo até ao parque, onde já estava uma grande bicha, quando lá chegamos! Mais uma vez apanhamos um susto! É que quando chegou a vez do grupo que estava À nossa frente , só os deixaram fazer a inscrição depois de eles irem ver se havia lugar! Mas como o Alberto tem a carola desgraçada foi logo dizendo à menina da recepção que a tenda era muito pequena , pelo que fizemos logo a inscrição sem procurar primeiro! Montamos a tenda depois de muito procurar.



Montamos a tenda num sítio que bate o sol desde as 8h00 da manhã até às 5h00 da tarde! Depois fomos jantar ao restaurante Moínho. Comemos um bitoque e bebemos 3 litros de água. Depois fomos para o parque e começamos a tentar dormir. A Xana ressonou que se fartou!



Acabou o dia 3 de Agosto! No dia seguinte madrugamos! Fizemos o pequeno almoço com chá e fomos para a praia pelo caminho mais longo..não era por não sabermos o menos longo..era só para ficarmos a conhecer melhor a vila! De tarde almoçamos no parque e passamos toda a tarde na esplanada do parque a jogar cartas. A Xana e o Alberto ganharam e o Menino ficou chateadissímo! à noite saimos e encontramos o Jonas no caminho. Fomos dar uma volta e dormimos novamente cá fora.

Publicado também no Desvios

Faz anos hoje - Guy de Maupassant

No dia 5 de Agosto de 1850 nasceu Guy de Maupassant.

Da Infopédia:

Escritor francês, nascido em 1850 e falecido em 1893, foi iniciado nas Letras por Gustave Flaubert. Depois de uma breve abordagem do naturalismo na primeira novela, Boule- de-Suif , que assegurou o sucesso de Les Soirées de Médan , Maupassant conciliou uma vida intensa com uma actividade literária produtiva. Em cerca de uma década publicou mais de trinta obras, entre contos e novelas (La Maison Tellier , 1881; Les Contes de la bécasse , 1883), romances (Bel-Ami , 1885; Pierre et Jean , 1888), crónicas e peças de teatro.

Guy de Maupassant. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-05]

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Teatro Nacional de São Carlos (temporada 2009-2010)

Passei hoje no sítio Internet do Teatro Nacional de São Carlos para dar uma vista de olhos na temporada.

Reparei que lavaram a cara ao sítio e decidiram arrumar um pouco a casa. Finalmente parece já ser possível adquirir bilhetes para as récitas on-line e , para além disso a navegabilidade foi melhorada e as cores utilizadas dão ao sítio do São Carlos um aspecto mais leve e jovem.

Quanto à temporada, temos este ano, mais do mesmo. Nenhuma das óperas incluídas é da minha preferência (mas esta é uma questão de gosto pessoal que não tem nada a ver com a qualidade das obras ou dos compositores), e a maioria dos cantores estrangeiros que constituem os elencos é-me totalmente desconhecida (talvez por ignorância da minha parte). A "prata da casa" aparece, como sempre, a dar voz às personagens secundárias. Antes isso que nada...

Não tenciono assistir a nenhuma récita embora confesse alguma curiosidade com a ópera "L'occasione fa il ladro" de Rossini com elenco do Estúdio de Ópera.

Faz anos hoje - Louis Armstrong

No dia 4 de Agosto de 1901 nasceu Louis Armstrong.

Da Infopédia:

Trompetista e cantor negro norte-americano, de origem humilde, Daniel Louis Armstrong nasceu a 4 de Agosto de 1901, em Nova Orleães, Luisiana, nos EUA. Enquanto jovem aprendeu a tocar vários instrumentos de sopro, mas foi no trompete que mais se destacou. Em grande medida a ele se deve a transição de um estilo de jazz de índole mais folk, para uma forma de arte que destacava a improvisação e a criatividade do solista. Ficaram famosas as suas improvisações de sons vocálicos sem sentido, conhecidas por scatting. Já com um percurso musical distribuído por várias bandas, juntou-se, em 1922, à Oliver's Creole Jazz Band, em Chicago, na altura o centro do jazz norte-americano, tendo aí permanecido até 1924. Neste ano mudou-se para Nova Iorque, onde tocou na banda de Fletcher Henderson, considerada a melhor banda jazz do seu tempo. A sua actividade musical, crescente em solicitações e em reconhecimento pelo seu talento, incluiu algumas gravações com cantores de blues, tais como Bessie Smith, Clara Smith e Ma Rainey. Em 1925 regressou a Chicago e fundou a sua própria banda, os Louis Armstrong And His Hot Five, aos quais se sucederiam os Hot Seven. Nos dois anos seguintes granjeou o sucesso que fez dele um dos melhores trompetistas de todos os tempos e um cantor de eleição. Neste período destacaram-se temas como "Cornet Chop Suey", "Heebies Jeebies", "Potato Head Blues" e "Struttin' With Some Barbecue". Em 1928 formou os "Savoy Ballroom Five", nos quais fez dupla com o pianista Earl Hines. São deste período temas como "West End Blues", "Weather Bird", "St. James Infirmary" e "Basin Street Blues". Os anos 30 constituíram o período de ouro de Armstrong, tendo liderado várias bandas e gravado temas populares da altura, tal como "I Can't Give You Anything But Love", "Ain't Misbehavin", "Tiger Rag", "I've Got A Heart Full Of Rhythm" e "Wild Man Blues". A década de 40 viu a sua popularidade diminuir. Fundou o sexteto All Stars, com o qual tocou em palcos de todo o Mundo. Esta banda notabilizou-se pela postura humorística que tinha em palco. Nos anos 50 e 60 destacaram-se temas como "Mack The Knife" (1955), "Hello Dolly" (1964) e "What A Wonderful World" (1967), entre outros. Nos últimos anos da sua vida, o seu nome era conhecido em todo o mundo, não só pelas qualidades de trompetista, mas também por ser um cantor e um artista de entretenimento de eleição. Trabalhou ainda no cinema, tendo participado nos filmes Cabin In The Sky (1943), Jam Session (1944), High Society (1956) e The Five Pennies (1959). Em 1954, editou a sua autobiografia, Satchmo, My Life In New Orleans (1954). Morreu a 6 de Julho de 1971, em Nova Iorque. A título póstumo, algumas das suas lendárias actuações ao vivo foram lançadas em disco. Além dessas edições, uma nota para as dezenas de compilações da sua obra. Nesse formato, destaque para The Complete Hot Five and Hot Seven Recordings, editada pela Columbia em 2000. Esta edição foi repetida, dois anos mais tarde, numa caixa especial.

Louis Armstrong. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-04]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os madeirenses e o guarda-sol

O guarda-sol é um objecto de praia que não é muito utilizado aqui pela Madeira. O facto de a maioria das praias ser de calhau impede significativamente a utilização deste adereço, tão importante para a protecção dos perigosos raios solares.

Nas praias de areia, quer nas naturais, quer nas artificiais, noto que há, por parte da maioria das pessoas que usa guarda-sol, uma dificuldade enorme em enterrar a base do mesmo na areia. Esta árdua tarefa é geralmente atribuída aos indivíduos do sexo masculino que se esforçam ao máximo empurrando a base verticalmente com ambas as mãos ou usando uma pedra para bater insistentemente.

Nada disso, meus senhores... Não é assim que se enterra a base de um guarda-sol na areia. Aprendi em pequeno que, para que esta tarefa seja completada com sucesso não é preciso o uso da força, mas sim da técnica. Como?

Basta fazer movimentos de vaivem na horizontal. Desta forma a base do guarda-sol enterrar-se-à sem esforço algum.

E por aqui me fico porque ao reler este "post" notei que, para mente mais perversas, poderá ter alguma conotação sexual que não foi nada intencional.

Crónica de Férias (1992) - Vila Nova de Milfontes (II), Agosto de 1992- o Diário

'As coisas importantes guardamo-las para sempre na nossa memória. Se não nos lembramos delas é porque não são importantes.'

Não somos assim tão crentes... por isso o caderno chegou até hoje. Aqui está ele:

Vila Nova de Milfontes, Agosto de 1992- o Diário



Publicado também no Desvios

Faz anos hoje - Jonas Savimbi

No dia 3 de Agosto de 1934 nasceu Jonas Savimbi.

Da Infopédia:

Político angolano, líder da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi nasceu em 1934 e faleceu em 22 de Fevereiro de 2002. Estudou Medicina em Lisboa e doutorou-se em Ciência Política na Suíça. Voltou para Angola em 1961 e juntou-se ao movimento de independência liderado por Holden Roberto, mas abandonou-o em 1966 para fundar a UNITA. Após a independência do país, Savimbi foi o único líder político que optou por continuar a guerra, opondo-se ao MPLA. A assinatura de um acordo de paz, em 1991, permitiu a realização de eleições livres no ano seguinte, nas quais Savimbi foi candidato presidencial derrotado por José Eduardo dos Santos. A UNITA não aceitou os resultados, retomando a luta armada até que, entre outras questões, foi definido o estatuto pessoal de Savimbi. Morreu assassinado em Fevereiro de 2002.

Jonas Savimbi. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-03]

domingo, 2 de agosto de 2009

Blogue da Semana (XXVI) - Mariella Devia

O destaque desta semana no que a blogues diz respeito, vai para um blogue que tem sido a minha companhia musical nos últimos tempos.

O blogue chama-se Mariella Devia e nele o autor presta homenagem a esta cantora lírica através da disponibilização de uma vasta colecção de vídeos que chegam a incluir récitas de ópera completas.

Não me perguntem se são ou não gravações piratas, ou se estão ou não a ser infringidas algumas leis de copyright. Não sei responder. Sei, no entanto que me tenho deliciado com estes vídeos. Afinal, como os meu leitores já devem saber, a Mariella Devia é um dos meus sopranos de eleição.

Faz anos hoje - Crónica de Férias (1992) - Vila Nova de Milfontes (I)

Faz hoje 17 anos que quatro miúdos resolveram pegar nas mochilas e ir acampar para Vila Nova de Milfontes.
Muita coisa mudou, entretanto, em nós e em Vila Nova de Milfontes. Nós já não somos miúdos, somos agora quarto cidadãos com vidas iguais às de tantos outros cidadãos, e Vila Nova de Milfontes, como toda a Costa Alentejana, sofreu, o que eu não chamaria progresso, mas mutação... ou simplesmente adaptou-se aos requisitos de quem por lá foi (vai) passando.

Foram umas férias muito cansativas, com muita correria e muitos quilómetros percorridos a pé, de autocarro, de comboio e muito poucos de carro. Em contrapartida, só carregávamos mochilas e toalhas de praia... as responsabilidades, essas foram mais tarde, quando já não andávamos a pé, nem de autocarro e pouco de comboio e passamos a andar muito de carro e avião.

Dois desses miúdos, tinham (já tinham) o vício da escrita e sempre que iam de férias faziam-se acompanhar de um caderno, que funcionava como diário. Um desse miúdos, que também tem o vício de guardar tudo, conseguiu guardar o caderno até hoje e assim tornar possível partilhar estes dias dourados em plena Costa Vicentina.

Assim estes valiosos manuscritos vão ser eternizados e transcritos ponto por ponto e vírgula por vírgula tal e qual está no caderno para aqui.



02 de Agosto de 1992

02/08/92, estamos a acabar de 'fazer' a última mochila, que é, como é lógico, a do Menino!


03 de Agosto de 1992

Já são 03/08/92, a aventura já começou.
Saímos do Ervedal às 7h45 no Expresso de Lisboa. Estamos em Mora depois de passar por Aviz e Pavia.
A menina Alexandra, como sempre teve de ir à mija!
Depois de uma ligeira bicha em Vila Franca de Xira, chegamos finalmente a Lisboa. Compramos os bilhetes para Vila Nova de Milfontes e descobrimos que já não podemos sair de lá, uma vez que já não há expresso de regresso a Lisboa.
Neste momento estamos no Chiado numa esplanada a tomar café ( Benard)

(...cont)

Publicado também no Desvios

sábado, 1 de agosto de 2009

Fábrica de Histórias

Já falei várias vezes da Fábrica de Histórias aqui no Outras Escritas. Mais que "falar", já escrevi aqui algumas histórias para a dita fábrica, de acordo com o tema com que todas as semanas os seus "donos" desafiam os escritores.

O segundo volume da Fábrica de Histórias já está à venda há um tempo, mas fiquei hoje a saber que incluí duas das minhas histórias (pensei que tal só aconteceria no terceiro volume).

Estreio, assim, mais cedo do que estava à espera, a minha carreira de escritor (risos).

São apenas duas pequenas histórias, mas o facto de se encontrarem publicadas em livro é muito significativo para mim.

Os interessados, podem comprar o livro aqui.

Violinista

Desde ontem que, aparentemente, tenho um(a) novo(a) vizinho(a).

Não digo isto por ter encontrado alguém diferente no elevador e também não há mais nenhum carro no estacionamento.

A novidade está no som de um violino que se ouve pela tarde. Aconteceu ontem e hoje, e espero que continue. Afinal, não é todos os dias que ao abrir a janela do escritório se ouve Bach ou Mozart, interpretados magistralmente.

Bem vindo vizinho(a) e muito obrigado pela sua música...

Faz anos hoje - Ney Matogrosso

No dia 1 de Agosto de 1941 nasceu Ney Matogrosso.

Da Infopédia:

Cantor brasileiro, de nome verdadeiro Ney de Sousa Pereira, nasceu a 1 de Agosto de 1941, em Bela Vista (Brasil). Possui um registo vocal extremamente raro em cantores - contralto, a mais grave das três variedades da voz feminina, ou tenore bianco, uma oitava acima do contralto. O teatro constituiu uma das suas paixões de sempre, mas foi na música que alcançou o maior destaque da sua carreira. Em 1973 e 1974 integrou o grupo rock Secos e Molhados, como vocalista, atingindo sucesso sem precedentes na música brasileira. O grupo vendeu um milhão e meio de exemplares dos seus dois únicos discos. Após a dissolução dos Secos e Molhados, Ney estreou-se a solo com o álbum Água do Céu - Pássaro (1975). No espectáculo Homem de Neanderthal, que promoveu o álbum de estreia, Ney surgia em palco na pele de uma personagem meio animal, meio homem, coberta de peles, chifres e penas. A excentricidade visual constituiu imagem de marca dos espectáculos do cantor. Dos álbuns de maior sucesso da sua carreira destacam-se Bandido (1976), Feitiço (1977), Destino de Aventureiro (1984), Ao Vivo (1989), As Aparências Enganam (1993), Um Brasileiro (1996), onde Ney Matogrosso interpreta Chico Buarque, e Olhos de Farol (1999). Trabalhou com compositores como Chico Buarque - "Deixa A Menina" (1981), "Tanto Amar" (1982), "Até Ao Fim" (1983) e "Las Muchachas de Copacabana" (1986) - e Eduardo Dusek - "Folia No Matagal" (1981), "O Rei Das Selvas" (1984), "Cobra Manaus" (1983) e "Destino de Aventureiro" (1984). Experimentou o rock em "Por Que A Gente É Assim?" (1984), "Pro Dia Nascer Feliz" (1983), "Fogo E Risco" (1983) e "Tão Perto" (1984). Interpretou clássicos da MPB (música popular brasileira) como "Dora" (1987), "Nem Eu" (1994), "Retrato em Branco e Preto" (1990), "Último Desejo" (1990), "Três Apitos" (1990), "Da Cor do Pecado" (1990), "No Rancho Fundo" (1990), "Modinha" (1990), "Autonomia" (1990) e "Na Baixa do Sapateiro" (1990). De Carmen Miranda recuperou "Bambo de Bambu" (1983). De entre uma lista vasta de artistas com quem gravou, destacam-se Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Eugénia Melo e Castro, Gal Costa e Astor Piazzola. O sucesso levou-o aos palcos da Argentina, do Uruguai, a Montreux (Suíça), onde participou em dois festivais, a Israel e aos Estados Unidos. Actuou por diversas vezes em Portugal. Durante a década de 80, desenvolveu trabalho como actor, como por exemplo no filme Sonho De Valsa, realizado por Ana Carolina, e Caramujo-Flor, curta-metragem de Joel Pizzini. Produziu espectáculos para o grupo rock RPM, para os cantores Cazuza e Simone. No teatro, dirigiu e fez iluminação para o musical Somos Irmãs (1999), de Sandra Louzada. A 16 de Maio de 1999, surgiu ao lado do cantor Paulo Bragança no programa televisivo "Atlântico", da autoria de Eugénia Melo e Castro. Ainda no ano de 1999, editou Vivo, um registo de actuações no Rio de Janeiro. O regresso aos álbuns de originais aconteceu com Batuque (2001). Neste disco, o cantor interpreta canções famosas da música brasileira dos anos 20, 30 e 40. Os coros ficaram a cargo da banda Nó Em Pingo D'Água e pontificam também o percussionsta Marcos Suzano e o guitarrista João Lyra. Uma nota para referir a excelente versão de "Adeus, Batucada", um tema celebrizado pela voz de Carmen Miranda. No ano seguinte, o cantor lançou o disco Ney Matogrosso Interpreta Cartola, em homenagem a um aclamado compositor de samba. O disco foi re-editado no ano seguinte, ao vivo. O ano de 2004 fica marcado pela digressão "Vagabundo" que percorreu o Brasil e passou pelo Casinho de Espinho e pelo Algarve.

Ney Matogrosso. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-08-01]