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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Mariella Devia e Gregory Kunde em Il Pirata de Bellini / Mariella Devia and Gregory Kunde in Il Pirata by Vincezo Bellini

(in english bellow)

Acabei de ouvir em directo na Rádio Catalunya Musica a última récita da ópera Il Pirata de Vincenzo Bellini no Gran Teatro del Liceu de Barcelona.

Esta ópera, é pouco apresentada nos teatros de ópera actualmente, uma vez que representa um "tour de force" para o soprano, no papel de Imogene, e para o tenor no papel de Gualtiero. No passado destacam-se as interpretações de Callas e de Caballé (que dizia que cantar Imogene é mais difícil que cantar Norma).

Para estas récitas, em versão concerto, o Teatro del Liceu não poderia ter escolhido melhor dupla de cantores: o soprano italiano Mariella Devia e o tenor americano Gregory Kunde.

Mariella Devia, aos 64 anos, interpreta magistralmente a partitura. Não há uma falha na linha melódica, o legatto é irrepreensível e a beleza tonal notável. Até consegue umas notas graves de peito com um volume apreciável, coisa que não é comum na cantora.

Gregory Kunde enfrenta com bravura a difícil partitura para tenor. Bellini escreveu o papel de Gualtiero para o tenor Giovanni Rubini e, por isso, numa tessitura muito aguda. Kunde, que já não é novo, foi extraordinário em todos os registos e ainda nos brindou com alguns agudos que não estão na partitura. Pessoalmente gosto muito da voz do tenor que já tive oportunidade de ouvir em Barcelona na ópera Anna Bolena.

O resto do elenco esteve bem, nomeadamente o barítono Vladimir Stoyanov.

Segue-se um vídeo com a captação audio da cena final (4 de Janeiro).


I just heard live on Catalunya Radio Music he last performance of the opera  Il Pirata by Vincenzo Bellini at Gran Teatro del Liceu in Barcelona.

This opera is not presented in much these days, since it's a "tour de force" for the soprano, in the role of Imogene, and for the tenor in the role of Gualtiero. In the past the interpretations of Callas and Caballé (that said Imogene singing is harder to sing Norma) are references.

For these performances, in concert version, the Teatro del Liceu could not have chosen a better pair of singers: italian soprano Mariella Devia and american tenor Gregory Kunde.

Mariella Devia, at 64, interprets the score masterfully. There is not a flaw in the melodic line, the legatto is impeccable and the voice is beautiful. Even in the lower register, the singer managed quite well some chest notes.

Gregory Kunde bravely faces the difficult score of the tenor. Bellini wrote the role of  Gualtiero for the tenor Giovanni Rubini and therefore a very high tessiture. Kunde, in his fifties  was extraordinary in all registers and even offered us some highs that are not in the score. Personally I love the tenor's voice  who had an opportunity to listen in Barcelona at the opera Anna Bolena.

The rest of the cast was good, baritone Vladimir Stoyanov in particular.

Above a video of the final scene (January 4th).

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lucia di Lammermoor - Cena da loucura

Coloquei há dois dias aqui no Outras Escritas um desafio ao leitores que partilham comigo o gosto pela ópera. No post era apresentado um vídeo com a interpretação do final da cena de loucura da ópera Lucia di Lammermoor de Donizetti, pelo soprano Mariella Devia. O desafio era identificar o que tinha de especial a interpretação.

A resposta foi dada nos comentários, mas de qualquer forma, o assunto merece ser aqui apresentado.

Comecemos pelo início. Uma cena de loucura no mundo da ópera é geralmente interpretada por uma personagem feminina que por razões amorosas enlouquece. Este tipo de cenas teve o seu expoente máximo no período do belcanto (primeira metade do séc. XIX) nomeadamente nas composições de Donizetti e de Bellini. Donizetti compôs cenas de loucura para as óperas, Lucia di Lammermoor, Maria Padilla, Linda di Chamounix e Anna Bolena, e Bellini para as ópera I Puritani e Il Pirata e ainda uma cena de sonambulismo para La Sonnambula.

Como é característico das composições do período do belcanto, neste tipo de cenas, o estado de loucura é transmitido através da voz. Para além disso, e como era prática habitual na época, cada interprete aproveitava estas cenas para demonstrar as suas capacidades vocais, adicionado um conjunto de ornamentações. Globalmente, uma cena de loucura apresenta-se como um verdadeiro desafio vocal para os intérpretes.

A cena de loucura da ópera Lucia di Lammermmor (1835) é, por ventura a mais famosa e a que mais é interpretada. A ópera esteve afastada dos teatros até meados do séc. XX, mas graças a Maria Callas foi recuperada e é hoje apresentada com alguma frequência. Curiosamente foi Lucia que catapultou a carreia de Joan Sutherland em 1958. Sutherland é, na minha opinião a melhor interprete de sempre deste papel.

Mas voltemos à interpretação de Mariella Devia. O que a torna especial é o facto de a cantora interpretar toda a cena na tonalidade de Fá maior e não, como é usual em Mi bemol maior. Curiosamente, Donizetti fez a composição em Fá maior, mas isso torna a interpretação praticamente impossível para a maioria dos sopranos. Mesmo para quem tem poucos conhecimentos de teoria musical (como eu), é fácil concluir que a interpretação em Fá maior obriga a uma tessitura mais aguda que em Mi bemol maior.

Resumindo, a nota sobre-aguda no final de cada uma das árias que compõem a cena é geralmente um Mi bemol, mas no caso de Devia é um Fá (um tom acima). Este facto por ser fora do comum está documentado na Wikipedia, na página relativa à ópera Lucia di Lammermoor (ver mad scene).

Perguntar-me-ão o porquê de o compositor ter escrito e cena em Fá maior se quase nenhum soprano a consegue interpretar nessa tonalidade. A resposta está no facto de a frequência associada a uma nota no tempo em que a ópera foi composta, ser inferior à frequência normalizada para os dias de hoje. Não me alongo mais neste assunto, porque ele está para além dos meus conhecimentos de teoria musical.

Seguem-se três videos com a interpretação de Devia na tonalidade de Fá maior captada ao vivo em 1990 (chamo a atenção para as notas que coloquei no segundo e terceiro vídeos).


Início da cena da loucura. Il dolce suono


Ardon gli insensi. Lucia imagina que esta a casar com Edgardo seu amado.
Chamo a atenção para o que se passa ao minuto 4. Devia em vez de fazer o usual diálogo com uma flauta, faz uma cadenza sem qualquer suporte da orquestra. A voz fica totalmente exposta e atinge o primeiro Fá sobre-agudo (última nota antes da entrada da orquestra)


Spargi d'amaro pianto. Final da cena de loucura, com mais agitação. Segundo Fá sobre-agudo no final.


A identificação das notas pode ser feita através da utilização deste piano virtual.

Mariella Devia não terá interpretado a cena da loucura em Fá maior muitas vezes. Nos vídeos seguintes a cantora faz a interpretação na usual tonalidade de Mi bemol maior.






Cena da loucura interpretada na tonalidade de Mi bemol e da forma que se tem tornado usual. Estava gravação do Scala de Milão foi efectuada em 1992 e está disponível em DVD.

Independentemente da tonalidade, Mareilla Devia é uma interprete extraordinária de Lucia di Lammermoor. Este terá sido o papel que a cantora interpretou mais vezes durante a sua longa carreira. Em 2006 cantou Lucia pela última vez, no Scala de Milão. Terá afirmado na altura que deixava de cantar esta ópera não por questões vocais, mas porque não tinha mais nada a acrescentar à interpretação.
Infelizmente nunca ouvi Devia a interpretar Lucia di Lammermoor ao vivo. No entanto continuo a aguardar com expectativa a Anna Bolena de Barcelona.


Dedico este post ao FanaticoUm do blogue Fanáticos da Ópera, ao Mário do blogue O Livro de Areia e ao José Quintela Soares do blogue Opera per Tutti.

domingo, 9 de setembro de 2012

Voce che Tenera (Mariella Devia, Rossini Opera Festival 2012)

Assisti no passado dia 20 de Agosto, no âmbito do Rossini Opera Festival 2012, a um concerto do soprano Mariella Devia intitulado "Voce che Tenera". O concerto ocorreu no Teatro Rossini e o soprano foi acompanhado pela Orquestra Sinfónica Gioachino Rossini dirigida pelo maestro Antonino Fogliani.

Como os meus leitores sabem, considero Mariella Devia uma das melhores cantoras do repertório de bel canto da actualidade. Neste concerto a cantora provou isso mesmo, ao interpretar de forma magistral árias de óperas de Rossini, Bellini e Donizetti.

Este foi o programa do concerto:

Gioachino Rossini

Semiramide - Sinfonia
Adelaide di Borgogna - Cavatina de Adelaide "Occhi miei piangeste assai"
Tancredi - Scena e Cavatina di Amenaide "Di mia vita infelice... No, che il morir non è..."


Vincenzo Bellini

Norma - Sinfonia
I Capuleti e i Montecchi - Recitativo e Romanza di Giulietta "Eccomi in lieta vesta... Oh! quante volte, oh quante!"
Norma - Cavatina di Norma "Casta Diva"


Gaetano Donizetti

Maria Stuarda - Sinfonia
Anna Bolena - Scena e Aria Finale "Piangete voi?... Al dolce guidami... Coppia iniqua"


Tudo menos fácil, é o mínimo que se pode dizer neste programa. De Rossini, a cantora interpretou duas cavatinas que, obrigam a um legatto e controlo respiratório tremendos. Poderia ter interpretado uma ou duas cabalettas, mas para Mariella Devia não há que evitar dificuldades!

Mas foi com Bellini e Donizetti que a cantora demonstrou todas as sua capacidades vocais e interpretativas. "Oh! Quante volte, oh quante" e "Casta Diva" foram interpretadas de forma sublime, com um legatto perfeito, uns pianíssimos sublimes e uns agudos belíssimos. Penso que em 2012 a cantora se estreará no papel de Norma e, a avaliar pela sua interpretação de Casta Diva, este será mais um dos papeis de sucesso da sua longa carreira.

Para terminar o programa, Mariella Devia, apresenta a cena final da ópera Anna Bolena de Donizetti. Quem conhece esta ópera, sabe que esta cena é muito longa e de estrema dificuldade interpretativa. Inicia-se com um recitativo, "Piangete voi", durante o qual a voz fica várias vezes exposta sem qualquer acompanhamento orquestral e cuja intensidade vai de uma serenidade quase absoluta a uma agitação tremenda. Segue-se uma dificílima cavatina, com frases muito longas, sem qualquer possibilidade de respirações intermédias, sob risco de se perder completamente a linha melódica. Por fim, a cabaletta "Coppia iniqua" que exige uma agilidade e um controlo respiratório tremendos.
A cantora interpretou esta cena, como se nada fosse difícil. O legatto foi perfeito, as respirações quase imperceptíveis e nos locais certos (às vezes parece-me que tem 3 pulmões) e as passagens de coloratura sem qualquer falha. Para terminar o público é brindado no final da cabaletta com um mi bemol sobreagudo em fortíssimo que deixou a sala aos gritos!

Como extras, Devia interpretou de Pucini, Quando me'n vo" de "La Bohéme" e repetiu a cavatina "Pangete voi".

Inesquecível este concerto. Ficará certamente na minha memória como um dos melhores concertos a que já assisti.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mariella Devia estreia-se hoje na ópera Roberto Devereux / Mariella Devia debuts today in Roberto Devereux



O soprano Mariella Devia, terá afirmado em tempos que não interpretaria o papel de Elisabetta na ópera Roberto Devereux de Gaetano Donizetti (não tenho confirmação oficial). Para os apreciadores de bel canto era uma pena que tal não acontecesse, uma vez que a cantora tem vindo a interpretar de forma superlativa as duas óperas de Donizetti que em conjunto com esta formam a trilogia das Rainhas Tudor (Maria Stuarda e Anna Bolena).


Beverly Sills, soprano americano que fez sucesso com esta trilogia na segunda metade do século passado, afirmou que Roberto Devereux lhe encurtou a carreira em dez anos, aludindo ao grau de dificuldade da interpretação de Elisabetta.

Actualmente, Edita Gruberova tem interpretado este repertório com enorme e merecido sucesso. Tive o privilégio de assistir as suas interpretações de Roberto Devereux (Munique 2005) e Anna Bolena (Barcelona 2011) e considero-as pontos altos da sua longa carreira.

Mariella Devia encarnará hoje pela primeira vez o papel de Isabel I (Elisabetta I) em Marselha. A cantora 63 anos avança desta forma para mais um desafio na sua carreira, o que demonstra que é detentora de uma técnica extraordinária, para além de todas as suas outras qualidade vocais de que tenho falado inúmeras vezes aqui no Outras Escritas.

Infelizmente não posso estar hoje em Marselha.

Mais informações aqui.



The italian soprano Mariella Devia debuts today in Elisabetta's role in the opera Roberto Devereux by Donizetti in Marseille (France).

More information here

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Uma lição de canto

Gostava de vos apresentar a soprano italiana Mariella Devia.

Detentora de uma voz extraordinária, com um timbre muito agradável e um registo agudo invejável, Mariella Devia continua a brilhar nos palcos Europeus, mesmo com os seus 60 anos de idade.

No vídeo que se segue podemos acompanhar a cantora num ensaio de uma ária da ópera Le Nozze e di Peleo de Rossini. Curiosa a forma como o maestro e o pianista discutem a introdução ou não da nota aguda. Curioso também, é o facto Devia cantar a plena voz no ensaio, coisa que muitos cantores não costumam fazer.

O vídeo foi captado em 1992.





Já em 2008, com 60 anos, Mariella Devia estreia-se na ópera Anna Bolena de Gaetano Donizetti.

Deixo-vos um vídeo com uma reportagem feita para televisão sobre esta ópera.





Ainda não tive oportunidade de ver e ouvir Mariella Devia ao vivo. Espero fazê-lo brevemente.

domingo, 21 de março de 2010

Lucrezia Borgia (Gaetano Donizetti) - Ancona 19/02/2010 - IV

Termino esta série de posts sobre a Lucrezia Borgia de Ancona com a apreciação da voz de Mariella Devia.

Foi por causa de Mariella Devia que fiz esta viagem. Demorei dois dias a chegar a Ancona e dois dia para regressar.

Valeu a pena? Claro que sim...

Já conheço a voz de Devia há muito tempo, visto que tenho várias interpretações da cantora em CD e DVD e no youtube existe uma colecção apreciável de vídeos seus. No entanto, por muito que se esteja familiarizado com uma voz, o que é facto é que as gravações muitas vezes não nos dão uma perspectiva exacta da mesma. Há umas vozes que nos parecem extraordinárias em gravação e que depois nos desiludem ao vivo e há outras cujas qualidades nunca são devidamente evidenciadas em gravação.

Quanto à Devia, devo confessar-vos que tinha algum receio em termos de volume e projecção. Já me aconteceu várias vezes gostar da voz de um cantor e depois ficar desiludido porque mal o consigo ouvir no teatro de ópera.

Estes receios foram postos de parte assim que Devia cantou a primeira nota. A voz tem um volume e uma projecção apreciáveis (mais do que eu esperava). Para além disso é muito clara e acutilante, atingindo-nos como se de uma flecha se tratasse. Para além disso o timbre é belíssimo e a dicção perfeita.

Para além destas qualidades, o que permite à cantora de 62 manter uma voz com possibilidade de interpretar óperas como Lucrezia Borgia, Maria Stuarda, Lucia di Lammermoor e Anna Bolena (todas autênticos "cavalos de batalha" de Donizetti) é sem dúvida a técnica. Realmente, não há uma respiração fora do lugar ou uma nota que acuse esforço.

A cantora foi brilhante nesta interpretação de Lucrezia Borgia. Excedeu todas as minhas expectativas e tornou aquela noite em Ancona verdadeiramente memorável para mim. Terminou a ária final Era desso il figlio mio com um extraordinário mi bemol sobre-agudo em crescendo que fez a casa "vir abaixo", mesmo antes da orquestra terminar...

Ao sair do teatro e depois de longos minutos de aplausos em pé e ovações de brava, fiquei nas redondezas, para tentar a sorte de conseguir falar com Devia. Já estava quase a desistir, quando reparei que havia um grupo de pessoas perto de uma das portas laterais do teatro. Dirigi-me para lá, e lá estava a pequena simples e humilde diva a falar com alguns dos seu apreciadores. Consegui dar-lhe os parabéns, elogiar a sua magnífica voz e tirar a fotografia que já se encontra aqui no Outras Escritas há algum tempo.

Foi o concretizar de um sonho.

Aqui ficam alguns vídeos com excertos das récitas de 19 e 21 de Fevereiro.


Com'è bello - 19/02


Dueto com Dom Alfonso (Alex Exposito)- 19/02


Era desso il figlio mio - 19/02


Dueto com Gennaro (Giuseppe Filianoti) - 19/02


Final do primeiro acto com Gennaro (Giuseppe Filianoti) e Don Alfonso (Alex Exposito) - 19/02


Era desso il figlio mio - 21/02

domingo, 14 de abril de 2013

Mariella Devia em Norma / Mariella Devia in Norma

O soprano italiano Mariella Devia estreou-se ontem, depois de completar 65 anos de idade, no papel de Norma, que será porventura o mais difícil de todos os papeis do repertório do Bel canto italiano.

Um feito extraordinário no mundo da ópera e uma interpretação fantástica a avaliar pelos primeiros vídeos disponíveis no Youtube.


Italian soprano Mariella Devia debuted yesterday, at 65, the role of Norma by Bellini, the most difficult role in italian Bel canto repertoire.


An extraordinary event in the opera world and a fantastic interpretation judging from the first videos available on Youtube.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Parabéns Mariella Devia / Happy Birthday Mariella Devia

@ Enrico Margiotta
Mariella Devia, uma rainha do Bel Canto, faz hoje 65 anos e debuta amanhã no papel de Norma no Teatro Comunale di Bologna.

Parabéns a uma das minhas cantoras preferidas!


Today is the 65th birthday of Mariella Devia, a Bel Canto queen. The singer debuts tomorrow the role of Norma in Teatro Comunale di Bologna.

Happy Birthday to one of my favorite singers!



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mariella Devia em Roberto Devereux


O soprano Mariella Devia, terá afirmado em tempos que não interpretaria o papel de Elisabetta na ópera Roberto Devereux de Gaetano Donizetti (não tenho confirmação oficial). Para os apreciadores de bel canto era uma pena que tal não acontecesse, uma vez que a cantora tem vindo a interpretar de forma superlativa as duas óperas de Donizetti que em conjunto com esta formam a trilogia das Rainhas Tudor (Maria Stuarda e Anna Bolena).


Beverly Sills, soprano americano que fez sucesso com esta trilogia na segunda metade do século passado, afirmou que Roberto Devereux lhe encurtou a carreira em dez anos, aludindo ao grau de dificuldade da interpretação de Elisabetta.

Actualmente, Edita Gruberova tem interpretado este repertório com enorme e merecido sucesso. Tive o privilégio de assistir as suas interpretações de Roberto Devereux (Munique 2005) e Anna Bolena (Barcelona 2011) e considero-as pontos altos da sua carreira.

Recentemente tive conhecimento através da minha amiga Adélia, fã incondicional de Mariella Devia, que a cantora irá interpretar Elisabetta na ópera Roberto Devereux pela primeira vez em Marselha no próximo mês de Novembro (versão concerto).

Mariella Devia com 63 anos avança desta forma para mais um desafio na sua longa carreira, o que demonstra que é detentora de um técnica extraordinária, para além de todas as suas outras qualidade vocais de que tenho falado inúmeras vezes aqui no Outras Escritas.

Esperemos que a crise não me impeça de dar "um pulo" a Marselha.

Mais informações aqui.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mariella Devia e a rainha esquecida de Donizetti / Mariella Devia and the forgotten Donizetti's queen

Anna Bolena, Roberto Devereux e Maria Stuarda são conhecidas como as "três rainhas Tudor" de Donizetti. Há porém uma outra ópera do compositor inspirada na rainha Isabel I de Inglaterra, que não é posta em cena com frequência. Chama-se Elisabetta al Castello di Kenilworth e foi estreada em 1929. Deixo-vos uma captação áudio com uma récita ocorrida em 1989 em que o soprano Mareilla Devia  encarna magistralmente o papel de Elisabetta.


Anna Bolena, Roberto Devereux and Maria Stuarda are known as the "three Tudor queens" by Donizetti. But there is another opera from the composer inspired by Queen Elizabeth I of England, which is not often presents on opera theaters. The name is Elisabetta al Castello di Kenilworth and was premiered in 1929. I leave you with an audio capture of performance that took place in 1989 with the soprano Mareilla Devia in the role of Elisabetta.






Elisabetta - Mariella Devia
Amelia Robsart - Denia Mazzola(-Gavazzeni)
Leicester - Jozef Kundlák
Warney - Barry Anderson
Lambourne - Carlo Striuli
Fanny - Clara Foti

Conductor - Jan Latham-Koenig
Orchestra - RAI Milano
Chorus - RAI Milano

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Desilusão

Já escrevi uma série de vezes aqui no Outras Escritas sobre o meu entusiasmo para as duas récitas a que vou assistir no Teatro del Liceu de Barcelona da ópera Anna Bolena de Gaetano Donizetti. Deslocar-me-ei duas vezes a Barcelona por forma a assistir a esta ópera com dois elencos diferentes.

Em Fevereiro Anna Bolena será interpretada por Edita Gruberova e em Março por, pensava eu, Mariella Devia.

Qual não é o meu espanto quando, em troca de comentários com o FanaticoUm, venho a saber que Devia foi substituída por Maria Pia Piscitelli.

Devo dizer-vos que tive uma grande desilusão. Mariella Devia é dos meus sopranos favoritos e tive apenas a oportunidade de a ver e ouvir numa récita em versão concerto da ópera Lucrezia Borgia ocorrida em Ancona em Fevereiro de 2010. A senhora conta já com 62 anos e mais dia menos dia resolverá aposentar-se o que me leva a pensar que talvez tenha perdido a oportunidade de a voltar a ouvir.

Para completar este cenário, Maria Pia Piscitelli, não me parece ter voz e técnica à altura do papel de Anna Bolena (sobre-agudas já sei que não tem).

Aqui ficam alguns vídeos com Mariella Devia a interpretar Anna Bolena. Quase nem acredito naquilo que não vou ouvir. Eu, e o FanaticoUm, a quem "apresentei" a voz da cantora e que, por minha influência, comprou bilhetes para uma das récitas de Barcelona.












quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mariella Devia no Roberto Devereux / Mariella Devia in Roberto Devereux

Pelos comentários que tenho lido, Mariella Devia fez uma excelente interpretação de Elisabetta na ópera Roberto Devereux em Marselha no passado dia 22.

Aqui fica uma fotografia dos agradecimentos que gentilmente me foi cedida por Yvette Hirst.



For what I 've read, Mariella  made an excellent interpretation of Elisabetta in the opera Roberto Devereux in Marseille in November 22.

Here is a photo by Yvette Hirst of one of the curtain calls.

domingo, 17 de junho de 2012

Rossini Opera Festival (novidades)


Depois de ter escrito "isto" aqui no Outras Escritas, como desabafo pelo facto de, mais uma vez, não poder comparecer no Rossini Opera Festival em Pesaro (Itália), uma amiga também apreciadora da ópera, chamou-me a atenção para o facto de "mais uma vez" eu perder um concerto do soprano Mariella Devia que já há uns anos não acontecia neste festival. Fiquei surpreendido, uma vez que, não sei como, não tinha reparado que este concerto estava incluído no programa e Mariella Devia é um dos meus sopranos favoritos da actualidade.


Assim sendo, resolvi mesmo contrariar esta malfadada crise em que o país está mergulhado e partir, pela primeira vez, à descoberta do maior festival dedicado a Rossini, que é um dos meus compositores favoritos.

Neste momento já tenho tudo reservado, incluindo os bilhetes para as récitas e concerto.

Aqui fica o "programa das festas":

19/08/2012 - Ciro in Babilonia (onde destaco a participação de um dos maiores contraltos da actualidade, Ewa Podles);

20/08/2012 - Voce que tenera (concerto com o soprano Mariella Devia, com interpretações de arias de Rossini, Belline e Donizetti)

20/08/2012 - Mathilde di Shabran (com a presença extraordinário Juan Diego Flórez)

21/08/2012 - Il signor Bruschino.


Demoro quase três dias a chegar a Pesaro. mas tenho a certeza que vai valer a pena!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mariella Devia e as vicissitudes de viver numa região ultra-periférica

O que terá a Mariella Devia, cantora de ópera, a ver com o facto de eu viver numa ilha ultra-periférica da União Europeia?

Tem tudo...

A senhora está em fim de carreira (embora a voz se mantenha quase inalterada) e descobrir quando participará num concerto ou récita de ópera é "uma aventura".

Depois de muito procurar, descobri que a cantora encarnará a Lucrezia Borgia de Donizetti em duas récitas no Teatro delle Muse em Ancona (Itália).

Até aqui tudo perfeito. O problema é mesmo chegar lá. Existe a possibilidade de voar para Lisboa e depois para Roma (na easyJet) e depois mais 3 horas de comboio até Ancona. O pior é que os horários implicam mais de um dia de viagem.

Mas ainda não desisti. Vou ter que esperar pelo início da venda de bilhetes para a récita que se inicia a 29 de Dezembro.

Veremos...

G. Donizetti

LUCREZIA BORGIA

Melodramma in un prologo e due atti - Libretto di Felice Romani

Universal Music Publishing Ricordi srl, Milano

Personaggi e interpreti

Lucrezia Borgia Mariella Devia

Gennaro Giuseppe Filianoti

Maffio Orsini Marianna Pizzolato

Il Duca Alfonso Alex Esposito

Direttore Marco Guidarini

Orchestra Filarmonica Marchigiana

Coro Lirico Marchigiano “V. Bellini” - Maestro del coro David Crescenzi

Esecuzione in forma di concerto

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mariella Devia - Semiramide

A ópera Semiramide de Rossini, é das óperas que mais aprecio deste compositor. Pouco apresentada actualmente por falta de vozes e porque a encenação não será das mais fáceis, Semiramide celebrizou-se nos anos sessenta e setenta do século XX pelas interpretações de Joan Sutherland como Semiramide e de Marylin Horne como Arsace.

No blogue "Mariella Devia" que já destaquei aqui no Outras Escritas, encontra-se um conjunto de quatro vídeos de uma récita da Semiramide ocorrida no La Fenice em 1992. De elenco destaco Mariella Devia e Ewa Podlés.

Aqui ficam os "links":

Semiramide 1


Semiramide 2

Semiramide 3

Semiramide 4

domingo, 2 de agosto de 2009

Blogue da Semana (XXVI) - Mariella Devia

O destaque desta semana no que a blogues diz respeito, vai para um blogue que tem sido a minha companhia musical nos últimos tempos.

O blogue chama-se Mariella Devia e nele o autor presta homenagem a esta cantora lírica através da disponibilização de uma vasta colecção de vídeos que chegam a incluir récitas de ópera completas.

Não me perguntem se são ou não gravações piratas, ou se estão ou não a ser infringidas algumas leis de copyright. Não sei responder. Sei, no entanto que me tenho deliciado com estes vídeos. Afinal, como os meu leitores já devem saber, a Mariella Devia é um dos meus sopranos de eleição.

domingo, 31 de outubro de 2010

Mariella Devia em I Puritani de Bellini (vídeo de má qualidade)

A qualidade do vídeo é bastante má e a parte de áudio também não é grande coisa, no entanto, acho  curiosa a interpretação de Mariella Devia da ária Son virgin vezzosa da ópera I Puritani de Bellini.

Não sei se para mostrar as capacidades vocais da senhora, ou se por decisão do maestro, a ária é bastante alterada face ao original de Bellini (afirmo isto com base nas interpretações que conheço e não porque tenha consultado a partitura). Devia transforma a ária num tour de force (dura seis minutos contra os habituais quatro) e introduz variações que muitos devem considerar que nada têm a ver com a composição ou o estilo de Bellini. No que me toca, partilho essa opinião. Há partes da ária que se tornam quase "rossinianas", o que não me parece ser nada indicado.

De qualquer forma, e como é habitual, Devia interpreta a ária magnificamente, sem qualquer esforço e em muito boa voz. Reparem como a cantora na nota sobre-aguda final (ré) sai a saltar de palco sem que se note qualquer oscilação na voz, revelando uma técnica soberba.




Já agora, deixo outro vídeo com a cantora numa interpretação da mesma ária, mas sem as variações anteriores. Para mim o resultado é bem mais conseguido. Mais uma vez a senhora apresenta-se em excelentes forma vocal (mais uma vez o vídeo é de má qualidade).

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mariella Devia - Maria Stuarda e Anna Bolena

Comentava o Mário, num "post" que recentemente aqui coloquei com uma interpretação da ária final da ópera Zelmira de Rossini interpretada pelo soprano Mariella Devia, que esta senhora é "uma grande rossiniana".

Como de costume, concordo com o Mário. No entanto, penso que La Devia é muito mais que uma grande rossiniana. É também uma grande donizettiana. A comprová-lo aqui ficam dois vídeos (gravação áudio) em que a cantora interpreta as árias finais das óperas Maria Stuarda e Anna Bolena.

A captação foi feita num concerto que ocorreu em Génova em Junho passado.

Já agora, querem adivinhar a idade da Devia? A idade real, porque pela voz parece estar ainda na casa dos 30/40...



sábado, 7 de julho de 2012

Mariella Devia em Lucrezia Borgia (Ancona 19/2/2010

Encontrei finalmente no Youtube, um vídeo com a interpretação de Mariella Devia, do final da ópera Lucrezia Borgia a que assisti em Ancona a 19 de Fevereiro de 2010.

Para além da interpretação excepcional da cantora, chamo a atenção para o tenor, Giuseppe Filianoti que no final, olha para Devia certamente sem certeza da interpolação ou não, do mi bemol sobre-agudo. Como é evidente, o mi bemol surgiu (e em crescendo) e o cantor não pôde deixar de sorrir.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Semiramide de Rossini com Devia e Podles

A ópera Semiramide é uma das minha preferidas do repertório de Rossini. Exige um leque de cantores considerável e inclui dois dos mais belo duetos do compositor entre Semiramide (soprano) e Arsace (mezzo soprano ou contralto).

Aqui ficam dois vídeos com uma récita completa da ópera ocorrida em Veneza em 1992 e que tenho ouvido nos últimos dias. Semiramide é Mariella Devia e Arsace é Ewa Podles. Curiosamente fala-se hoje de Ewa Podles no blogue Fanáticos da Ópera a propósito de uma récita da ópera Cedrillon de Jules Massenet.

Ambas as cantoras extraordinárias, quer nas árias, quer nos duetos que referi.





Maestro -  Henry Lewis - 1992
Orquestra - Teatro La Fenice di Venezia
Coro - Teatro La Fenice di Venezia
Semiramide - Mariella Devia
Arsace - Ewa Podles
Assur - Carlo Colombara
Idreno - Luca Canonici
Oroe - Franco De Grandis
L'Ombra di Nino - Riccardo Ferrari
Mitrane - Paolo Zizich
Azema - Monica Valenti